Não ao dublado

Dublado, Não! #07

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Dica do “zrcosta”.

A voz de Bane (ou Filme Dublado, Não! #07)

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Em matéria publicada no site Entertainment Weekly, Tom Hardy discute a cuidadosa composição vocal de seu personagem em O Cavaleiro das Trevas Ressurge – e que é completamente descartada na versão dublada.

“Para interpretar Bane, uma força constante e deliberadamente maligna de vontade e da mente, o ator britânico quis desenvolver uma voz distinta que evocasse (ainda que tangencialmente) a erudição do personagem dos quadrinhos e sua herança étnica (Bane vem de um país fictício no Caribe). Hardy procurou um som condizente com um homem mergulhado na maldade e que evocasse a sabedoria de uma alma antiga – e que conseguia traçar suas raízes na cultura latina antiga. “Havia dois caminhos que poderíamos seguir”, diz Hardy. “Poderíamos interpretar um vilão muito simples e direto ou poderíamos seguir um caminho muito peculiar, que seria totalmente justificado pelo texto, mas poderia parecer muito, muito estúpido.” Não surpreendentemente, Hardy decidiu seguir a segunda opção. “É um risco, pois eu poderia ser ridicularizado – mas também poderia ser algo muito novo e excitante”, diz ele. Embora alguns tenham julgado seus diálogos incompreensíveis na prévia exclusiva exibida em IMAX antes de Missão: Impossível 4 em dezembro, o ator pede paciência. “O público não deveria se preocupar muito com a voz resmungante”, diz Hardy. “Conforme o filme avança, eu acho que você vai ser capaz de se sintonizar à sua cadência.”

Já em outras entrevistas, Hardy revelou a inspiração para a voz do vilão:

“Eu a baseei num cara chamado Bartley Gorman. Ele é o rei dos ciganos; um boxeador, um viajante irlandês, um cigano. (…) Um cigano Romani. Eu queria salientar a origem latina, mas uma latinidade Romina, não sul-americana. Seu sotaque cigano é muito específico”.

Mas estou certo de que os dubladores brasileiros fizeram todo o trabalho de pesquisa realizado por Tom Hardy ao longo de mais de um ano para que a voz de Bane representasse a concepção original do ator.

Certo?

Boa Sorte, Boa Noite, Má Dublagem (ou Filme Dublado, Não #06)

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Eu não vou nem comentar a perda significativa do trabalho vocal de David Strathairn, que, captando as inflexões características e o tom imponente e repleto de autoridade de Edward R. Murrow, foi indicado ao Oscar, ao BAFTA, ao Independent Film Awards, ao SAG e venceu o prêmio de atuação em Veneza. Claro que pegar todo o seu trabalho de composição vocal criado ao longo de meses e substituí-lo pela voz de um dublador que teve algumas horas para a tarefa é algo que beira o absurdo, mas… nem é o que há de pior nesta cena específica.

O que quero que reparem é como a versão brasileira ignora completamente a decisão do diretor George Clooney e de seu designer de som ao incluir um eco durante o discurso de Murrow, substituindo o tom intimista de uma cerimônia voltada para a indústria jornalística por uma tentativa de grandiosidade, de salão amplo e espaçoso, que simplesmente não reflete a intenção dos realizadores.

E ainda há quem insista que dublar não é mutilar a obra original.

O trabalho vocal de Julianne Moore (ou Filme Dublado, Não! #05)

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Em meu post sobre os malefícios da dublagem, comento, em certo momento, que  “atuar é criar um personagem. Isto envolve um profundo trabalho de composição e estudo envolvendo meses de pesquisas, ensaios, laboratórios e tentativas para que o intérprete descubra não só a psicologia de seu personagem, mas também a maneira com que este se move, gesticula e… fala. (…) Aceitar a dublagem é aceitar pegar todo o trabalho de composição de um ator, selecionar uma parte fundamental deste e atirá-la fora, substituindo-a por um elemento criado sem estudo, sem cuidado e com pressa”.

Lembrei-me disso ao ler uma entrevista concedida por Julianne Moore na época do lançamento de Mal do Século (Safe), de Todd Haynes, e durante a qual ela diz sobre sua personagem:

“Minha primeira chave para chegar até ela foi sua voz, seus padrões vocais. Comecei com uma cadência de fala típica do sul da Califórnia. É quase um ritmo cantado, sabe – as pessoas se referem a este sotaque como “a qualidade do Valley” que migrou pelo país e se tornou um padrão vocal universal dos Estados Unidos. Foi importante para mim que sua voz tivesse este tipo de melodia. E então eu encerrava cada sentença com um ponto de interrogação, o tempo inteiro. Assim, ela parecia incapaz de fazer uma declaração afirmativa, o que a tornava insegura e sem definição. Também fui além de minhas cordas vocais, porque queria a sensação de que sua voz não estivesse conectada ao seu corpo – por isso sua voz tem um timbre tão alto. (Minha personagem) é uma pessoa completamente desconectada de qualquer tipo de fisicalidade, de qualquer sentimento de ser ela mesma, de realmente se conhecer. Neste sentido, creio que as escolhas vocais que fiz serviram como metáfora”.

