Deepfakes (ou Estamos Todos Ferrados)

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Política, Vídeos | 4 comentários

Não é preciso muito para enganar os ingênuos nem aqueles que querem ser enganados. Nas últimas eleições, a mentira foi a plataforma eleitoral favorita dos vencedores – e, como é possível concluir pelo fato de terem vencido, uma estratégia eficaz. Mamadeiras com bicos em formato de pênis, kits gay, militares cubanos enviados para proteger Haddad, trouxinhas de maconha embaladas com a foto de Lula para arrecadar dinheiro para o PT… por mais absurda que fosse a mentira, não faltavam indivíduos dispostos a replicá-las usando montagens toscas, áudios amadores e imagens tiradas de contexto. Bastava uma rápida pesquisa no Google para desmascarar as farsas, mas a velocidade com que estas eram espalhadas pelo WhatsApp era imbatível.

Agora imaginem se, digamos, surgisse um vídeo no qual Lula (ou Ciro Gomes ou Marina Silva ou Boulos ou Haddad ou…) pudesse ser visto claramente dando um tapa em uma criança ou cheirando cocaína ou dizendo alguma barbaridade. Ora, se uma mera mensagem de texto já faz tantos estragos, o que um registro em áudio e vídeo poderia provocar?

Até hoje, os recursos e conhecimentos necessários para produzir um vídeo falso tornavam este tipo de fraude difícil para o uso cotidiano em campanhas eleitorais, mas o avanço dos softwares dedicados a este tipo de trabalho tem sido tão rápido que, em breve, pessoas com experiência mínima em manipulação digital poderão produzir suas próprias montagens.

Estou falando de deepfake, uma tecnologia que emprega a inteligência artificial para mapear as áreas do rosto de alguém e substitui-las pelo de outra pessoa a partir de fotos de referência. Como comentei no twitter outro dia, ainda em estamos em 2019 e os resultados alcançados já são impressionantes; quando as próximas eleições chegarem, tudo estará pronto para uma campanha repleta de imundície.

Incluo, abaixo, alguns exemplos que me impressionaram bastante (e notem, no primeiro, como a transformação do rosto de Bill Hader no de Schwarzenegger é feita com uma fluidez espantosa):

E, abaixo, um breve vídeo explicando o processo:

E aí? Exagerei no título alternativo deste post?

A Promessa e a Realidade

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Mundo, Política | 11 comentários

O mundo hoje é um lugar pior do que era há 10 anos. É triste constatar isso, já que o ideal seria seguirmos num processo de melhora coletiva como espécie, mas negar o óbvio é impossível: em todo o planeta, governos com viés nacionalista, xenofóbico e autoritário vêm assumindo o poder graças a campanhas consistentes de demonização do que é “diferente”. Insuflar o ódio é mais fácil do que estimular o afeto – o primeiro envolve apenas fechar os olhos para o próximo; o segundo, investir numa relação que reconheça o próximo como igual.

Relendo posts que publiquei no Facebook há muitos anos com o objetivo de ver o que valeria a pena arquivar neste espaço renascido, fui tomado por uma melancolia crescente ao perceber como os problemas sobre os quais escrevia em 2012 hoje soam quase triviais se comparados aos que passaram a nos atormentar. Se antes havia meia dúzia de criacionistas querendo ver dinossauros e homens convivendo em dioramas em museus de História Natural, agora há milhares de terraplanistas insistindo que a negação de sua “teoria” é resultado de uma conspiração global – e, sim, usam a palavra “global” sem aparentemente perceber a ironia da situação.

Em 2012, Bolsonaro era uma aberração vista como tal; hoje, é uma aberração que ocupa a cadeira de presidente da república. Onde erramos? Como este futuro distópico virou presente?

Particularmente, deposito parte da responsabilidade sobre as redes sociais. Há (vários) outros fatores, é claro, mas tenho convicção de que espaços como o Facebook e o Twitter tornaram possível a coordenação de narrativas falsas usadas para despertar e inflamar o medo de boa parte da população, já que este frequentemente é seguido pela raiva. Medo da “ditadura gayzista“, do comunismo (como se tivéssemos retornado à década de 50), das “feminazis” que querem destruir o patriarcado, das minorias dispostas a tomar tudo dos homens brancos cis heterossexuais.

Minha queixa não é contra a Internet em si, percebam; a democratização da informação e a facilidade na comunicação obviamente trouxeram avanços indiscutíveis – e por alguns anos gloriosos, entrar na rede representava a possibilidade de descobrir o mundo, fosse”visitando” o Louvre e apreciando suas obras, fosse pesquisando em bases de dados antes fora de alcance. Se havia um ponto negativo reconhecido universalmente, este residia no baixíssimo nível dos comentários publicados em portais e sites e que todos reconheciam como o esgoto da web.

