Clássicos

Mostra do Cinema Japonês – Dia 04

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Clássicos, Curso, Novos filmes | 5 comentários

Acabo de chegar do Belas, onde assisti a mais quatro filmes. Foram eles:

A Enguia (Japão, 1997) – ****
Homem Andando na Neve (Japão, 2001) – ***
Tampopo – Os Brutos Também Comem Spaghetti – ****

e o magnífico Castelo de Areia (Japão, 1974) – *****

Aliás, para quem está acompanhando a Mostra, uma excelente notícia: na quinta-feira, último dia do evento, iremos fazer três sessões seguidas de Aquiles e a Tartaruga, mais recente filme de Takeshi Kitano e ainda inédito no Brasil. Será uma maneira de encerrar a Mostra em grande estilo, com um dos principais cineastas japoneses contemporâneos.

Para encerrar este post antes de ir dormir, uma observação: amanhã é o último dia para que a matrícula com preço promocional em meu curso seja feita. E estou felicíssimo: faltando um mês para o início das aulas e usando apenas o Cinema em Cena e este blog como divulgação, a turma está praticamente fechada. Decidi abrir apenas 40 vagas, já que, apesar da sala de cinema comportar bem mais do que isso, senti que um número exagerado de alunos poderia atrapalhar o andamento das aulas. E já são 35 matriculados! Eu havia dado preferência no preenchimento destas vagas àqueles que se manifestassem através do blog e do site e cumpri minha palavra. Iríamos começar a distribuição de flyers e a fixação de cartazes na próxima semana, bem como uma campanha dentro do próprio Belas Artes, mas creio que isto será desnecessário.

É óbvio que há uma imensa tentação de abrir vagas para 50, 60 pessoas, mas, como falei, prefiro manter a turma menor e, com isso, tornar o curso mais produtivo e, conseqüentemente, melhor – e torcer para que o boca-a-boca garanta novas turmas no futuro.

Ah, uma última coisinha: a partir de sexta-feira, concentro-me na Mostra Indie, aqui de BH, e viajo para São Paulo na noite de quarta-feira, dia 14 (aniversário de 11 anos do Cinema em Cena) para a Mostra Internacional, permanecendo na cidade até o dia 31.

Mostra do Cinema Japonês – Dia 03

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Clássicos, Novos filmes | 6 comentários

É impressionante como a Mostra tem ocupado meu tempo: fico no Belas o dia inteiro e chego em casa detonado, sem ânimo para escrever uma linha sequer.

Além disso, como as cabines da Mostra INDIE já começaram, levanto cedo para a primeira sessão, que começa às 9 da manhã (hoje vi o novo dos irmãos Dardenne). Mas uma brevíssima retrospectiva (em cotações) do que vi nos últimos dias:

O Renascimento (Japão, 2007) – *****
Kabei – Nossa Mãe (Japão, 2007) – ****
Tóquio Porrada (Japão, 1995) – **
Tokyo Sonata (Japão, 2008) – ****
Na Hora de Fechar (Japão, 1996) – **
Juventude Sem Arrependimento (Japão, 1946) – ****
Escola do Riso (Japão, 2004) – ****
Sad Vacation (Japão, 2007) – ***
O Silêncio de Lorna (Bélgica, 2008) – ***

Curso de Teoria, Linguagem e Crítica em BH (e Cidadão Kane)

postado em by Pablo Villaça em Clássicos, Curso | 22 comentários

Os leitores que enviaram email manifestando interesse no curso em BH já foram notificados de que este ocorrerá em novembro, aos sábados de manhã. (Os leitores do Rio, SP, Brasília e Santos – e fiquei impressionado com a quantidade de interessados! – serão notificados à medida que as datas em suas praças forem fechadas.)

Se você mora em BH e quer fazer o curso, envie um email rapidamente para [email protected] (ainda não comecei a divulgá-lo "oficialmente", já que prometi prioridade no preenchimento das vagas aos leitores que enviaram email e que já são em número maior do que o de vagas disponíveis).


 Mudando de assunto: confiram, abaixo, minha participação no programa Agenda (TV Cultura/Rede Minas), em matéria sobre Cidadão Kane. Obrigado, como sempre, ao inestimável xlucas por disponibilizar o vídeo.

Agenda

postado em by Pablo Villaça em Clássicos | 9 comentários

Acabo de ser informado que hoje, às 20h10, aparecerei brevemente no programa Agenda, da TV Cultura/Rede Minas. Ao que parece, surgirei falando sobre Cidadão Kane.

