Cena misteriosa

Cena Misteriosa #24

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Clássicos | 14 comentários

Maurício "evansmay" (sempre peço para que deixem nome e sobrenome; na falta deste último, vai o email) foi o primeiro a identificar Umberto D. como a Cena Misteriosa 23. Dirigido por Vittorio De Sica em 1951 (mas lançado no ano seguinte), o filme marca os suspiros finais do neo-realismo italiano, já que sua rejeição pelo público, na época, foi considerada como sendo um indício claro de que o movimento havia se esgotado. No entanto, Umberto D. é, sem dúvida, também um dos melhores exemplares do neo-realismo – e particularmente o considero melhor até mesmo do que o filme mais conhecido de seu diretor, o excelente Ladrões de Bicicleta, lançado quatro anos antes. 

Protagonizado por amadores, o longa traz Carlo Battisti em uma performance simples, mas tocante, como o personagem-título – sua única atuação no Cinema. Já Maria-Pia Casilio, que faz a criada vista na cena misteriosa, levou a carreira adiante, embora jamais tenha atingido o sucesso de interpretação alcançado aqui (reza a lenda que ela compareceu aos testes apenas para acompanhar uma amiga, resistindo imensamente à idéia de aceitar o convite de De Sica para fazer o filme depois de ser vista por este).

Uma última curiosidade: a cena selecionada para a brincadeira acabou sendo homenageada, quase três décadas depois, em Dinheiro do Céu, que usei como base (embora numa cena diferente) para o episódio 9 deste jogo.

E vamos ao próximo: 

Cena Misteriosa #23

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema | 6 comentários

Douglas Machado foi o primeiro a identificar Um Momento, Uma Vida como fonte da cena misteriosa #22. Dirigido por Sydney Pollack em 1977, o filme foi a primeira (e única) tentativa de Al Pacino de se estabelecer como galã romântico – e, mesmo assim, o ator não abandonou sua trilha de projetos artisticamente intrigantes neste seu esforço: vindo de obras como O Poderoso Chefão 1 e 2, Um Dia de Cão e Serpico, Pacino optou por encarnar um personagem angustiado e infeliz que, piloto de Fórmula 1, passa a questionar ainda mais sua vida e o universo depois de um acidente na pista.

Na superfície, Um Momento, Uma Vida parece apenas mais um romance água-com-açúcar do tipo "rapaz-encontra-mulher-cheia-de-vida-que-muda-sua-postura-apenas-para-descobrir-que-ela-tem-pouco-tempo-de-vida", mas, na verdade, o filme se revela um excelente estudo de personagens que traz Pacino em mais um excelente momento nesta primeira fase de sua carreira, beneficiando-se também da boa direção de Pollack. Ainda assim, o destaque do filme (além das locações maravilhosas) fica por conta da suíça Marthe Keller, que, mesmo assumindo uma personagem que poderia ser um clichê, transforma Lillian numa figura misteriosa e fascinante. Além disso, o fato dela ter se envolvido romanticamente com Pacino durante as filmagens reflete-se na tela através da química entre os personagens.

Longa freqüentemente esquecido pelos fãs de Pacino e Pollack, Um Momento, Uma Vida merece ser redescoberto.

E vamos à cena de hoje:

Cena Misteriosa #22

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Clássicos | 12 comentários

(Update importante: a querida Magaly avisa pelos comentários: "Edifício Master vai ser exibido hoje (06/12) no Canal Brasil, às 21 horas, no "É Tudo Verdade". O programa tem reprise amanhã, às 14h".)

Parabéns ao Oz, que emplacou seu nome no Hall da Fama ao identificar Edifício Master, do mestre Eduardo Coutinho, como fonte da Cena Misteriosa 21. Aliás, a cena em questão representa, para mim, um dos momentos mais espetaculares da brilhante carreira do documentarista – e confesso que gostaria de saber mais sobre como ela foi capturada, já que resume perfeitamente a essência deste maravilhoso filme. Acompanhar a hesitação do garoto diante do gato que se encontra preso do lado de fora do apartamento do vizinho e perceber como ele finalmente não consegue evitar o impulso de ajudar o animal é algo que demonstra como Coutinho sempre é capaz de revelar em seus filmes nuances complexas da natureza humana.

Se não assistiu a este documentário soberbo, corra já para a locadora. Ou melhor: compre o DVD. Não vai se arrepender.

