Cinema

Marlon Brando: The Godfather of Actors

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Encontrei por aí este tributo ao meu ator favorito.

Morte Cega

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O bastante

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Assistindo ao fraco documentário Tales from the Script, que entrevista dúzias de roteiristas enquanto tenta atrapalhadamente retratar as dificuldades enfrentadas por estes profissionais, me surpreendi com um imenso nó na garganta ao ouvir o roteirista/diretor Bruce Joel Rubin descrevendo sua experiência com o drama Minha Vida (do qual gosto muito, mas que foi muito mal recebido por público e crítica na época de seu lançamento). Claramente emocionado, o cineasta diz (tradução minha):

“O estúdio me mandou um pacote com todas as críticas e comecei a lê-las e todas eram socos abaixo da linha da cintura. E eu desabei. Desabei por meses depois que aquele filme foi lançado. Acreditei que aquele era o maior fracasso da minha carreira. Ele não arrecadou como o estúdio queria, não alcançou os resultados que eu queria, as críticas foram péssimas… E aí, mais ou menos nove meses depois, uma mulher se aproxima de mim em uma festa e diz: ‘Meu marido morreu de câncer há um ano. E meu filho e eu nunca discutimos o assunto. Meu filho tinha 12 anos e não conseguia falar sobre isso. Agora ele tem 13 anos e eu estou com câncer e tenho seis meses de vida. Mais ou menos uma semana ou duas depois que seu filme foi lançado, meu filho e eu fomos vê-lo. Quando o filme acabou, voltamos para casa e ele estava em prantos. Ele se encolheu em meu colo e tivemos a conversa que eu precisava ter antes de deixar este mundo. E isso não teria acontecido sem o seu filme. Então… obrigada’.

Nesse momento, algo aconteceu comigo. E naquele instante eu percebi que… tinha feito o filme para ela. E isso era o bastante.”

A Arte da Steadicam

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Supercut hipnótico que uma penca de gente me mandou. Obrigado a todos.

 

Olha o ônibus!

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Ah, clichês. (Supercut.)

Resposta de Kleber Mendonça a Cadu Rodrigues

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Tentei linkar direto pra página do Kléber no Facebook, mas não deu certo. A pedidos, transcrevo aqui a resposta matadora de KMF:

“Resposta a Cadu Rodrigues, diretor-executivo da Globo Filmes: ——-

Olá Cadu

Estava em trânsito o dia inteiro, cheguei em Istambul onde O Som ao Redor será exibido nos próximos dias. O Facebook e a imprensa fervilham com nosso embate. Preciso lhe agradecer pelo desafio, mas sua proposta associa a não obtenção de uma meta comercial (200 mil espectadores) como prova irrefutável de que eu não seria um cineasta. Isso não me parece correto, pois o valor de um filme, ou de um artista, não deveria residir única e exclusivamente nos número$. Sobre ser crítico ou cineasta, atuei como ambos e meu discurso permanece o mesmo, e sempre foi colocado publicamente, e não apenas em mesas de bar: o sistema Globo Filmes faz mal à idéia de cultura no Brasil, atrofia o conceito de diversidade no cinema brasileiro e adestra um público cada vez mais dopado para reagir a um cinema institucional e morto. Devolvo eu um outro desafio: Que a Globo Filmes, com todo o seu alcance e poder de comunicação, com a competência dos que a fazem, invista em pelo menos três projetos por ano que tenham a pretensão de ir além, projetos que não sumam do radar da cultura depois de três ou quatro meses cumprindo a meta de atrair alguns milhões de espectadores que não sabem nem exatamente o porquê de terem ido ver aquilo. Esse desafio visa a descoberta de novos nomes que estão disponíveis, nomes jovens e não tão jovens que fariam belos filmes brasileiros que pudessem ser bem visto$, se o interesse de descoberta existisse de membro tão forte da cadeia midiática nesse país, e cujos produtos comerciais também trabalham com incentivos públicos que realizadores autorais utilizam. Não precisa me incluir nessas novas descobertas, gosto do meu estilo de fazer cinema. Ainda estou no meio de um grande desafio com O Som ao Redor, 9 cópias 35mm, mais algumas salas em digital, chegando aos 80 mil espectadores em 8 semanas, e com distribuição comercial em sete outros países. A maior publicidade de O Som ao Redor é o próprio filme. Para finalizar, esses embates são importantes, fazemos cinemas diferentes, em geografias diferentes. Obrigado, tudo de bom. Kleber”

Live-tweeting Motoqueiro Fantasma 2

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Os leitores escolheram e eu live-tuitei:

O esquema da mulher é esperar algum rico dar em cima dela para o moleque bater a carteira do sujeito? Não é mais fácil só bater a carteira?

