Luca & Nina

Meu Pai – II

postado em by Pablo Villaça em Cotidiano, Luca & Nina, Variados | 34 comentários

Meu pai morreu aos 40 anos de idade, em um acidente de carro. O ano era 1980 e ele voltava de uma viagem de trabalho quando um caminhão acertou o veículo no qual ele dormia no banco do passageiro. Conhecido por correr quando estava atrás do volante, ele havia passado a direção para um amigo por sentir-se cansado.

O amigo sobreviveu ao acidente. Meu pai morreu na hora.

Lembro-me dele com frequência, como já escrevi aqui. Na realidade, “lembro-me” é o verbo errado, já que tenho poucas recordações de meu pai. O mais correto seria dizer “penso”. Sim, penso nele com frequência.

Papai veio de uma família humilde de Porto Firme, no interior de Minas Gerais. Ainda jovem, mudou-se para Belo Horizonte para tentar melhorar suas condições de vida. Trabalhava como se não houvesse amanhã e, entre os empregos que mantinha para pagar a faculdade de Direito, estava o de carregador de caixas no Mercado Central. Foi lá que conheceu meu tio-avô José Ribeiro que, por sua vez, apresentou-o à família, levando-o a conhecer minha mãe. Quando começaram a namorar, muitos anos depois, o relacionamento enfrentou a resistência de vários parentes de mamãe: além de pobre, ele era onze anos mais velho. A proibição teve efeito contrário ao pretendido e, há alguns anos, minha mãe confessou não ter certeza se teria se casado caso ele não houvesse sido tão humilhado por alguns integrantes da família.

Conhecendo o coração de mamãe e sua natureza compassiva, não duvido que esta tenha sido uma motivação forte para levá-la a se casar ainda aos 19 anos.

Quando papai tinha 34 anos, nasci. Aos 39, tornou-se novamente pai. Estava construindo uma carreira bem-sucedida no Direito, tinha uma esposa jovem e bonita, um casal de filhos saudáveis e, por tudo que contam, sentia-se realmente feliz pela primeira vez na vida – o que o levava a tentar controlar o temperamento notoriamente explosivo e a brigar menos.

O caminhão interrompeu sua trajetória neste momento. Tinha acabado de iniciar sua quinta década de vida.

Não posso dizer, porém, que percebi imediatamente o que acontecera à minha própria existência. Antes de me dar conta de que não tinha mais um pai, fui marcado pela imagem de minha mãe chorando desesperadamente ao receber a notícia. Mesmo ao ouvir meu tio explicando para meus primos que eu “havia perdido meu papai” falhei em processar a informação. Tinha cinco anos, afinal.

Não fui ao velório ou ao enterro. Ainda hoje acho ter sido a decisão correta por parte de minha mãe. Não creio que a imagem de meu pai – o adulto que brincava comigo e me jogava para cima – deitado num caixão seria algo que gostaria de carregar na mente.

Cresci sem pensar muito no que significava ser órfão de pai. Sim, era estranho ver meus colegas preparando trabalhinhos de escola especiais para os pais, em agosto, mas eu acabava por integrar-me às tarefas ao fazer versões especiais para minha mãe. Adolescente, pensei menos nele.

E aí tornei-me pai e sua morte começou a doer de verdade.

É curioso: esta dor vinha não do fato de finalmente perceber sua ausência ou de lamentar ter crescido sem a figura paterna (algo que, por exemplo, me custou muitas feridas permanentes no rosto por ter aprendido a barbear-me sozinho), mas por finalmente me dar conta de tudo que ele havia perdido. Apaixonado pela paternidade (o que encontra respaldo nas lembranças que tenho dele brincando comigo e me fazendo carinho), ele não teve chance de exercê-la; dedicado a construir algum patrimônio financeiro, morreu sem poder aproveitá-lo de fato; persistente ao conseguir casar-se com minha mãe, não conseguiu envelhecer ao seu lado.

Gostaria de ter certeza de que o pai que vive em minha mente se parece com o que realmente existiu, mas sei que isto jamais acontecerá. O Geraldo que construí como imagem do que perdi é um amálgama de lembranças fragmentadas, de histórias que ouvi ao longo dos anos e do desejo de ser filho de um bom homem.

