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Como Filmes e Programas de TV São Realmente Feitos – Diário completo

postado em by Pablo Villaça em Infilm | 4 comentários

Aqui.

Visita à Disney Animation

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Infilm, Viagens | 5 comentários

(O texto abaixo faz parte do Diário de Bordo que escrevi durante o programa Como Filmes e Programas de TV São Realmente Feitos, que comandei no InFilm em setembro de 2009.)

Comentei anteriormente que certas
empresas visitadas pelo grupo do InFilm normalmente
não recebem visitas de cinéfilos ou mesmo profissionais interessados apenas
em conhecer seu espaço de trabalho; pois com a Disney Animation é diferente:
ela nunca abre seu prédio a
visitantes. Caso você não seja um artista trabalhando em algum projeto
diretamente relacionado à companhia ou não tenha interesses comerciais ligados
ao estúdio, a entrada é inevitavelmente barrada – e por isso percorrer aqueles
corredores representou uma experiência ainda mais fascinante.

Preparando-se
para o lançamento da animação A Princesa
e o Sapo
, a Disney Animation praticamente redecorou a maior parte de seu
interior com elementos relacionados ao filme, desde o lobby (que trazia partituras com trechos da trilha, células
originais da animação e uma tevê exibindo seqüências finalizadas do filme) até
aposentos inteiros que recriavam o French Quarter de New Orleans, onde a
história se passa. Primeira animação tradicional, em 2D, produzida desde que
John Lasseter assumiu o posto de chefão da Disney, A Princesa e o Sapo também traz a primeira princesa negra da
história do estúdio, além de marcar também a estréia do compositor Randy Newman
no departamento 2D depois de colaborar por mais de uma década com Lasseter nos
projetos da Pixar.

Caminhando
pelo prédio da Disney Animation, aliás, fomos surpreendidos pela quantidade de
desenhos expostos em praticamente toda a extensão das paredes – e logo fomos
informados de que boa parte daquelas magníficas pinturas, que poderiam
facilmente ser emolduradas e penduradas em qualquer sala, havia sido produzida
por estagiários do estúdio, que
sempre recebem a tarefa de conceber peças de naturezas diferentes para que os
supervisores de animação possam avaliar quais são os pontos fortes e fracos de
cada artista da empresa. Além disso, storyboards
de várias produções Disney e artes conceituais dos projetos mais recentes
dividiam aquele espaço igualmente com as obras dos iniciantes, numa atitude
admirável por parte dos diretores da empresa.

Aliás,
ao assumir a Disney Animation, Lasseter levou para o estúdio a mesma filosofia
que adotou na Pixar e, assim, uma de suas primeiras providências foi demolir
todas as paredes das salas dos executivos no centro do prédio, criando uma
imensa área aberta que passou a servir de espaço de convivência dos
funcionários, contando com uma lanchonete (na qual tudo é gratuito), uma mesa
de reunião, confortáveis e coloridas poltronas e um jukebox. Da mesma maneira, cada novo projeto da Disney Animation
ganhou seu próprio centro de produção em um canto do edifício, sendo
completamente decorado com os temas principais da obra: assim, ao atravessarmos
um arco contendo as palavras “New Orleans”, mergulhamos num ambiente repleto de
pinturas, objetos de decoração e desenhos relacionados a A Princesa e o Sapo – e, mais tarde, ao atravessarmos outro
“portal”, chegamos a uma área dominada por elementos que remetiam ao projeto
seguinte da companhia, Rapunzel.

Incluindo
artes conceituais originais desenhadas
pela lendária Mary Blair para Cinderela,
de 1950 – pinturas que certamente arrecadariam (no mínimo) alguns milhares de
dezenas de dólares em qualquer leilão.

E
por falar em Rapunzel, pudemos
apreciar vários estudos feitos para o filme que a Disney lançará no final de
2010, desde diferentes versões criadas para a personagem-título até esculturas
que servirão de referência para os animadores na criação deste que será o
primeiro musical em 3D do Cinema, além de ser também uma animação tradicional
em 2D apresentada em 3D, outra inovação do estúdio (já as músicas serão
compostas por Alan Menken, figura tradicional da Disney). De acordo com Jessica
Hallock, relações-públicas da empresa, a Rapunzel vista no longa (e que terá a
voz de Mandy Moore) será bastante diferente da heroína tradicional da fábula,
surgindo como uma jovem independente e forte que não hesita em partir para a
ação quando julga necessário, surpreendendo até mesmo o príncipe dublado por
Zachary Levi (da série Chuck).

