Cinema

Quarteto Fantástico – A Versão de 1994 (Legendada)

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Não sei se digo “de nada” ou “desculpa aí”.

Fotografia no Cinema: O Melhor de 2014

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Melhores Momentos de 2014 (ou série Você em Cena #43)

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Começando em 2009, passei a compilar uma lista daqueles que julgo alguns dos melhores momentos que o Cinema ofereceu ao longo do ano: gestos, movimentos de câmera, cenas específicas que permanecerão em minha memória mesmo quando eu já tiver esquecido todo o resto a respeito dos longas que os contêm. Nem sempre consegui manter a disciplina necessária para me lembrar de atualizar a lista (os anos anteriores: 2012, 2011, 2010 e 2009; não fiz em 2013) e, portanto, vários filmes que trazem instantes fabulosos não aparecerão abaixo – e para isso há o espaço de comentários: para que você enriqueça este pequeno compêndio.

Nem preciso dizer que há SPOILERS a seguir, né?

Alguns dos Melhores Momentos que o Cinema Ofereceu em 2014

A princesa Elsa celebra a liberdade que a solidão lhe confere, em Frozen, e constrói seu palácio de gelo enquanto canta “Let it Go”.

Ao despedir-se da filha, em Pelos Olhos de Maisie, Beale é abraçado pela garota e exibe um raro momento de compreensão acerca do próprio egoísmo antes de partir.

Val Kilmer imita Marlon Brando por alguma razão misteriosa em Virgínia.

Inutilizado pelos efeitos das drogas que havia tomado, Jordan Belfort tenta chegar ao seu carro em O Lobo de Wall Street.

Depois de chamar o agente Patrick Denham para uma conversa em seu iate, O “Lobo de Wall Street” tenta criar uma ligação cordial com o sujeito, mas o papo eventualmente se torna hostil e amplifica o embate entre os dois.

Ao se ver trocada pela amante do marido, a Sra. H acompanha o homem até a casa da garota, em Ninfomaníaca, levando os três filhos para conhecer o apartamento da moça.

Em pânico ao ver que Samantha desapareceu de seus equipamentos, Theodore dispara numa corrida desesperada pelas ruas, em Ela.

Após ouvir com expressão enlevada enquanto o personagem-título canta uma música, o empresário Bud Grossman faz um comentário inesperado em Inside Llewyn Davis.

Logo no início de Trapaça, vemos Irving, gordo e careca, compondo a aparência vaidosamente antes de sair do quarto para ajudar a incriminar o prefeito Carmine.

Em Tudo por Justiça, Russell Baze agacha ao lado de Harlan DeGroat, assassino de seu irmão, que se encontra baleado na grama. Depois de dizer quem é, ouve DeGroat responder sobre seu irmão: “Garoto durão”.

Em Philomena, a personagem-título diz perdoar a freira que a manteve separada do filho, sendo seguida pelo jornalista Martin Sixsmith, que, por sua vez, afirma ser incapaz de fazer o mesmo.

Num supermercado, em Clube de Compras Dallas, Ron Woodruff obriga um velho amigo homofóbico a apertar a mão da travesti Rayon, que se espanta com o gesto do outro.

Em 12 Anos de Escravidão, Solomon tenta se manter equilibrado na ponta dos pés, para evitar o estrangulamento, enquanto os demais escravos e seus mestres caminham ao seu redor.

Em um longo plano, o “mestre” Epps obriga Solomon a açoitar Patsey em 12 Anos de Escravidão.

Diante do espelho, Alex Murphy descobre o pouco que restou de seu corpo em Robocop.

Do bote salva-vidas, o Homem vê, em triste silêncio, seu barco afundar lentamente em Até o Fim.

A queda brutal dos quatro soldados em O Grande Herói em um imenso declive.

A discussão no quarto do hotel, em Ninfomaníaca Volume II, que deixa Joe cercada por dois pênis raivosos.

O confronto final na pizzaria em Alemão.

A sequência da Criação em Noé.

Ignorando que o documentário Em Busca de Iara deveria ser sobre sua tia, a fascinante Iara Iavelberg, a diretora Mariana Pamplona ouve sua mãe narrar uma passagem da vida da irmã e, então, pergunta: “Você estava grávida de mim, né?”.

O olhar dolorido de Carolina Dieckmann em Entre Nós.

Embora alcançada pela teia do Homem-Aranha, Gwen Stacy ainda atinge o chão com força suficiente para matá-la em O Espetacular Homem-Aranha 2.

Depois de brincar com a resistência de Léo em tomar banho nu ao seu lado, Gabriel se mostra constrangido diante da própria excitação quando o rapaz se despe em Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

Gregório Fortunato penteia o cabelo de Vargas em Getúlio.