O que sei de fato é que tenho pensado nele com frequência cada vez maior. E enxergo os paralelos: tenho um casal de filhos cujas idades refletem a distância cronológica existente entre minha irmã e eu; viajo a trabalho constantemente e perco, assim, vários momentos marcantes de seu crescimento; tento cada vez mais domar meu temperamento para oferecer um bom exemplo para as crianças. Não tive que enfrentar suas dificuldades financeiras na juventude, mas tive minha parcela de obstáculos com dinheiro ao começar uma família – e apenas nos últimos cinco ou seis anos finalmente consegui um certo conforto, embora as viagens tenham acabado por cobrar seus sacrifícios.

Este ano completo 38 anos. Em mais dois, terei a idade que meu pai tinha ao morrer.

E constato como ele era jovem e tinha o mundo à sua frente.

E, sim, sinto-me estranho e inquieto ao perceber que logo serei mais velho do que meu pai foi em seu fim. Que serei seu sênior quando queria apenas ter a visão de um filho que olha para o pai com a certeza de que este sabe mais, conhece mais e… viveu mais.

Honrarias

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 7 comentários

Há quem estude apenas por gostar da ideia de ser chamado de “doutor”. Ou “mestre”.

Há quem trabalhe apenas para alcançar uma posição que lhe renda a distinção de ser “Vossa Excelência”, “Meritíssimo” ou “Excelentíssimo”.

Outros rezam por um “Reverendíssimo” ou “Sua Santidade”.

Uns poucos nascem “Alteza” e “Majestade”, enquanto vários se orgulhavam dos “Condes”, “Barões”, “Duques” e “Lordes” que precediam seus nomes.

Eu?

“Papai” me basta. Morrerei acreditando não haver título melhor ou mais doce.

Instinto materno

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 10 comentários

Nesta quinta-feira, tornei-me titio: minha amada irmã Jeanne deu à luz uma linda bebezinha chamada Alice. Pois a notícia levou Nina a alguns questionamentos e a algumas decisões:

– A tia Goi agora é mamãe?

– É, minha filha.

– Quando eu for grande eu também vou ser mamãe?

– Se você quiser, vai.

A pequena ficou pensativa por alguns segundos e, então, concluiu:

– Minha filha vai chamar Aurora e o meu filho, Chapeleiro.

Meus netinhos.

Ninadas em sequência

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 2 comentários

Nina, há alguns minutos, ao responder se sabia quem era uma certa pessoa em uma foto:

– Não tenho a melhor ideia.


Nina falando sobre sua vovó materna:

– Quando a vovó Luísa era novinha, ela não tinha aqueles machucadinhos no rosto e vestia roupinhas bonitas.

Por “machucadinhos”, entendam “rugas”. Ou seja: aquelas coisinhas que vêm surgindo com maior velocidade no meu rosto, nos últimos anos.


Hoje Nina está impossível.

Estou trabalhando e ela chega carregando um tubo:

– Olha isso, papai. Papai. Papai, olha isso. Papai!

E como não conseguia atrair minha atenção, me cutucou e disse:

– Papai, olha isso que sua filha tá te mostrando.

Rindo, virei-me para a pequena e comentei: “Que legal! E onde…”

Mas já satisfeita, ela me interrompeu:

– Pode voltar para o seu trabalho.

E virou as costas.

Ela

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina, Variados | 102 comentários

Sem você, não funciono. Simplesmente não funciono. 

Digo… posso funcionar, mas como um desses computadores velhos que subitamente travam, reiniciam, não entendem comandos, apagam arquivos misteriosamente ou mudam outros de lugar. Por fora, pareço intacto (mesmo que um pouco decadente, reconheço), mas por dentro estou em pedaços.

Você me tornou um ser humano melhor. Você me torna um ser humano melhor. Dizem que por trás de todo grande homem, há uma grande mulher – e se não sou um grande homem, a culpa certamente não é sua, pois eu sei como você tenta. 

Você é mais do que minha namorada; é minha companheira e minha salvadora.

E quando digo “salvadora”, digo literalmente: você salvou a minha vida. Uma vez, literalmente; em inúmeras outras, metaforicamente. 

