Cinema

Cinema não é Literatura

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Livros | 43 comentários

Sempre que um novo filme da série (não, não é “saga”) Crepúsculo entra em cartaz, as fãs da subescritora Stephenie Meyer protestam contra as críticas negativas afirmando que “bastaria ler o livro” para compreender melhor a riqueza dos filmes. Não que o argumento “não gostou do filme porque não leu o livro” seja exclusividade das crepusculetes, mas é inevitável constatar a frequência com que esta “defesa” é usada pelas inconformadas garotas. Ora, o que elas parecem não entender é que Cinema e Literatura são artes distintas que exigem estrutura, linguagem e tratamento próprios – e qualquer filme que tente se ater excessivamente ao material original estará fadado ao fracasso, gerando uma narrativa sem ritmo, prolixa e provavelmente confusa. 

A boa adaptação é aquela que respeita o livro que a inspirou sem tratá-lo como um material sagrado, intocável. E qualquer obra baseada em outra pré-existente que só funcione se já tivermos conferido a original é, por definição, um fracasso artístico.

Tomemos, como exemplo de um bom trabalho de adaptação, Os Homens que Não Amavam as Mulheres: em meu texto sobre o filme, comentei que não havia sentido vontade alguma de ler a trilogia de Stieg Larsson após conferir o longa sueco por ela inspirado, mas que isto mudara após assistir à versão de David Fincher – e, de fato, nos últimos dois dias devorei a primeira parte da trilogia. Não é um grande livro e Larsson, como escritor, tropeça em alguns elementos estruturais e, principalmente, em seus diálogos que oscilam entre o óbvio e o expositivo, mas é uma narrativa envolvente e beneficiada pela excelente concepção da personagem Lisbeth Salander. No entanto, o que me chamou particularmente a atenção e que pretendo discutir aqui é o excepcional trabalho de adaptação feito por Steve Zaillian, que cumpre exatamente a função que descrevi acima: respeita o texto de Larsson e suas ideias, mas não hesita em fazer algumas alterações radicais ao transpô-lo para o Cinema.

Analisemos, num primeiro momento, a estrutura básica do livro (e, claro, sugiro que quem não leu o livro ou viu o filme interrompa aqui a leitura, pois comentarei detalhes da trama):

1) Prólogo – Henrik Vanger recebe o quadro e liga para alguém.

2) Somos apresentados ao herói, Mikael, que enfrenta problemas legais em função de uma matéria que escreveu.

3) Somos apresentados a Lisbeth Salander e descobrimos que é introspectiva, mas brilhante investigadora.

4) Mikael é contratado por Henrik e o mistério de Harriet é apresentado.

5) Mikael inicia suas investigações e conhecemos os suspeitos da família Vanger. Ele se envolve com Cecilia Vanger. Passa dois meses na cadeia.

6) Lisbeth enfrenta e resolve seus problemas com o novo tutor. Também descobrimos que sua mãe está em um asilo.

7) Mikael descobre a ligação bíblica por trás dos crimes e os Vanger passam a fazer parte da revista Millennium.

8) Lisbeth é contratada para ajudá-lo e os dois personagens principais finalmente se encontram.

9) A investigação avança e Lisbeth e Mikael se envolvem.

10) Mikael sofre um atentado e descobre o gato morto diante da casa. 

11) Depois de ver as fotos da turista e de Gunnar, Mikael avança em suas conclusões. 

12) Os assassinatos são resolvidos.

13) Mikael e Lisbeth usam Anita Vangler para chegarem à Harriet. Mikael vai para a Austrália e a mãe de Lisbeth morre.

14) Mikael traz Harriet de volta e esta assume o controle das empresas Vanger.

15) Lisbeth oferece vasto material sobre Wenneström para Mikael, que se recolhe por meses em sua cabana para escrever. Lisbeth o acompanha.

16) Um informante é descoberto dentro da revista Millennium. Com um dos sócios, Mikael planeja uma estratégia para enganar Wenneström.

17) Uma edição especial da revista é publicada ao lado de um livro. A imprensa repercute as denúncias. Wennerström foge.

18) Lisbeth rouba boa parte da fortuna de Wenneström.

19) Lisbeth se descobre apaixonada por Mikael e decide se declarar.

20) Mikael e Erika são vistos por Lisbeth, que se afasta.

 

Analisando rapidamente estes principais pontos estruturais da trama, é fácil perceber que Steve Zaillian foi bastante fiel ao texto de Larsson, do prólogo ao desfecho. No entanto, como um bom roteirista, não hesitou em descartar personagens importantes no livro, condensar outros e alterar até mesmo revelações cruciais a fim de criar uma narrativa mais fluida e ritmada:

1) A mãe de Lisbeth é descartada. Em vez disso, Zaillian usa o ex-tutor da moça para exercer a função de humanizá-la e demonstrar que é capaz de afeto e calor humano, ganhando tempo também ao não ter que explicar para o espectador as circunstâncias do relacionamento de Lisbeth com dois personagens diferentes.

