Cinema em seu máximo

A (falta de) gravidade do amor

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Graças ao crítico Matt Zoller Seitz, lembrei-me hoje de Núpcias Reais, filme dirigido por Stanley Donen e estrelado por Fred Astaire em 1951. Não é um de meus musicais favoritos (aliás, nem chega perto), mas traz duas ou três sequências memoráveis – sendo a principal delas, claro, a dança de Astaire pelas paredes de um quarto (empregando a mesma técnica, diga-se de passagem, que A Origem usaria quase 60 anos depois).

Linda pela coreografia inspirada do dançarino (que exibe uma energia incrível para alguém com mais de 50 anos de idade), a cena é o retrato de um amor recém-nascido, quando, movidos pela descoberta de uma nova pessoa, nos sentimos… livres. Capazes de tudo. Invencíveis.

Até que, claro, acabamos despencando do teto e arrebentando todos os ossos. Mas aí já é outra história.

Cenas em Detalhes #10: Um Corpo que Cai

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Jerries Lewises

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Jerry Lewis é um gênio. Dono de uma carreira absolutamente impressionante (e recomendo fortemente sua autobiografia, que já comentei aqui), Lewis inspirou gerações de atores/humoristas em sua abordagem autoral da comédia, já que muito cedo ganhou controle absoluto sobre suas obras – um risco com ótimos resultados, já que por anos a fio ele foi líder das bilheterias norte-americanas. Minha paixão pelo ator/roteirista/produtor/diretor começou cedo, aliás, quando ainda criança ficava grudado diante da Sessão da Tarde para acompanhar seus filmes – e, sim, atribuo a ele parte da responsabilidade pelo amor que desenvolvi pelo Cinema (e não é à toa que já o homenageei algumas vezes no Cinema em Imagens).

Estou longe de ser o único cinéfilo fascinado por Lewis, porém – e é preciso ser um artista muito especial para inspirar tantos tributos como os que verão neste post e que dá título a esta entrada (a propósito: “Jerries Lewises” não parece algo que sairia dos lábios de Gollum?).

Há vários números clássicos na longa e prolífica carreira de Lewis, mas talvez poucos sejam tão representativos de seu brilhantismo quanto o da máquina de escrever, que combina seu talento para o humor físico, sua frequente utilização da música como complemento cômico, sua natureza infantil/ingênua e, claro, sua compreensão única do ritmo da comédia, que o permitia expandir ideias simples em esquetes elaboradas justamente por saber o momento de repetir rotinas e subitamente alterá-las quando o público parecia finalmente ter compreendido para onde tudo caminhava.

O próprio Jerry Lewis, vale dizer, encenou o número em várias ocasiões, começando no palco, em seus espetáculos repletos de improviso ao lado de Dean Martin (ainda na década de 40), passando pela tevê (no Colgate Hour, que manteve com o parceiro em 1950) e finalmente chegando ao Cinema em 1963, em Errado pra Cachorro (e é interessante notar a evolução da coreografia e o refinamento do timing e da própria “historinha” da performance). Ciente de que esta é talvez sua assinatura definitiva, aliás, o astro recriaria a brincadeira em várias edições de seu telethon anual dedicado a arrecadar fundos para a pesquisa sobre Distrofia Muscular e, mais tarde, em sua volta ao palco nos anos 2000, mas aí a coisa já havia se tornado um pouco mecânica em função da familiaridade excessiva da rotina, como poderão observar mais abaixo.

Comecemos com o Colgate Hour, de 1950:

Treze anos depois, Lewis afinaria “The Typewriter” ao máximo, ciente de que sua imortalização no Cinema se tornaria a versão definitiva do número – como de fato se tornou.

Mais de duas décadas depois, ele pode ser visto em um espetáculo em Paris brincando novamente com a máquina invisível:

E, depois, em um de seus telethons ao vivo:

E isto, meus amigos, foi só o começo da história da máquina de escrever invisível, como comprovarão os norte-americanos, ingleses, brasileiros, japoneses e espanhóis – entre outros – abaixo. Particularmente, confesso ficar emocionado ao testemunhar o alcance obtido e o amor despertado por Joseph Levitch, o eterno e inigualável Jerry Lewis.