Cena de hoje:

Cena Misteriosa #21

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Ao se tornar o primeiro a identificar Saneamento Básico – O Filme como a origem da Cena Misteriosa #20, o leitor Robson França emplacou seu nome no hall dos vencedores da brincadeira. Escrito e dirigido por Jorge Furtado, o longa é uma impecável comédia que faz da metalinguagem seu principal motor e que, com um elenco afiadíssimo, faz rir do início ao fim. Furtado, aliás, até hoje não dirigiu um único filme (incluindo seus curtas) do qual eu não tenha gostado. Por que ele não é mais valorizado e reconhecido é algo que, sinceramente, não sei responder.
 

Cena Misteriosa #20

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema | 20 comentários

Uau, já chegamos à cena misteriosa número 20! Mas, antes disso, a resposta da anterior, que foi apontada pelo leitor Sandro Cavallote: lançado em 2006, o documentário Meninas é o primeiro longa-metragem do gênero da cineasta Sandra Werneck, responsável pelo ótimo Pequeno Dicionário Amoroso, pelo fraco Amores Possíveis e pelo competente Cazuza.
Acompanhando quatro adolescentes grávidas do Rio de Janeiro, o filme
consegue, sem sensacionalismo algum, ser comovente e impactante ao
mesmo tempo em que ilustra, com grande eficácia, a triste realidade da
gravidez na adolescência. Para conseguir isto, Werneck e a co-diretora Gisela Camara simplesmente permitem que suas jovens protagonistas exibam sua doce (e trágica) imaturidade na tela.

Quando o filme chega ao fim, aliás, a sensação é a de uma triste
despedida, pois, particularmente, eu gostaria de continuar acompanhando
as vidas daquelas garotas por muito mais tempo. Seria fantástico,
diga-se de passagem, se Werneck seguisse os passos de Michael Apted e de sua espetacular série britânica Up!,
que iniciando em 1964, vem acompanhando, a cada sete anos, as mudanças
nas vidas de um grupo de crianças ao longo do tempo (as "crianças"
agora estão com 52 anos de idade e o próximo "capítulo" deve ser
lançado em 2012, quando terão 56). Eu, particularmente, esperaria com
avidez os próximos Meninas e o desenvolvimento daquelas garotas e de seus bebês.

E continuamos com o cinema brasileiro:

Cena Misteriosa #19

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema | 9 comentários

Parabéns ao Jaime F., que apontou Nem Tudo é o que Parece (Layer Cake) como a fonte da cena misteriosa 18. Dirigido por Matthew Vaughn, o filme foi responsável por transformar Daniel Craig em um astro – e merecidamente, já que o ator encabeça com segurança um elenco impecável que consegue transformar os personagens (todos inescrupulosos e cruéis, em maior ou menor grau) em criaturas interessantes e divertidas. Além disso, o senso de humor seco transforma Layer Cake num dos melhores representantes contemporâneos do subgênero "filme britânico de gângster" (e se você acha que não podem existir muitos exemplares bons de uma corrente tão específica, lembre-se dos dois primeiros filmes de Guy Ritchie, de Sexy Beast e do recente Na Mira do Chefe).

Beneficiado por uma montagem inventiva (e esta cena misteriosa é um bom exemplo disto), Layer Cake ainda conta com uma história bem amarrada e um final apropriadamente irônico.

Já a cena de hoje…

Cena Misteriosa #18

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema | 16 comentários

O leitor Rob Farah apontou corretamente Telefonema de um Estranho (Phone Call From a Stranger) como sendo a fonte da cena misteriosa 17 – uma cena que, confesso, achei que não teria acertadores, já que o filme, dirigido em 1952 por Jean Negulesco, foi praticamente esquecido. Aliás, merecidamente: embora traga um elenco excepcional (com exceção de Keenan Wynn, que irrita com sua composição caricata), o filme é um melodrama artificial que, embora tenha uma estrutura narrativa interessante, acaba se revelando ingênuo na maneira com que resolve suas subtramas (especialmente aquela envolvendo a crise no casamento do protagonista).

Ainda assim, as atuações de Shelley Winters e Bette Davis (numa quase ponta) compensam a experiência, que ainda traz um bom Gary Merrill e um digno Michael Rennie (e suponho que foi sua presença na cena misteriosa que serviu de pista para Farah).