2) O envolvimento com Cecilia Vanger é descartado. Além de completamente desnecessário (ele é obviamente incluído no livro apenas para criar um conflito entre a descoberta da foto, que parece implicar Cecilia, e o carinho que Mikael sente por esta), este envolvimento representaria o terceiro de Mikael no filme – e se ao longo de 400 e tantas páginas isto não incomoda, ver o herói transando com três mulheres diferentes em menos de duas horas seria, no mínimo, uma distração descartável. 

3) A primeira transa de Lisbeth e Mikael é adiada. No livro, Lisbeth reflete e decide racionalmente ir para a cama com o jornalista. No entanto, ilustrar para o espectador a lógica interna da moça seria difícil sem um diálogo expositivo ou um off (ambos recursos geralmente pedestres) e simplesmente colocá-la na cama com o companheiro soaria arbitrário. Ao mover a transa para logo depois do atentado a Mikael, Zaillian cria um fator motivador para o sexo, que surge mais natural (mesmo que, para isso, ele seja obrigado a mostrar Lisbeth costurando Mikael em vez de levá-lo para o hospital, o que é meio implausível. Dos males, porém, o menor.).

4) Gunnar e Harald são condensados. No livro, Harald é um ex-nazista decrépito e Gunnar se encontra morto há anos. Para ver as fotos tiradas por este durante o acidente em 1966, Mikael é obrigado a recorrer ao filho do sujeito, que busca as caixas e as entrega para o jornalista. Tudo isto consumiria tempo excessivo de tela (e resumir 400 e tantas páginas do livro em 160 de roteiro é uma tarefa considerável) e, assim, Mikael visita a casa de Harold, que se transforma no fotógrafo responsável pelos retratos que o sujeito busca. Com isso, somos apresentados ao ex-nazista e temos acesso às fotos em uma única cena. Solução econômica e elegante.

5) A subtrama envolvendo o jornalista infiltrado na Millennium é descartada. Já sabemos que Wennerström é inescrupuloso e que a revista encontra-se com problemas. Gastar um longo tempo de projeção com as discussões acerca do “espião” e das estratégias para enganá-lo seria puro desperdício. 

6) O sócio de Erika e Mikael é descartado. Além de representar economia de tempo, esta decisão estreita a relação profissional entre o casal, o que é fundamental em uma narrativa que tem apenas duas horas e meia para estabelecer a dinâmica entre vários personagens.

7) Todos os incidentes envolvendo Mikael e os habitantes da cidadezinha na qual passa a morar são descartados: seu flerte distante com a dona do café Susanne, a matéria difamatória publicada no jornal local e a investigação do ex-pároco da vila. Mais uma vez, tudo isto consumiria tempo excessivo e nada acrescentaria à narrativa.

8) A conversa entre Mikael e Martin no porão é expandida. Isto é fundamental para que conheçamos as motivações do vilão (que no livro são explicadas em longas passagens dissertativas) e para ressaltar a tensão da cena.

9) As passagens de Mikael pela prisão e pela cabana, onde permanece meses escrevendo, são descartadas. Nem é preciso esforço para compreender por que Zaillian as considera descartáveis.

10) A resolução do mistério de Harriet é alterado: Anita agora está morta e Harriet, em vez de viver na Austrália, assumiu o lugar da prima – e é preciso aplaudir a coragem do roteirista ao fazer a alteração mais arriscada do projeto, que poderia provocar a ira dos fãs e enfraquecer o filme. O fato, porém, é que Zaillian mais uma vez está correto: incluir Anita representaria introduzir mais um personagem e mais uma etapa na investigação de Mikael. Eliminando-a, Zaillian se vê livre destes dois empecilhos e pode encerrar o mistério bem mais rapidamente: em vez de ir à Austrália, Mikael já encontra Harriet no lugar da prima, o que também elimina a necessidade de explicar que esta não se casou para que Harriet pudesse usar sua identidade e passaporte. Mais importante, porém, é que ao condensar as duas personagens e levar Mikael a visitar Anita no meio da projeção (algo que não acontece no livro), Zaillian evita apresentar Harriet apenas no final do filme, já que normalmente é deselegante, do ponto de vista narrativo, introduzir uma nova figura importante já no terceiro ato. Além disso, o roteirista leva o espectador a sentir a satisfação de perceber que a pista para o mistério principal do longa havia sido plantada bem antes e que já havíamos visto Harriet, o que elimina qualquer risco de sentirmos certa arbitrariedade na solução.

11) As repercussões da volta de Harriet dentro da família Vanger e das empresas do grupo são descartadas, já que o que nos interessa no filme é a história de Lisbeth e Mikael, não daquelas pessoas.

