Luca & Nina

Gracinhas dos filhotes

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 10 comentários

Nina entrou naquela fase em que já faz várias gracinhas e que considero uma delícia: quando perguntamos "como faz o cachorrinho", ela diz "Au! Au!"; já diz "Dá!" e "Tó!" ("Toma!); ergue o telefone com dificuldade até o lado da cabecinha e diz "Ei!"; aponta o controle remoto para a televisão e aperta os botões; e – minha favorita – quando dizemos "Ai, meu Deus!", ela cobre o rosto com as duas mãozinhas ou então coloca-as sobre a cabeça.

E ganha mordidas toda vez que faz qualquer uma dessas coisas.

Já Luca, dia desses, estava andando pela casa e cantando. Quando parei para ouvir o que ele dizia, a surpresa:

– Ô, Pátria amada, "indolatrada", salve-se, salve-se!


– Luca, pense num número de 1 a 2. – falo, misteriosamente.

– Pensei.

– Dois!

– Errado. Um.

– Droga, eu tinha 50% de chance de acertar. De novo.

– Pensei.

– Um!

– Errado. Dois.

– Droga. 

– Minha vez, papai.

– Ok, pensei.

– Um.

– Acertou, filhote!

– De novo!

– Já pensei.

– Dois.

– Acertou de novo! Como você faz isso, meu filho?!?!?

– Magnetismo.

Nina otimista

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 11 comentários

Estava carregando Nina no colo outro dia quando notei que ela segurava uma moeda. Como e onde ela havia agarrado a moeda, não faço idéia, mas crianças são assim: desvie sua atenção um segundo e elas terão enfiado estricnina na boca.

Como eu estava segurando a baixinha com o braço direito e a moeda estava em sua mãozinha esquerda (estou cada vez mais desconfiado de que ela é canhota), levei minha mão esquerda até Nina e falei: "Dá a moeda para o papai, dá?". Nesse instante, num momento de incrível otimismo com relação ao seu próprio tamanho, Nina trocou a moeda de mão e estendeu o bracinho direito para o lado.

Ela estava tentando deixar a moeda fora do meu alcance.

Comecei a rir, já que ela fizera todo aquele esforço para afastar a moeda uns 20 ou 30 centímetros de mim.

– Ah, meu Deus, e agora, como vou fazer para pegar a moeda??? – perguntei em voz alta para divertir a pequena, já que, mesmo sabendo que ela ainda não compreende o sentido do que está sendo dito, estou certo de que ela percebe o tom de brincadeira.

E enquanto ela ria, peguei a moeda. O que, claro, a fez chorar por algum tempo até que, de repente, se distraiu com uma caneta.

Como e onde ela pegou a caneta, não faço idéia.

Pensando no Livro de Luca & Nina

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 24 comentários

É bastante freqüente que leitores enviem mensagens sugerindo que eu reúna as histórias do Luca (e, agora, da Nina) em um livro. Algo provavelmente no estilo Marley & Eu, mas com meus filhos no lugar dos cachorros. (Hum, isso não saiu do jeito que eu queria…)

Tenho pensado bastante na idéia e considerado sua viabilidade no sentido de despertar o interesse de alguma editora.

É isso.

(Post estranho, hein?)

Caçando o Coelho da Páscoa

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 22 comentários

Todos os anos, Luca acorda no domingo da Páscoa surpreso e feliz ao encontrar as pegadas do Coelhinho espalhadas pela casa e levando até o local em que os ovos foram deixados. Normalmente, o Coelho também deixa uma marquinha de beijo na bochecha do pequeno.

Pois Luca decidiu que este ano seria diferente e, no sábado à noite, me disse:

– Papai, hoje vou dormir no sofá da sala!

– Por quê, meu filho?

– Porque eu vou deixar um copo com água no chão, do meu lado, e quando o Coelhinho passar e for me dar um beijinho, vai tropeçar no copo, fazer barulho e me acordar. Aí eu agarro ele, dou um abraço e chamo você para ver!

