Luca & Nina

Ninianas

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 2 comentários

Uma das coisas mais encantadoras nesta fase na qual Nina se encontra é testemunhar sua luta para compreender as conjugações dos verbos e aprender as variações das palavras cujos significados já conhece. Ontem, por exemplo, ao comentar que havia se divertido com uma coleguinha da escola, a pequena de três anos exclamou:

– Ai, ai. Eu “risei” muito na escola!

Mais tarde, quando ouviu Luca cantando uma música, a baixinha protestou:

– Luca, a “cantadora” sou eu!

Mas nada se compara aos seus constantes gestos de carinho. Hoje, por exemplo, ela se aproximou de mim no escritório e, beijando meu braço (que estava ao seu alcance), declarou:

– Você é o melhor papai da gente!

Só não digo que fiquei com vontade de morder porque matei esse desejo na mesma hora.

Jovem crítico

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Luca, 8 anos, escrevendo em seu caderninho. Pergunto o que é: “Minha critica do último Harry Potter”. Ele me entrega para ler e quase choro de emoção.

E não, não posso compartilhar. Não tenho esse direito. O texto é dele e o pequeno não gostaria que eu fizesse isso.

Update: Pedi autorização e Luca permitiu que eu publicasse o texto aqui:

HP 8

A conclusão de uma batalha que durou 10 anos. Uma batalha entre o lorde das trevas e seus seguidores contra estudantes de uma escola de magia.

O filme se passa na escola de magia sendo destruída por uma batalha que vai decidir quem fica de pé e quem cai.

Mesmo o filme tendo defeitos, é um dos filmes mais emocionantes da série.

Luca”

… e um do Luca

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 18 comentários

Ouço Luca e Nina brincando na sala. De repente, ele solta um “Ai!” e dispara:

– Doeu, Nina! Você não bateria em mim de novo, né?

Outro “Ai!” e então…

– Poxa, Nina. Era uma pergunta retórica.


Chamo Luca no escritório. 

– Filhinho, você sabe o que é uma pergunta retórica?

– Sei, ué. É uma pergunta que a gente faz sem querer resposta, só pra gente mesmo.

– É isso mesmo! – reajo, espantando.

– Ué, por que o susto? Eu leio dicionário, papai!

Como pai coruja, acrescento que meu pequeno tem oito anos de idade.

Casinhos da Nina

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 17 comentários

– Nina, minha filha, venha cá.

– Oi, papai? O que foi?

Eu pego a pequena de dois anos no colo.

– Papai tem uma coisa muito importante para te dizer. Está preparada?

– Sim.

– Você é a coisinha mais importante da vida do papai. Eu te amo muito.

Ela me abraça e me dá vários beijos. Continuo falando enquanto ganho novos beijinhos:

– Você é meu benzinho, minha alegria. O papai vai sempre cuidar de você e te proteger.

Nesse instante, ela para de me beijar e me olha com a expressão de quem acabou de ouvir uma imensa bobagem:

– Não precisa, papai. Eu não tenho medo de nada! Nem de jaguadarte, nem do capiturana, nem de aranha, nem de barata, nem de fantasma, nem de…


Ligo de Recife e Nina, que havia passado o dia inteiro assistindo aos desenhos do Pica-pau, pega o telefone e informa empolgada:

– Papai, papai! Você sabia que os pica-paus bicam as “árvilis” e as pessoas?

Guardei a frase na mente para mordê-la ao voltar.


Aliás, esqueci de contar aqui algo divertido que aconteceu em junho: empolgada com os ensaios de sua turminha para a dança na festa junina de sua escola, Nina chegou em casa feliz.

– Papai, vai ter uma festinha pra mim na minha escola!

– Que legal, filh… hein? Como assim?

– Vai ter dança, vai ter docinho, vai ter “blincadeilas”!

– Sim, mas a festa é para todo mundo, filhinha. Não é só pra você, meu amor.

– …

– Mas vai ser leg…

– A FESTA É SÓ PLA MIM!

– Filhinha… não pode ser egoísta assim. A festa é para todo mundo, todos podem…

– NÃO É, NÃO!

– Meu amor…

– A “PLOFESSOLA” FALOU QUE A FESTA É PLA MIM!

– Como é que é? A sua professora falou isso?

– Falou! Ela disse que vai ser “festa de Nina”!

Oh-oh.

Simples e natural

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 32 comentários

Luca brincava na sala enquanto rolava uma conversa sobre o discurso de Myrian Rios ao seu lado. De repente, o pequeno (que já nem é tão pequeno assim) largou os brinquedos e perguntou, curioso:

– Papai, o que é “gay”?