Durante uma discussão entre Donato e Konrad, em Praia do Futuro, uma tempestade de neve começa a cair subitamente.

A sequência final da projeção nas pedras em Uma Passagem para Mário.

A introdução de Branco Sai Preto Fica, quando vemos Marquim contar na rádio sua última noite no Quarentão.

Os olhos serenos de Tato Gabus Mendes em A Grande Vitória.

A lágrima que escorre do olho esquerdo de Céline, em O Passado.

Dois homens se contemplam assustados sob a superfície aquosa na qual mergulharam ao seguir a criatura vivida por Scarlett Johansson em Sob a Pele.

A sequência do tiroteio na cozinha envolvendo Mercúrio, em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.

O grito chocado e dolorido de Malévola ao despertar e descobrir que suas asas foram arrancadas.

As duas crianças enxergam os espíritos de todos os antigos donos dO Espelho.

O plano final de O Homem Duplicado.

Surpreendido por dois humanos em O Planeta dos Macacos: O Confronto, Koba, inicialmente com expressão raivosa, finge ser um macaco comum para enganar os inimigos.

Peter Quill e Gamora flutuam no espaço, à beira da morte, em Guardiões da Galáxia.

Feliz com os resultados de seu plano para destruir a vida do marido, Amy dá um pulinho de alegria e estala os calcanhares em Garota Exemplar.

Frustrado diante do desfecho de seu cuidadoso plano, o agente vivido por Philip Seymour Hoffman grita enfurecido em O Homem Mais Procurado.

Mason leva os filhos para roubar propaganda de campanha de McCain, em Boyhood.

Katniss canta à beira de um lago em Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1.

As experiências de Judite ganham vida em uma animação no terceiro ato de Boa Sorte.

Os elfos saltam sobre a barreira de escudos formada pelos anões e partem em direção aos orcs em O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos.

Lou Bloom entra em uma casa na qual um massacre ocorreu e registra a tragédia em vez de solicitar ajuda, em O Abutre.

Moisés e Ramsés se encaram enquanto o Mar Vermelho se fecha sobre eles em Êxodo: Deuses e Reis.

O Cinema em 2014

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Como foi 2014 no Cinema:

Robin Williams, um ator que nos fez rir e chorar

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A primeira vez em que ouvi falar do nome “Robin Williams” foi em 1986 ou 1987, lendo numa revista de cinema alguma nota sobre Bom Dia, Vietnã e o fato de que era considerado um dos favoritos ao Oscar. Como jovem cinéfilo, quis imediatamente ver o filme, mas não conhecia seu protagonista e, aos 12 anos, não sabia muito bem nem o que havia sido o tal Vietnã. Pouco depois, ao visitar o Video Clube do Brasil na época que marcou a chegada do videocassete ao Brasil, descobri em seu acervo uma cópia (pirata, como eram todas) de Popeye e a levei para casa. Era um VHS vagabundo, com péssima imagem, legendas trôpegas (e que nem traduziam as músicas), mas que me impressionou muito pelo universo que criava e pelo ator que havia conseguido transformar o personagem animado que eu crescera vendo em uma criatura de carne-e-osso. Ao ler seu nome nos créditos, percebi que era o tal ator do Bom Dia, Vietnã.

Alguns anos depois, seu Sociedade dos Poetas Mortos foi lançado no Brasil e permaneceu em cartaz em Belo Horizonte por quase dois anos – e lembro-me de ler matérias sobre ter sido o longa que mais tempo permaneceu em exibição na cidade, num tempo em que os cinemas de rua imperavam e uma produção tinha tempo para criar boca-a-boca e um público cativo. Emocionei-me com sua história simples, mas humana, e até hoje me arrepio ao lembrar da cena na qual os estudantes veem as fotos antigas de outros alunos, agora todos mortos, e aprendem o conceito do carpe diem.

Veio, então, Um Tempo de Despertar – e foi vendo aquele filme no cine Acaiaca que decidi cursar Medicina (e o fiz) e me tornei fã de Oliver Sacks, que Robin Williams encarnou de maneira impecável. Sim, o personagem de Robert De Niro é o grande chamariz deste lindo longa, mas a performance de Williams não só recria todos os maneirismos de Sacks como ainda cria um homem tímido, inseguro, com o qual passamos a nos importar. É uma interpretação sensível que só um ser humano com grande alma poderia oferecer (e digo isso como ateu).

Com o passar do tempo, redescobri ou fui presentado com obras como O Mundo Segundo GarpVoltar a Morrer e, claro, O Pescador de Ilusões. Ri com suas breves aparições em Nove Meses As Aventuras do Barão de Münchausen, sonhei em ouvir sua versão do Gênio de Aladdin em uma época na qual somente cópias dubladas das animações eram lançadas (e não havia o DVD para trazer trilhas alternativas) e jamais esqueci sua dor ao dizer, ao final de Uma Babá Quase Perfeita, como era “viciado” em seus filhos – um vício ao qual eu próprio sucumbiria tempos depois.

