Filmes, filmes, filmes

The Normal Heart e o mundo em 2014

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes, religião | 6 comentários

Ontem, assisti a The Normal Heart, produção da HBO dirigida por Ryan Murphy e baseada na peça homônima de Larry Kramer. Infelizmente, é sintomático que um filme poderoso como este tenha sido produzido para a TV; Hollywood ainda se acovarda diante de temas como os tratados ali. Originalmente encenada em 1985, nos primeiros anos do pânico da AIDS, a peça foi oferecida a estúdios por mais de uma década sem que nenhum deles tivesse coragem de produzir uma versão para as telonas – e isto mesmo com Barbra Streisand, que detinha os direitos de adaptação e encontrava-se no auge da carreira, tentando viabilizar o projeto.

Assim como o excelente Minha Vida com Liberace (que também foi produzido pela HBO quando nenhum estúdio quis financiar o projeto), The Normal Heart é um filme franco sobre a homossexualidade e sobre como o preconceito permitiu que gays morressem aos milhares. Num mundo perfeito, ele seria exibido para os adolescentes nas escolas, servindo a dois propósitos simultâneos:

1) Mostrar como o amor entre duas pessoas do mesmo sexo é natural, doce e tão importante quanto o amor entre duas pessoas de sexos opostos; e

2) Para ilustrar como a incapacidade da sociedade em aceitar o item anterior leva ao descaso que custou e custa a vida de tantos.

Enquanto a AIDS era considerada um problema gay, praticamente nada se fez (o doc ACT UP – Unidos pela Raiva, embora falho, mostra isso bem). E o trágico é que estamos em 2014 e ainda há seres repugnantes como Bolsonaro, Feliciano e Malafaia que disseminam a intolerância e o ódio. E como provavelmente verão nos comentários abaixo, amar e/ou desejar alguém do mesmo sexo invariavelmente provoca respostas raivosas de religiosos que não sabem o que é empatia.

E são estes religiosos, donos de um moralismo deturpado que vê o sofrimento de gays como punição em vez de como a dor de um semelhante, que impedem que obras como The Normal Heart sejam apresentadas aos jovens que poderiam ser salvos por ela. E que barram qualquer iniciativa de humanizar aqueles que são por eles desumanizados.

Pois eu garanto que, se existisse, Deus abraçaria todo tipo de amor e rejeitaria todo tipo de intolerância, preconceito e ódio.

Mas ainda somos primitivos. Discriminamos quem ama e bombardeamos crianças por um pedaço de chão. Tudo em nome de credos irracionais.

Às vezes, bate uma imensa vergonha de nossa espécie.

2001-2011 em Números, Estrelas e Estatísticas

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes | 12 comentários

Há dois ou três anos, o leitor Fábio Haddad começou a compilar estatísticas a partir de todas as listas que já publiquei de 2001 para cá, avaliando total de filmes vistos (e destes, quantos repetidos); porcentagem de cada cotação; pequenas variações nas notas, etc. É um trabalho árduo, imagino, pelo qual agradeço imensamente ao Fábio.

E ao qual passo a palavra:

Assim como fiz nos dois últimos anos, tomo a liberdade de mandar uma breve análise da lista de filmes assistidos e avaliados por você. 

Com 443 filmes, 2011 teve a terceira maior lista, atrás apenas dos gloriosos anos de 2003 (508) e de 2006 (475). 

Espero que você goste. Vamos aos números: 

Em 2011…

443 filmes foram assistidos

33 receberam 1 estrela (7,4%)

71 receberam 2 estrelas (16%)

131 receberam 3 estrelas (29,6%)*

137 receberam 4 estrelas (30,9%)

71 receberam 5 estrelas (16%)

* Foi o ano com o maior número absoluto de filmes com três estrelas

 

De 2001 a 2011…

4.482 filmes foram assistidos

381 receberam 1 estrela (8,50%)

826 receberam 2 estrelas (18,40%)

1.093 receberam 3 estrelas (24,40%)

1.321 receberam 4 estrelas (29,50%)

861 receberam 5 estrelas (19,20%)

 

Os mais antigos…*

Sua Majestade, o Espantalho de Oz (EUA, 1914) – assistido em 2005

Hell’s Hinges (EUA, 1916) – assistido em 2007

* A lista de 2001 não trazia o ano dos filmes

 

Os repetidos…

Foram assistidos 4.190 títulos diferentes.

Neste ano, dos 443 filmes, apenas 38 já haviam sido assistidos.

A lista dos mais repetidos segue praticamente a mesma. Os infantis ainda dominam, mas isso é um reflexo dos anos anteriores, já que, em 2011, os clássicos A Nova Onda do Imperador, Monstros S.A., Toy Story, Shrek e Irmão Urso não foram vistos:

10 vezes:

O Poderoso Chefão

O Poderoso Chefão Parte 2

O Poderoso Chefão Parte 3

 

6 vezes:

A Nova Onda do Imperador

 

5 vezes:

Monstros S.A.

 

4 vezes:

Toy Story

Toy Story 2

Shrek

Irmão Urso

Procurando Nemo (incluído em 2011)

 

3 vezes:

22 filmes

 

2 vezes:

197 filmes

 

1 vez:

3.961 filmes

 

Pensando bem…

Dos filmes assistidos novamente neste ano, alguns tiveram mudança de conceito

Encantada (2007) passou de 4 estrelas em 2007 para 3 estrelas em 2011

O Homem Errado (1956) passou de 4 estrelas em 2006 para 5 estrelas em 2011

S1m0ne (2002) passou de 3 estrelas em 2003 para 2 estrelas em 2011

O Predador (1987) passou de 2 estrelas em 2002 para 4 estrelas em 2011

(Esse filme é o único, até agora, que teve variação maior do que uma estrela)

 

É sempre bom lembrar que a lista não está livre de erros. Pelo contrário. É bem provável que existam problemas, dada a grande quantidade de informação. Mesmo o fato de os filmes de 2001 não terem o ano causa uma diferença na hora de verificar as repetições (eu não poderia ignorar o ano, por exemplo, já que existem as refilmagens).