12) Um elemento importante do passado de Lisbeth é exposto no filme, embora seja apenas sugerido no livro. Isto é usado por Zaillian para estreitar os laços entre os dois, já que aqui não podemos contar com os monólogos internos de Lisbeth que expõem sua aproximação cada vez maior do jornalista. Além disso, ajuda a explicar um pouco melhor a pesonalidade da garota. Não era estritamente necessário, fazer isso, mas tampouco atrapalha.

 

Analisadas as principais alterações e o papel que desempenham na narrativa do filme, é importante repetir que, apesar delas, Zaillian se mantém bastante fiel ao centro do livro e à sua estrutura. Assim, é lamentável que não tenha sido indicado ao Oscar por seu trabalho, sendo substituído pelo medíocre roteiro de Os Descendentes, mas ao menos está representado no igualmente eficiente O Homem que Mudou o Jogo.

Resta agora torcer para que as crepusculetes entendam a diferença entre Cinema e Literatura. Ou melhor: para que descubram que Literatura existe.

A trilha sonora dos irmãos Coen

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Vídeos | 2 comentários

Ao lado de Scorsese, Paul Thomas Anderson e Tarantino, poucos cineastas contemporâneos sabem empregar tão bem canções já estabelecidas em seus filmes como Joel e Ethan Coen:

Ajuste Final:

Arizona Nunca Mais:

O Grande Lebowski:

Outra de O Grande Lebowski:

E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?:

E Um Homem Sério (clique aqui, pois desabilitaram a incorporação no YouTube).

I love the smell of a supercut in the morning!

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Vídeos | 1 comente

Os malefícios da dublagem

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Discussões | 230 comentários

(Por alguma razão misteriosa, o post original parou de funcionar. Então aqui vai o texto novamente.)

(Update: Quando estou errado, estou errado. Não há como discutir. Depois de algumas horas desde a publicação deste post, percebi que a principal objeção feita a ele pelos poucos que discordam diz respeito não aos argumentos que apresentei, mas ao tom que empreguei. Classificar como “medíocres”, “ignorantes”, etc, aqueles que gostam de dublagem acabou afastando pessoas que, de outra maneira, poderiam avaliar os argumentos pelo que são, não pela raiva pontual com que os defendi. E querem saber? Estas pessoas estão corretas. Meu tom agressivo em nada ajuda os pontos que estou tentando estabelecer, além de ser desnecessário e, em última análise, infantil. Assim sendo, desculpo-me pela adjetivação excessiva e pelas hipérboles atiradas aqui e ali e peço que se concentrem nos argumentos, não na intolerância e radicalismo que exibi em determinados pontos.)

 

Na última sexta-feira, O Planeta dos Macacos: A Origem chegou aos cinemas brasileiros com um anúncio preocupante feito pela Fox: o filme seria lançado com mais cópias dubladas do que legendadas em nossas salas. Reparem que estamos falando de um longa com classificação indicativa “12 anos” e que, portanto, esta decisão nada tem a ver com o conceito de torná-lo “acessível” aos espectadores mais jovens. Não, a ideia era atender a um público adulto que rechaça legendas – não por problemas físicos (falarei disto adiante), mas por simples preguiça de ler. Sim, os defensores da dublagem usam argumentos dos mais diversos (que contestarei abaixo), mas, no fundo, a questão é uma só: preferem a comodidade de assistir a um filme que não os obrigue a praticar o que aprenderam na alfabetização. Afinal, se já fugiram das bibliotecas, por que deveriam ser encurralados por letras nas salas de cinema?

Obviamente que os dublófilos não assumem isto, mas, pessoalmente, jamais encontrei alguém que tivesse o hábito da leitura e reclamasse de legendas. Assim, perceber que são estes espectadores medíocres e preguiçosos que estão sendo levados em consideração pelas distribuidoras, passando a moldar a experiência cinematográfica de todos aqueles que de fato amam esta Arte, é algo que me revolta absurdamente. Especialmente quando observo que, em sua defesa, apresentam os mais estapafúrdios argumentos – e antes de explicar por que a dublagem é nociva aos filmes, irei me deter nas “defesas” apresentadas por este contingente pró-mutilação.

1) E quem não sabe ler? Não tem direito de ir ao cinema? 

Além de estúpido, este é  um argumento repleto de cinismo, usando a população analfabeta do país como desculpa para defender sua própria preguiça de ler. Aqui a questão é simples: seja por questões culturais, sociais ou simplesmente econômicas (quem não sabe ler geralmente não tem o melhor dos salários), arrisco-me a dizer que menos de 0,01% daqueles que vão às salas de cinema são analfabetos. Justificar a necessidade de dublagem em filmes exibidos nas telonas através do argumento da “acessibilidade” é uma besteira – e mesmo que um grupo significativo de iletrados tivesse o hábito de conferir os lançamentos da semana, isto não justificaria a desproporcionalidade crescente entre cópias dubladas e legendadas.