Foi mais ou menos neste período, aliás, que percebi que todos os trabalhos de Williams, mesmo os mais cômicos, traziam um subtexto de dor que ele projetava com os lábios finos encurvados, os olhos doloridos e as mãos estendidas à frente do corpo, como se tentasse se proteger do mundo. Notei, ali, o que tornava suas performances tão memoráveis: dramáticas ou cômicas, elas projetavam vulnerabilidade e uma certa impotência diante do mundo.

Quando descobri que Robin Williams enfrentava problemas com drogas, álcool e depressão, não me surpreendi.

Ao longo das décadas seguintes, Williams me fez rir e chorar. Provocou um incômodo profundo com suas performances assustadoras em Retratos de uma Obsessão Insônia. Estabeleceu uma química invejável com Nathan Lane na eficiente refilmagem de A Gaiola das Loucas. Demonstrou falta de ego absoluta ao surgir sempre desfocado em Desconstruindo Harry. Fez uma pequena, mas emblemática, participação no Hamlet de Kenneth Branagh (a melhor versão de todas) depois de dividir com ele a cena no subestimado Voltar a Morrer. Foi instrumental para o sucesso de Gênio Indomável. Revelou coragem ao atuar no complicado O Melhor Pai do Mundo. Enriqueceu a já linda Louie com sua belíssima participação em um episódio memorável.

E se matou em 11 de agosto de 2014 ao finalmente sucumbir à depressão que o perseguia há décadas.

Imagino Williams sozinho em sua casa, de madrugada, confrontando os velhos demônios. E decidindo que já não queria mais enfrentá-los.

Sempre que ouço a notícia de que alguém se matou, tenho a sensação de descobrir que mais um companheiro desabou no campo de batalha. Assim funciona a depressão, esta inimiga traiçoeira e persistente: você pode enfrentá-la por décadas; basta um momento de distração para que ela te destrua. Não há fama, fortuna ou realizações profissionais que a afastem – é preciso ter força constante para entender que o suicídio, como dizem, é uma solução permanente para problemas temporários.

Mais fácil dito que vivido, eu sei. Como sei.

O fato é que Robin Williams não existe mais. Levou consigo seu talento único para o improviso. Sua capacidade de saltar de um tema a outro com a velocidade de uma piscada. E o dom da empatia que o tornou tão eficiente ao viver todo tipo de personagem por entender seus dramas mais íntimos.

Morreu o “Capitão, oh, meu Capitão”. Morreu o homem que, mesmo enlouquecido pela morte da esposa em O Pescador de Ilusões, transformava o caos de uma estação de trem num balé harmonioso e adorável. O pai que se disfarçou para conviver com os filhos. O Gênio que se metamorfoseava com a mesma habilidade de seu dublador.

O artista que me fez rir e chorar tantas vezes.

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Abaixo, um exemplo de seu talento para a improvisação durante entrevista a James Lipton no Inside the Actor’s Studio (aos 4:55):

Legado

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Curso | 9 comentários

Este ano completarei 40 anos de idade. É bastante provável que esteja próximo da metade do meu tempo na Terra – para mais ou para menos. É inevitável, neste contexto, não começar a pensar na palavra “legado”, especialmente considerando que meu pai morreu exatamente aos 40 anos em um acidente de carro e, portanto, esta é uma data que já me aterroriza há um longo tempo. Há uma certa morbidez neste tipo de pensamento, reconheço, mas também um benefício lógico: a cada dia que passa, tento ser alguém melhor do que era no dia anterior. Nem sempre consigo: explodo em redes sociais, ofendo pessoas (não interessa se provocado ou não) e ajo impulsivamente quando já deveria ter idade suficiente para ter aprendido que tudo – tudo! – exige reflexão. Mas sigo tentando. Falhando muito, ainda, mas tentando.

Tenho aprendido que, se antes acreditava saber tudo, hoje sei pouco. Ou desaprendi ou nunca soube e só agora percebo isso. Vejo figuras que admiro e me percebo distante delas em conteúdo, maturidade e sensibilidade.

Mas – de novo – sigo tentando melhorar.

Ao refletir sobre este “legado”, há alguns dias, me ocorreu que, além de Luca e Nina, produzi alguns outros “filhotes” dos quais me orgulho imensamente – mesmo reconhecendo que minha participação naquilo que produzem é mínima: contribuí com algumas horas de experiências compartilhadas e só. O que veio a seguir é mérito total e absoluto deles. Ainda assim, por saber que desempenhei um diminuto papel no crescimento destas pessoas no que diz respeito ao amor que compartilhamos (o Cinema), já me sinto… feliz.