Eu sempre me divirto fazendo esse levantamento. Espero que você se divirta lendo. Que venha 2012.”

* Pablo de volta: a única explicação para esta variação nas estrelas de O Predador é algum erro na cotação em 2002, já que considerava o filme bom, mas não ótimo. Provavelmente engoli uma estrelinha ao anotar a lista. Enfim.

Mais uma vez, obrigado ao Fábio, cujo twitter pode ser acessado aqui.

2001-2010 em Números, Estrelas e Estatísticas

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes | 10 comentários

Assim como havia feito no ano passado, o valoroso leitor Fábio Haddad me enviou as estatísticas compiladas a partir de todas as listas de filmes vistos que publiquei de 2001 para cá. Além de atualizar os dados com os filmes de 2010, ele refinou o sistema a fim de diminuir erros eventuais. Agradeço muito ao Fábio pelo trabalhão que teve; como digo sempre, tenho os melhores leitores do mundo.

Com a palavra, Fábio Haddad:

 

“Infelizmente (para mim), eu perdi o arquivo do ano passado. Assim, tive de recomeçar todo o trabalho do zero (: P) Se, por um lado, isso me consumiu um pouco mais de tempo, por outro lado pude fazer algumas melhorias no sistema de comparação. Notei, por exemplo, que o calcanhar de Aquiles do sistema ano passado era a lista de 2001 (a primeira), pois ela é a única que não tem informações entre parênteses, o que atrapalha na hora de comparar os nomes. O agravante é que eu não podia simplesmente excluir os parênteses todos, já que o ano do filme, em casos de versões, faz toda a diferença. Assim, para compilar os dados, excluí todas as informações entre parênteses, mantendo apenas o ano (acredite, fazer isso de forma automática com mais de 4.000 nomes foi bem engenhoso, modéstia a parte).

Em seguida, exclui e substituí alguns elementos que diferenciavam um filme do outro. Em algumas listas você colocou “O Poderoso Chefão Parte III”, em outras “O Poderoso Chefão Parte 3”, por exemplo. Em alguns usou “-“, e, em outros, “:”. O mesmo ocorreu com “&” e “e”. Ou seja, sua falta de padrão me deu um trabalho enorme. Que vergonha, seu Pablo. Que vergonha…

Enfim, vamos aos dados:

Estrelas deste ano

Dos 404 filmes visto em 2010,

8,4% (34) receberam 1 estrela

17,3% (70)  receberam 2 estrelas

26% (105) receberam 3 estrelas

30% (122) receberam quatro estrelas

18% (73) receberam cinco estrelas

Dos 404 filmes, 374 foram vistos pela primeira vez em 2010

 

Estrelas de sempre

As estrelas dadas ao longo de 2010 não fogem muito do padrão dos últimos anos. Dos 3.785 filmes diferentes vistos desde 2001*:

9% (345) receberam 1 estrela

20% (743) receberam 2 estrelas

25% (932) receberam 3 estrelas

29% (1.101) receberam 4 estrelas

18% (664) receberam 5 estrelas

* no caso de mudança de nota, está considerada apenas a primeira dada

 

Os repetidos

De 2001 a 2010, você analisou filmes 4.039 vezes, sendo que foram 3.785 filmes diferentes. Vamos à lista dos mais revistos

9 vezes:

O Poderoso Chefão

O Poderoso Chefão Parte 2

O Poderoso Chefão Parte 3

6 vezes:

A Nova Onda do Imperador

 

5 vezes:

Monstros S.A.


4 vezes:

Toy Story

Toy Story 2

Shrek

Irmão Urso


3 vezes:

19 filmes

2 vezes:

171 filmes


1 vez:

3.586 filmes

Tortura

Dos filmes revistos, eis os que receberam apenas uma estrela em todas as avaliações:

Quarteto Fantástico

A Mansão Mal Assombrada

A Casa Caiu

Pensando bem…

De 199 filmes revistos, apenas 17 mudaram de nota ao longo dos anos (apenas uma estrela, em todos os casos).

Aqui, os oito que melhoraram:

À Sangue Frio – 4 estrelas (2001) para 5 estrelas (2005)

A Última Sessão de Cinema – 4 estrelas (2001) para 5 estrelas (2009)

Caminho Sem Volta – 3 estrelas (2001) para 4 estrelas (2007)

Limite Vertical – 2 estrelas (2001) para 3 estrelas (2002)

Monstros Vs. Alienígenas – 3 estrelas (2009) para 4 estrelas (2010)

Pânico nas Ruas – 1 estrela (2003) para 2 estrelas (2009)

Serpico – 4 estrelas (2001) para 5 estrelas (2007)

Tá Dando Onda – 3 estrelas (2007 e 2008) para 4 estrelas (2010)


Aqui os nove que pioraram:

15 Minutos – 3 estrelas (2001) para 2 estrelas (2002)

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça – 4 estrelas (2001) para 3 estrelas (2010)

Heróis Fora de Órbita – 5 estrelas (2001) para 4 estrelas (2002)

Hollywoodland Bastidores da Fama – 4 estrelas (2006) para 3 estrelas (2007)

O Franco-Atirador – 3 estrelas (2001) para 2 estrelas (2007)

O Senhor das Armas – 5 estrelas (2005) para 4 estrelas (2010)

O Terror das Mulheres – 5 estrelas (2002) para 4 estrelas (2010)

Sob o Domínio do Mal – 5 estrelas (2001) para 4 estrelas (2009)

Uma Mente Brilhante – 5 estrelas (2002) para 4 estrelas (2003)

Vale lembrar que a lista não está totalmente livre de erros. Aliais, é bem provável que existam problemas, dada a grande quantidade de informação diferente. Acredito que, ao longo do tempo, essas diferenças vão sendo sanadas – inclusive com a ajuda dos seus leitores.”