O Motoqueiro faz o som de um velociraptor antes de chegar, é isso mesmo?

O efeito da caveira fumegante com o casaco de couro queimado é muito bom. O visual do personagem é bacana.

Os caras nem se espantam diante de uma caveira em chamas. Ninguém sai correndo ou manifesta medo. Os caras são corajosos.

Ele é um motoqueiro ou um dementador? Quanto tempo pra matar alguém. Seria mais fácil dar um tiro e pronto.

É, meu amigo. Atirar numa caveira em chamas vai resolver seu problema.

“Get some” deve ser a frase de efeito com menos efeito da historia do Cinema.

Nicolas Cage não consegue conversar com uma enfermeira sem ser Nicolas Cage. É o Christopher Walken de sua geração. Eu curto.

A mocinha do filme é Violante Placido. Filha da Appolonia, primeira esposa de Michael Corleone.

Essa tela dividida é interessante. Usa o contorno dos personagens como cortina. Bacana.

“Quem te mandou? Foi o Diabo?”. Genial.

Por que zoom in e zoom out pra filmar duas pessoas dentro de uma caminhonete, srs. diretores?

“Você é a mãe do filho do Diabo”. Este filme tem muitos diálogos memoráveis, não?

Uma sequenciazinha com desenhos e colagens para ilustrar quem é o Diabo. Muito esclarecedor. Stalin e Jerry Springer são versões dele.

Que menino antipático. Se o filme depende de minha torcida por seu bem estar para funcionar, teremos problemas.

“Todos roubam de mim. That makes my balls hurt!”. E aí Nicolas Cage começa a se transformar em Nicolas Cage e a rir sem qualquer razão.

Nicolas Cage lutando para não deixar o Motoqueiro surgir é mais engraçado do que dez horas de As Branquelas.

Embora os diretores insistam em mover a câmera o tempo inteiro, mesmo sem motivacão narrativa, a fotografia é bem boa.

Claro que investe no laranja e azul com frequência, mas vá lá. Há clichês visuais piores.

É, Capangas Destinados à Morte: uma bazuca não destruiu o cara, mas as suas metralhadoras vão resolver a questão.

Isso, provoque o cara que acabou de ser explodido por um míssil e, no entanto, sai da cratera como se não houvesse sido arranhado. Esperto.

O Motoqueiro Fantasma deu uma risadinha identica ao do Mutley, agora.

Putz. O menino olhando um pai acariciar o filho só pra que sintamos dó del… AHAHAHAHA! Nicolas Cage tenta acariciá-lo.

Motoqueiro Fantasma 2 me ensinou que quando você tem muita sede, tem que beber direto de uma jarra em vez de tomar varios copos d’água.

Putz, em 2011 os caras usam como efeito visual a técnica de filmar algo e depois colocar em reverso no filme.

Por que albinos são sempre vilões?

Ai, ai. Agora MOTOQUEIRO FANTASMA 2 tenta manter uma discussão existencial sobre a natureza humana. Vai dar muito certo.

Se há uma criança sem pai em um filme, o herói sempre tentará estabelecer uma relação paterna com ela. Até o Motoqueiro Fantasma.

A piadinha do twinkie ser podre por natureza foi boa, admito.

Christopher Lambert! Agora o troço vai ficar interessante. Duelo de method actors.

Agora ilustrações e animações para explicar quem é o Motoqueiro Fantasma. É uma escolha narrativa… corajosa.

Idris Elba traz dignidade e peso dramático para qualquer papel. Impressionante. Ainda será um superastro, esse sujeito.

Luz dura é uma coisa; o que estão jogando na cara do Nicolas Cage agora é luz de adamantium.

Motoqueiro Fantasma 2 agora virou Indiana Jones e o Templod da Perdição.

“Feliz Natal, seus idiotas!”, grita Nicolas Cage do nada. APOSTO que foi improviso. APOSTO.

Quanto voces apostam que agora que ele perdeu os poderes do Motoqueiro descobrirá que PRECISA deles?

E aí ESCOLHERÁ voltar a ser o Motoqueiro. Este vai ser o arco dramático do filme. Aposto um doce.

Christopher Lambert já foi mais imortal.

O cara espera o Diabo roubar o menino pra contar o que a criatura quer com o garoto. Esperto.

O Diabo é protegido por ninjas. Repito: o Diabo é protegido por Ninjas. Com metralhadoras.

Ih, o Diabo tem complexo por ser deformado. Tadinho.