Quando nos conhecemos, eu era um tolo imaturo. Com temperamente explosivo, me metia em confusões e até mesmo brigas com direitos a socos e pontapés. Depois me envergonhava, mas no calor do momento não conseguia me controlar. Infelizmente, você teve que testemunhar alguns destes incidentes lamentáveis, mas, em vez de desistir daquele imbecil que a constrangia em público, decidiu que conseguiria levá-lo a agir com bom senso e equilíbrio. E conseguiu. Posso não ser hoje o mais calmo dos homens, mas há anos e anos e anos não me permito agir como um animal. Se percebo que estou perdendo o controle, me afasto. Covardia é ceder ao impulso de ser subhumano.

Quando me conheceu, há 14 anos, eu havia permitido que meu primeiro cartão de crédito, oferecido por uma bandeira que buscava seduzir universitários, me endividasse. Sem entender que o “pagamento mínimo” não era um passe para comprar sem poder pagar, permiti que os valores se acumulassem e vi meu nome se tornar “sujo” na praça. Com paciência, você me guiou pelos meandros burocráticos do banco, me ajudou a renegociar a dívida e a me livrar do débito. Nunca mais me permiti efetuar o “pagamento mínimo” ou contrair dívidas que não poderia quitar com facilidade.

Quando nos casamos, tínhamos a cama, um sofá, duas poltronas, a geladeira, o fogão e uma tevê de 20 polegadas. Comíamos no chão da cozinha e usávamos lençóis como cortinas. Tivemos que vender o carro para nos mantermos no azul – o mesmo carro que você comprara com o fruto do seu trabalho antes de nos casarmos.

Quando decidi largar a Medicina para investir em um site na internet, algo impensável naqueles tempos, você me apoiou sem hesitar. Apostou em mim; confiou no que eu poderia conquistar.

Quando percebemos que nossas finanças estavam equilibradas, dois anos após nos casarmos, planejamos e fizemos nosso lindo Luca. O site continuou a crescer, passei a escrever e apresentar um programa de tevê e a vida parecia se encaminhar. Quando vovó morreu sob um ônibus, perto do Natal que tanto amava, você me segurou quando saí do IML após reconhecer o corpo demolido de minha amada avó. E me ajudou com os preparativos do funeral e do enterro, já que eu não podia deixar isso a cargo de minha pobre mãe, tão abatida e triste. E na noite seguinte ao enterro, quando finalmente acusei o golpe e o peso das últimas 48 horas, desmaiando subitamente, foi seu rosto que vi ao despertar.

18 meses depois, fui eu quem quase parti.

Subitamente, eu estava entre a vida e a morte, os médicos não sabiam exatamente o que dera errado na primeira cirurgia de emergência que eu fizera e percebi que estava morrendo. Meu corpo não respondia, eu não conseguia andar, o pensamento se nublava e o frio me abraçava. Na UTI, suas visitas me mantinham esperançoso na cura. Durante 30 dias, permanecemos no hospital e você, ao lado do melhor dos cirurgiões (Dr. Gustavo Abras), salvou minha vida. Assistia ao meu sono, controlava minha medicação, me banhava, me dava carinho e palavras de amor e força. Já em casa, trocava meus curativos sem hesitar – justo você, que quando ainda namorávamos, chegou a desmaiar quando fui mordido por um cão e lhe mostrei minha mão ensanguentada.

Seis meses depois, quando tive que me submeter a outra cirurgia, você novamente ficou ao meu lado do princípio ao fim – e novamente foi mais que uma companheira, mas uma enfermeira dedicada.

Pouco depois, planejamos e fizemos nossa linda Nina.

As coisas começaram a melhorar. Construímos uma bela família, minha carreira entrou numa bela fase e…

… novamente minha imaturidade voltou a nos sabotar. Passei a me sentir inquieto e me distanciei. Muito. No último ano, com mais intensidade; estávamos em lugares diferentes: você, no delicioso lar que construíramos juntos; eu, perdido em incertezas, buscas fúteis e becos sem saída.

E a palavra “divórcio” surgiu em nossas vidas. 

———————————————————————————————————-

Você sempre prezou a privacidade. Ironicamente, casou-se com alguém que parece sentir compulsão em expor pensamentos, ideologias, sentimentos e momentos particulares através de todo tipo de texto: críticas, posts de blog, roteiros, contos e tweets. 

Entendo, portanto, porque em certo ponto me proibiu de citar seu nome em meus textos ou de dividir sua vida com meus leitores. Por outro lado, admiro a compreensão por permitir que ao menos os casos de nossos pequenos aqui fossem narrados.