Estou falando, claro, sobre os alunos que acumulei ao longo destes cinco anos de viagens com os cursos pelo Brasil. Alunos que produzem seus próprios conteúdos em seus espaços pessoais e profissionais que compartilho com vocês abaixo, esperando que prestigiem a riqueza de ideias e discussões que certamente encontrarão nesta lista. Foram mais de 2 mil alunos de 2009 pra cá e, portanto, a relação a seguir é uma pequena parcela deste número, mas não menos representativa.

Mesmo sabendo que é presunção minha, considero cada um deles como parte do meu legado.

Adriano Cardoso: http://cinemacomadrianocardoso.blogspot.com.br

Adriano Garrett: www.cinefestivais.com.br

Aline Fernanda: www.cinemascope.com.br

Aline Guevara: www.experimento42.com.br

Aline Monteiro, Daniel Bessa, Fabrício Carlos, João Golin, Larissa Padron e Tullio Dias: www.cinemadebuteco.com.br

Amanda Aouad Almeida e Ari Cabral: www.cinepipocacult.com.br

Angelo Costa: www.falacinefilo.com.br

Attilio Gorini: http://www.planocritico.com/

Barbara Soares: Www.daiblog.com.br

Bruno Carvalho: www.ligadoemserie.com.br

Bruno Cesar e Daniel Pelegrini: http://olharleigo.com/

Caio Guilherme Muniz: www.porqueassistir.com

Caio Pimenta: http://blogs.d24am.com/cineset/

Carlos Carvalho: www.setimacena.com

Cristine Tellier: www.luzescameracafe.com.br

Dalton Marques: http://www.daltonmarques.blogspot.com.br/

Daniel Guilarducci e Maurício Costa: Razaodeaspecto.blogspot.com

Daniel Oliveira: www.cinefiloemserie.blogspot.com.br

Diego Domingos: http://www.cinemanews2.com.br

Fabrício Veloso: http://8super8.blogspot.com.br/

Felipe Fonseca: http://www.planosequencia.com.br/

Felipe Teixeira: www.blogserinema.blogspot.com

Flávio Junio: www.cineprise.com.br

Gabriel Escudero: http://escrevendosobrecinema.com.br

Gilberto Bruno: http://www.intoleravel.com.br/

Giordano Gio: www.filak.com.br

Guilherme Jorge Huyer: http://fakeline.wordpress.com/

Ivan Pereira: http://cinemavirgula.blogspot.com/

Ivanildo Pereira: http://www.artecompipoca.net/oblogquenaoestavala/

Jacker Marini: www.figurama.com.br

Jaime Junior: http://ocinefilo.net

Jason Almeida: www.cineprosa.com.br

José Guilherme: http://www.loggado.com/

Karina Cassare Martins: www.central42.com.br

Lucas Nascimento: http://lucasfilmes.wordpress.com/

Luiz Fernando Riesemberg: http://riesemberg.blogspot.com.br

Marcelo Seabra: pipoqueiro.wordpress.com

Marcio L. Santos: http://callmemisterglass.wordpress.com

Márcio M Andrade: www.zonacritica.com.br

Marcio Sallem: Http://blogsoestado.com/EmCartaz

Marden Machado: http://www.cinemarden.com.br

Mariana González: http://bitfairytale.wordpress.com

Maurício Costa: www.razaodeaspecto.blogspot.com

Mauricio Lammardo: http://cineclubedoscinco.com/

Michael Guima: http://universoe.wordpress.com

Pedro Ivo Maximino: http://mentesemfio.com/

Rafael Carvalho: http://movioladigital.blogspot.com.br e http://coisasdecinema.com.br/2013/críticas

Raphael Carrozzo: http://janelacinematografica.wordpress.com

Rebecca Albino: www.cineopinativo.com

Rick Monteiro: www.zonacritica.com.br

Roberto Siqueira: http://cinemaedebate.com

Rodrigo Baldin: www.central42.com.br

Rodrigo Cunha: www.cineplayers.com

Rodrigo Mutuca: http://rodrigomutuca.com/

Stéfanie Stefaisk Medeiros: Www.quemcontaumcontoblog.wordpress.com

Thomás R. Boeira: http://brazilianmovieguy.blogspot.com.br/

Tiago Paes de Lira: http://umtigrenocinema.com

Ulisses Da Motta Costa: http://www.jornalnh.com.br/…/entreteni…/setima_das_artes

Victor Rodrigues: http://sayhellotomylittleblog.wordpress.com/

Victor Ruiz: http://www.cinema7.com.br/

Vinicius Carlos Vieira: http://www.cinemaqui.com.br/

Vinícius Colares: http://diariodebordo.cinemaemcena.com.br/doutorcaligari

Wallace Andrioli: www.novascronicas.blogspot.com

Wanderlei Souza: http://diretodocinema.com.br/

Yuri Correa: http://classedecinema.blogspot.com.br/ e http://www.papodecinema.com.br/