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Melhores Momentos de 2012 (ou série Você em Cena #42)

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Desde 2009 venho tentando manter uma lista de momentos específicos que, para mim, poderiam resumir os filmes dos quais os retirei. Tratam-se de pequenos gestos, falas, movimentos de câmera, sequências particularmente memoráveis ou mesmo um único corte ou transição. (Confira as listas de 2009, 2010 e 2011.)

É claro que acabei me esquecendo de incluir vários títulos – e há outros que, embora lançados comercialmente em 2012, foram vistos no ano passado e possivelmente figuram naquela lista. Além disso, estou certo de que vocês certamente escolheriam outros momentos dos longas citados abaixo – e, por favor, não hesitem em incluir suas escolhas nos comentários deste post, aproveitando para citar também instantes de filmes que deixei de mencionar aqui.

Ah, sim: nem preciso dizer SPOILER ALERT, né?

Alguns dos Melhores Momentos que o Cinema Ofereceu em 2012

Em O Homem que Mudou o Jogo, Billy Neame se dedica a várias e rápidas negociações simultâneas enquanto tenta garantir a contratação de um jogador.

Na primeira noite que passam juntos, Chico toca piano para Rita, que dança sedutoramente em seu vestido amarelo, em Chico & Rita.

A corrida noturna do cavalo Joey ao lado, sobre e dentro das trincheiras em Cavalo de Guerra.

De maneira estudada, George Smiley promete que “fará seu melhor” para resgatar a russa Irina em O Espião que Sabia Demais embora já tenha ciência de que a moça foi morta pela KGB.

Holmes e Moriarty antecipam toda uma luta em suas mentes sem que, de fato, desfiram um golpe sequer em Sherlock Holmes 2.

A perseguição em plano-sequência pela cidade de Bagghar, em As Aventuras de TinTim.

O plano final de A Separação, que traz o casal em cantos opostos do quadro e separados por uma porta de vidro enquanto aguardam a decisão da filha.

Alessandra Negrini correndo na praia, molhada e em câmera lenta, em 2 Coelhos.

As logomarcas das empresas que patrocinaram Agamenon que surgem antes do início do filme e que nos despertam o desejo de boicotá-las pela atrocidade que viabilizaram.

Atormentado por enxergar-se incapaz de fazer a transição para o cinema sonoro, George Valentin chora cobrindo a própria boca em O Artista.

Lisbeth Salander vinga-se do assistente social que a estuprara, em Os Homens que Não Amavam as Mulheres.

O personagem-título de J. Edgar veste as roupas da mãe e se olha no espelho, entregando-se ao desespero por não conseguir se livrar de sua própria natureza.

Matt King se despede da esposa, em O Descendentes.

Apesar de ter sua vida destruída pelo filho, Eva permanece presa a ele, abraçando-o ao final de Precisamos Falar Sobre o Kevin.

Arthur Kipps, com uma corda amarrada à cintura, mergulha em um pântano para tentar descobrir o cadáver de uma criança, em A Mulher de Preto.

Em Poder Sem Limites, Andrew prende uma aranha através de telecinese e, depois de alguns segundos, arranca todas as suas pernas com a mente.

O plano de abertura de Shame, que já evoca o vazio no qual vive o protagonista e também sua incompletude como indivíduo.

O personagem-título enfrenta os macacos albinos na arena, em John Carter.

Heleno de Freitas cospe o remédio no rosto de seu enfermeiro, em Heleno, e este reage com uma impaciência repleta de um carinho comovente.

Rodrigo Santoro olha diretamente para a câmera, como o adoentado Heleno, e vemos os olhos vazios de vida do personagem.

Depois de enfeitar o corpo da jovem Rue, Katniss faz um gesto de reconhecimento e respeito para a câmera em tributo à menina e ao Distrito 11, em Jogos Vorazes.

Através de uma sequência de raccords, Wenders envelhece e rejuvenesce os dançarinos de Pina.