Mas o fato é que você é parte fundamental de minha vida e sua ausência em meu contexto virtual me deixou confuso com relação às nossas circunstâncias. Confusão parece um padrão em minha trajetória de amadurecimento.

Seja como for, você novamente se manteve forte, mesmo quando nos afastamos, e continuou a me tratar com carinho, amor, respeito… e esperança. Esperança de que aquele moleque tolo com o qual se casara entenderia um dia a beleza do que havia construído ao seu lado. E aos poucos, especialmente nos últimos dois meses, comecei a entender.

Ah, eu aprendo devagar, às vezes. Mas quando capturo o sentido de algo, você bem sabe, torno-me obstinado como poucos. Teimoso como uma mula, diria meu velho e querido avô Tatão, dedico-me àquilo como se não houvesse outra preocupação em mente. Torno-me mesmo obsessivo.

E minha obsessão, bela moça, passou a ser certificar-me de que não perderia você. Não posso. Ninguém me faz tão bem, ninguém me estimula a ser um homem melhor como você faz. Deixá-la orgulhosa de mim sempre foi um imenso fator motivador – e quando eu encontro-me fraco, inseguro, amedrontado, ninguém consegue me acalmar e me ajuda a recuperar meu centro como você.

Como se não bastasse, nunca tive uma namorada capaz de me fazer gargalhar com tanta facilidade. E o fato de ser tão inteligente apenas a torna ainda mais engraçada quando deseja sê-lo.

Como mãe, não posso imaginar alguém melhor para meus filhos: carinhosa, atenciosa, dedicada, sempre presente, mas também firme (sem exageros) quando necessário. É o centro de nossa família e também sua bússola moral. 

E… como é bela. Lembro-me ainda hoje da primeira vez que a vi, quando era produtora de uma peça para a qual eu fôra convidado, e me recebeu na bilheteria. Lembro-me de pensar: “uau”. Lembro-me de desejar estar ao seu lado, de beijá-la, de tê-la em minha vida. Lembro-me de como meu coração disparou alucinadamente quando a convidei para jantar – e de como fiquei feliz quando aceitou. Ainda hoje, 14 anos depois, olho para você e me encanto.

O que me traz a esta longa viagem na qual me encontro. Há duas semanas fora do Brasil, percebi o óbvio: ao ligar para casa diariamente para falar com as crianças, era sua voz que me fazia sorrir em primeiro lugar. Eram suas inflexões, sua doçura, seu carinho e seu senso de humor que me deixavam com saudades de casa. De nossa casa.

Construímos mais do que um lar nos últimos 14 anos (12 de casados); construímos memórias. Boas e más, alegres e tristes, mas memórias. 

E se você já se sentiu incomodada por este longo post, que expõe justamente a privacidade que tanto preza, certamente ficará ainda mais enlouquecida ao ver sua foto logo abaixo. No entanto, depois de ouvir tantos leitores perguntando por que “nunca menciono minha esposa”, depois de quase perdê-la, depois de ser tão tolo e irritantemente imaturo, acho que chegou a hora de bradar, orgulhoso, minha maior conquista: você, Ioná. Você.

Casinhos

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 4 comentários

Há alguns meses, quando voltávamos de uma viagem, Nina experimentou o efeito dos “ouvidos entupidos” em um avião pela primeira vez: de repente, arregalou os olhinhos e começou a gritar:

– Papai! Papai! Papai! Papai! Papaaaai!!!!

– Oi, minha filha?!?!? O que aconteceu?!?!?

– Papai! A MINHA VOZ NÃO ESTÁ SAINDO!


Luca brincava com Nina na sala quando, de repente, a baixinha ficou brava com algo feito pelo irmão e o chamou de “Idiota”. Com ar de cansaço (não foi a primeira vez que Luca escutou esta ofensa – a favorita de sua irmã), o pequeno se virou para mim e, com tom de condenação, disparou:

– É essa, a educação que você dá para sua filha?


Nina se aproxima:

– Papai, eu consigo prender a respiração um tempão!

– É mesmo, meu amor? Que legal!

– Quer ver?

– Quero.

Ela fecha a boquinha com força e me olha com expressão concentrada. Os segundos passam e começo a ficar impressionado com o fôlego de minha mocinha até que, de repente, me dou conta do que está havendo. Sorrindo, digo:

– Tampa o narizinho para eu ver.