Olhando para Você

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Curso, Vídeos | 12 comentários

O olhar para a câmera nem sempre tem um só significado no Cinema. Basicamente, podemos dividir estes olhares em três grupos principais:

1) Câmera subjetiva: a câmera assume a posição de um personagem; seu olhar é o olhar de alguém. Assim, quando um indivíduo em cena a encara, está, na realidade, encarando um personagem que se encontra no mesmo espaço que ele. Há tipos de subjetividade diferentes (algo que discuto no A Arte do Filme), mas esta é a mais simples do ponto de vista de linguagem: a perceptual.

2) O olhar para fora de campo: embora o personagem esteja encarando a câmera, esta não representa ninguém. Assim, a pessoa que olha na nossa direção está enxergando algo que se encontra em seu próprio universo diegético e que não podemos ver naquele momento. Algo, não alguém. (Se fosse alguém, claro, voltaríamos ao item 1.)

3) A quebra da quarta parede: o personagem que está olhando para a câmera não a enxerga; ele está, na realidade, encarando o espectador. Está vendo além de seu próprio universo diegético e se comunicando diretamente com o nosso mundo.

O supercut abaixo traz exemplos destes três tipos de olhares para a câmera.

 

(vídeo via Caio Berns)

Maratona Rob Schneider

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Twitter | 16 comentários

Já aviso que as próximas 5-6 horas trarão tweets sobre os filmes de Rob Schneider como parte da promessa que fiz de vê-los. Os links trazem capturas de tela relacionadas aos tweets.

E… Play.  http://t.co/WsZkE7Golg

Oh, boy. http://t.co/ZZTkid9nn4

Ok, eu ri do terceiro “thank you for last night”. Talvez não seja uma experiência tão ruim.

Mas é claro que Schneider ainda não tinha aparecido.

Aí Schneider apareceu e um golfinho mordeu o penis de um cara. Claro.

Maravilha. Uma “piada” envolvendo pedofilia.

Agora uma piada xenófoba. E outra objetificando mulheres. Enquanto Schneider fala sozinho.

Ok, cadê aquele golfinho? Preciso de uma mordida. Seria mais divertido, aposto.

HAHAHAHAHA. Piada sobre como asiáticos têm pênis pequenos! Que original!!!

Faltava uma piada homofóbica. Não falta mais.

Deveria ser proibido um filme com Rob Schneider usar uma música como Nights in White Satin.

Ah, Jeroen Krabbé. O que está fazendo nesse filme?

Mais piadas homofóbicas. Schneider não é só sem graça; é também um babaca.

Hahaha. Ele está usando uma peruca engraçada inspirada em Don King! Que hilário! Nunca ri tanto! http://t.co/74fYsZ9ecM

Segunda piada envolvendo asiáticos e penis pequeno. Porque a primeira foi tão boa.

Norm McDonald parodiando Robert Shaw em Tubarão. Gosto de McDonald, mas o texto é horrível.

Caretas. Se você não é Jerry Lewis, nem tente. http://t.co/knMtUCGq1j

Agora fazendo graça de uma mulher obesa. E a chamando de “baleia”. Uau.

Um gato abocanhou o penis de Eddie Griffin. Apenas para este gritar “Bad pussy!”. Inacreditável.

Schneider atacando quem critica a política externa dos EUA. E retratando todo estrangeiro como caricatura grotesca.

É por isso que detesto Adam Sandler e Rob Schneider. Comediantes sem graça são toleráveis; quando também canalhas, não dá pra perdoar.

O filme é tão picareta que uma personagem com traqueostomia que usa eletrônico para falar em certo momento fala sem usá-lo.

Mais homofobia. E quantos atores ruins. Alguém me mate.

Uma mulher com um penis no lugar do nariz e que espirra sêmen. Ah, o humor sofisticado de Rob Schneider.

Piada com anão. Claro.

Ah, promessa desgraçada. Ah, promessa sem jeito.

Trocadilhos com nome: Bundapopoulos. Nível Casseta & Planeta. Schneider seria PERFEITO para o grupo.

Uma ponta de Adam Sandler. Estava faltando. Oh, Deus.

TERCEIRA piada envolvendo asiáticos e penis pequeno.

Agora o filme diz que é preciso tratar as mulheres com sensibilidade em vez de encará-las como objeto. Depois de fazer isso por 80 minutos.