– É um homem que namora outro homem ou uma mulher que namora outra mulher.

Ele pensou durante um ou dois segundos e, então, satisfeito com a descoberta, respondeu:

– Ah, tá.

E voltou aos brinquedos.

Alien vs Predador

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Segundo Luca, 8 anos:

A diferença que 10 segundos fazem

postado em by Pablo Villaça em Cotidiano, Luca & Nina | 22 comentários

Hoje eu estava subindo uma longa rua do Caiçara, um bairro de Belo Horizonte, para buscar Luca na casa de um amiguinho. Devia estar a uns 50-60 km/h – não muito devagar, mas tampouco correndo -, quando um carro que se encontrava estacionado a uns 30 metros adiante arrancou subitamente e entrou na minha frente. Como não estava tão próximo assim, reduzi rapidamente a velocidade e nem sequer passei um susto.

Porém, comecei a pensar: “Porra, precisava entrar assim na frente? É óbvio que ele me viu pelo retrovisor e percebeu que eu estava me aproximando com relativa rapidez. Pra que entrar na frente assim só para não me deixar passar? Que cara fominha. Bom, mas talvez ele esteja com pressa pra chegar em algum lugar. E não me custou nada, diminuir um pouco. E nem estou com pressa ou atrasado, então… e daí que tive que diminuir? Faria alguma diferença chegar 10 ou 20 segundos antes lá? Não faria. Então ficar nervoso pra quê? Besteira minha”.

E foi exatamente neste momento que um carro desrespeitou todas as regras de trânsito, placas de “Pare”, leis de preferência e o bom senso ao simplesmente atravessar  sem aviso a rua que subíamos bem à nossa frente, obrigando o motorista que havia arrancado na minha frente a frear bruscamente para não bater.

Em outras palavras: caso ele tivesse me deixado passar – e considerando a velocidade na qual eu me encontrava -, eu provavelmente estaria passando justamente naquele cruzamento no momento em que o outro motorista irresponsável/inconseqüente/criminoso atravessasse por ali sem aviso, atingindo com violência o meu lado do carro.

Sem saber, o “fominha” evitara que eu sofresse um acidente e me machucasse provavelmente com seriedade.

10 segundos e a história seria outra.

Obrigado, fominha.

Nina, cinéfila

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 7 comentários

Luca, Nina e eu estávamos assistindo (pela milésima vez) a Toy Story 2 quando chegamos à cena em que Buzz Lightyear e Zurg se enfrentam sobre o elevador. “Você matou meu pai, Zurg!”, protesta Buzz – o que leva o vilão, claro, a dizer: “Não. EU sou seu pai!”.

Ora, já contei aqui a reação de Luca ao assistir à cena original em O Império Contra-Ataca, mas o que me espantou desta vez foi a reação de minha pequena de apenas dois anos de idade, que, ao ver esta troca de diálogos em Toy Story 2, imediatamente disse o seguinte:

– Aquele cala é o Darsh Vêider.

Fiquei paralisado e, depois de alguns segundos, pedi que ela repetisse o que havia dito. Mas ela, já pressentindo as mordidas que se aproximavam, preferiu sair correndo.

Mais um post rápido sobre as crianças

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 6 comentários

Luca pinta o rosto como o do Coringa de Heath Ledger e se aproxima de Nina. Com uma expressão desconfiada que beira o medo, a pequena pergunta para o irmão num tom de quem busca confirmação:

– Você é o Luquinha, né?

Mas o baixinho, com oito anos de idade e repleto de imaginação, responde:

– Eu sou o Coringa!

E Nina, sem hesitar:

– Mas o Coringa bonzinho, né?

E neste instante, comprovando o imenso cuidado que tem com a irmã, Luca abandonou o personagem e a abraçou, dizendo:

– Claro que sou bonzinho!

Não tem coisa melhor do que ser pai.

Filhotes

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Luca e eu estávamos assistindo a um filme quando Nina se aproxima:

– Eu tô linda?

– Você está MARAVILHOSA, minha filha!

– Está MUITO linda! – completa Luca.

E a pequena, colocando as mãozinhas na cintura e dando um sorriso satisfeito:

– Ah, obligada! Vocês são muito gentis!

Mordo muito.


Toda vez que vou mostrar um vídeo a Luca, ele se aproxima do notebook com expressão desconfiada:

– Vai aparecer uma cara assustadora e me matar do coração, né?

– Meu filho, quando o papai fez isso com você? Você sabe que eu detesto essas coisas de assustar!

– É, eu sei. Mas uma vez fizeram isso comigo e eu fiquei traumatizado.