O fato é que pessoas sem educação formal têm acesso aos filmes normalmente pela TV aberta – onde 100% das produções são dubladas. Assim, é justo dizer que esta parcela da população já está sendo mais do que atendida – especialmente considerando que praticamente todos os lançamentos em DVD já vêm com a opção da dublagem (e a palavra-chave aqui é “opção”). Considerando que estas são as formas economicamente mais acessíveis de se assistir a filmes de todas as épocas, gêneros e países, é incontestável que a população analfabeta (seja este analfabetismo real ou funcional) não está sendo excluída do acesso à Sétima Arte – e eu, como amante do Cinema, jamais defenderia que isto ocorresse.

2) E os deficientes visuais? Não podem ir ao cinema?

Claro que podem. Mas, novamente, não creio ser justo que uma minoria absoluta seja responsável por moldar a maneira com que a maioria irá experimentar os filmes. Além disso, há duas questões complexas relacionadas ao tema: em primeiro lugar, há o fato óbvio de que Cinema é uma mídia visual. Há ótimos projetos de áudio-descrição em vigor, mas estes envolvem salas específicas em sessões específicas – exatamente como deveriam ser. Sim, ainda têm pouco alcance, apoio e divulgação, mas a saída não é a  dublagem – ao contrário, já que esta não resolve a questão fundamental de explicar ao espectador cego o que está ocorrendo na tela. Neste sentido, aliás, a simples dublagem é um obstáculo para os deficientes visuais, já que as distribuidoras podem alegar que já atendem a esta comunidade através do áudio em português, deixando de investir na produção de trilhas de áudio-descrição. 

Há, também, o fato de que a experiência de ir ao Cinema é única justamente em função do mergulho sensorial oferecido pela sala – e, neste, o mais importante reside justamente no tamanho da tela e da imagem. Ora, para o deficiente visual, este é um fator nulo por definição, o que torna curiosa a insistência daqueles que os usam como desculpa para a  dublagem. Por outro lado, os mesmos que defendem ferrenhamente o acesso dos deficientes visuais acabam ignorando sem dó alguma uma outra parcela importante da população: os deficientes auditivos. Na última semana, não por coincidência, recebemos email de uma leitora surda que reclamava justamente da oferta cada vez menor de cópias legendadas que permitiam sua ida às salas de exibição – sendo que, pela própria natureza do Cinema, faz infinitamente mais sentido facilitar o acesso dos deficientes auditivos aos filmes em tela grande do que o dos deficientes visuais. Sim, seria ótimo se todos pudessem ser atendidos – mas, repito, a solução para os deficientes visuais reside não na  dublagem , mas na audio-descrição.

3) Pobrezinhos dos dubladores! Você quer tomar o ganha-pão da categoria? Além disso, temos os melhores dubladores do mundo!

Jamais questionei a competência de nossos dubladores – ao contrário: em várias ocasiões, afirmei que temos, sim, alguns dos melhores profissionais do ramo. Além disso, em vários textos elogiei os trabalhos de figuras como Guilherme Briggs e Garcia Junior, chegando até mesmo a publicar um texto defendendo a reserva de mercado para os profissionais do ramo, que vêm perdendo papéis para “celebridades” de maneira vergonhosa. Porém, por mais que reconheça o talento destes profissionais, há algo que, por melhor que sejam, eles jamais conseguirão contornar: o fato de que a  dublagempor natureza, distorce, deforma e prejudica a obra de arte original – especialmente tratando-se de longas envolvendo atores de carne-e-osso (explicarei as razões a seguir).

Além disso, não se preocupem com os dubladores: o que não falta a eles é trabalho. Séries de tevê, animações (para cinema e televisão) e praticamente todas as produções lançadas em home video contam com suas versões dubladas – e jamais me coloquei contra a opção de que estas trilhas em português façam parte dos discos. Aliás, o que ocorre é justamente o contrário: como um número cada vez maior de projetos vem recebendo versões dubladas, o que ocorre é uma verdadeira enxurrada de trabalhos, obrigando os estúdios de dublagem a se desdobrarem para atender a demanda – o que resulta em uma qualidade cada vez mais duvidosa das trilhas em português.

Aliás, aproveito para reafirmar o cinismo daqueles que defendem a  dublagem  usando a desculpa do “mercado de trabalho dos dubladores”: por que não se manifestam com relação aos salários dos professores? Ou dos médicos da rede pública? Ou dos garis? Vocês realmente acham que convencem alguém com este falso altruísmo? Menos hipocrisia, por favor.

4) As legendas “atrapalham” o filme.