Opa, ainda deu tempo de encaixar uma QUARTA piada sobre asiáticos e pênis pequenos.

Fim do primeiro. Faltam dois. Não acho que vou conseguir.

Não tinha cena pós-créditos. Vamos ao segundo: http://t.co/gyrvXMsxp5

(Já perdi 9 followers.)

Um minuto de filme e Napoleon Dynamite come uma meleca.

Dois minutos e um personagem peida na cara de outro. Que maravilha de experiência, essa maratona.

Três minutos e uma piada envolvendo diarreia. Estes serão os 85 minutos mais longos da minha vida.

PQP, David Spade. Tudo pode ficar pior.

Outra “piada” envolvendo meleca.

Agora fazem piada com um garotinho obeso. Observem os padrões no “humor” de Schneider.

Segunda vez que um personagem peida na cara do outro. Em DOZE minutos de filme.

Assim como em Gigolô 2, o filme acredita que perucas podem gerar boas piadas. Mais padrões. http://t.co/3HdhZks83p

Agora “piadas” envolvendo nomes de personagens. Mais padrões. http://t.co/Jd1QDldVux

Jon Lovitz. PQP. A quadrilha está quase completa. Faltam Sandler e Kevin James.

Em Gigolô 2, Schneider leva um chute no saco. Em Benchwarmers, Spade leva pedrada no saco. Padrões.

Piada homofóbica. Rob Schneider é mesmo um AUTOR.

Benchwarmers tem um personagem que, quando irritado, aperta os mamilos dos outros. HILÁRIO. Estou com dores de tanto gargalhar.

Tim Meadows. Todos os refugos do Saturday Night Live estão no filme.

Um ator mirim pavoroso. Claro. Por que fazer algo que respeite o espectador?

UOU. O diretor dessa porcaria saltou o eixo umas 300 vezes agora numa única cena. Não sabe o BÁSICO de direção.

Mais uma piada homofóbica. Fuck you, Rob Schneider.

Há uma piada recorrente em Benchwarmers envolvendo Jon Heder arremessando tacos de baseball. Não funcionou na 1a vez e já repetiram umas 10.

Terceira piada homofóbica do filme. E eu sigo perdendo followers. #injustiça

Ha! Velhinhos frágeis são ridículos e engraçados! Vejam o velhinho com seu andador e falando bobagem. HAHA! http://t.co/3MjcTGS3iT

Pra mostrar que há muitas crianças empolgadas com o time, o diretor usa tela dividida. Mas vejam a preguiça: usa o mesmo cenário para varias crianças (reparem o fundo vermelho) e REPETE varias crianças só mudando o ângulo. Picaretagem. http://t.co/Hf3cLvknkI

Com quase UMA hora de filme, roteiro sugere segredo no passado do protagonista pela primeira vez. Uau. Que estrutura bem montada.

Ok, ri uma vez quando o sujeito apresenta carteira de identidade falsa dizendo que tem 12 anos.

Brian Doyle-Murray. Outro refugo do SNL (e irmão menos conhecido de Bill).

E como a piada da carteira de identidade funcionou, repetiram um minuto depois. Mas aí não dá.

Terry Crews. Nem ele funciona. E quando nem Terry Crews funciona, não há esperança.

Piada de anão. Assim como em Gigolô 2. A autoralidade de Schneider é inquestionável.

Com uma hora de filme, roteiro sugere segredo na vida do protagonista. Quinze minutos depois, revelam o segredo. Estrutura ZERO.

Outra piada de anão. Aliás, nem é piada. Apenas colocam um anão em cena e esperam que o espectador comece a rir.

Piada com Campo dos Sonhos. Ok, a questão agora é pessoal.

Caramba, estou sangrando followers. Rob Schneider é tóxico. Eu avisei para filtrarem a hashtag. Tsc.

“A vida é muito curta pra guardar rancor”, diz um personagem. Provavelmente se desculpando pelo filme.

“Também quero um anão”, pede um personagem. E alguém lhe entrega um como se fosse um objeto de cena.

O pior é que dá pra ver claramente que o ator anão se encontra desconfortável em cena. Terrível.

Segundo filme terminado. Falta um. Mas antes vou comer uns pães de queijo pra ver se o enjoo passa.

Vou de Big Stan, estrelado, produzido e DIRIGIDO por Rob Schneider. Antes do título aparecer, o filme já fez “piadas” racistas e misóginas. Um recorde. http://t.co/awEVEw2jpI

Assim como em Benchwarmers, a esposa de Rob Schneider em Big Stan insiste em ter filhos enquanto ele tenta evitar.

Porque mulheres são criaturas que só querem saber de bebês e de tentar tirar a liberdade dos pobres homens com os quais se casaram.