Como temi que vocês estivessem enjoando da brincadeira, demorei um pouco mais até disponibilizar esta nova cena misteriosa:

Cena Misteriosa #17

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema | 15 comentários

Crupiê – A Vida em Jogo: esta foi a origem da cena misteriosa 16, corretamente identificada pelo leitor Douglas (gente, vamos informar o sobrenome!). Dirigida por Mike Hodges em 1998, esta co-produção Inglaterra/França/Alemanha/Irlanda foi a responsável por apresentar o ator Clive Owen, então com 34 anos, aos cinéfilos de todo o mundo, embora ele já tivesse dez anos de carreira no Cinema.

Conferindo charme e inteligência ao croupier do título, Owen criou um personagem cínico que devia muito aos anti-heróis do noir, com direito à narração em off e tudo mais – e ele e seus colegas de cena surgiam completamente convincentes como profissionais dos cassinos graças ao intenso treinamento que tiveram durante os ensaios. Além disso, a trama bem amarrada é suficientemente intrigante para manter o espectador atento, ao passo que a direção de Hodges, que lança olhares curiosos para os menores detalhes daquele universo, contribuem para a verossimilhança da narrativa, embora erre o passo aqui e ali no tratamento de alguns personagens secundários.

Particularmente, tenho um fraco por filmes que lidam de maneira aprofundada com o universo do jogo e Crupiê é um dos melhores exemplos recentes deste subgênero. Na época, aliás, muitos apostaram que o longa seria indicado aos Oscars de Ator e Roteiro, mas um vacilo contratual botou tudo a perder: antes de ser lançado nos cinemas, o filme foi exibido uma única vez na tevê holandesa – o que o desqualificou automaticamente de concorrer aos prêmios da Academia (o que, na época, deixou Hodges revoltadíssimo com a tal emissora, que, aparentemente, aproveitara o falatório pré-lançamento em torno da obra para capitalizar na audiência, explorando uma brecha em seu contrato com os produtores).

A cena de hoje é mais difícil:

Cena Misteriosa #16

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema | 9 comentários

O leitor Ângelo Rodrigues foi o primeiro a identificar O Operário como a fonte da cena misteriosa 15. Dirigido por Brad Anderson em 2004, o filme traz Christian Bale numa performance absurdamente angustiante – e não me refiro apenas à magreza patológica que exibe aqui depois de ter perdido incríveis 28 quilos para encarnar o perturbado Trevor Reznik (o mais incrível é que, alguns meses depois de concluir o projeto, ele se tornaria o musculoso Bruce Wayne de Batman Begins). Não… mais do que assustador em sua entrega física ao filme, Bale impressiona pela forma exausta com que retrata Trevor, cuja voz parece sempre prestes a falhar. Além disso, tematicamente, o roteiro de Scott Kasar (seu único bom esforço) acerta em suas constantes referências à obra de Dostoiévski – especialmente Crime e Castigo, já que, em última análise, O Operário é um pequeno estudo sobre os extremos da culpa.
 
Destacando-se também visualmente, o filme adota uma fotografia quase monocromática, mergulhando Trevor em um universo cinza que faz jus ao seu estado psíquico e emocional, ao passo que seus momentos com a garçonete Marie surgem apropriadamente como alguns dos únicos momentos mais luminosos de sua existência (o que não deixa de ser curioso, posto que este "relacionamento" conta com elementos das projeções feitas a partir dos encontros do protagonista com a prostituta Stevie, que não ganha um tratamento visual similar). Finalmente, qualquer filme que faça uma referência tão inteligente a uma performance de Marlon Brando já ganha pontos comigo desde o início (e confesso que cheguei a esperar ouvir "Ivan" descrever sua verdadeira natureza como "O horror… o horror…").
 
Bale deveria ter sido indicado ao Oscar, ao Globo de Ouro, ao SAG Awards e a todas as outras premiações da categoria por seu desempenho neste longa.
 
E vamos à cena de hoje, que também é bem fácil:
 

Cena Misteriosa #15

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema | 30 comentários

Parabéns ao Jaime Grebmops, que apontou Profissão: Ladrão como a cena misteriosa 14. Como selecionei este filme para a Jovens Clássicos (que não morreu, acreditem), deixarei para escrever posteriormente com mais detalhes sobre este primeiro filme de Michael Mann (que seguiu este longa sensacional com um podre, A Fortaleza Infernal – ver post anterior).

E a cena de hoje…