2010 em Números e Estrelas

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes | 24 comentários

A já tradicional lista está no ar!

Quero desejar um 2011 tão fantástico quanto um filme de Scorsese (mas sem a violência!) a todos vocês. E agradecer pela companhia ao longo de 2010. Vocês são demais. 🙂

Filmes de Fevereiro/2010

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes | 14 comentários

Filmes vistos (ou revistos) em fevereiro:

Vida de Casado (Married Life, EUA/Canadá, 2007. Dir: Ira Sachs. Com: Chris Cooper, Pierce Brosnan, Patricia Clarkson, Rachel McAdams, David Wenham.) – Um melodrama que flerta pontualmente com o noir, o filme surpreende não pela trama, mas pelas decisões e motivações de seus personagens, trazendo um elenco coeso liderado por um Cooper mais do que inspirado. Ainda assim, alguns diálogos são difíceis de engolir. (3 estrelas em 5)

Charlie Murphy: I Will Not Apologize (Idem, EUA, 2010. Dir: Lance Rivera. Com: Charlie Murphy.) – Oferecendo uma das piores performances que já de stand-up comedy, o irmão de Eddie não só exibe uma total falta de timing como ainda chega a roubar material de George Carlin. “I Will Not Apologize”? Pois deveria. (1 estrela em 5)

RocknRolla – A Grande Roubada (RocknRolla, Inglaterra, 2008. Dir: Guy Ritchie. Com: Gerard Butler, Thandie Newton, Tom Wilkinson, Mark Strong, Idris Elba, Tom Hardy, Karel Roden, Toby Kebbell, Jeremy Piven, Ludacris, Jimi Mistry, Matt King.) – Ritchie mais uma vez bebe na fonte de seus dois primeiros filmes, criando personagens divertidos, perigosos e absurdos. (3 estrelas em 5)

Lola (Lola, Alemanha Ocidental, 1981. Dir: R.W. Fassbinder. Com: Barbara Sukowa, Armin Mueller-Stahl, Mario Adorf, Matthias Fuchs, Helga Feddersen, Karin Baal, Ivan Desny.) – A fotografia espetacular de Schwarzenberger, associada às atuações de Sukowa e Adorf, garante que este comentário social e político de Fassbinder se mantenha fascinante quase 30 anos depois. (4 estrelas em 5)

O Enigma de Andrômeda (The Andromeda Strain, EUA, 2008. Dir: Mikael Salomon. Com: Benjamin Bratt, Eric McCormack, Christa Miller, Daniel Dae Kim, Viola Davis, Justin Louis, Rick Schroder, Andre Braugher, Ted Whittall.) – Embora empalideça diante do original e conte com um terceiro ato que beira o ridículo, traz momentos inspirados do diretor Salomon e de parte do elenco. (3 estrelas em 5)

44 Inch Chest (Idem, Inglaterra, 2009. Dir: Malcolm Venville. Com: Ray Winstone, Tom Wilkinson, Ian McShane, Stephen Dillane, Joanne Whalley, Melvil Poupaud e John Hurt.) – Com um elenco de “machões profissionais” e um roteiro que bebe pesadamente na fonte de David Mamet, o filme certamente tem ótimos momentos, embora peque pelas longas seqüências de “diálogo interno” e pelo excesso de teatralidade. (3 estrelas em 5)

A Invasora (À l’intérieur, França, 2007. Dir: Alexandre Bustillo, Julien Maury. Com: Béatrice Dalle, Alysson Paradis, Nathalie Roussel, François-Régis Marchasson.) – Os vinte minutos iniciais, que parecem ter envolvido algum tipo de pensamento racional, funcionam bem e trazem planos memoráveis. A partir do segundo ato, porém, o filme se contenta com o gore gratuito e descerebrado, julgando que polemizar com violência contra grávidas é o bastante para merece créditos. (1 estrela em 5)

What Goes Up (Idem, EUA, 2009. Dir: Jonathan Glatzer. Com: Steve Coogan, Hilary Duff, Josh Peck, Molly Shannon, Olivia Thirlby, Molly Price, Max Hoffman, Sarah Lind, Laura Konechny, Ingrid Nilson, Andrea Brooks, Andrew Wheeler, Brett Kelly) – O humor melancólico estabelecido pelo estreante Glatzer funciona na maior parte do tempo, sendo beneficiado ainda pela impecável performance de Coogan. (4 estrelas em 5)

Triangle (Idem, Inglaterra/Austrália, 2009. Dir: Christopher Smith. Com: Melissa George, Michael Dorman, Rachael Carpani, Liam Hemsworth, Emma Lung, Henry Nixon, Joshua McIvor.) – Smith não apenas cria um roteiro inteligente e com uma estrutura complexa e fascinante como ainda confere um tom opressivo de pesadelo através de sua excelente direção. (5 estrelas em 5)

O Lobisomem (The Wolfman, EUA/Inglaterra, 2010. Dir: Joe Johnston. Com: Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt, Hugo Weaving, Art Malik, Cristina Contes.) – Um protagonista sem qualquer indício de personalidade, uma atuação sem qualquer envolvimento de Hopkins e um roteiro sem qualquer sinal de inteligência. (2 estrelas em 5)

Herb and Dorothy (Idem, EUA, 2008. Dir: Megumi Sasaki. Com: Herbert Vogel, Dorothy Vogel.) – A história da paixão incontrolável do casal Vogel por arte contemporânea é algo não só tocante, mas educativo. (4 estrelas em 5)