Depois
de sairmos da “ala Rapunzel”, fomos
levados a uma pequena sala que trazia um quadro imenso com as datas previstas
de lançamento de A Princesa e o Sapo
em dezenas de países, bem como os nomes dos principais parceiros comerciais que
o estúdio havia estabelecido nestes mercados, mas nossa atenção foi logo
deslocada para o imenso monitor no qual assistimos a uma das seqüências do
longa: um número musical protagonizado pelo vilão, Dr. Facilier (voz de Keith
David), pelo mocinho (o brasileiro Bruno Campos) e pelo melhor amigo deste,
cujo visual foi claramente inspirado nas feições do ator Timothy Spall, embora
não seja dublado por este. Embora trouxesse um ou outro plano ainda não
finalizado, a seqüência se mostrou inventiva e divertida, indicando que
Facilier talvez se torne mais um vilão memorável da galeria Disney.

Para finalizar o passeio,
visitamos a sala que pertenceu a Roy Disney, sobrinho de Walt que abandonou a
empresa em 2003: localizada no interior do imenso chapéu de mago usado por
Mickey em Fantasia (e que enfeita a
fachada do prédio), a sala tem, claro, paredes inclinadas e uma pintura que,
composta por faixas verticais, logo passou a provocar vertigens nos integrantes
do grupo – e foi aí que Hallock explicou que a sala, inicialmente usada para
reuniões, foi logo abandonada justamente por gerar desconforto nos ocupantes,
transformando-se quase numa espécie de pequeno museu. Um museu que ninguém se
atreve a visitar sem tomar remédios para labirintite.

A documentarista e a arquivista da Sony

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Infilm | 6 comentários

Durante o programa do InFilm, em setembro passado, assistimos ao bom documentário The
Cutting Edge: The Magic of Movie Editing
, dirigido pela pesquisadora Wendy
Apple em 2004. Girando em torno da história da montagem e das diferentes
filosofias envolvidas no processo, o longa é interessante e didático, contando
com uma quantidade surpreendente de entrevistas e de imagens de arquivos.

Aliás,
ao fim da exibição, uma das primeiras perguntas que fizemos à cineasta foi
relativa à sua estratégia para conseguir os direitos de utilização daquelas
seqüências. “Bom, não pudemos invocar a lei do Fair Use, já que, embora tenha propósitos educativos, o filme
também tinha natureza comercial”, explicou Apple. “Assim, bati na porta dos
estúdios explicando o propósito do documentário e solicitando que liberassem as
imagens”.

Mas
não foi fácil. Em uma reunião na Universal, por exemplo, o executivo
responsável por atendê-la foi direto ao assunto: “Por que eu deveria ceder os
direitos gratuitamente para você? Isso seria estupidez. Não podemos fazer isso.”.
Sentindo que receberia um “não” inevitável, a cineasta não hesitou e partiu
para o blefe: “Bom, eu conversei com o Spielberg sobre isso e ele ficou
entusiasmado. Quer que eu ligue agora para ele para que possam discutir o
assunto?”. Ciente de como a relação entre a Universal e Spielberg era
importante para o estúdio e de que ela se encontrava abalada, a diretora
observou como aquela informação abalou o executivo, que imediatamente mudou de
tom. “Ok, vamos fazer o seguinte…”, ele reconsiderou. “Se você conseguir que
a Sony libere seus filmes, nós cobraremos o mesmo preço que eles”.


era alguma coisa. Porém, era uma vitória agridoce, já que Apple sabia o motivo
por trás da condição imposta pelo sujeito: os arquivos da Sony eram
administrados por uma veterana notória por sua rigidez ao discutir os direitos
sobre as propriedades do estúdio. E, assim, foi com imensa preocupação que
Apple marcou uma reunião com a executiva.