Cara, esse menino é antipático demais. Tomara que o Diabo o destrua e que ele sofra no processo.

O Diabo é tão poderoso que precisa dar uma injeção numa criança para sedá-la.

Olha só, o filme acredita na conspiração do grupo Bilderberg. Não cita o grupo pelo nome, mas é óbvio que são eles.

“Danny é a única coisa boa que já fiz”, diz a mulher sobre o filho que concebeu com o Diabo.

Ciarán Hinds, você deveria se envergonhar.

Estratégia do padre pra invadir o lugar: fingir-se de bebado e jogar a garrafa pros ninjas agarrarem. Este viu muito Pernalonga.

Confissão: esse efeito do olho com a conjuntiva toda escura… me dá medo. Sempre. De verdade.

“Eu não devia ter me livrado do poder; sei disso agora”. Oh, que surpresa.

Caralho, cabeçada das cabeçadas. Curti.

Ciaran Hinds esta imitando as caras do Robert De Niro ou é impressão minha?

“Você quer assistir?”, pergunta o albino, achando que o menino é uma versão mirim do Chance Gardener de Peter Sellers.

Ele pede pra ser o Motoqueiro de novo, surpreendendo exatamente zero espectadores.

O Diabo vai fugir de carro!

Isso merece um tweet repetido: O. Diabo. Fugiu. De. Carro.

Opa! Esse grito que o cara deu ao pular do carro é o famoso Wilhelm Scream que os editores de efeitos sonoros adoram usar como piada interna.

O albino encosta no vidro para rachá-lo, levando dez vezes mais tempo do que gastaria se apenas sentasse o pé nele.

Essa sequencia tem tanto flare que estou começando a achar que JJ Abrams foi o diretor de segunda unidade.

O MOTOQUEIRO FANTASMA OLHOU PARA A CÂMERA PRA DIZER UMA FRASE DE EFEITO! (E ela foi “roadkill”. Putaqueopariu.)

Poxa, que estratégia excelente para salvar o menino, Motoqueiro: lançar o carro em duas dezenas de capotadas com o garoto dentro.

O Diabo tem medo de fogo, é isso mesmo? Que fracasso.

E Nicolas Cage começa a rir de novo do nada. Um riso que não tem nada a ver com nada na cena nem com seus diálogos. O cara é louco.

“Meu nome é Johnny Blaze. Eu sou o Motoqueiro Fantasma.”. Uau. que fala final impactante!

Porra, Telecine, escondendo os créditos pra passar chamada de outro filme? Que feio. Você já valorizou mais o Cinema.

E agora os créditos passam em velocidade acelerada enquanto sao cobertos pelo “A Seguir”. Muito, muito feio.

Bom, foi um prazer ver Motoqueiro Fantasma 2 com vocês. Fim do flood.

Live-tweeting Soldado Universal 4

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Twitter | 11 comentários

Esta madrugada assisti a Soldado Universal 4 e tuitei ao longo do filme. Eu jamais faria isso caso fosse escrever sobre ele, obviamente, mas só por diversão foi uma experiência bacana. Crítico de Cinema também é gente.

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Ok, querem saber? Vou ver Soldado Universal 4 – O Juízo Final. Por quê? Porque sim. Porque tenho um cromossomo Y. Porque bebi vinho.

Começando agora o filme. http://yfrog.com/h2f8gkuj

Dez minutos de filme e o policial mostra a foto de um homem ENCAPUZADO pro herói e pergunta: “Já viu este homem?”. Oh, boy.

A enfermeira e a recepcionista do hospital são vividas pela mesma atriz. Hum.

Fotografia completamente inconsistente entre os ambientes da casa do herói.

Há algo de Jack Palance no rosto do envelhecido Dolph Lundgren.

Aviso: epilépticos NÃO devem ver Soldado Universal 4. Luzes estroboscópicas abundam.

O herói estacionou a três metros da calçada. Que feio.

Esse diretor gosta de uma câmera subjetiva, viu?

O clichê da moldura que traz um retrato como pista é seguido pelo clichê da caixa de fósforos de um bar servindo como pista. Dois coelhos.

O clichê da fita com gravação deixada pelo morto. Trifeta.

Muita mulher nua no filme. Não estou reclamando.

Mais estrobo. Diretor deve odiar epilépticos.

Van Damme interpreta o professor Xavier nesse filme, é isso?

O vilão do filme é o rei Leonidas.

O rei Leonidas teve metade do pé cortado. Agora ele… manca levemente.

Dolph Lundgren acaba de citar o titulo do filme. Figurantes enlouquecem.