Pois as redes sociais serviram justamente para transformar os comentários no centro da Internet.

A partir daí, todos aqueles que viviam isolados na escuridão de seus porões repletos de intolerância puderam descobrir seus pares, empoderando-se mutuamente e passando a vomitar sua irracionalidade sob a luz do dia. Aos poucos, a desinformação se tornou estratégia destes grupos e, com isso, a maior virtude da rede se perdeu à medida que a mentira passou a ocupar o mesmo espaço dos fatos. A era da pós-verdade se estabeleceu e, no meio de toda a confusão, tudo perdeu a credibilidade. E se ninguém é mais fidedigno, aqueles capazes de gritar mentiras em maior volume ganharão.

E estão ganhando.

Como conceito, a Internet era a promessa de um mundo melhor; na prática, contudo, comprovou apenas que não éramos evoluídos o bastante para lidarmos com o poder que trazia.

Acho que nunca seremos.

Lá e de volta outra vez

postado em by Pablo Villaça em Cotidiano, Editorial, Sem categoria, Variados | 67 comentários

A escrita é fruto da prática. É como um músculo que, exercitado, se mostra capaz de carregar mais e mais peso; ignore-o, porém, e logo perceberá ter dificuldades para desempenhar tarefas antes consideradas fáceis.

Neste sentido, as redes sociais são como um sofá confortável e tentador no qual nos deitamos para um cochilo e, quando nos damos conta, doze horas se passaram: com sua natureza de gratificação instantânea, seja através de RTs ou de likes, elas seduzem também por sua efemeridade, já que, abrigando palavras que em pouco tempo ficarão no passado da timeline, estimulam certa preguiça na estruturação do texto. Um tweet, com seus 280 caracteres (ou mesmo uma thread), tem vida útil de pouco mais de meia hora, ao passo que um post no Facebook, mesmo durando um pouco mais, logo é enterrado pelo algoritmo do site.

O arquivo de um site ou de um blog, por outro lado, permanece vivo; algo embaraçoso publicado em 2012 pode ser encontrado com facilidade através não só do Google, mas das tags, da indexação por meses ou por uma navegação simples por páginas passadas. Irrelevantes ou não, os textos ficam – e ter consciência disso é um estímulo (ou uma coação) para construí-los com cuidado.

Meu primeiro blog – já chamado “Diário de Bordo” – surgiu em 2005 e, programado por meu irmão Daniel (numa era pré-templates e na qual o WordPress era tudo, menos intuitivo), logo se tornou uma de minhas plataformas favoritas. Se no Cinema em Cena eu tinha o espaço para críticas cinematográficas, no blog eu podia escrever sobre o que bem entendesse, incluindo reflexões sobre a Sétima Arte que não se encaixavam bem em lugar algum do site. Poucos anos depois, em 2008, fiz a transição para o WordPress (perdendo três anos de arquivos) e, entre junho daquele ano e julho de 2016, publiquei 1.751 posts, embora ao final estes surgissem cada vez mais espaçados.

Se antes, ao ter minha atenção capturada por algo, eu buscava desenvolver a ideia de modo cuidadoso e mais aprofundado, com o Twitter passei a disparar meia dúzia de tweets e considerar o serviço feito. Além disso, quando sentia ter mais a dizer, compunha de forma rápida um post no Facebook e clicava em “publicar”, sem encarar aquilo como algo que se tornaria parte de fato do meu histórico profissional, já que, na prática, estava produzindo conteúdo para um espaço que não era meu.

Pois agora resolvi caminhar na contramão: se vou escrever algo, que seja para um veículo que de fato me pertence; depender da boa vontade dos algoritmos da corporação de Zuckerberg é estupidez, é levar uma rasteira todos os dias e voltar a dançar perto de quem a aplica.

Assim, retomo este espaço com a esperança de que, além de tudo, me traga o estímulo necessário para escrever, escrever e escrever.

Se serei lido ou não, se aqueles habituados ao Facebook e ao Twitter se sentirão estimulados a passar por aqui com regularidade, bom… veremos. O que sei é que, destes 25 anos de estrada, quase 22 foram dedicados à construção do meu pequeno canto na Internet com o Cinema em Cena e este Diário de Bordo. E sinto que é hora de voltar a cultivá-los.

Ficarei feliz se tiver sua companhia.

Xenogenesis

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Foi com este curta-metragem que James Cameron deu início à sua carreira de diretor:

Despertares

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Supercut.

Teoria, Linguagem e Crítica – 58a. Edição – Rio de Janeiro

postado em by Pablo Villaça em cinemaemcena, Curso | 1 comente

A primeira edição do Teoria, Linguagem e Crítica em 2016 não poderia ter sido melhor: revi alunos que se tornaram amigos, amigos que se tornaram alunos, ganhei presentes (sempre é bom, né?) e passei uma semana em uma de minhas cidades brasileiras favoritas. Preciso dizer mais?