Quando Chega a Escuridão (Near Dark, EUA, 1987. Dir: Kathryn Bigelow. Com: Adrian Pasdar, Jenny Wright, Lance Henriksen, Bill Paxton, Jenette Goldstein, Tim Thomerson, Joshua John Miller, Marcie Leeds.) – Como terror focado em vampiros, empalidece diante de Garotos Perdidos, lançado no mesmo ano; como alegoria do submundo das drogas e de uma época em que o sexo se tornou letal, é óbvio e infantil. Como esta bobagem virou cult, não sei explicar. (2 estrelas em 5)

The House of the Devil (Idem, EUA, 2009. Dir: Ti West. Com: Jocelin Donahue, Tom Noonan, Mary Woronov, Greta Gerwig, AJ Bowen, Dee Wallace.) – Além da excelente ambientação de época (e da própria estética setentista), West concebe uma narrativa bem construída e tensa, resultando num filme tenso e eficiente. (4 estrelas em 5)

Dreams with Sharp Teeth (Idem, EUA, 2008. Dir: Erik Nelson. Com: Harlan Ellison, Robin Williams, Neil Gailman, Josh Olson.) – Ellison é arrogante, mal-humorado, impulsivo, auto-indulgente, prolixo e agressivo. É também brilhante, articulado e divertidíssimo – exatamente como este belo documentário que gira em torno não de sua obra, mas de sua personalidade. (4 estrelas em 5)

Filmes de Janeiro/2010

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes | 35 comentários

Filmes vistos (ou revistos) durante o mês de janeiro:

Messages Deleted (Idem, Canadá, 2009. Dir: Rob Cowan. Com: Matthew Lillard, Deborah Kara Unger, Chiara Zanni, Gina Holden, Serge Houde, Michael Eklund.) – Encerrando a “trilogia do telefone” de Larry Cohen, esta produção é a que conta com o pior roteiro (o que é curioso, considerando seu protagonista), além de trazer péssimas atuações e uma direção capenga. Mas a premissa é curiosa, ainda que nada original. (2 estrelas em 5)

Fora de Controle (Changing Lanes, EUA, 2002. Dir: Roger Michell. Com: Ben Affleck, Samuel L. Jackson, Sydney Pollack, Amanda Peet, Toni Collette, Richard Jenkins, Dylan Baker, William Hurt.) – Evitando o maniqueísmo, o roteiro cria dois personagens complexos e ambíguos ao mesmo tempo que recheia a narrativa com diálogos bem construídos e instigantes. (4 estrelas em 5)

Segunda-feira ao Sol (Las lunes al sol, Espanha/França/Itália, 2002. Dir: Fernando León de Aranoa. Com: Javier Bardem, Luis Tosar, José Ángel Egido, Nieve de Medina, Enrique Villén, Celso Bugallo, Serge Riaboukine, Ainda Folch, Joaquín Climent.) – Delicado drama que, com seu elenco coeso encabeçado por um Bardem vigoroso e intenso, funciona como um testemunho do impacto psicológico e moral provocado pelo desemprego numa economia em recessão. (5 estrelas em 5)

Touro Indomável (Raging Bull, EUA, 1980. Dir: Martin Scorsese. Com: Robert De Niro, Joe Pesci, Cathy Moriarty, Frank Vincent, Nicholas Colasanto, Theresa Saldana, Mario Gallo, Johnny Barnes.) – Um estudo psicológico brutal sobre um homem dominado pelo ciúme, a insegurança e a paranóia e que traz, além da direção inspirada e expressiva de Scorsese, três atuações formidáveis por parte de De Niro, Pesci e Moriarty. (5 estrelas em 5)

Megafault (Idem, EUA, 2009. Dir: David Michael Latt. Com: Brittany Murphy, Eriq La Salle, Bruce Davison, Justin Hartley, Paul Logan.) – Que triste legado deixado por Murphy, que, em um de seus últimos trabalhos, surge patética e sem vida num filme que, para ser considerado trash, teria que melhorar muito. Espero sinceramente que a atriz não tenha visto este longa antes de morrer. (1 estrela em 5)

New York, New York (Idem, EUA, 1977. Dir: Martin Scorsese. Com: Liza Minnelli, Robert De Niro, Lionel Stander, Barry Primus, Mary Kay Place, Georgie Auld, Clarence Clemons.) – Embora interessante, a direção de arte acaba se tornando uma distração e os números musicais são, em sua maioria, entediantes (uma das exceções é o número-título). Por outro lado, De Niro e Minnelli criam personagens complexos que despertam a curiosidade do espectador. Um Scorsese menor. (3 estrelas em 5)

Querida, Encolhi as Crianças (Honey, I Shrunk the Kids, EUA, 1989. Dir: Joe Johnston. Com: Rick Moranis, Matt Frewer, Thomas Wilson Brown, Amy O’Neill, Jared Rushton, Robert Oliveri, Marcia Strassman, Kristine Sutherland, Mark L. Taylor.) – O visual oitentista e os efeitos visuais datados acabam contribuindo para o charme do filme, que ainda consegue divertir. (3 estrelas em 5)

Burden of Dreams (Idem, EUA, 1982. Dir: Les Blank. Com: Werner Herzog, Klaus Kinski, José Lewgoy, Claudia Cardinale.) – O retrato extraordinário de um cineasta que, como o protagonista de seu filme, se entrega à obsessão por amor à Arte. (5 estrelas em 5)

Fitzcarraldo (Idem, Alemanha Ocidental/Peru, 1982. Dir: Werner Herzog. Com: Klaus Kinski, José Lewgoy, Claudia Cardinale, Grande Othelo, Miguel Ángel Fuentes, Huerequeque Enrique Bohórquez, Paul Hittscher, Grande Otelo, Milton Nascimento, Ruy Polanah.) – A abordagem de imersão adotada por Herzog, somada à performance intensa de Kinski, resulta numa experiência única e inesquecível. (5 estrelas em 5)