Dito isso, leiam o que um dublador brasileiro PROFISSIONAL tem a dizer sobre o assunto no vídeo abaixo (a partir de 2:41).

Transcrevo o trecho relevante:

Entrevistador: Quanto tempo o dublador tem para se preparar para dublar aquele trabalho que o (ator original) levou meses (para desenvolver)?

Dublador: Horas. (risos)

Entrevistador: E consegue fazer bem?

Dublador: Consegue fazer o melhor possível. (mais risos)

Desculpem-me, mas não creio que isto seja assunto para risos. Cinema é meu grande amor; a integridade da obra original é algo caro para mim e para qualquer um que realmente ama Cinema. Não há nada de engraçado em dizer que o trabalho de meses de um ator é substituído por outro feito em horas e sem qualquer estudo cuidadoso. E desculpem-me, mas… “o melhor possível” não é o bastante. Mais: é um insulto a quem paga o ingresso e recebe, de acordo com os próprios dubladores, uma versão que, comparada à original, é apenas “o melhor possível” que conseguem fazer em algumas horas.

Aliás, vejam a matéria linkada acima na íntegra e se surpreendam com o cinismo de Ricardo Szperling, diretor de programação da rede Cinemark, que chega a usar o inacreditável argumento em defesa da dublagem que transcrevo a seguir: “A qualidade de imagem (do Cinema) melhorou também. Você tem telas maiores, você tem produções melhores e com efeitos especiais… então… se você não tem rejeição a assistir a uma cópia dublada, você aproveita mais o filme”. Em outras palavras: o diretor de programação da Cinemark, além de não entender absolutamente nada de Cinema (“você tem produções melhores e com efeitos especiais”. Hum-hum), trata seus clientes como verdadeiros imbecis ao usar o débil sofisma de que se não tivermos problemas com a dublagem, aproveitaremos “mais” os filmes.

Inacreditável.

Dublagem de um Escândalo ou um Escândalo de Dublagem (Filme Dublado, Não! #04)

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Update: Meu amigo João Papa, diretor talentoso e, como tal, opositor da dublagem, resolveu editar os sons originais e dublados de Núpcias de Escândalo em uma mesma cena a fim de permitir uma comparação mais clara não só da destruição provocada pelos dubladores, mas também pela mixagem. Aviso: se você tem menos de 88 anos, as imagens (ou melhor: os sons) abaixo poderão chocá-lo(a).

Cary Grant, Katharine Hepburn e James Stewart – não apenas três das vozes mais facilmente reconhecíveis da clássica Hollywood, mas também caracterizadas por cadências e timbres inesquecíveis. Não encontrei a versão com som original da cena que aqui posto dublada. Agora comparem a cena com som original (e obrigado ao leitor Valdemar Eidam por subi-la para o YouTube) com a versão dublada exibida na TCM e presente no DVD do filme. Mesma coisa. Mixagem impecável e Hepburn/Grant/Stewart quem? Pffff.

Coringa sem força (Filme Dublado, Não! #03)

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Sugestão do leitor Fernando Sette:



Captain Birth (Filme Dublado, Não! #02)

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Indicação de @cinemaedebate, o vídeo abaixo comprova que a dublagem realmente não faz diferença.

Update: E para quem costuma afirmar que nossa dublagem é uma das “melhores do mundo”, é interessante notar que nossos dubladores podem até ser bons, mas os técnicos de som de nossos estúdios de dublagem têm muito o que aprender, já que, embora existam e possam ser observados no vídeo abaixo (já que são inevitáveis), os problemas de mixagem na versão dublada de Tropa de Elite nem chegam perto daqueles vistos nas dublagens brasileiras, que massacram o equilíbrio cuidadoso entre as várias faixas de áudio.

O Poderoso Mun-ha, o de vida eterna (Filme Dublado, Não!)

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É, de fato a dublagem não afeta em nada o filme. Não mutila a obra, não altera a mixagem, não compromete as performances… nada. Ver Brando e Bonasera falando com as vozes de Mun-ha e Alf é como o filme nasceu para ser visto. Mesma coisa. Mesmíssima. Exatamente. Igualzinho.

(No primeiro vídeo, salte para 5 minutos e 24 segundos para ver exatamente o trecho retratado no segundo.)