Ah, piada envolvendo estupro. Que assunto divertido.

E pelo terceiro filme consecutivo, “piadas” homofóbicas. Rob Schneider, o autor.

Os 15 primeiros minutos de Big Stan são dedicados quase exclusivamente a referências sobre estupro e sexo anal. Comédia 10!

Adivinhem só o que apareceu com 18 minutos de filme? Um ator anão. Três filmes consecutivos, três anões. Rob Schneider, o autor.

Jennifer Morrison e David Carradine. Pobrezinhos.

Ri mais lembrando de como o pobre David Carradine morreu do que dos três filmes vistos até agora. (Foi uma risada de pena, juro.)

Uau. Nem a infalível “That’s what she said” funciona quando saindo da boca de Rob Schneider.

Depois de 30 minutos de piadas sobre estupro, Rob Schneider passa simplesmente a gritar “Estupro!” várias vezes. Juro. Mesmo.

Vejam o cuidado de Schneider como diretor: nem se preocupa com a qualidade da mão falsa usada em cena. http://t.co/eJZLffaGZd

Sem qualquer motivo, Rob Schneider move a câmera para mostrar uma estátua chinesa. É tão ruim como diretor quanto como comediante.

Uau! Schneider bateu recorde agora. Num plano, ele diz “Why?”. Corta. O plano seguinte repete só o FINAL da pergunta “…ai”?

Nem a MIXAGEM de Big Stan presta.

E o pobre M. Emmet Walsh também está nessa merda.

NUNCA MAIS PROMETO NADA NESSA VIDA.

“Piada” envolvendo peido. Ha-ha-ha.

Não!!!! Scott “Hershel” Wilson, não!!!! :(((( Por que está nesse filme, Hershel?!?!

Poxa, Henry Gibson. Como é triste ver tanta gente boa nessa merda.

Rob Schneider não consegue fazer nem uma piada sobre a Cientologia, um alvo facílimo, funcionar. Que gênio.

Um nazista usa a palavra “crioulo” e Schneider o nocauteia pelo racismo. Em seguida, é atacado por e nocauteia uns 20 negros. Juro.

E nem se dá conta do racismo da cena que acabou de dirigir. Inacreditável.

Estava faltando a cena em que alguém é atingido no saco. Claro.

Ah, o velho e bom estereótipo racial. Big Stan tem tudo para o fã de Danilo Gentili.

70 minutos de filme e o papo ainda gira em torno de estupro. E agora tenta fazer piada com molestadores de criança. Juro.

O mais ofensivo é que Schneider faz um discurso sobre respeitar mulheres e gays. Enquanto fazendo piadas misóginas e homofóbicas.

“Bom discurso” “Você achou? Acho que deveria ter incluído uma piada ou duas”. Poderia ser um diálogo metalinguístico de Big Stan.

“Piada” envolvendo pedofilia. E, de novo, estupro.

Minha parte favorita de Big Stan: Rob Schneider levando uma surra. Se o filme tivesse só isso, seria perfeito.

90 minutos de filme alcançados. E adivinhem o que surge? Uma piada envolvendo tentativa de estupro!

Agora dois personagens apertam os mamilos um do outro. Tinha isso também em Benchwarmers. Schneider, o autor.

Rob Schneider fez Big Stan só pra poder aparecer como durão, aposto. As cenas de luta nem TENTAM fazer humor.

Ah, uma piada final envolvendo estupro. Por que o filme não foi intitulado apenas como The Rape?

E, com isso, termino de pagar minha promessa. Perdi 39 followers no processo. Peço desculpas aos demais.

Meu Pequeno Cinéfilo – Parte II

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Luca & Nina | 7 comentários

(Para conferir a Parte I, clique aqui.)

– Papai, fui ver um filme ali no Netflix, mas quando expandi a tela, ela ficou quadrada. Está estranho.

Fui ver do que se tratava e, surpreso, percebi que Deixe-me Entrar, rodado em lindo 2.35:1, estava sendo exibido num absurdo 1.33:1 no Netflix – o que, na prática, equivale a cortar mais ou menos 40% da imagem.

– O Netflix alterou a versão do filme. Mudaram a razão de aspecto. – expliquei, já ciente de que Luca, aos 11 anos, já cansou de me ouvir falar sobre formatos de tela.

– Mas por que eles fizeram isso? – perguntou o pequeno, com espanto.

– Não faço ideia.

– Que saco. – ele completou. – Assim nem vale a pena assistir.

Orgulho.