Por que estou tão inseguro quanto ao que eu mesmo falei? Porque gravei uma longa entrevista para o programa há meses, abordando tópicos que iam de listas de melhores filmes a temas mais específicos como Indiana Jones e O Poderoso Chefão. Aliás, eu nem lembrava que havia falado de Kane, mas, aparentemente, falei.

Como a Sky não oferece a Rede Minas, não poderei ver o programa (xlucas?), mas deixo aqui registrado.

Ainda Jovens Clássicos

postado em by Pablo Villaça em Administrativo, Cinema, Clássicos, Críticas | 23 comentários

Como a utilização de imagens no texto de Fogo Contra Fogo me pareceu um recurso interessante, acrescentei-as também à análise sobre Todos os Homens do Presidente – e já estou capturando capturei as de Serpico.

Jovens Clássicos #03

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Clássicos, Críticas | 23 comentários

Acabo de concluir o terceiro jovens clássicos. Estou revisando o texto, que deverá entrar no ar dentro de 30-40 minutos já está no ar.

Cena Misteriosa #14

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema, Clássicos | 15 comentários

Vítima de um ataque cardíaco aos 46 anos de idade, o produtor Val Lewton (nascido na Rússia, seu nome de batismo era Vladimir Leventon) deixou uma filmografia curta, mas significativa, especializando-se em filmes B de terror que ainda hoje são celebrados pelos fãs do gênero, como Sangue de Pantera, O Navio Fantasma e, claro, O Túmulo Vazio – que o leitor Jaime Grebmops identificou corretamente como sendo a fonte da cena misteriosa 13.
 
Dirigido por Robert Wise, que havia estreado na direção justamente ao comandar duas produções de Lewton (A Maldição do Sangue de Pantera e Mademoiselle Fifi), O Túmulo Vazio marcou a última vez em que os ícones do terror Boris Karloff e Bela Lugosi dividiram a tela. Mas, mais do que isso, o filme é um terror eficiente que traz Karloff num ótimo desempenho como o cínico ladrão de túmulos que inferniza a vida do médico vivido também com competência por Henry Daniell. É uma pena, portanto, que o longa seja tão pouco lembrado, tornando-se ainda mais obscurecido diante dos títulos mais famosos da carreira de seu diretor, como Amor, Sublime Amor (que detesto), O Dia em que a Terra Parou, A Noviça Rebelde e, claro, Jornada nas Estrelas: O Filme.
 
Mas o filme definitivamente merece ser redescoberto.
 
Quanto à cena de hoje…
 

Cena Misteriosa #10

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Clássicos | 12 comentários

O leitor Eduardo Menezes foi o primeiro a apontar Dinheiro do Céu (Pennies from Heaven) como a cena misteriosa #09. Dirigido por Herbert Ross em 1981, o filme parte de um conceito (concebido por Dennis Potter) inspirado: um melancólico retorno aos Estados Unidos da época da Grande Depressão em que os personagens ganham liberdade para externar suas frustrações, seus sonhos e medos através das músicas do período, que surgem dubladas pelo elenco. Filme triste como seu protagonista (Steve Martin, em seu primeiro papel "sério"), Pennies from Heaven conta com a fotografia maravilhosa do mestre Gordon Willis (O Poderoso Chefão) e um design de produção impecável, impressionando dos cenários aos figurinos. Além disso, o longa foi o primeiro a aproveitar, no Cinema, o passado de Christopher Walken na Broadway, utilizando muito bem seus dotes como dançarino. Para finalizar, é sempre um prazer ver Bernadette Peters, uma de minhas musas (e sei que ela não tem uma beleza convencional, mas o que posso fazer?), em cena.
 
Vamos à cena de hoje:
 

 

Cena Misteriosa #09

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema, Clássicos | 21 comentários

(Uma pergunta: qual deveria ser a freqüência desta série?)

O leitor Rogério Vieira foi o primeiro a identificar Os Brutos Também Amam como a cena misteriosa #08. Dirigido por George Stevens em 1951 e lançado dois anos depois, Shane (seu título original) é um western que, apesar de contar com os tipos clássicos (o fazendeiro sob ataque; a esposa sofrida; o pistoleiro cruel; o latifundiário inescrupuloso; o herói rápido no gatilho; etc), é enriquecido pela complexidade psicológica com que desenvolve não apenas o protagonista, mas também sua relação com a família Starrett. Retratado por Alan Ladd como um sujeito de passado obscuro, mas com um óbvio desejo de encontrar um lugar calmo no qual possa fixar-se, Shane é, também, um homem que, de certa forma, parece buscar o conflito, envolvendo-se em situações que não lhe dizem respeito e que permitem apenas que ele possa voltar a usar suas armas.

Ambientado num período em que o Velho Oeste já estava sendo domesticado pelas leis mais rigorosas contra tiroteios, o filme é normalmente lembrado em função da encantadora performance do garotinho Brandon De Wilde (indicado ao Oscar e cuja morte precoce, aos 30 anos, roubou-lhe uma promissora carreira), mas o fato é que as atuações são sólidas de cima a baixo: Van Heflin, sempre intenso, encarna a firmeza de caráter – e a teimosia – de um homem que não quer acovardar-se diante da família; Jack Palance (também indicado ao Oscar) surge irônico e ameaçador num papel que lhe oferece apenas meia dúzia de falas; o eterno coadjuvante Elisha Cook Jr. comove com sua morte enlameada; Ben Johnson interpreta um capanga bem mais complexo do que imaginávamos inicialmente (é ele quem aparece na cena misteriosa, brigando com o herói); e minha musa Jean Arthur, aos 51 anos e em seu último papel no cinema antes da precoce aposentadoria, retrata com sensibilidade uma mulher que, mesmo claramente tomada pelo amor e pelo respeito ao marido, não consegue evitar uma óbvia atração pelo estranho que surge em seu rancho. Mas talvez a performance mais injustamente ignorada de Shane seja aquela oferecida por Emile Meyer, que, aos 41 anos, encarnou com perfeição o velho Rufus Ryker, oferecendo, no processo, um "vilão" que tenta agir razoavelmente, chegando a explicar, com bastante eloqüência, as razões que o levam a se considerar dono de todas aquelas terras.

E não podemos nos esquecer, é claro, da maravilhosa fotografia de Loyal Griggs, que explora magnificamente bem as belíssimas locações.

Dito isso, segue a cena de hoje:

Cena Misteriosa #04

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema, Clássicos | 18 comentários

Mais uma vez, vocês foram rapidíssimos: meia hora bastou para que o leitor Jaime Grebmops se tornasse o primeiro a identificar Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia como a cena misteriosa #04 (aliás, eu não falei que o título era genial?). Este filme, aliás, é o meu favorito na obra de Sam Peckinpah – e reparem que estou falando do diretor de filmes como Meu Ódio Será Sua Herança e Sob o Domínio do Medo. O que me atrai em Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (adoro esse título!) é, em primeiro lugar, a caracterização crua de Warren Oates, que, colaborador recorrente de Peckinpah, ganhou, aqui, uma rara chance de protagonizar uma produção: alcoólatra e ganancioso, o músico/bartender Benny jamais compreende totalmente a dimensão da crueldade de seus oponentes na perseguição pelo objeto do título – e a crueza e o universo miserável concebidos pelo cineasta compõem com perfeição a realidade do personagem, desde os carros despedaçados dirigidos por todos (bom, quase todos) até os imundos quartos de hotel alugados pelo protagonista e por sua companheira, a prostituta cantora Elita (Isela Vega, dona de uma beleza comum e que aqui exala sensualidade barata). Aliás, escolhi esta cena para representar o filme porque creio que resume bem a mentalidade de Benny: ao descobrir que a companheira lhe passou "chato", ele reage sem qualquer espanto, apenas com um pequeno gesto que mistura impaciência e divertida resignação, já que certamente aquilo já acontecera algumas vezes. Anti-herói trágico, Benny percorre uma trajetória atípica rumo a uma rendenção que não vem de ações nobres, mas sim de intenções tortuosas que, ironicamente, estabelecem uma dinâmica complexa entre o sujeito e a cabeça que carrega num saco em seu carro semi-destruído. 
 
Único filme no qual Peckinpah teve direito irrestrito ao corte final, Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (que título!) foi um fracasso absoluto de crítica e público na época de seu lançamento, em 1974, embora eventualmente seu valor tenha sido resgatado e reconhecido.
 
Parabéns a todos que acertaram a cena e… vamos à de hoje, que é infinitamente mais fácil: