Cinema

Eu tenho cara de cearense? Obrigado!

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Hoje publiquei minha crítica sobre Assalto ao Banco Central, estreia na direção de Cinema de Marcos Paulo e que conta com argumento de sua esposa, Antônia Fontenelle – que faz uma ponta absolutamente patética no longa e sobre a qual escrevi: 

“(o compositor) mergulha na mais cafona e clichê das trilhas de sedução quando a namorada de Telma (vivida pela argumentista Antônia Fontenelle) surge numa única cena como uma verdadeira caricatura.”

Aparentemente, Fontenelle não gostou de meu texto:

A esta altura, Fontenelle começou a receber mensagens de protestos por tentar me ofender ao dizer que tenho “cara de cearence (sic)”. Seu malabarismo de lógica merece aplausos:

 

Em outras palavras: depois de usar a expressão “cara de cearense” (ou “cearence”, como ela escreve) para me atacar, ela tenta despistar o próprio preconceito ao sugerir que aqueles que a acusaram são os verdadeiros preconceituosos. Genial (ao contrário).

Mas ela continua:

 

Foi neste ponto que fui informado dos ataques e publiquei a seguinte resposta:

“Não sei o que acho mais divertido: o fato de @ladyfontenelle ignorar que o @cinemaemcena tem 14 anos e é um dos portais mais acessados do Brasil ou se é o fato de me chamar de “cearense” acreditando que isso iria me ofender. @ladyfontenelle, sou mineiro, mas teria imensa HONRA em ser cearense – como são alguns de meus amigos mais queridos.

Para finalizar, @ladyfontenelle, parafraseando meu mentor @ebertchicago, que você certamente desconhece, digo apenas que daqui a 20 anos eu poderei já não ter mais cara de cearense, algo que tanto despreza, mas você SEMPRE será parte de Assalto ao Banco Central.

Ah, sim,  já que não me conhece, aqui vai meu currículo resumido. http://migre.me/5knk0.

Dito isso, acho triste que a argumentista de um filme ambientado no Ceará exiba tamanho preconceito contra os habitantes do estado que explora em seu projeto.”

Disney Remix e Sussurros da Terra-média

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Entrevista

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A leitora Renata Arruda fez essa entrevista comigo há duas semanas, no Rio, e fiquei bem feliz com o resultado: é uma das que melhor captaram a maneira como enxergo minha profissão.

You just don’t get it, do you?

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A História está à venda

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(Ver também este post.)

Durante décadas, a atriz Debbie Reynolds (mãe de Carrie “Princesa Léia” Fisher e par de Gene Kelly em Cantando na Chuva) colecionou itens da história de Hollywood – especialmente figurinos. Agora, colocou tudo à venda em leilões que ocorrerão em junho e dezembro (baixe o catálogo aqui), incluindo os seguintes lotes que despertaram meu desejo irrestrito:

11) O chapéu de palha e o terno de Harold Lloyd (3 mil dólares)

 

19) O chapéu-coco usado por Chaplin em várias produções (30 mil dólares)

 

 

 

Para ver o restante dos meus itens favoritos, clique em “leia mais”. [more]

21) Figurinos usados por Stan Laurel e Oliver Hardy (20 mil dólares)

 

 

 

 

34) Vestido usado por Garbo em Anna Karenina (15 mil dólares)

 

 

 

 

35) Chapéu e peruca de Harpo Marx (30 mil dólares)

 

 

 

 

 

37 e 38) Os figurinos de Clark Gable e Charles Laughton em O Grande Motim (12 mil e 20 dólares, respectivamente)

110) O vestido azul de Judy Garland em O Mágico de Oz (80 mil dólares)

 

111) Seus sapatinhos de rubi (115 mil dólares)

 

114) O sobretudo de Sherlock Holmes usado por Basil Rathbone em O Cão dos Baskervilles (30 mil dólares)

147) Figurino de Claude Rains em Casablanca (15 mil dólares)

 

173 e 174) Figurinos de Frank Sinatra e Gene Kelly em Marujos do Amor (15 mil e 12 mil dólares)

181) Figurino de Joan Crawford em Almas em Suplício (30 mil dólares)

188) Figurino de Papai Noel usado por Edmund Gwenn em Milagre na Rua 34 (30 mil dólares)

198) Armadura de Ingrid Bergman em Joana D’Arc (30 mil dólares)

 

257) Vestido de Vivien Leigh em Uma Rua Chamada Pecado (6 mil dólares)

264 e 265) Figurinos de Donald O’Connor e Gene Kelly em Cantando na Chuva (12 mil e 15 mil dólares)

 

298) Figurino de Marlon Brando em Julio Cesar (600 dólares)

330) Figurino de Brando em Desirée (80 mil dólares)

 

338) Pintura a óleo de Brando como Napoleão em Desirée (6 mil dólares)

354) O icônico vestido de Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado (2 milhões de dólares)

 

408) Figurino de Brando em Os Deuses Vencidos (8 mil dólares)

419) Figurino de Charlton Heston em Ben-Hur (30 mil dólares)

446) Figurino de Brando em O Grande Motim (3 mil dólares)

452) Outro figurino de Brando em O Grande Motim (8 mil dólares)

 

473) Peça do figurino de Elizabeth Taylor em Cleópatra (50 mil dólares)

 

506) Figurino de Audrey Hepburn em My Fair Lady (300 mil dólares)

 

508) Violão de Julie Andrews em A Noviça Rebelde (30 mil dólares)

510) E também seu figurino (60 mil dólares)

 

521) Figurino de Charlton Heston em O Planeta dos Macacos (12 mil dólares)

548) Uniforme de Robert Duvall em Apocalypse Now (8 mil dólares)

 

 

565) Figurino de Mike Myers em Austin Powers 2 (8 mil dólares)

Há, ainda, contratos assinados por Mae West e W.C. Fields; vestido usado em Cleópatra por Claudette Colbert; vestidos usado por Katharine Hepburn em Mary Stuart, Rainha da Escócia e Norma Shearer em Maria Antonieta; e mais figurinos usados por Laurence Olivier, Peter Lorre, Vivien Leigh, Gary Cooper (seu uniforme de Sargento York!!!), Spencer Tracy, James Cagney, Orson Welles, Rita Hayworth, Elizabeth Taylor, Vincent Price, Errol Flynn, Lana Turner, Janet Leigh, Bogart, Bette Davis, Grace Kelly, Yul BrynnerAva Gardner, Deborah Kerr, Joanne Woodward, Lee Marvin, Roger Moore, Dean Martin, Natalie Wood, Shirley MacLaine, James Stewart, Gregory Peck, etc, etc, etc.

 

 

 

Marlon Brando em Juventude Transviada

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Ou, ao menos, fazendo teste para o papel que viria a ser de James Dean.

(Aliás, reparem na “entrevista” que encerra o vídeo: Brando lembra ou não lembra James Franco? Que, por sinal, interpretou Dean em um filme feito para a tevê?)

Sidney Lumet (1924-2011)

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Quem fez meu curso sabe o quanto admiro Sidney Lumet, que discuto com paixão na aula de direção. Assim, mesmo sabendo que 86 anos bem vividos não são algo a se lamentar, fiquei profundamente entristecido com a notícia de sua morte. Afinal, o que dizer de um cineasta cujo filme de estréia foi uma obra-prima como 12 Homens e uma Sentença? Especialmente quando pensamos que, praticamente ambientada em um único cenário, ela certamente apresentou desafios únicos ao seu realizador?

Pouco depois, ele reuniu Brando e Magnani no belo (e igualmente difícil) Vidas em Fuga (que “homenageei” há cerca de um ano aqui) e continuou com sua carreira magnífica em obras como Longa Jornada Noite Adentro, Limite de Segurança, Serpico (não à toa, meu primeiro Jovem Clássico), Um Dia de Cão, Rede de Intrigas, Equus e O Veredicto – e quantos diretores podem esnobar tantos longas magníficos em sua obra?

E, no entanto, apesar do Oscar Honorário recebido em 2005, jamais venceu um prêmio competitivo da Academia – ou do Bafta, ou em Cannes ou do DGA (embora indicado sete vezes). Berlim o premiou por 12 Homens e uma Sentença (além de uma menção honrosa por O Homem do Prego) e Veneza honrou seu O Príncipe da Cidade, mas só. Poucos diretores com uma carreira tão fantástica foram tão ignorados ao longo dos anos.

O motivo? Em vez de exibir um estilo único, marcante, repleto de toques inconfundíveis, Lumet mudava de filme para filme, criando uma lógica visual particular de acordo com as necessidades de cada narrativa. Mas, como poucos, ele jamais ignorou o poder da câmera ao contar suas histórias, seja manipulando o tamanho dos quadros e o ângulo ao longo dos atos de 12 Homens e uma Sentença ou ao ressaltar visualmente o isolamento emocional de Frank Serpico.

E ainda bem que ao menos ele se despediu do Cinema com uma obra que fazia jus à sua cinematografia.

Dia triste para a Sétima Arte.

Kirk e Spock, octogenários

postado em by Pablo Villaça em Cinema | 18 comentários

Embora não possa ser considerado um trekkie, já que não assisti a muitos episódios da série clássica na TV, sou um fã declarado de Jornada nas Estrelas em sua encarnação cinematográfica – não tanto da “Nova Geração”, confesso, mas certamente da tripulação original da Enterprise. (Também gostei da versão de J.J. Abrams) O trio Spock-Kirk-McCoy, particularmente, sempre me fascinou através de sua dinâmica Razão-Impulso-Emoção, o que me fez desenvolver um grande carinho por seus intérpretes.