O que ela não podia antecipar, porém, era o golpe de sorte que teria em seguida:
ao entrar na sala para a esperada reunião, a diretora percebeu que a outra se
encontrava num mau humor tenebroso. “Você viu o cara que acabou de sair daqui?”,
perguntou a mulher. “Pois ele queria que eu liberasse os direitos sobre os
nossos filmes para um documentário que está fazendo!”, comentou, quase com
asco, despertando pânico na cineasta, que, afinal, estava ali pelo mesmo
motivo. Mas a frase seguinte finalmente a acalmou: “O documentário dele é sobre
mulheres em cenas de sexo envolvendo lesbianismo. Só sobre isso! Ele estava
interessado em filmes que trouxesse atrizes se beijando!”.

Sentindo
a oportunidade que se apresentava, Apple respondeu: “Bom, o meu documentário é sobre
a História da Montagem”. A abordagem se mostrou perfeita, já que a executiva imediatamente
abriu um sorriso e exclamou: “Que maravilha! Esse, sim, é um projeto digno!”.

No
final, a Sony liberou os direitos cobrando o valor simbólico de um dólar por
filme – e os demais estúdios não demoraram a seguir o exemplo.

Os segredos do marketing internacional da Sony

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Infilm | 26 comentários

Como parte do programa How Films, que comandei no InFilm, tivemos a oportunidade de conversar com uma das figuras mais interessantes que conheci em Los Angeles: Ignácio Darnaude, vice-presidente de marketing internacional da Sony Pictures. Sujeito extremamente simpático, Darnaude é o homem responsável por planejar as campanhas de divulgação dos lançamentos do estúdio em todos os mercados externos aos Estados Unidos – e, durante um almoço informal no backlot da Sony, pudemos aprender um pouco sobre a complexidade de seu trabalho, já que cada país exige uma abordagem diferente para cada filme.
 
Considerando que havia passado boa parte dos últimos meses focado no lançamento de 2012, Darnaude explicou, por exemplo, que uma das decisões mais fáceis que tomou com relação à estratégia para o filme foi usar os ícones destruídos por Roland Emmerich em cada país para ancorar o marketing da produção nestes mercados – e, assim, a queda do Cristo Redentor, que dura menos de 5 segundos no longa e surge em imagens pouco definidas, como se vistas na televisão, ganhou destaque no trailer voltado para a América do Sul e nos cartazes concebidos para a região.
 
Mas não só isso: ao planejar os trailers, Darnaude investiu em tons radicalmente diferentes: “O público norte-americano gosta de ter esperança, de saber que tudo vai terminar bem. Assim, o trailer criado para os Estados Unidos deixava claro que tudo iria terminar bem de alguma maneira. Já o espectador europeu reage bem ao pessimismo e por esta razão adotamos um tom mais catastrófico, cinza, nas peças produzidas para o Velho Continente”.
Mas não só isso. De acordo com Darnaude, as diferenças culturais muitas vezes são gritantes até mesmo em países vizinhos: “Nossas produções independentes costumam ir melhor na Argentina do que no Brasil”, explicou. “De certa forma, o público argentino parece mais sofisticado neste aspecto e, com isso, podemos investir nesse vibe alternativo nos trailers criados para aquele país. Já países como México e Brasil reagem favoravelmente a elementos sobrenaturais – e sempre que podemos levar o trailer para este lado, fazemos isso nesses territórios, mesmo que o filme em si não tenha muitos elementos ‘fantasmagóricos’”. Outro detalhe curioso diz respeito à religiosidade, como o VP da Sony descobriu ao trabalhar na campanha internacional de Anjos & Demônios: “Nos países católicos, como Brasil, Espanha e Itália, ressaltamos o aspecto provocativo, polêmico, da história, pois sabíamos que isso iria gerar interesse e discussão. Já nos países não-católicos, os trailers destacavam o lado misterioso, de suspense, da trama”.
 