Deixei este “argumento” por último por considerá-lo o mais estúpido de todos. Em primeiro lugar, o óbvio: então as legendas atrapalham a apreciação do filme, mas ouvir uma voz completamente diferente da original e em absoluta falta de sincronia com os movimentos labiais é algo que não incomoda? Mesmo? Há quemrealmente seja capaz de alegar que a legenda seja uma distração maior do que a  dublagem, do que ouvir, sei lá, o Bruce Willis falando com sotaque paulista e dizendo “Pombas!”? 

Sinceramente, eu poderia encerrar por aqui, mas irei além: só se atrapalha com a legenda quem não tem o hábito da leitura. (Antes que alguém cite os deficientes visuais: ler item 2.) Meu filho Luca, que tem apenas oito anos de idade, já vem assistindo a filmes legendados há pelo menos um ano – e com cada vez mais naturalidade e facilidade. Assistiu a Harry Potter 7.2 nada menos do que quatro vezes nos cinemas e, em todas as ocasiões, em sua versão legendada – por opção. Também conferiu desta maneira O Planeta dos Macacos e uma infinidade de outros títulos em DVD e blu-ray – de Quanto Mais Quente Melhor Banzé no Oeste, passando porAssassinato por MorteStar Trek e a série Alien. E riu, sentiu medo e aproveitou cada filme ao máximo, sem se importar com as legendas.

Aos oito anos de idade.

Ora, sou um pai coruja como qualquer outro, mas jamais me atreveria a dizer que Luca tem superpoderes que o tornam mais apto a ler legendas do que espectadores com 15, 20, 30 ou 40 anos de idade. 

O mesmo vale para mim: não apenas leio as legendas como faço anotações durante os filmes – e qualquer um que leia meus textos será obrigado a reconhecer que, concordando ou não com o que escrevi, sou suficientemente capaz de absorver o que está na tela a ponto de citar exemplos específicos de movimentos de câmera, cortes, detalhes de fotografia, gestos de atores e assim por diante. E, sim, leio as legendas mesmo quando domino a língua original (se estiver assistindo a um filme brasileiro com legendas em português, não consigo evitar acompanhá-las).

Assim, quando ouço/leio alguém dizer que as legendas “atrapalham” a compreensão do filme ou a plena “apreciação das imagens”, imediatamente faço uma anotação mental e coloco a pessoa na prateleira daquelas que simplesmente não têm o hábito da leitura e que, por preguiça intelectual, querem obrigar todo o resto da população a abandonar as letras. Quer defender a  dublagem? Ao menos use uma desculpa que não denuncie algo triste sobre seus hábitos culturais.

Repito: oito anos de idade.

No entanto, não sou simplesmente contra dublagem; sou também entusiasmadamente a favor da manutenção da língua original nas produções de cada país. E por algumas razões fundamentais:

1) A qualidade técnica:

Faça um teste: ao assistir a um filme dublado que traga parte do áudio original (numa canção ou através de personagens que conversam numa língua diferente daquela usada pelo protagonista), feche os olhos e preste atenção no som. Percebeu a diferença? Claro que sim. Aliás, você teria percebido mesmo ao manter os olhos abertos, já que a disparidade é gigante. 

Isto se deve a uma questão técnica tão importante para o Cinema que a Academia criou uma categoria especial para premiá-la no Oscar: a da mixagem de som (ou Melhor Som).

Cada filme envolve, em sua pós-produção, um trabalho árduo e extremamente detalhista de combinação das diversas trilhas que trazem os vários elementos sonoros da produção: os diálogos, os ruídos, as trilhas incidentais e instrumentais e até mesmo o som ambiente, do silêncio, de cada set. Esta mixagem requer um estudo delicadissimo do nível preciso de cada faixa em cada segundo de projeção – um trabalho que, nas versões dubladas, tem seu equilíbrio arruinado quando os estúdios brasileiros atiram uma destas faixas fora para substituí-la pela versão em português. 

Não acredita? Então coloque um DVD no seu player e repasse cenas inteiras em suas versões originais e brasileiras; se não perceber a diferença gritante da mixagem em cada uma delas, consulte urgentemente um otorrino.

2) A suspensão da descrença:

Já é suficientemente difícil, para o espectador, aceitar Ryan Reynolds como um patrulheiro espacial que, graças a um anel presenteado por um alienígena moribundo, torna-se capaz de viajar pelo universo e de criar objetos a partir de energia verde enquanto veste um collant digital. No entanto, somos capazes de comprar estes absurdos na maior parte do tempo graças a um contrato psicológico que firmamos com cada filme: o da suspensão da descrença. Basicamente, nos dispomos a aceitar os absurdos atirados em nossa direção a fim de que sejamos capazes de mergulhar na história – mas pedimos, em troca, que as produções mantenham seus artifícios intactos para que nada nos traga de volta à realidade durante a experiência.