Pois esta semana, William Shatner e Leonard Nimoy se tornaram octogenários – o que não deixa de provocar um certo espanto, já que seus personagens permanecem cristalizados na memória cinematográfica coletiva como heróis joviais e repletos de energia. Bom, ao menos ainda os temos conosco, já que DeForest Kelley partiu para A Última Fronteira (aliás, sou um dos poucos admiradores do filme dirigido por Shatner) há inacreditáveis 12 anos, poucos meses antes de completar, ele próprio, as oito décadas de vida agora alcançadas por seus colegas de tripulação.

Vida longa e próspera a estes.

Elizabeth Taylor (1932-2011)

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Linha do tempo de sua carreira feita pelo The New York Times.

Entrevista/registro de Roger Ebert durante intervalo das filmagens de Ana dos Mil Dias. Leitura fascinante; não se fazem mais entrevistas assim.

Na praia:

Ao lado de James Dean:

Com Debbie Reynolds e Eddie Fisher (ela viria a “roubar” o marido da outra):

Bela:

Nas capas de revistas de fofoca (como bem apontou meu amigo Heitor “Gelogurte” no Twitter, notem a chamada sobre Rock Hudson):

Estrela/ícone/diva:

Tributo a Taylor narrado por Paul Newman:

Cinema: uma Arte na qual todos são especialistas

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Em seu mais recente post no blog “Observations on film art”, que divide com o marido e igualmente brilhante David Bordwell, a acadêmica Kristin Thompson discute a freqüência com que ouve a pergunta “Qual é seu filme favorito?” sempre que se identifica como teórica da Sétima Arte. Buscando compreender o que leva as pessoas a esta indagação, Thompson chega a uma interessante conclusão sobre o pouco respeito (ou, no mínimo, a falta de seriedade) com que o Cinema é encarado enquanto expressão artística. É uma discussão que, inclusive, remete a outra recente aqui do blog sobre a importância que, particularmente, confiro ao embasamento necessário a um crítico profissional.

Diz Thompson (tradução minha. Para ler o artigo na íntegra, em inglês, clique aqui):

“Tento imaginar se estudiosos de ópera ou poesia ouvem perguntas como esta em festas. Será que alguém que acabou de ser apresentado a eles pergunta qual é sua ópera ou poema favorito? Talvez. Eu não perguntaria. Minha reação típica ao descobrir que um estranho é professor de algo é perguntar qual sua área de especialização na esperança de que seja algo sobre o qual eu saiba um pouco a respeito. (…)

Acho que as pessoas têm mais facilidade de perguntar “Qual é, na sua opinião, o melhor filme de todos os tempos?” do que “Qual é, na sua opinião, a melhor ópera de todos os tempo?” porque o Cinema ainda é considerado com menos seriedade como uma forma de arte do que as expressões artísticas mais “nobres”. A maioria das pessoas acha que entende mais de filmes do que de óperas porque, de modo geral, vêem mais filmes do que óperas. O fato de que uma dieta regular de filmes hollywoodianos bem criticados ou mesmo indicados ao Oscar representa apenas uma fatia minúscula do universo de longas feitos até hoje não ocorre a estas pessoas. O mesmo ocorre até mesmo com aqueles que ocasionalmente assistem a uma produção independente ou estrangeira. (…)

Mas este tipo de pergunta não parte apenas de vizinhos que encontro em festas ou recepções. Parte também de professores universitários que são, eles próprios, especialistas em outras formas de arte. Eles provavelmente se sentiriam, como intelectuais dotados de bagagem, compelidos a saber um pouco mais sobre as outras artes – exceto Cinema. David [Bordwell] conversava certa vez com um estudioso de Literatura que teria ficado chocado caso alguém em uma universidade nunca tivesse ouvido falar de Faulkner ou Thomas Mann. Porém, quando David disse que admirava muitos filmes japoneses, o acadêmico perguntou, incrédulo: “Aqueles filmes de Godzilla?”.

Este é o cerne da questão que me deixa aborrecida ao ouvir a incômoda pergunta do “melhor filme/filme favorito”. Se é um não-acadêmico quem pergunta, minha resposta tende a interromper a conversa, o que é lamentável. Mas qualquer um tem o direito de amar o filme que quer amar e de acreditar, se assim quiserem, que Avatar é o melhor filme já produzido.

Mas quando se trata de um estudioso que alega ser conhecedor das artes que me lança um olhar vazio quando menciono A Regra do Jogo ou qualquer uma das demais obras-primas do cinema mundial, eu realmente o critico mentalmente. É mais importante saber da existência de O Orfeu de Monteverdi ou do As Meninas de Velázquez do que de um filme de Renoir? É óbvio que eu diria que não. No entanto, não creio que estes acadêmicos se sintam particularmente embaraçados por não reconhecerem o título de um mero filme. (…)

Uma observação final: se algo que eu disse aqui soar “elitista”, talvez você deva considerar o amplo movimento que vem ocorrendo em nosso país (N.T.: e no Brasil também), especialmente na extrema direita, e que iguala qualquer tipo de aprendizado com elitismo.”

Update: Aproveito para rememorar este post que publiquei ano passado: “Pra que serve a crítica?“.