E ela, chocada:

– Ué, papai, mas aí eu fico sem ar!

Luca ausente, Nina carente

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 8 comentários

Luca foi passar alguns dias na casa da avó e não demorou muito para que Nina começasse a manifestar saudades intensas do irmãozinho: passou a chorar à toa, a ficar de mau humor e a reclamar de tudo. Mas a maior prova de sua dedicação ao irmão veio hoje, quando, durante o almoço, falei:

– Nina, eu comprei um sorvete pra gente há alguns dias, mas estava esperando o Luca voltar. Mas como ele não chega, vamos abrir e tomar?

E Nina, com expressão preocupada:

– Não dá pra gente tomar só um pouco e deixar sorvete pra ele também?


Dia desses, aliás, ela brincava sozinha no quarto com suas princesas Disney quando, com dó de ver a baixinha tão solitária por causa da ausência do irmão (eles brincam juntos o dia inteiro), me aproximei e disse:

– Posso brincar com você?

– Pode! – e me entregou três das seis princesas. – As suas princesas machucaram as minhas.

– Oh, é mesmo? Ah… – e imitando a voz de Branca de Neve: – Poxa, Aurora, me desculpa. Eu vou cuidar da sua perninha…

E Nina, imediatamente:

– Não é assim a brincadeira, papai. As minhas princesas agora vão chutar a cara das suas.

E deu início ao massacre.

Ninadas

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 4 comentários

Uma da manhã, Nina chega no escritório:

– Papai, faz “cosquinha” em mim?

– Minha filha, tá louca? Uma da manhã não é hora de cócegas, é hora de ir pra cama!

– Eu não quero ir pra cama.

– Mas filha…

– Eu não gosto da minha cama, ela é chata! (pausa) Dá vontade de quebrar ela!


Há alguns dias, fomos à Ri-Happy olhar brinquedos. De repente, a baixinha pega uma Barbie e se aproxima de uma vendedora:

– Moça, quanto é essa Barbie?

A atendente olhou divertida para a pequena cliente, pegou a caixa e verificou o preço.

– Setenta reais.

E Nina, estendendo os bracinhos para pegar a caixa de volta:

– Tá, eu vou levar.


Mais tarde, depois de conseguir arrastá-la para fora da loja a contragosto, perguntei:

– Bom, filhinha, você vai querer comprar presente para alguém?

– Vou. Pra “dindinha” do Luca.

– Ok. E o que você quer dar pra ela?

– Uma cobra.

Minha pequena psicopata.

 

Coisas de Nina

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 4 comentários

Pego um pacote de biscoitos no armário da cozinha e Nina, se aproximando, exclama:

– Ah, adoro biscoitos “baudupo”!

Se eu fosse diretor da empresa, contrataria a baixinha para ser minha garota-propaganda.


– Papai?

– Oi, filhinha?

– Você sabia que no filme da Alice tem romance?

– … Tem o quê, meu amor?

– Romance.

E aí percebo que todas as vezes em que diz a palavra “romance”, a pequena dobra a perninha direita, obrigando-me imediatamente a mordê-la.


– Nina, já decidiu o que vai pedir para o Papai Noel?

– Já.

– Ah, que legal. O que é?

– É segredo.

Oh-oh.

Luca, Nina e Harry Potter

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 7 comentários

Nina se aproxima de mim segurando uma varinha mágica da série Harry Potter:

– Eu sou a Rêmione!

– “Hermione”, minha filha.

– Eu sei, papai. Duh!

Atrevida, mas irresistível.


Por falar em Harry Potter, agora que o blu-ray do último filme chegou aqui em casa, Luca decidiu rever toda a série. Primeiro, demonstrando sua total falta de noção com relação ao tempo, sentou-se diante da tevê com os oito longas e anunciou: 

– Vou ver todos agora, papai.

– Meu filho… sabe quanto tempo vai levar para ver tudo?

– Não.

– Se você não parar um segundo, umas dezoito horas. 

Ele fez cara de espantado e concluiu:

– Então eu termino amanhã.


Aliás, enquanto assistia ao terceiro filme, O Prisioneiro de Azkaban, o pequeno interrompeu a exibição apenas para vir ao escritório e comentar:

– Ver legendado é muito melhor, papai. Só vou ver filme assim agora!

E voltou correndo pra sala.

Orgulho do filhote.