E é por isso, por exemplo, que somos imediatamente atirados para fora da narrativa quando vemos oboom (microfone) no alto da tela, já que este é o equivalente de receber um tapa no rosto e ouvir um grito de “Isto é só um filme, idiota!”. (A propósito: em 99% das vezes que isto acontece, o erro é do projecionista; reclame com o gerente da sala para que a janela de projeção seja ajustada corretamente e o boom fique fora de quadro.)

Agora imaginem ouvir Bill Murray abrindo a boca apenas para ouvirmos a voz de Wesley Snipes. Que é a mesma de Will Smith. Que é idêntica à de Kevin Spacey. Que também sai da garganta de Samuel L. Jackson. Que a divide com Danny Glover, Alfred Molina, Ed Harris e Denzel Washington. (No caso, todos dublados por Márcio Simões.) Ou o que dizer da experiência de ouvir Bruce Willis se comunicando com a mesma voz durante anos apenas para, subitamente, descobri-lo com um som completamente diferente a partir de 2006, quando seu dublador oficial (Newton da Matta) faleceu?

Mais: confesso ter mais facilidade em aceitar Schwarzenegger matando 270 pessoas com um único tiro do que ouvi-lo soltando um “Seu filho da mãe!”, um “Ora, bolas!” ou mesmo um “Mermão” carioquíssimo enquanto pratica seu genocídio particular. Isto para não mencionar o fato óbvio de que as palavras que saem de sua boca são completamente destoantes de seus movimentos labiais, ressaltando de maneira inegável a irrealidade do que está ocorrendo na tela. Aliás, este é um “detalhe” (e coloco entre aspas por ser tudo, menos um “detalhe”) tão importante que os animadores dedicam centenas de horas de trabalho cuidadoso à ilustração de cada fonema empregado pelos dubladores de seus personagens – justamente para que, mesmo acompanhando as aventuras de um panda ninja, não questionemos por que seus lábios não seguem os sons emitidos por sua boca.

E a  dublagem em outra língua diferente da original simplesmente mata este esforço e dificulta exponencialmente a tão importante suspensão da descrença.

3) O trabalho do ator:

Atuar é criar um personagem. Isto envolve um profundo trabalho de composição e estudo envolvendo meses de pesquisas, ensaios, laboratórios e tentativas para que o intérprete descubra não só a psicologia de seu personagem, mas também a maneira com que este se move, gesticula e… fala. Ouçam, por exemplo, o registro rígido, duro, da voz de Meryl Streep em Dúvida e comparem-no à leveza de sua expressão vocal em Mamma Mia! ou ao pedantismo escutado em O Diabo Veste Prada. Tentem dissociar o professor Snape da dicção venenosa, estudada, calculada, empregada por Alan Rickman na série Harry Potter. Percebam como Sean Penn, em Milk, exibe uma afetação milimetricamente estudada em seus diálogos, ocultando-a quando seu personagem quer passar uma imagem mais séria para a mídia e o eleitorado. Assista ao clímax de Coração Satânico e tente ignorar a rouquidão desesperada de Mickey Rourke.

Agora ouça as versões dubladas e perceba a disparidade provocada pela diferença entre os meses dedicados pelos atores originais aos seus personagens e as poucas horas (se muito!) que os dubladores brasileiros tiveram para gravar seus diálogos.  

Se ainda assim você mantiver que a  dublagem não deturpa a obra, então não precisa de um otorrino, mas de um psiquiatra.

Aceitar a  dublagem é aceitar pegar todo o trabalho de composição de um ator, selecionar uma parte fundamental deste e atirá-la fora, substituindo-a por um elemento criado sem estudo, sem cuidado e com pressa. É dizer que não há problema em se alterar as cores de Lição de Anatomia, de Rembrandt, ou de O Grito, de Munch, desde que os “desenhos” sejam mantidos na íntegra. Ora, nenhuma forma de arte seria submetida a uma deturpação destas – e perceber que algo assim é visto com naturalidade no Cinema é uma prova inconteste da persistente falta de prestígio e respeito que a Sétima Arte enfrenta desde seus primórdios.

É por esta razão, também, que considero as dublagens de animações como algo um pouco mais fácil de aceitar: afinal, ali estamos substituindo todo o trabalho de um ator pelo de outro. Sim, na maior parte das vezes o cuidado na composição não é o mesmo (Luciano Huck gravou todo o seu péssimo trabalho em Enrolados em apenas 4 ou 5 horas), mas ao menos não temos um resultado digno do monstro de Frankenstein. (Sim, ainda há a questão dos movimentos labiais, mas considerando toda a artificialidade da própria técnica, que foge do realismo, é um problema menor.) Já aceitar a  dublagem em produções com atores de carne-e-osso (live action) é, por todas as razões descritas acima, algo que considero inadmissível em alguém que realmente amaCinema.