Metrópolis (Metoroporisu, Japão, 2001. Dir: Rintaro. Com as vozes de Kei Kobayashi, Yuka Imoto, Kouki Okada, Tarô Ishida, Kousei Tomita, Norio Wakamoto, Junpei Takiguchi.) – Com uma fabulosa direção de arte, uma animação expressiva e temas complexos, o filme representa um estímulo visual, intelectual e emocional intenso, resultando numa experiência fascinante. (5 estrelas em 5)

S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço (Spaceballs, EUA, 1987. Dir: Mel Brooks. Com: Rick Moranis, Bill Pullman, Daphne Zuniga, John Candy, Mel Brooks, Dick Van Patten, Michael Winslow, Stephen Tobolowsky, George Wyner e as vozes de Joan Rivers e Dom DeLuise.) – Ainda que não consiga recapturar a acidez e a inteligência de seus esforços da primeira fase da carreira, Brooks consegue divertir graças a algumas belas sacadas e ao simples conceito de Moranis como Dark Helmet. (3 estrelas em 5)

Jogos Mortais 6 (Saw VI, EUA/Canadá, 2009. Dir: Kevin Greutert. Com: Tobin Bell, Costas Mandylor, Betsy Russell, Shawnee Smith, Mark Rolston, Peter Outerbridge, Athena Karkanis, Samantha Lemole.) – Embora ainda não tenha assumido o tom de auto-paródia que eventualmente envolve toda franquia do gênero, a série já começou há muito a provocar risos involuntários. (2 estrelas em 5)

Jogos Mortais 5 (Saw V, EUA/Canadá, 2008. Dir: David Hackl. Com: Tobin Bell, Costas Mandylor, Scott Patterson, Julie Benz, Betsy Russell, Meagan Good, Carlo Rota, Greg Bryk.) – Será que os fãs da série não percebem que o conceito dos flashbacks e de mexer com a cronologia dos capítulos anteriores é uma forma encontrada pelos produtores para que possam refazer o original de novo e de novo e de novo? (2 estrelas em 5)

Eddie Izzard: Live from Wembley (Idem, Inglaterra, 2009. Dir: Sarah Townsend. Com: Eddie Izzard.) – No mesmo ano em que protagonizou o ótimo Stripped, Izzard, apresentando-se para 40 mil pessoas, surge numa performance tristemente irregular e sem estrutura visível que soa mais como um (fraco) improviso do que como um texto estudado e ensaiado. (2 estrelas em 5)

Soldado Universal 3 – Regeneração (Universal Soldier: Regeneration, EUA, 2009. Dir: John Hyams. Com: Jean-Claude Van Damme, Andrei Arlovski, Emily Joyce, Zahary Baharov, Kerry Shale e Dolph Lundgren.) – Embora Van Damme ainda tenha boa presença e a coragem de encarnar seu herói como um quase zumbi, Lundgren mal dá as caras (frustrando até mesmo os filhotes da década de 80) neste filme estúpido em conceito e execução. (1 estrela em 5)

Pintando o Sete (Idem, Brasil, 1959. Dir: Carlos Manga. Com: Oscarito, Cyl Farney, Sonia Mamede, Ilka Soares, Maria Petar, Antônio Carlos, Ema D’avila.) – Embora comece de maneira promissora, logo se perde ao ignorar Oscarito e optar por concentrar-se no romance desinteressante protagonizado pelo (também produtor do filme) Farney. (1 estrela em 5)

Visões de Sherlock Holmes (The Seven-Per-Cent Solution, Inglaterra/EUA, 1976. Dir: Herbert Ross. Com: Alan Arkin, Robert Duvall, Nicol Williamson, Vanessa Redgrave, Samantha Eggar, Jeremy Kemp, Charles Gray, Laurence Olivier.) – Uma premissa interessante que, relativamente bem desenvolvida, se beneficia bastante das ótimas atuações do trio principal. (3 estrelas em 5)

O Cérebro de um Bilhão de Dólares (Billion Dollar Brain, Inglaterra, 1967. Dir: Ken Russell. Com: Michael Caine, Karl Malden, Ed Begley, Oskar Homolka, Françoise Dorléac, Guy Doleman, Vladek Sheybal.) – No mais fraco exemplar da série, Harry Palmer perde a personalidade irreverente, enfrenta uma ameaça absurda encabeçada por uma caricatura em um filme aborrecido e sem pé nem cabeça. (1 estrela em 5)

O Senhor das Armas (Lord of War, EUA/França, 2005. Dir: Andrew Niccol. Com: Nicolas Cage, Ethan Hawke, Bridget Moynahan, Jared Leto, Ian Holm, Eamonn Walker, Sammi Rotibi e a voz de Donald Sutherland.) – O anti-herói complexo oferece ao brilhante roteiro a oportunidade de analisar, de forma inventiva e fascinante, o mercado negro (abastecido por grandes governos) das armas de fogo. (4 estrelas em 5)

Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi (Star Wars: Episode VI – Return of the Jedi, EUA, 1983. Dir: Richard Marquand. Com: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Anthony Daniels, Peter Mayhew, Kenny Baker, Sebastian Shaw, Ian McDiarmid, Warwick Davis, David Prowse, Billy Dee Williams, Alec Guinness e as vozes de James Earl Jones e Frank Oz.) – A fragilidade de Marquand como diretor e a crescente infantilização da narrativa são facilmente constatáveis, mas ainda assim o filme consegue fechar satisfatoriamente a trilogia original. (4 estrelas em 5)

O Detonador em Alta Voltagem (Live Wire, EUA, 1992. Dir: Christian Duguay. Com: Pierce Brosnan, Ron Silver, Lisa Eilbacher, Ben Cross, Tony Plana, Philip Baker Hall, Lauren Holly.) – Com sua cena de sexo cafona, seus diálogos patéticos, seus efeitos trash e seu roteiro absurdo, quase acaba servindo como diversão involuntária. Quase. (1 estrela em 5)

Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca (Star Wars: Episode V – The Empire Strikes Back, EUA, 1980. Dir: Irvin Kershner. Com: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Anthony Daniels, Peter Mayhew, Kenny Baker, David Prowse, Billy Dee Williams, Alec Guinness e as vozes de James Earl Jones e Frank Oz.) – O melhor de toda a série, este episódio abraça o potencial sombrio do universo concebido por Lucas e consegue equilibrar com eficiência os aspectos infantis da narrativa com os momentos de maior densidade. (5 estrelas em 5)

Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (Star Wars: Episode IV – A New Hope, EUA, 1977. Dir: George Lucas. Com: Mark Hamill, Harrison Ford, Alec Guinness, Carrie Fisher, Peter Cushing, Anthony Daniels, Peter Mayhew, Kenny Baker, David Prowse e a voz de James Earl Jones.) – Lucas consegue imprimir energia à direção e estabelece seus personagens como figuras imediatamente icônicas, mesmo que, aqui e ali, seus péssimos diálogos comprometam a experiência. (4 estrelas em 5)

Mary & Max (Idem, Austrália, 2009. Dir: Adam Elliott. Com as vozes de Bethany Whitmore, Philip Seymour Hoffman, Toni Collette, Eric Bana e Barry Humphries.) – A formidável direção de arte, as dublagens impecáveis, o roteiro sensível e a direção inteligente transformam esta animação em uma experiência tocante, madura e inesquecível. (5 estrelas em 5)

Peter Pan – De Volta à Terra do Nunca (Return to Neverland, EUA, 2002. Dir: Robin Budd, Donovan Cook. Com as vozes de Harriet Owen, Blayne Weaver, Corey Burton, Jeff Bennett, Kath Soucie, Spencer Breslin.) – Suficientemente divertido e com toques certos de drama para não manchar a memória do original. (3 estrelas em 5)

2001-2009 em Números, Estrelas e Estatísticas

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes | 27 comentários

O leitor Fábio Haddad me enviou pelo twitter (onde assina como @f_mhad) uma série de estatísticas que compilou a partir de minhas listas de fim de ano – e gentilmente permitiu que eu as compartilhasse com vocês. Passo a palavra a ele (e mais uma vez… obrigado, Fábio!):

"Segue abaixo um pequeno resumo que pude extrair das suas oito listas de filmes
anuais. Antes, como sei que você é curioso, vou explicar como fiz o
levantamento:

Pedi que o Excel atribuísse um código aleatório para cada
letra do nome dos filmes da lista. Assim, quando os códigos se repetiam,
tratava-se do mesmo filme.

O problema é que ele atribuiu um código para
"O Poderoso Chefão parte 3" e outro para "O Poderoso Chefão parte III". Corrigi
manualmente esse problema na maioria dos principais filmes, eliminando as
distorções mais evidentes.

Em seguida, eliminei a numeração das listas e
separei as estrelas dos nomes dos filmes. Transformei cada nota em um valor
numérico (1 para uma estrela, 11 para duas estrelas, 111 para três estrelas, e
assim por diante). Assim, pude contabilizar quantas vezes cada número de
estrelas foi dado.

Por fim, pedi que o Excel calculasse a diferença entre
as estrelas dos filmes de mesmo nome.

Fazer é mais difícil do
que explicar, mas acho que consegui.

Segue, agora, o que interessa. O
breve relatório:

Ao longo de oito anos, você se sentou para assistir
filmes 3.635 vezes, sendo 3.497 títulos
diferentes
.

Do total
(3.635):

314 receberam uma estrela
(9%)
685 receberam duas estrelas
(19%)
858 receberam três estrelas
(24%)
1.062 receberam quatro estrelas
(29%)
716 receberam cinco estrelas (20%)

Isso
significa que sua nota mais comum é quatro estrelas. E mais. A cada dez filmes,
cinco recebem quatro ou cinco estrelas e apenas um leva a nota mínima.

O
ano com mais filmes com apenas uma estrela foi 2008, com 11%.
As duas estrelas foram proporcionalmente mais usadas em 2007, com
24%
. No mesmo ano, 29% dos filmes receberam 3
estrelas, a maior marca ao longo dos oito anos. As quatro estrelas foram mais
usadas em 2002, tendo sido dadas a 33% dos filmes. Por fim, ao
ano passado foi o que teve o maior número de cinco estrelas
(23%), empatado com 2001.

Dos 3.497
filmes
vistos ao longo desses oito anos, apenas 93 foram assistidos
mais de uma vez. Veja:

Três foram vistos 8
vezes:

"O Poderoso Chefão"
"O Poderoso Chefão parte 2"
"O
Poderoso Chefão parte 3"

Um foi visto 6
vezes:

"A Nova Onda do Imperador"

Cinco foram
vistos 4 vezes:

"Toy Story 2" (2001, 2004, 2005 e 2009)
"Toy
Story" (2001, 2004, 2005 e 2009)
"Shrek" (2001, 2003, 2004 e
2005)
"Monstros S.A." (2001, 2002, 2004 e 2005)
"Irmão Urso" (2003, 2004,
2005 e 2006)

Oito foram vistos
3 vezes:

"Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais" (2005, 2006
e 2007)
"Uma Cilada para Roger Rabbit" (2003, 2004 e 2009)
"Shrek 2"
(2004, 2005 e 2006)
"Procurando Nemo" (2003, 2004 e 2005)
"O Senhor dos
Anéis: A Sociedade do Anel" (2001, 2002 e 2003)
"Embriagado de Amor" (2002,
2003 e 2004)
"Cidade de Deus" (2002, 2003 e 2004)
"A Era do Gelo" (2002,
2004 e 2005)

76 foram vistos 2 vezes;

e 3.409 foram vistos
apenas uma vez.

Destes 93 filmes, apenas um teve mudança de nota
ao longo dos anos. E para pior. "Hollywoodland – Bastidores da Fama" passou de
quatro estrelas em 2006 para três estrelas em 2007.