Sujeito claramente inteligente e extremamente articulado, Ignácio Darnaude ainda demonstrou um conhecimento impecável sobre a legislação referente à publicidade em cada país – como, por exemplo, a proibição, na França, dos spots de tevê para divulgação dos filmes, o que sempre o obriga a investir pesadamente em outdoors e anúncios de jornal. Da mesma maneira, o executivo não pôde conter o riso ao comentar as dificuldades que enfrenta ao planejar campanhas para o Japão: “Lá tudo tem que ser ao contrário. Quando estávamos pesquisando a melhor maneira de divulgarmos Hitch – Conselheiro Amoroso, por exemplo, descobrimos que para eles o filme não era uma comédia de Will Smith e Kevin James, mas um drama sobre um sujeito inseguro que quer conquistar a mulher amada. Assim, nossa estratégia seguiu esta lógica e vendemos o longa como sendo um drama de relacionamento. Já na época em que estávamos trabalhando no lançamento de Cassino Royale, tivemos um problema terrível com relação ao Daniel Craig, que os japoneses consideram muito feio – e quando recebi as provas dos cartazes concebidos por eles para o filme, quase caí para trás: eles haviam photoshopado tanto o ator que ele havia sido transformado no Leonardo DiCaprio, que os japoneses acham lindo. Tivemos que refazer tudo”.
 
E com esta última observação, Darnaude despediu-se entre risos e voltou ao seu escritório para trabalhar nos últimos detalhes para o lançamento mundial de 2012, que aconteceria dentro de mais algumas semanas.

Ponderações, Decisões, Explicações

postado em by Pablo Villaça em Editorial, Infilm, Luca & Nina | 120 comentários

Por onde começar?

Não, sério, por onde começar?

Não me lembro, em toda minha trajetória profissional, de ter vivido um período tão desgastante física e emocionalmente quanto os últimos meses. Se por um lado era extremamente empolgante estar mergulhado no trabalho em uma empresa nova e cheia de potencial como o InFilm, por outro eu me via afastado de minha família (mesmo antes de viajar para Los Angeles) e em débito com o Cinema em Cena (site e blog).

Por algum tempo, acreditei que daria conta de conciliar tudo e que eventualmente as coisas se tornariam mais tranqüilas. O InFilm é uma empresa jovem e, no cargo de diretor geral, minha responsabilidade é completa em sua estruturação: do estabelecimento de contatos com clientes à operacionalização dos programas, passando por negociações junto a possíveis parceiros e contratação de pessoal, meu dever é estar a par de absolutamente tudo e – mais – de estar diretamente envolvido em todas estas facetas. Ao menos até que, já madura, a empresa já tenha uma dinâmica que dispense tamanho envolvimento de minha parte em tudo.

Mas quanto tempo isto levaria? Três meses? Seis? Um ano?

E o Cinema em Cena? E este blog? Como ficariam neste período? Se no início julguei que conseguiria fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora, percebi que isto era uma ilusão. Embora tenha feito – aqui mesmo, neste espaço – promessas de que nada mudaria, de que voltaria a escrever com a freqüência habitual, o dia-a-dia do InFilm simplesmente não permitia que isto acontecesse: trabalhando do momento em que acordava até voltar para a cama (normalmente por volta de 3h da manhã), sem praticamente parar para nada, confesso que praticamente não consegui encaixar nenhuma de minhas obrigações com o site ou com este blog nas quase 18 horas de trabalho diário.

Ou mesmo meus filhos.

Se a rotina estava se revelando massacrante, porém, as coisas se tornaram ainda mais claras com minha ida para Los Angeles.

A questão é que, embora não tenha dito isso no blog, os planos iniciais previam que eu já ficasse no mínimo três meses por lá, retornando apenas em 19 de dezembro. Depois das festas de fim de ano, nova viagem para Los Angeles sem previsão de retorno.

Em três semanas, já enlouqueci de saudades dos meus pequenos.

No post intitulado "Toy Stories, Píer Santa Monica e Saudades", expressei minha angústia por estar longe das crianças e um leitor, sugerindo que talvez eu estivesse sendo "melodramático", ponderou que um de seus amigos, embora também muito apegado aos filhos, teve que se manter afastado destes em função de exigências profissionais e oportunidades de carreira. Enquanto isso, outro leitor argumentou, em post relacionado, que o InFilm representava uma oportunidade única em minha carreira e que, de qualquer forma, eventualmente meus filhos cresceriam e deixariam o lar – e que, portanto, seria prudente fatorar tudo isso na equação.

Ambos estavam certos. E tenho a convicção de que publicaram seus pontos de vista com a mais nobre intenção de me ajudar a avaliar este momento profissional e pessoal.

Sim, o InFilm é uma oportunidade ímpar. Sim, meus filhos eventualmente vão crescer e tocar suas vidas, saindo de casa, estabelecendo suas próprias famílias e por aí afora.

Mas querem saber o que também é uma oportunidade única? A de vê-los crescendo –  especialmente porque eventualmente eles vão se tornar adultos e abandonar o ninho. Quando viajei para Los Angeles, por exemplo, Nina já andava para baixo e para cima, mas ainda demonstrava certa insegurança revelada pelo seu jeitinho meio trôpego, quase bêbado, de caminhar – algo que eu achava lindo. Isso acabou. Ela agora caminha com segurança absoluta. Já Luca, que estava lendo muito bem, mas ainda tropeçava aqui e ali, evoluiu tremendamente nesse período, praticamente deixando de lado as gaguejadas e aqueles errinhos que tanto me comoviam.

E eu perdi todo esse processo. Crianças muito jovens mudam muito rapidamente; sempre quis ser um pai presente e estar ao lado delas em todas as suas descobertas e evoluções. Talvez porque meu próprio pai não teve essa chance por ter morrido aos 40 anos e quando eu tinha apenas 5 anos e minha irmã, pouco mais de um. Ou talvez porque eu não tenha tido a oportunidade de ter crescido com meu pai ao meu lado, não sei. Mas o fato é que saber que perdi momentos importantes nas vidas de Luca e Nina é algo que me angustia tremendamente.

Ah, mas e se eu levasse toda a família para Los Angeles?

Acreditem, pensei muito nisso. Exaustivamente. E cheguei à conclusão de que não seria uma atitude responsável de minha parte. Aliás, seria tremendamente egoísta. Além de ter que abandonar escola e amigos, Luca teria que mergulhar numa cultura radicalmente diferente enquanto ainda enfrentaria dificuldades com a nova língua. E sei como as crianças podem ser cruéis com aqueles que julgam "estranhos", vindos de fora. Por outro lado, é fato que crianças se adaptam muito mais facilmente a novas circunstâncias do que os adultos.

Mas mantê-los longe da família? Das avós, tão carinhosas e sempre presentes em suas vidas? Dos tios? Dos primos? Luca e Nina já perderam os dois avôs (Luca ainda conviveu um pouquinho com o avô materno; Nina nem chegou a conhecê-lo.); seria justo impedir que convivessem com as avós?

De todo modo, apesar de todos os problemas, ainda seria possível resolver o impasse – eles poderiam passar algum tempo comigo em Los Angeles; eu poderia voltar uma vez por mês; eventualmente poderíamos arrumar uma maneira deles se mudarem para lá com um esquema de viagens pré-planejado para que vissem as avós com a maior freqüência possível; e por aí afora.

Seria sofrido para mim, claro, mas possível.

Mas e o Cinema em Cena? Prestes a completar 12 anos de existência, o site é o mais antigo do gênero na internet brasileira. E também é um "filho" querido para mim. Eu poderia abandoná-lo? Esta seria a única alternativa viável, já que tentar me manter a bordo seria apenas adiar o inevitável, prejudicando-o (e aos leitores) no processo. Além disso, e minha responsabilidade para com meus sócios? Há oito anos, a AeC, uma das empresas mais bem sucedidas em seu setor no Brasil, tornou-se acionista do site e, desde então, vem investindo em sua manutenção e infra-estrutura. Ao aceitar o convite para dirigir o InFilm, conversei com meus sócios, Cássio e Guilherme, e os assegurei de que continuaria a ter o Cinema em Cena como prioridade – e eles, sempre compreensivos e confiantes em minha honestidade, abandonaram as reservas e me parabenizaram pela oportunidade conquistada. O que me deixou profundamente grato.

Como eu poderia decepcioná-los depois de todos esses anos de apoio constante? E os leitores, que vinham reclamando (com propriedade) de minha ausência? Como reagiriam à minha saída do site? 

Acho que já sabem onde vou chegar.

Depois de ponderar por dias sobre todas estas questões, procurei Marcos Wettreich, criador e principal acionista do InFilm – e também a pessoa que me convidara a dirigir a empresa. Expliquei toda a situação e confessei que não sabia como resolvê-la, como encontrar uma maneira de conciliar todos os elementos em jogo. Manifestei minha paixão pela proposta do InFilm e minha crença absoluta de que ela se tornará uma empresa extremamente bem-sucedida. E também confessei como adoraria fazer parte desta trajetória, embora não visse como isto seria possível.

E aqui preciso fazer parênteses para falar sobre Marcos: empresário absurdamente bem-sucedido e com uma reputação admirável no mercado, ele se tornou não apenas um amigo querido nos últimos meses, mas também uma espécie de tutor. Embora eu tenha orgulho de ter mantido o Cinema em Cena vivo e em trajetória crescente por mais de uma década, assumir a direção de uma empreitada como o InFilm representou um desafio amedrontador e inédito em minha vida – e que me trouxe a oportunidade de discutir e aprender com Marcos diariamente, já que, neste período, conversamos várias vezes ao dia, todos os dias (sim, inclusive aos sábados e domingos; o homem é um cavalo no que diz respeito ao trabalho). Com isso, praticamente fiz um curso intensivo e imensamente útil de gestão nestes últimos meses – e com um professor que, caso cobrasse por isso, me custaria uma fortuna.

Pois bem: como pai de crianças jovens e também como empresário, Marcos demonstrou uma compreensão absurda diante do que coloquei. Como pai, percebeu como eu estava sofrendo em função da distância de meus filhos; como empresário, aplaudiu minha preocupação para com meus sócios de tantos anos. E, embora lamentássemos ambos diante do impasse, concordamos que, neste momento, permanecer no InFilm era algo que eu não poderia me dar ao luxo de fazer.

Foi uma conversa não só amigável, mas reveladora e repleta de otimismo. De seu lado, Marcos deixou claro que as portas do InFilm continuam abertas para que, no futuro, eu possa voltar a fazer parte da empresa (nem que seja como cabeça de algum programa específico); do meu, aproveitei meus contatos com a OFCS para deixar pessoas competentes e apaixonadas à disposição do InFilm em Los Angeles – além de ter assegurado estar à disposição para resolver qualquer questão mais urgente que dependa de mim neste período de transição. Além disso, me dispus a auxiliar na intermediação de outros contatos em L.A., já que acabei conhecendo várias pessoas e reforçando relacionamentos estabelecidos ao longo dos anos por email.

E, acreditem, para mim é extremamente importante saber que deixo portas abertas e que tenho, em Marcos, um novo amigo; teria sido terrível caso esta minha passagem pelo InFilm tivesse originado ressentimentos ou algum mal-estar profissional. E sou e serei sempre grato a ele pelo generoso convite e por todas as "aulas" que tive neste período.

Aulas que, aliás, serão colocadas em prática com todo o vigor no Cinema em Cena a partir de agora. Percebi, entre outras coisas, que andava no piloto automático como editor e administrador do site e que preciso sacudir um pouco as coisas. Em termos de audiência, o site nunca esteve tão bem; mas isso não pode ser o bastante. E não será.

Página virada, capítulo novo. Volto aos meus filhos biológicos e ao meu filho jurídico. E espero vê-los, todos, crescendo muito e sempre.

I'm back, baby.

Post importante

postado em by Pablo Villaça em Editorial, Infilm, Variados | 46 comentários

Ainda hoje publicarei aqui um post importante sobre algumas questões profissionais e o futuro deste blog e do Cinema em Cena.

Update (23h59): É um post delicado de escrever. Acredito que em mais 20 minutos ou meia hora, porém, estará no ar.

Novamente em Los Angeles

postado em by Pablo Villaça em Infilm | 26 comentários

A primeira vez em que chegamos a uma cidade nova há sempre aquela sensação de gostosa curiosidade e expectativa. Da segunda em diante, a reação é mais a de "Aqui estamos novamente. Não mudou nada.". Seja como for, estar em um outro país é sempre uma experiência interessante, embora, desta vez, eu tenha vindo com tarefas específicas a cumprir, e não apenas como "turista".
 
O programa "Como Fimes e Séries de TV São Realmente Feitos" começa amanhã e estou certo de que será muito interessante não só para os cinéfilos que vieram de fora especialmente para fazê-lo, mas também para mim.