E aí mantenho o que já escrevi neste blog e no twitter tantas vezes: você pode até gostar de ver filmes, mas se defende a  dublagem – sinto muito -, não pode afirmar que ama a Sétima Arte. Uma coisa é precisar do áudio alternativo (como no caso de crianças pequenas ou de indivíduos com problemas visuais); outra é dizer que o prefere. Se prefere, má notícia: você não apenas não ama o Cinema como ainda o prejudica.

Ir ao cinema para ver um filme em tela grande é um gesto de amor ao Cinema. E perceber que as distribuidoras brasileiras querem afastar este público das salas é algo deprimente – e pior: contando, em seu crime contra a Sétima Arte, com a complacência do público. A ideia é simples: “lancemos muitas cópias dubladas; eles podem até não gostar, mas pagarão o ingresso assim mesmo”. A saída? Quando a cópia for dublada, boicote o filme. Busque a versão legendada ou espere pelo DVD/Blu-ray. Acredite: conferir a cópia dublada é o mesmo que comer carne estragada apenas para dizer que foi a um churrasco.

Diga “não” à  dublagem nos cinemas. A Sétima Arte merece seu apoio.

Melhores Momentos de 2011 (ou Série Você em Cena #41)

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Série Você em Cena | 33 comentários

Depois de iniciar esta série em 2009 e repeti-la em 2010, chega a vez de fazer uma breve retrospectiva de alguns dos melhores momentos que o Cinema nos ofereceu em 2011 – e se eu tivesse paciência e habilidade, certamente compilaria um vídeo a partir dos instantes citados abaixo (se alguém quiser fazê-lo… :P). 

Como sempre explico, o objetivo é listar “pequenas cenas, gestos, falas, qualquer coisa que talvez pudesse ser usada para resumir o impacto provocado por determinado título” – mesmo que este impacto por vezes possa ser negativo. Assim, percebam que é preciso gritar SPOILER ALERT! antes de iniciar a listagem abaixo.

E, por favor, sintam-se à vontade para completar a lista nos comentários. Há muitos filmes que acabei esquecendo de colocar aqui por irresponsabilidade ou distração. Além disso, há vários títulos lançados no Brasil em 2011 que eu havia conferido em 2010 (alguns deles, em 2009!) e, assim, como não os revi, ficaram de fora. Desculpem-me por isso.

 

              Alguns dos Melhores Momentos que o Cinema Ofereceu em 2011


Em Enrolados, Rapunzel observa o céu iluminado pelas lanternas que marcam seu aniversário enquanto as luzes se refletem nas águas sobre as quais se encontra.

 

Nina se transforma em Odile, o Cisne Negro, durante a apresentação de O Lago dos Cisnes.

 

Em um porão repleto de memórias, Dianne Wiest descreve para Nicole Kidman seu processo de luto em Rabbit Hole.

 

A intensa cavalgada dia e noite adentro no terceiro ato de Bravura Indômita.

 

Depois de insistir para que George estabeleça uma comunicação com os mortos, Melanie é abalada pelo que o espírito de seu pai tem a dizer em Além da Vida.

 

O letreiro que encerra Restrepo e que expõe de maneira inquestionável a futilidade dos esforços dos soldados norte-americanos no vale Korangal e o desperdício indesculpável de tantas vidas.

 

Em Deixe-me Entrar, Abby e seu antigo protetor se despedem na janela do hospital antes que este se ofereça a ela como alimento em troca da morte que aliviará sua dor.

 

No último “depoimento” de O Vencedor, Dick Eklund se emociona ao afirmar que o orgulho de sua comunidade agora é o irmão mais novo.

 

O momento que dá título a O Discurso do Rei.

 

Três mulheres num bote em um lago, à noite, em Inverno da Alma.

 

Depois de amputar o próprio braço, Aron Ralston tira uma foto do local onde permaneceu preso por 5 dias antes de partir em busca de ajuda, em 127 Horas.

 

Já adulto e também prestes a morrer, Uxbal vê e toca o pai pela primeira vez ao exumar seu cadáver embalsamado em Biutiful.

 

Bruna Surfistinha atende seu primeiro cliente e nos desafia a julgá-la ao olhar diretamente para a câmera.

 

O personagem-título de Rango caminha por várias dunas e atravessa uma estrada à noite em uma espécie de impulso autodestrutivo.

 

Os arquitetos da crise econômica global ficam mudos diante das perguntas incisivas do diretor de Trabalho Interno.

 

Depois de dormir na hidromassagem, em Passe Livre, Rick acorda sem conseguir mover os músculos e é auxiliado por dois clientes da academia – de uma forma particularmente desconfortável.

 

Todos os planos de Sucker Punch que se concentram na heroína em seu figurino de colegial.

 

O garotinho Fernando senta-se no alto de um barraco, em Rio, enquanto a câmera se afasta para revelar a favela e o restante da cidade ao fundo.