Como de hábito, entreguei um formulário ao final do curso para que os alunos comentassem e atribuíssem “pontos” à experiência, que incluía os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível). As notas das edições anteriores: 4,55 (quinquagésima-sétima); 4,48 (quinquagésima-sexta); 4,38 (quinquagésima-quinta); 4,40 (quinquagésima-quarta);  4,45 (quinquagésima-terceira);  4,43 (quinquagésima-segunda); 4,29 (quinquagésima-primeira); 4,44 (quinquagésima); 4,66 (quadragésima nona); 4,33 (quadragésima oitava); 4,48 (quadragésima sétima); 4,50 (quadragésima sexta); 4,56 (quadragésima quinta), 4,62 (quadragésima quarta), 4,51 (quadragésima terceira), 4,37 (quadragésima segunda), 4,39 (quadragésima primeira), 4,75 (quadragésima), 4,67 (Trigésima nona), 4,61 (Trigésima oitava), 4,62 (Trigésima sétima), 4,7 (Trigésima sexta), 4,53 (Trigésima quinta), 4,44 (Trigésima quarta), 4,58 (Trigésima terceira), 4,62 (Trigésima segunda), 4,54 (Trigésima primeira), 4,44 (Trigésima), 4,65 e 4,63 (Vigésima nona – Tarde e Noite), 4,49 e 4,47 (Vigésima oitava – Tarde e Noite), 4,48 (Vigésima sétima), 4,73 (Vigésima sexta), 4,51 (Vigésima quinta), 4,62 (Vigésima quarta), 4,57 (Vigésima terceira), 4,71 (Vigésima segunda), 4,64 (Vigésima primeira), 4,62 (Vigésima), 4,68 (Décima nona), 4,58 (Décima oitava), 4,20 (Décima sétima), 4,40 (Décima sexta), 4,62 (Décima quinta), 4,57 (Décima quarta), 4,47 (Décima terceira), 4,57 (Décima segunda), 4,76 (Décima primeira), 4,22 (Décima), 4,33 (Nona), 4,45 (Oitava), 4,07 (Sétima), 4,44 (Sexta) e 4,27 (Quinta). Estas avaliações incluem os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível).

As médias das notas foram:
Infra-estrutura: 3,98 
Conteúdo: 4,95
Didática: 4,95
Estrutura do curso: 4,7

Média geral: 4,64

Sem considerar o auditório, levando em conta apenas o curso em si, a média seria 4,87.

Para concluir, a foto tradicional de formatura. Em função do grande número de alunos, tive que dividir a turma em dois grupos para as fotos:

002s

006s

Uma breve história dos palavrões no Cinema

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Supercut interessante que se propõe a ilustrar quando cada palavrão fez sua estreia no Cinema.

A Arte do Filme – 18a. Edição – Aracaju

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Este foi o segundo curso que dei em Aracaju e, como havia acontecido na primeira vez, me senti completamente em casa: a turma foi carinhosa, a cidade permanece bela (foi minha terceira visita; uma das viagens foi em férias) e ainda pude matar a saudade do “A Arte do Filme”, que não ministrava desde junho. Foi uma semana muito, muito agradável que “abriu os trabalhos” com o curso em 2016 de maneira promissora.

Como de hábito, entreguei um formulário ao final do curso para que os alunos comentassem e atribuíssem “pontos” à experiência, que incluía os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível). As notas das edições anteriores: 4,67 (Décima-sétima); 4,64 (Décima-sexta); 4,66 (Décima-quinta); 4,55 (Décima-quarta); 4,59 (Décima-terceira); 4,35 (Décima-segunda);  4,76 (Décima-primeira); 4,22 (Décima); 4,42 (Nona); 4,64 (Oitava);  4,66 (Sétima); 4,49 (Sexta); 4,53 (Quinta); 4,42 (Quarta); 4,41 (Terceira); 4,38 (Segunda); 4,54 (Primeira).

As médias das notas foram:
Infra-estrutura: 3,87
Conteúdo: 4,92
Didática: 4,96
Estrutura do curso: 4,83

Média geral: 4,64.

Sem considerar o auditório, levando em conta apenas o curso em si, a média seria 4,9 (empatado com a edição anterior como recordista).

Para concluir, a foto tradicional de formatura:

106s

Hacking nos anos 80

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Supercut de cenas trazendo personagens hackeando feito loucos em filmes da década de 80.

A Ponte da Rua 6

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Uma ponte de Los Angeles, localizada na 6th Street, será demolida esta semana.

“E daí?”, você pode perguntar. “É só uma ponte de concreto.”

Sim. Mas uma ponte de concreto que os cinéfilos certamente reconhecerão como uma figurante de luxo em vários momentos icônicos do Cinema.