É isso. Espero que
você tenha gostado.

Se tiver alguma curiosidade ou dúvida que você tenha
sobre a lista ou o levantamento, terei prazer em tentar ajudar."

2009 em Números e Estrelas

postado em by Pablo Villaça em Editorial, Filmes, filmes, filmes | 41 comentários

Minha já tradicional lista anual pode ser lida aqui.

Sugestões de filmes para seu Natal

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes, Podcasts | 10 comentários

Comentário em áudio com três sugestões de DVD para alegrar o seu Natal!

Filmes + Filmes + Filmes

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes | 22 comentários

Filmes que vi (ou revi) recentemente:

Sua Última Façanha (Lonely Are the Brave, EUA, 1962. Dir: David Miller. Com: Kirk Douglas, Walter Matthau, Gena Rowlands, Michael Kane, Carroll O’Connor, William Schallert, George Kennedy, Bill Bixby.) – Douglas oferece uma atuação curiosamente divertida, mas o roteiro de Dalton Trumbo (normalmente um mestre) fracassa ao se concentrar na longa perseguição em vez de fornecer elementos para que possamos comprender melhor as motivações do protagonista. (2 estrelas em 5)

Adorável Vagabundo (Meet John Doe, EUA, 1941. Dir: Frank Capra. Com: Gary Cooper, Barbara Stanwyck, Walter Brennan, Edward Arnold, James Gleason, Irving Bacon.) – Além de trazer aquela que é provavelmente a pior cena dirigida por Capra em sua carreira (o monólogo de Regis Toomey na prefeitura), o filme é um água com açúcar repleto de diálogos patriotas/cristãos patéticos, artificiais e piegas. (1 estrela em 5)

As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath, EUA, 1940. Dir: John Ford. Com: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, Russell Simpson, O.Z. Whitehead, Dorris Bowdon, Charley Grapewin, John Qualen, Zeffie Tilbury, Frank Darien.) – John Ford transforma a trajetória da família Joad em um poderoso manifesto político que, quase 70 anos depois, mantém-se tragicamente atual. (5 estrelas em 5)

Zulu (Idem, Inglaterra, 1964. Dir: Cy Endfield. Com: Stanley Baker, Michael Caine, James Booth, Nigel Green, Jack Hawkins, Ulla Jacobson, David Kernan, Joe Powell e narração de Richard Burton.) – Responsável por lançar a carreira de Caine, o filme merece créditos também por evitar retratar os zulus como caricaturas selvagens, mas, mesmo que seja hábil ao criar uma atmosfera de urgência e desespero, acaba tornando-se longo demais. (3 estrelas em 5)

A Última Sessão de Cinema (The Last Picture Show, EUA, 1971. Dir: Peter Bogdanovich. Com: Timothy Bottoms, Jeff Bridges, Cybill Shepherd, Ben Johnson, Cloris Leachman, Ellen Burstyn, Eileen Brennan, Clu Gulager, Sam Bottoms, Randy Quaid.) – Em seu momento mais sólido como diretor (numa carreira que se auto-destruiria pouco depois), Bogdanovich cria um monumento à melancolia. (5 estrelas em 5)

Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives, EUA, 1946. Dir: William Wyler. Com: Dana Andrews, Fredric March, Harold Russell, Myrna Loy, Teresa Wright, Virginia Mayo, Cathy O’Donnell, Hoagy Carmichael, Gladys George,.) – Este belíssimo estudo sobre as seqüelas sociais e psicológicas da guerra (para não mencionar as físicas) permanece atual mais de 60 anos depois de seu lançamento, impressionando não só pelas atuações (Russell é fantástico), mas também pelo virtuosismo estético. (5 estrelas em 5)

Vinícius (Idem, Brasil/Espanha, 2005. Dir: Miguel Faria Jr. Com: Camila Morgado, Ricardo Blat, Chico Buarque, Gilberto Gil, Ferreira Gullar, Caetano Veloso, Edu Lobo, Toquinho, Maria Bethânia, Tônia Carrero, Miúcha.) – Ainda que sua estrutura seja excessivamente tradicional (o que não condiz com a versatilidade de seu protagonista), o filme é didático, poético e passional na medida certa. (5 estrelas em 5)

Orfeu Negro (Idem, França/Brasil/Itália, 1959. Dir: Marcel Camus. Com: Breno Mello, Marpessa Dawn, Léa Garcia, Lourdes de Oliveira, Adhemar Ferreira da Silva.) – O belo conceito de Vinícius e a magnífica música de Tom Jobim não conseguem salvar este filme que, apesar de esteticamente impecável (ou talvez por isso), confunde alegoria e caricatura. (3 estrelas em 5)

Dois Heróis Bem Trapalhões (Crimewave, EUA, 1985. Dir: Sam Raimi. Com: Reed Birney, Louise Lasser, Brion James, Paul L. Smith, Edward R. Pressman, Bruce Campbell, Richard Bright, Frances McDormand, Ted Raimi, Ethan Coen, Joel Coen.) – Raimi exibe a mesma energia ensandecida de Evil Dead, arrancando algumas risadas justamente graças ao volume e ao histrionismo de sua direção (e também, em parte, em função do roteiro amalucado dos irmãos Coen). (3 estrelas em 5)

O Outro Lado da Cidade Proibida (Dong gong xi gong, China, 1996. Dir: Zhang Yuan. Com: Han Si, Hu Jun, Ye Jing, Zhao Wei.) – Sua inegável relevância política e social (especialmente à época de seu lançamento) infelizmente não se traduz em qualidade narrativa. (2 estrelas em 5)

A Dama Oculta (The Lady Vanishes, Inglaterra, 1938. Dir: Alfred Hitchcock. Com: Margaret Lockwood, Michael Redgrave, Paul Lukas, Dame May Whitty, Cecil Parker, Linden Travers, Naunton Wayne, Basil Radford.) – Mais interessado em explorar a inabalável fleuma britânica como fonte de humor do que em realmente criar um suspense intrigante, este é um dos últimos exemplares da primeira fase da carreira de Hitchcock e diverte mais do que impressiona. (3 estrelas em 5)

Desencanto (Brief Encounter, Inglaterra, 1945. Dir: David Lean. Com: Celia Johnson, Trevor Howard, Stanley Holloway, Joyce Carey, Cyril Raymond, Everley Gregg.) – Responsável pela primeira das sete indicações de Lean ao Oscar de Direção, este drama retrata seu par romântico com sensibilidade e complexidade (especialmente para a época), pecando apenas pela insistência em introduzir diversas cenas de alívio cômico conduzidas por Holloway e Carey. (4 estrelas em 5)

Um Crime de Mestre (Fracture, EUA/Alemanha, 2007. Dir: Gregory Hoblit. Com: Ryan Gosling, Anthony Hopkins, Embeth Davidtz, Rosamund Pike, David Strathairn, Billy Burke, Cliff Curtis, Fiona Shaw, Bob Gunton, Xander Berkeley, Zoe Kazan.) – Um thriller bem realizado que abusa do talento da dupla principal para tentar se diferenciar de tantos outros exemplares do gênero. E quase consegue. (3 estrelas em 5)

Os Gritos do Silêncio (The Killing Fields, Inglaterra, 1984. Dir: Roland Joffé. Com: Haing S. Ngor, Sam Waterston, John Malkovich, Craig T. Nelson, Julian Sands, Spalding Gray, Bill Paterson.) – Se a primeira metade impressiona pelo virtuosismo técnico, a segunda fascina pela coragem em observar sem sensacionalismo a magnífica força de vontade de um sobrevivente, beneficiando-se ainda da maravilhosa performance semi-auto-biográfica de Ngor. (4 estrelas em 5)

Hitman – Assassino 47 (Hitman, EUA/França, 2007. Dir: Xavier Gens. Com: Timothy Olyphant, Dougray Scott, Olga Kurylenko, Robert Knepper, Ulrich Thomsen, Henry Ian Cusick, Michael Offei.) – Olyphant faz o possível com um personagem unidimensional por natureza, mas o roteiro absurdo e a direção frágil de Gens, que parece acreditar que cortes rápidos substituem arcos narrativos, impedem que o filme seja mais do que algo com cheiro de produção feita diretamente para (1 estrela em 5)

Blowup – Depois Daquele Beijo (Blowup, Inglaterra, 1966. Dir: Michelangelo Antonioni. Com: David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles, John Castle, Jane Birkin, Gillian Hills, Peter Bowles.) – O rigor estético aqui exibido por Antonioni, somado à excepcional montagem de Frank Clarke, à bela fotografia de Carlo Di Palma e à atuação inspirada de Hemming, garante ao filme um vigor e um charme que só crescem com o tempo. (5 estrelas em 5)

Performance (Idem, Inglaterra, 1970. Dir: Donald Cammell, Nicolas Roeg. Com: James Fox, Mick Jagger, Anita Pallenberg, Michèle Breton, Ann Sidney, John Bindon, Johnny Shannon, Kenneth Colley.) – Em sua estréia como ator, Jagger surpreende pela intensidade e expressividade, ao passo que Fox, um intérprete já consagrado à época, impressiona pela coragem em protagonizar um filme que retratou como poucos a insanidade da Londres daquele período. (4 estrelas em 5)

Narradores de Javé (Idem, Brasil, 2003. Dir: Eliane Caffé. Com: José Dumont, Nelson Xavier, Nelson Dantas, Gero Camilo, Matheus Nachtergaele, Rui Rezende, Luci Pereira.)Crítica no Cinema em Cena. (5 estrelas em 5)

A Doce Vida (La Dolce Vita, Itália, 1960. Dir: Federico Fellini. Com: Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Anouk Aimée, Yvonne Furneaux, Magali Noel, Alain Cuny, Annibale Ninchi, Walter Santesso.) – Mágico e inesquecível, representa não apenas um fascinante estudo de personagem, mas também um mergulho dilacerante na fragilidade humana. E se Mastroianni aqui oferece sua performance definitiva, Ekberg tornou-se, para sempre, uma das maiores personificações de sensualidade oferecidas pelo Cinema. (5 estrelas em 5)

The Alphabet Killer (Idem, EUA, 2008. Dir: Rob Schmidt. Com: Eliza Dushku, Cary Elwes, Timothy Hutton, Michael Ironside, Tom Malloy, Bill Moseley, Carl Lumbly, Melissa Leo, Tom Noonan, Martin Donovan.) – Chega a impressionar que, em meio a tantos elementos desastrosos, a atuação de Eliza Dushku (que também co-produziu o longa) seja inegavelmente a pior coisa do filme. (1 estrela em 5)

Sedução e Vingança (Ms .45, EUA, 1981. Dir: Abel Ferrara. Com: Zoë Lund, Albert Sinkys, Darlene Stuto, Helen McGara, Nike Zachmanoglou, Abel Ferrara, Peter Yellen, Editta Sherman, Jack Thibeau.) – Tolo em sua obviedade temática e narrativa, surge como uma submistura de Taxi Driver e Desejo de Matar, transformando uma ode feminista num exercício paradoxalmente misógino e pueril. (2 estrelas em 5)

Ghost Town – Um Espírito Atrás de Mim (Ghost Town, EUA, 2008. Dir: David Koepp. Com: Ricky Gervais, Téa Leoni, Greg Kinnear, Alan Ruck, Aasif Mandvi, Bridget Moloney, Kristen Wiig, Dana Ivey.) – Gervais, Leoni (adorável) e Kinnear estabelecem uma boa dinâmica, elevando o roteiro convencional e divertindo mais do que o material conseguiria naturalmente. (3 estrelas em 5)