 

O plano que traz Hanna e a vilã se enfrentando em um trilho de um trem-fantasma, diante da cabeça enorme de um lobo.

 

O plano final de Contra o Tempo, que revela o corpo de um personagem ainda em monitoramento neurológico.

 

Vin Diesel, arrastando um cofre, destrói dezenas de carros na ponte Rio-Niterói em Velozes e Furiosos 5.

 

Sem conhecer os hábitos terrestres, Thor atira uma caneca no chão exigindo mais bebida.

 

Determinado a ir ao encontro de sua amada em um ensaio de dança contemporânea, David Norris deixa seus perseguidores desnorteados em Os Agentes do Destino.

 

Depois de ler a mente de Magneto, o jovem professor Xavier enxuga uma lágrima e agradece o amigo por “compartilhar uma lembrança tão bonita” em X-Men: Primeira Classe.

 

Depois de se lembrar de sua origem, Po alcança a paz interior e manipula uma gota de chuva em Kung Fu Panda 2.

 

Gil encontra Salvador Dalí em uma conversa repleta de menções a rinocerontes em Meia-Noite em Paris.

 

A terrível noite romântica na Suíte Futurista reservada através de um cupom pelo casal de Namorados para Sempre.

 

Em Potiche – Esposa Troféu, Suzanne decide usar suas joias ao se encontrar com os sindicalistas por julgar que seria uma forma de “compartilhá-las” com eles.

 

Em Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2, Severo Snape fita o jovem bruxo e diz “Você tem os olhos de sua mãe”, morrendo em seguida.

 

O jantar planejado com tanto cuidado por Jack em Vejo Você no Próximo Verão rapidamente sai de seu controle e despenca numa triste reencenação de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?.

 

A longa sequência de abertura de Melancolia, que traz recortes dos momentos finais dos personagens e de seus tumultos internos.

 

Em A Árvore da Vida, um dinossauro age com surpreendente compaixão diante de outro animal ferido.

 

O curta rodado pelas crianças e exibido durante os créditos finais de Super 8.

 

Depois de atacar um vizinho, o chimpanzé Cesar abraça Charles na calçada, assustado consigo mesmo em O Planeta dos Macacos: A Origem.

 

Zero decide submeter seu eu passado a uma traumática humilhação por perceber que seria a única maneira de evitar problemas maiores para as pessoas que ama em O Homem do Futuro.

 

O desastre inicial na ponte, em Premonição 5.

 

Em Missão Madrinha de Casamento, Lillian, vestida de noiva, atravessa a rua em busca de um banheiro, mas percebe que não será rápida o bastante.

 

Pedro Bala é recebido como herói pelos demais Capitães da Areia ao recuperar um objeto religioso das mãos da polícia.

 

Charley Brewster ajuda a vizinha a escapar da “despensa” do vampiro Jerry Dandrige em A Hora do Espanto apenas para vê-la explodir em chamas ao saírem da casa.

 

Benjamin e seus companheiros de trupe escutam o discurso do delegado sobre seu gato, em O Palhaço.

 

A apaixonada troca de olhares entre Jacob e uma recém-nascida em Amanhecer – Parte 1.

 

Chris Cooper cantando em Os Muppets.

 

Os quatro Papais Noéis chegam simultaneamente à casa da pequena Gwen, em Operação Presente.

 

Robert finalmente muda seu comportamento diante de Vera ao vê-la sendo estuprada por Tigre, como se isto reequilibrasse o débito pelo estupro de sua filha, em A Pele que Habito.

 

Acuado e com raiva, Stephen Meyers encontra-se com o ex-chefe que tanto admirava em uma cozinha mergulhada nas sombras, em Tudo pelo Poder.

 

Madeleine chora lágrimas de sêmen enquanto exibe o eterno sorriso talhado em seu rosto, em L’Apollonide, os Amores da Casa de Tolerância.

 

Ethan Hunt corre pela lateral externa do prédio mais alto do mundo, em Missão: Impossível 4.

 

Os Filmes de 2011

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Cinema. Às vezes, esqueço-me de como tenho sorte de poder viver dele e para ele.


(segundo vídeo sugerido por @IvanBender, no Twitter)

Oliver Stone

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Minha participação no quadro Cinematógrafo do programa Agenda, da Rede Minas/TV Cultura:

Cartazes de Stan Chow

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Todos à venda – e o cara é bom de serviço. Meus favoritos:

James Bond

Mother & Daughter

Os ensaios do Karate Kid original

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O filme praticamente todo – mas visto durante os ensaios na pré-produção:

[more]

Não achei a parte 8. 🙁

Plano plongé

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Vira e mexe, quando escrevo um texto e incluo o termo “plano plongé”, recebo emails perguntando o que aquilo significa.

Significa isso: