Luca & Nina

Luca reminiscente

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Luca se aproxima com um pequeno cobertor que costumava usar quando bebê:

– Este cobertor me faz lembrar da minha infância.

– Você ainda está na sua infância, meu filho!

– É, eu sei. Estou falando da minha infância menor.

Luca pesquisador

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Luca se aproximou de
mim segurando algo que parecia ser um pedaço de massinha de modelar roxa:

– Papai, sabe o que é isso?

– Massinha?

– Não! Tinta seca! Não é interessante?

– Muito!

– Qual é a empresa que faz a tinta?

– Ah, são várias. Por quê?

– Porque eu quero ligar pra lá e perguntar pra eles como é que a tinta vira massinha.

A Menina no Espelho

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É interessante, a
experiência de caminhar por um shopping lotado
carregando um bebê no colo: a cada três pessoas que passam, ao menos duas olham
com uma expressão de encantamento para a criaturinha mergulhada em seu próprio
mundo e sorriem com uma alegria quase infantil. É o que costumo chamar de
“fenômeno Gato de Botas”, em referência ao personagem de Shrek 2 que, com seus olhos grandes e suplicantes, derrete até o
mais frio dos vilões. 

O curioso é que, em
certo momento, aproximei-me de um grande espelho com Nina e a observei enquanto
ela percorria o reflexo com interesse. De repente, o instante mágico: seus
olhinhos se encontraram com os da menininha no espelho e, então, ela abriu um
sorriso largo e feliz.

Ao que parece, nem ela
resistiu ao próprio encantamento.

Amar é…

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… enfiar a mão dentro
do vaso no qual seu filho acabou de fazer xixi para pegar a cuequinha que ele
acidentalmente jogou lá dentro.

A Casa Mal-Assombrada e Nina Vai ao Cinema

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Estamos visitando casas com o intuito de nos mudarmos para uma em breve, já que Luca e Nina certamente aproveitariam melhor um lugar que tivesse um jardim. Porém, o estado dos imóveis que conhecemos é lastimável. Na quinta-feira, por exemplo, visitamos uma casa no Caiçara e, quando saímos, Luca exclamou:

– Eu quero morar aqui!

Espantado com a reação empolgada do pequeno, já que o imóvel estava em péssimas condições, indaguei:

– Por quê, meu filho? Você gostou desse… lugar?

– Papai, eu sempre quis morar numa casa mal-assombrada!!!

Acho que vocês já conseguem imaginar o nível do imóvel.


Hoje, Nina e Luca foram me buscar no cinema em que o curso aconteceu (ver post anterior). Assim, é oficial: no dia 15 de novembro de 2008, Nina, aos três meses de idade, entrou numa sala de cinema pela primeira vez na vida. E mais: nesse momento, pedi ao Marcelo, o projecionista, que colocasse A_ética para rodar. Os alunos já tinham ido embora e, assim, sentei com Nina no colo e Luca ao meu lado e vimos os minutinhos iniciais do filme (pedi que a projeção parasse antes de Carlos Magno apontar a arma para Ilvio, já que não queria que Luca visse aquilo). 

Assim, é oficial (parte 2): as primeiras imagens que Nina viu projetadas numa tela de cinema foram as do filme de seu velho pai.

Pobrezinha.

Pesadelo e Merten

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A mente humana é cheia de mistérios: embora eu tenha plena consciência de que minhas passagens pela mesa cirúrgica deixaram cicatrizes bem mais extensas do que aquelas em meu abdômen, confesso que fui surpreendido por um pesadelo bastante intenso que tive esta noite e no qual eu me encontrava mais uma vez prestes a ser operado. Sentindo-me mal e ligado ao soro, eu conversava com a médica que iria me operar e que se mostrava reticente quanto às minhas chances de recuperação.

Acordei muito angustiado e até mesmo com náuseas. Era como se tivesse voltado àquela época terrível de minha vida, com suas incertezas sobre minha sobrevivência. A sensação de insegurança e medo foi tamanha que senti dificuldades até mesmo de sair da cama – e só me levantei depois de ouvir Luca conversando em "bebês" com Nina, o que destruiu parte do clima de pesadelo que ainda me cercava. 

A propósito: um de meus críticos de cinema favoritos, Luiz Carlos Merten (do Estadão), deverá passar por uma cirurgia cardíaca esta semana – como informou em seu blog há alguns dias. Merten não apenas é um crítico sensacional como ainda exibe uma paixão pela Arte que é absolutamente contagiante. Sem mencionar o fato de que é um sujeito adorado por todos os colegas, já que é sempre generoso e cordial. Como vocês demonstraram tamanho carinho por mim na época das minhas cirurgias, seria bacana se pudessem deixar uma mensagem também para o Merten, pois o cara merece. Seu coração pode até estar precisando de algum reparo, mas é indubitavelmente bom.

Luca criticando o crítico

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Um dos passatempos favoritos de Luca é "fazer filmes": basicamente, ele encena alguma grande aventura (saltando de um lado a outro do sofá ou usando bonecos) enquanto seus pais – ou quem quer que seja – assistem a tudo atenta e, muita vezes, impacientemente (seus "filmes" podem durar uma eternidade). Pois ontem, enquanto ele encenava As Aventuras de Robozótico (usando dois robôs que construíra com Lego), seu velho pai perdeu um pouco o fio da meada e perguntou:

– Peraí, não entendi. O Robozótico não tinha morrido?

Com certa impaciência, o pequeno resmungou para si mesmo:

– E depois ele fala que é crítico de cinema.

E, em alto e bom tom, emendou:

– Como você pode ser crítico de cinema se nem consegue entender a história?

Ele só voltou a valorizar a profissão do pai quando, ao terminar o filme, perguntou "quantas estrelinhas" eu daria para sua obra. Quando respondi um entusiasmado "Cinco, claro!", ele pulou no meu colo e me encheu de beijos.

Ser crítico às vezes vale a pena.

O senso crítico de Luca

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Luca, como toda criança, gosta de tudo que vê. Depois de cada filme que vemos juntos, ele sempre pergunta: "Papai, quantas estrelinhas você deu pra esse filme?" – e se minha resposta é inferior a cinco, ele fica frustrado. "Por que você não gostou?". Quando respondo "quatro" ou "três", tento explicar que gostei, mas que algumas coisas me incomodaram (e, então, explico quais foram essas "coisas"), mas isto nunca resolve a questão, já que ele invariavelmente demonstra ter ficado chateado. Quando respondo "uma" ou "duas", então, ele sempre fica combativo, tentando defender o filme diante de seu velho e ranzinza pai.

Assim, esta semana, depois de assistir a Shrek Terceiro pela primeira vez desde que o vira nos cinemas, Luca se aproximou de mim com uma expressão pensativa:

– Sabe, papai, quando a gente viu Shrek Terceiro no cinema, eu gostei muito. Mas agora não gosto mais, não.

– É mesmo, meu filho? Por quê?

– Acho sem graça. E muito longo. 

Não sei explicar exatamente o motivo, mas, ao ouvir isso, meu coração se encheu de orgulho do baixinho.

Nina, Cidadã

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Hoje Nina tornou-se oficialmente cidadã brasileira. Passei duas horas no cartório para registrá-la e, no processo, descobri que a Prefeitura de BH está fazendo uma campanha muito bacana: uma árvore para cada criança que nasce. Preenchi uma ficha no ato do registro e a Prefeitura irá plantar uma árvore em nome de Nina e enviar, para nossa casa, um documento informando qual árvore foi plantada e onde, para que possamos acompanhar sua evolução. Achei um barato.

Aliás, embora deteste enfrentar filas e ficar preso em locais muvucados, as duas horas no cartório acabaram passando mais rapidamente graças a um passatempo que adoro: observar as pessoas – e vendo toda aquela movimentação, cheguei à conclusão de que um cartório de registro civil é, de certa maneira, um resumo perfeito da experiência humana na Terra. Bem à minha frente na fila inicial para pegar a senha e uma guia, por exemplo, encontrava-se uma senhora idosa que, ao chegar ao atendente, informou que viera buscar a certidão de óbito de seu marido.

A ironia da situação, já que estava ali justamente para registrar o nascimento de minha filha, fez meu coração disparar.

Da mesma maneira, minha atenção foi despertada por um casal que, acompanhado por seus três filhos (o menor, recém-nascido), aguardava a vez para oficializar sua união – e fiquei tentando imaginar por que o nascimento do caçula acabara funcionando como catalisador para que eles finalmente se casassem depois de tantos anos. Achei interessante, também, a expressão de incontida felicidade da "noiva", que simplesmente não parava de sorrir com o bebê no colo. Suponho que provavelmente ela esperou aquele momento por um longo tempo.

Minutos depois, quando outro casal encontrava-se diante do juiz, todos que se encontravam dentro do cartório começaram a rir quando, ao ouvir a clássica pergunta sobre sua intenção de se casar com a noiva, um rapaz berrou um entusiasmado "Sim!" com toda a força dos pulmões. O mais divertido, porém, foi constatar que, misturada à empolgação, sua voz parecia trair um hilário desespero.

E, claro, mais uma vez fui surpreendido pelo contraste quando, segundos depois de rir daquele "Sim" em conflito, ouvi um homem ao meu lado perguntar ao atendente se era ali que ele deveria retirar sua certidão de divórcio, comprovando que duas míseras horas são o bastante para testemunhar os extremos das relações humanas num mesmo espaço.

A crítica mais importante que já escrevi – parte II

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Reproduzo, aqui, a Conversa de Cinéfilo #51:

A CRITICA MAIS IMPORTANTE QUE JÁ ESCREVI – PARTE II

 

O Nascimento de Nina (Idem, 2008) – 5 estrelas em 5

 

Em 2003, ao escrever sobre o já clássico O Nascimento de Luca,
comentei que aquela produção trouxera um “astro” que viera para ficar.
Assim, era inevitável que, com tamanho sucesso, o projeto eventualmente
ganhasse uma continuação – algo que finalmente se tornou realidade
cinco anos depois, com o igualmente bem-sucedido O Nascimento de Nina, lançado mundialmente no último dia 4 de agosto.

 

Ciente das enormes expectativas geradas pelo original, Nina (cujo nome, assim como o de Luca, funciona como homenagem a O Poderoso Chefão)
investiu igualmente num ligeiro clima de tensão durante sua fase de
pré-produção ao apresentar, em seus últimos exames de ultra-som, uma
extra-sístole atrial que rivalizou, na preocupação que gerou em seus
pais, com o susto provocado pelo cordão umbilical na produção de 2003.
Mais uma vez, porém, o roteiro (escrito por Deus ou pelo Destino, de
acordo com a interpretação de cada espectador) demonstrou compreender a
importância dos finais felizes para este tipo de empreitada e resolveu
a crise de maneira satisfatória, revelando tratar-se de uma alteração
perfeitamente benigna que desapareceria com o tempo.

 

Enquanto isso, os produtores de Nina,
buscando repetir o sucesso do anterior, acertaram na decisão de
entregar o evento principal aos cuidados da diretora daquele
lançamento, a experiente Dra. Cristina Géo Verçoza – e, mais uma vez, a
profissional comandou o processo com segurança absoluta, abrindo com
destreza o caminho para que a pequena Nina entrasse em cena de maneira
impactante.

 


Luca, que dominara a narrativa sozinho por cinco anos, mostrou-se um
protagonista generoso ao aceitar, sem indícios de ciúme ou
ressentimento, dividir o espaço com a carismática estreante, que, com 49 centímetros e 3.200 gramas,
demonstrou uma presença cênica surpreendente para alguém tão pequeno. E
seus pais, que já haviam sido reduzidos ao posto de coadjuvantes em O Nascimento de Luca,
agora assumem de vez a condição de simples figurantes de luxo em suas
próprias vidas, passando a funcionar como meras escadas para que os
verdadeiros astros possam crescer e brilhar.

 

E
é com imensa felicidade e orgulho que assistem, dos bastidores, ao
espetáculo que tiveram a honra de ajudar a criar e que, com o passar
dos anos, certamente se tornará cada vez mais bem-sucedido e digno de
muitos e muitos aplausos.

 

Um grande abraço e bons filh… filmes!