Desesperados diante de uma epidemia de gripe fatal que acomete uma tribo de índios, os irmãos Villas-Bôas se dão conta de que são os responsáveis pela tragédia, em Xingu.

As criaturas da floresta de Trúfulas cercam com pedras o tronco cortado de uma árvore em O Lorax.

Semi-nua diante de Matt, Mavis o convida para a cama dizendo apenas “Esconda-me”, em Jovens Adultos.

Um dos “Engenheiros” se posiciona na gigantesca cadeira de sua nave em Prometheus, remetendo à cena icônica de Alien, o Oitavo Passageiro.

A seca luta entre Gina Carano e Michael Fassbender em A Toda Prova.

A sequência inicial de Na Estrada, que mostra o prazer de Sal ao encontrar pessoas novas e prosseguir em sua jornada.

A protagonista de Valente percorre o reino sozinha e feliz, culminando na escalada de um paredão rochoso sob uma cachoeira.

Alfred chora diante dos túmulos da família Wayne em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

A perseguição pelos barracos suspensos na favela futurista de O Vingador do Futuro.

Robert Pattinson se submete a um exame de próstata enquanto discute questões de negócios (e filosóficas) com uma assistente em Cosmópolis.

Milla Jovovich acordando com apenas dois paninhos brancos cobrindo seu corpo em Resident Evil 5.

Driss apara a barba de Philippe divertindo-se no processo, em Intocáveis.

Lori chega em casa e encontra o ursinho Ted ao lado de quatro prostitutas e um presente no chão de seu apartamento.

Ma-ma despenca para a morte sob o efeito da droga slo-mo, observando todo o trajeto lentamente em Dredd.

Os jovens apaixonados de Moonrise Kingdom se casam num acampamento escoteiro e numa cerimônia comandada por um capelão improvisado.

Surpreso com a chegada da esposa e percebendo que seu cão segurava na boca uma camisinha usada, um dos maridos de Os Infiéis decide resolver a questão de maneira pouco prática.

Will Ferrell acerta um soco em um bebê, em Os Candidatos.

Assustado e confuso, o cãozinho Sparky (de Frankenweenie) retorna para o lugar no qual se sente confortável em seu pós-morte: o túmulo no qual foi enterrado.

Saltando em um vagão que se despedaça ao seu redor, James Bond encontra tempo para arrumar as abotoaduras em 007 – Operação Skyfall.

Entre lágrimas, mas com certo prazer sádico, Calvin datilografa ordens para sua namorada fictícia Ruby Sparks, que as cumpre em pânico.

Qualquer cena com Benicio Del Toro em Selvagens (menos a última, na qual ele aparece pateticamente regando o jardim).

A batalha final de Amanhecer Parte 2. Que não acontece de verdade. Ai, ai.

Depois de voltar a dançar, Dallas (Matthew McConaughey) entra no camarim com ar possuído, em Magic Mike, e grita “Dallas be riding again!”.

Em Marcados para Morrer, Brian, entre lágrimas, consegue dizer apenas “He was my brother” no funeral de seu parceiro Mike.

A conversa final entre Cogan e o advogado no bar, em O Homem da Máfia.

As imagens de arquivo de Gonzaga: De Pai pra Filho.

Pi é surpreendido por uma baleia durante a noite em As Aventuras de Pi.

O encontro entre Bilbo e Gollum, em O Hobbit, e o resultante duelo de charadas.

A cena de sexo para motion capture de Holy Motors.

50 momentos do Cinema que partem o coração

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Chorei em praticamente todos eles, de fato. (Cite seus momentos favoritos, inclusos no supercut ou não, nos comentários!)

(Via Cherlayne.)

Os 105 closes mais belos do Cinema

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Videocast Cenas em Detalhes #05 – 2001 – Uma Odisseia no Espaço

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Videocast Cinema em Cena: Cenas em Detalhes #04 – O Poderoso Chefão

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Não preciso de religião; tenho Ennio Morricone

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Toda a performance é linda, de tirar o fôlego, mas quando “Ecstasy of Gold” começa aos 38:55… meu coração acelera. Toda vez.

Todos os zooms de O Iluminado. Em sincronia.

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