Meu Pequeno Cinéfilo (Não Mais Tão Pequeno)

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Cinema em seu máximo, Curso, Luca & Nina | 17 comentários

Neste sábado, gravei um videocast ao vivo com o objetivo de responder a perguntas dos leitores. (Para ver como foi, clique aqui: falo sobre distinção entre montagem e edição, recomendo livros sobre Cinema e falo de uma antiga promessa.) Depois de concluído o papo, repassei as várias perguntas enviadas através do Twitter e do próprio YouTube a fim de ver quais não haviam sido respondidas – e, entre estas, alguém indavaga qual era o filme favorito de Luca, meu filho de 11 anos de idade.

Esta era uma questão que eu não fazia ao pequeno há muito tempo. Porque as crianças, de modo geral, tendem a eleger como favoritos os filmes que acabaram de ver – ou quase. Nina, por exemplo, já elegeu Alice no País das Maravilhas, O Estranho Mundo de Jack, Como Treinar Seu Dragão, Frozen, A Bela Adormecida, Cinderela e diversos outros – e seu irmão, por sua vez, já se apaixonou por obras que vão de Os IncríveisAlien – O Oitavo Passageiro, passando por De Volta para o Futuro, A Casa MonstroTubarãoPredador (não necessariamente nesta ordem cronológica). Porém, aos 11 anos de idade, ele já assistiu a um número suficiente de filmes para começar a formar seu próprio gosto e, portanto, era hora de repetir a pergunta – cuja resposta me surpreendeu. Sem hesitar, ele disse:

– Cães de Aluguel.

Eu havia apresentado a ele a estreia de Tarantino na direção há meses. E não fazia ideia de que o longa havia provocado uma impressão tão forte no pequeno. Depois de conversarmos um pouco sobre sua escolha, ele perguntou se eu não podia apresentar a ele um novo trabalho do cineasta (eu vinha evitando por considerá-los todos violentos demais; Cães de Aluguel era, de certa forma, o mais contido, e ele também já havia conferido Kill Bill). Assim, como eu estava interessado em rever Bastardos Inglórios há algum tempo, saquei o blu-ray do filme e fomos conferi-lo.

E Luca, mais uma vez, adorou.

– Acho que o Tarantino é meu diretor favorito.

– Ele é um bom diretor para se ter como favorito, meu filho. – comentei. – Mas você descobrirá outros que vão tornar a disputa mais apertada.

A partir daí, fiz o que sempre faço quando assistimos juntos a algum filme: discuti a obra com ele. Falamos sobre os temas, sobre as liberdades históricas (e o que Tarantino queria dizer com estas) e, claro, sobre sua linguagem. E foi então que meu filho fez uma pergunta que me pegou completamente (e mais uma vez) de surpresa:

– Tem um grito no filme que o Tarantino sempre usa. Ele é estranho. Você já notou?

Ele estava falando, claro, do Wilhelm Scream, que em Bastardos Inglórios surge quando, no filme-dentro-do-filme, o personagem de Daniel Brühl mata um soldado aliado.

– Você… reparou o grito?

– Reparei. É porque em Cães de Aluguel, quando o Sr. Pink está correndo na rua, eu tinha ouvido esse grito e achado muito exagerado. E aí, quando vi Kill Bill, no final do primeiro volume a Noiva mata um cara que grita do mesmo jeito. E hoje eu ouvi de novo.

Como pai, confesso, senti meu coração disparar de orgulho. E expliquei a ele a história daquele grito específico e mostrei a ele um clipe que costumo exibir nas aulas do A Arte do Filme: Forma e Estilo Cinematográficos, quando ilustro este efeito sonoro para os alunos. No entanto, Luca ainda tinha perguntas:

– Tá, mas por que o Tarantino usa em todo filme?

Isto nunca havia me ocorrido – e, de fato, nem sei se Tarantino usou o Wilhelm Scream em algum outro trabalho além destes três. Porém, a questão levantada por Luca me deixou feliz por denotar sua compreensão acerca de um princípio que tende a ser ignorado por boa parte dos espectadores: cada decisão tomada por um diretor, por menor que seja, tem um motivo. E ao perguntar por que Tarantino insistia em usar os gritos, Luca buscava uma explicação narrativa, mesmo sem ter consciência da natureza exata de sua inquietação.

Assim que pensei naquilo, porém, a resposta veio instantaneamente. Mas se há algo que aprendi como professor é que, muitas vezes, é melhor permitir que o aluno encontre a resposta sozinho do que entregá-la de bandeja. Com isso, perguntei:

– Lembra que papai já te explicou que todos os filmes do Tarantino são basicamente sobre uma coisa só?

– Lembro. Cinema.

– Hum-hum. E aí?

Ele me olhou por alguns segundos e sorriu.

– E aí que ele usa o grito porque acaba sendo uma brincadeira com Cinema e com a História do Cinema?

– That’s a bingo!

E lhe dei um beijo que certamente vai deixar sua bochecha com um roxo imenso.