Van Damme neste filme é uma mistura de professor Xavier e coronel Kurtz. O horror, o horror.

Já o herói é uma mistura de Paddy Considine, Matthew Fox e Jim Caviezel.

A mocinha é uma stripper chamada Fantasia. Só queria dizer isso.

Mais câmera subjetiva gratuita.

Pqp. Cena de pesadelo. Detesto.

“Ele está usando técnicas de controle da mente pra acessar sua psique”. O cara escreve essa fala e se chama de roteirista.

Que uso de grua mais desnecessário. Ter dinheiro pra gastar é outra coisa.

Como 20 minutos se passaram sem uma cena de ação, dois personagens começam a brigar por causa de uma garrafa de whisky.

Hum. Os caras confundiram camuflagem com blackface.

Brilhante: herói mostra foto de homem ENCAPUZADO para outro e pergunta quem ele é. http://yfrog.com/mod43oj

Outro clichê narrativo irritante. (Culpa do excelente “Adaptação”, que o popularizou): http://yfrog.com/nylmgjxj

Rei Leonidas tá chateado http://yfrog.com/obu26gij

O clichê do herói que tem que puxar a mocinha pela mão. Caso contrario, a pobre fica pra trás. Ai, ai. http://yfrog.com/es1x5roj

Como esse designer de produção gosta de um verde.

OK, os soldados universais sao uma espécie de lagartixa. Entendi.

Termina, filme. Por favor.

Ok. I did not see that coming.

Por isso não previ: que explicação idiota.

Ainda faltam quarenta minutos. Alguém me mate.

Cara… alguém foi PAGO pra escrever esse filme.

A mulher arrancou o chip do pescoço dele NA UNHA.

Ok, atingi o fundo do poço: 4h20 da manha de sexta pra sábado e eu assistindo a Soldado Universal 4 sozinho em casa.

Muita gente se matou por bem menos do que isso.

Soldado Universal 4 é um desperdício da minha tv 65″.

Olha o verde de novo. Sem significar nada a não ser a obsessão do designer de produção.

“As suas memórias te trazem dor.” Ok. Isso é verdade. Trazem mesmo.

O filme virou Brilho Eterno.

Então o segredo pra apagar memórias indesejadas é uma furadeira no crânio?! Poxa. Amanha mesmo testarei.

Ok, o vestido vermelho foi um bom toque.

E, claro, o filme se rende à estupidez mais uma vez no momento seguinte.

Ou eu estou bêbado ou esse filme não faz o menor sentido. Provavelmente os dois.

Virou videogame. Resta esperar que o herói chegue no chefão da fase.

Os capangas escondem atrás de caixotes de madeira, levantam, atiram, agacham. Tomara que o herói quebre os caixotes e pegue as moedas de ouro.

Se isso não é uma fase de videogame, não sei o que é.http://yfrog.com/mn6vwjxbj

PEGA A EXTRA LIFE, HERÓI!!!

Tenho certeza de que Dolph Lundgreen tinha um bom motivo pra mostrar a lingua ao dar o soco. Composição do personagem http://yfrog.com/hw31gehj

Herói e vilão de frente um pro outro disparando metralhadoras a um metro de distancia. Tiros certeiros: zero. Soldado universal my ass.

Essa morte foi legal. Machetada na cachola.

Vou nem tentar explicar isso. http://yfrog.com/kkf6xcbj

Van Damme pensando: “Onde foi que minha carreira deu errado?”http://yfrog.com/mg7wnmkj

Duas horas de filme e não sei nem por que eles estão brigando.

Soldado Universal 4 é uma mistura de Lunar e retardamento mental.

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E no dia seguinte:

Ressaca brava. Não por causa do vinho, mas por ter visto Soldado Universal 4.

Melton Barker, cineasta e pilantra

postado em by Pablo Villaça em Cinema | 5 comentários

Não usei a palavra “pilantra” à toa no título deste post: além de soar antiquada como a história que precede, pode ser usada para descrever com certo romantismo o cineasta (ou “cineasta”) Melton Barker, uma figura fascinante que o Cinema gerou na década de 30 e que a pesquisadora Caroline Frick resgatou. Aliás, mais do que resgatou: entusiasmada com o legado de Barker, ela conseguiu que vários dos filmes de dois rolos dirigidos pelo sujeito fossem adicionados ao National Film Registry, que preserva obras cinematográficas de importância histórica.

Mas quem foi Melton Barker?

Bom, em primeiro lugar, é preciso discutir a relevância história dos cineastas itinerantes que, na primeira metade do século 20, rodavam pelos Estados Unidos, Europa e Austrália realizando produções locais em cidadezinhas de pequeno e médio porte. A ideia era simples: os produtores entravam em contato com um jornal local e firmavam uma parceria para divulgar o projeto, apresentando-se como realizadores experientes (e com histórico em Hollywood) que iriam produzir um curta-metragem de aventura protagonizado apenas por habitantes da cidade. Para participar, não era necessário saber atuar, cantar nem dançar, mas apenas fazer um breve teste a fim de conferir se suas vozes iriam “registrar bem”. Muitos dos filmes resultantes eram basicamente registros da população local, exibindo as pessoas em grupos e oferecendo a estas o prazer de ser ver na tela grande, já que – e este foi o grande achado dos itinerantes – os curtas eram projetados em algum cinema da cidade antes da exibição do longa-metragem programado. Não é à toa que os exibidores se mostravam sempre interessados neste tipo de parceria, já que, além de ganharem divulgação gratuita no jornal, sabiam que todos os participantes do “filme” iriam pagar ingresso para conferir o resultado.

Enquanto isso, os cineastas apostavam na sede por fama da população e, assim, cobravam pelo teste – um valor que podia chegar a 10 dólares, o que era algo considerável no período pós-Depressão nos Estados Unidos. Por outro lado, aquela poderia ser a oportunidade de ser “descoberto” por Hollywood – e qual pai não gostaria de ver o filho fazendo sucesso no Cinema?

É bom lembrar que as décadas de 20 e 30, em especial, foram bastante promissoras para jovens talentos. Além da fama absurda de Shirley Temple e Mickey Rooney, a série de curtas “Our Gang”, que resultaria em mais de 200 filmes e era produzida pelo lendário Hal Roach, era extremamente popular e, claro, estrelada por crianças.

Uma das quais, George “Spanky” McFarland, teria sido supostamente descoberta por Melton Barker – ou, ao menos, era o que este insistia em dizer em seu material promocional.

Entre os cineastas itinerantes, Barker talvez seja, ao lado de H. Lee Waters, o mais conhecido (em boa parte graças aos esforços feitos por Caroline Frick na última década): começando na década de 30, o sujeito visitou dúzias e dúzias de cidadezinhas apresentando-se como um profissional de Hollywood (e, claro, responsável por descobrir Spanky McFarland) e arrancando pequenas fortunas dos orgulhosos pais que viam, ali, a chance de verem seus filhos se tornando os novos Jackie Coogan.

O mais curioso, no entanto, é que Melton Barker sempre fazia o mesmo filme, The Kidnappers Foil, que contava a história de uma garotinha rica sequestrada por dois bandidos no dia de seu aniversário. Desesperado, o pai da menina (o próprio Barker) oferece mil dólares de recompensa para quem salvá-la, o que desperta o interesse da criançada local, que se divide em dois grupos e parte em busca da garota. (O roteiro pode ser lido aqui.)

De acordo com Frick, Melton Barker filmou mais de cem vezes esta mesma história, sempre usando crianças de cidadezinhas diferentes – e a carreira do sujeito foi longa: a versão mais antiga é de 1936, ao passo que a última foi rodada, acreditem ou não, nos anos 70. Ou seja: Barker passou quatro décadas filmando The Kidnappers Foil.

Há, claro, uma importância cultural intrínseca em um legado como este – como explicou o professor de Estudos Cinematográficos da NYU, Dan Streible, ao New York Times: “Ao visitar todas aquelas cidadezinhas (…), Barker preservou dialetos regionais que não podem ser ouvidos em um único filme de Hollywood. Ninguém mais estava gravando as vozes das pessoas em cidades como Childress, no Texas, em 1936”. 

Assim, mesmo que a motivação de Barker fosse puramente financeira e que para isso explorasse a ingenuidade dos residentes das pequenas cidades do interior dos Estados Unidos, o fato é que seu trabalho, visto em conjunto, tem um peso histórico inquestionável. Além disso, não deixa de ser fascinante assistir às diferentes versões de The Kidnappers Foil (Catherine Frick até agora conseguiu resgatar cerca de 20 delas) e perceber como o sujeito aderia rigidamente à própria fórmula, registrando em celuloide talvez milhares de pessoas e realizando, assim, algo que não intencionava produzir: um documento comovente e hipnotizante dos sonhos de fama e sucesso de inúmeras crianças ao longo de mais de quarenta anos.

(Para assistir a alguns dos filmes recuperados por Frick, clique aqui.)

Críticas de Amor e Django Livre

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Críticas, Novos filmes | 1 comente

Amor, meu favorito ao Oscar de Melhor Filme, e Django Livre, que também adoro.