Infelizmente, parece que alguém avisou o Coelhinho, pois o danado evitou a armadilha – e, assim, no dia seguinte Luca acordou surpreso ao ver as pegadas do Coelho por toda a casa levando até sua cama. Onde, claro, dois ovos o esperavam.

Feliz, o pequeno me acordou para contar a novidade: 

– Papai, o Coelhinho passou! E deixou os ovos! 

– É mesmo? Ele não caiu na sua armadilha?

– Não. Eu fiz uma bobagem: eu deixei a luz da sala acesa e aí ele viu o copo.

Luca, o canil e os presentes

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 12 comentários

– Já sei o que vou querer no Natal, papai!

– É mesmo? O quê?

– Uns brinquedos do Batman!

– Quais?

– Um boneco do Batman que você aperta o músculo dele e ele abre a capa em forma de asa! E um carro do Batman que tem uma moto dentro! E um boneco igualzinho ao Bruce Wayne que vira o Batman!

– Ah, é? Aqui… você está achando que seus pais são ricos, é?

– Não preocupa, não, papai. Eu vou pedir pro Papai Noel.

Que sorte a minha.


Li para o pequeno um livrinho do Banzé (o filhote de Lili, a "Dama", e Vira-Lata, o "Vagabundo") no qual o cãozinho desaparece e finalmente é encontrado pelo pai num canil. Ao fim da leitura, Luca perguntou:

– Qual foi sua parte favorita, papai?

– A parte em que o Vira-Lata acha o Banzé.

– Por quê?

– Porque o Vira-Lata deve ter ficado muito preocupado quando o filho dele sumiu. Mas agora eu já sei que se você sumir um dia, eu tenho que ir procurar no canil!

A brincadeira fez com que o baixinho risse alto. Em seguida, porém, ele ficou sério e disse:

– Se eu sumisse, papai, você tinha que me procurar numa creche. Ou numa cadeia. (pausa) É, na cadeia é melhor, porque ela é que é o canil de pessoas.

Bom saber.


Ah, sim: Nina não só bate palminhas quando cantamos "Parabéns para Você" como hoje começou também a dar tchauzinho quando pedimos. E pode até ser coincidência (afinal, ela tem apenas oito meses), mas todas as vezes parece dizer algo parecido com "Táááááu".

Nina Mineira

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 11 comentários

Prestes a completar oito meses de vida, minha pequena hoje foi oficialmente liberada por sua pediatra para comer o que bem entender – isto é, com exceção do óbvio, como gema de ovo, guloseimas açucaradas e por aí afora.

E, como bons mineiros, logo aproveitamos a oportunidade para apresentá-la ao pão-de-queijo. Que ela, como boa mineirinha, adorou, devorando dois em uma única tarde.

A Luz

postado em by Pablo Villaça em Administrativo, Cinema, Clássicos, Luca & Nina, Música do dia, Novos filmes, Personalidades, Política, Série Musas | 129 comentários

 

 

Meninos, eu vi!

Eu vi a Luz. Finalmente, a Luz!

Não sei exatamente como isto ocorreu. Talvez eu tenha sido chamado de volta à realidade quando alguns leitores gentilmente apontaram que, apesar de me dizer esquerdista, eu comprei um iPhone. Ou talvez tenham sido os comentários de leitores como Joca e Jorel, que, antes considerados por mim como reacionários estúpidos, finalmente passaram a fazer sentido ao explicarem que a ditadura brasileira nos salvou de uma pior, de esquerda.

O fato é que eu vi. Ao acordar no meio da noite, suado e ansioso, percebi os erros em meu caminho. Chamem de epifania, inspiração divina ou isquemia cerebral, o fato é, meninos, que eu vi.

Vi o que o pastor Jorge Linhares queria dizer ao pregar que os homossexuais estavam destruindo a instituição do matrimônio. Como eu disse para minha mulher hoje cedo: "Você é fêmea, eu sou macho. É claro que é assim que as coisas devem funcionar. Agora vá fazer meu café enquanto explico para o Luca que é hora de parar com essas intimidades e de começar a me chamar de "senhor".". Se antes eu não enxergava isso, é porque estava com a visão embaçada pelo charme do liberalismo. Mas agora eu vejo claramente. E oro com devoção para que tenha me redimido a tempo de ser arrebatado ao lado de meus irmãos. E já comprei, feliz, o pacote que entregará meus documentos aos meus parentes infiéis que forem deixados para trás.

Vejo, meninos, que Dilma Roussef é uma assassina criminosa. Que deveria estar na cadeia, não no governo. Vejo que ter lutado contra a ditadura militar e a repressão era apenas mais uma prova de seu total divórcio da realidade; os revolucionários verdadeiros, aqueles que fizeram a diferença, foram aqueles que discursavam na academia, usando o charme de líder estudantil para pegar mulheres, e que rapidamente fugiram para o exterior quando as coisas ficaram feias – ganhando, com isso, o charmoso título de "exilados políticos" sem que de fato tivessem precisado fazer o trabalho duro contra os militares.

Vejo, meninos, que votarei em José Serra em 2010. Desde que ACM Neto não saia candidato, claro.

Mas vi mais: ao ler a Veja desta semana, que assinei ainda de madrugada apenas para poder acessar sua versão online na íntegra, constatei que a única forma de me manter realmente informado sobre o mundo seria assinando os blogs de Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi. Que, a partir de agora, chamarei de pastores. Como Jorge Linhares.

Vi que o layout avermelhado do Cinema em Cena e deste blog eram uma homenagem sutil ao comunismo, essa invenção maligna que gerou capetas como Che e Lula.

Vi que ser um adulto com contradições aparentes é um erro. O mundo é preto ou branco e, portanto, assim também devemos ser como indivíduos. Corrigir minhas idiossincrasias, limando-as em prol de uma identidade sem nuances é, agora, minha prioridade número um.

Ou melhor: dois. Porque minha prioridade imediata é assistir a uma sessão tripla de Vovó…zona, O Paizão e Gigolô por Acidente, dos gênios Lawrence, Sandler e Schneider.

Meninos, acreditem: eu vi.

Música do dia:

Luca escritor

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 28 comentários

Ontem à noite, Luca disse que queria escrever um livro e perguntou se podia usar o notebook. Abri o Word, apertei o CAPS LOCK (ele tem mais facilidade com letras de forma em caixa alta) e coloquei a fonte com tamanho 16. E deixei o pequeno trabalhar. E como ele trabalhou: durante mais de uma hora (uma eternidade para uma criança de seis anos de idade), Luca permaneceu diligentemente diante do notebook, buscando as letras no teclado enquanto compunha sua história sobre piratas. De tempos em tempos, me chamava para ajudá-lo a dar espaço suficiente para que iniciasse uma nova página ou então resolvesse algum problema (em certo instante, disse um "Papai!" apavorado quando todo o seu texto desapareceu. Nada que um CTRL+Z não resolvesse, mas que o deixou ansioso).

Finalmente, ao concluir seu livro, pediu que eu o imprimisse – o que fiz imediatamente: cinco páginas, cada uma contendo uma ou duas frases e um imenso espaço em branco que ele então utilizou para ilustrar a história. Para arrematar, ele pediu mais duas folhas em branco: na primeira, desenhou a capa; no verso da segunda (a contracapa, portanto), escreveu: "ESTE LIVRO FOI FEITO POR LUCA. 27/03/2009". 

Grampeei as páginas cuidadosamente para que elas abrissem como num livro de verdade e o pequeno, orgulhoso, folheou seu trabalho com uma expressão de imensa felicidade. E desde então mostrou seu "primeiro livro" para a vovó, as primas e por aí afora.

Meu sentimento? Um orgulho tremendo e um frio na barriga que começou no momento em que vi o baixinho diante do notebook, digitando lenta e concentradamente durante tanto tempo. 

É muito, mas muito bom ser pai.


(Palavras que Luca disse recentemente e que corrigi depois de pedir que ele primeiro as repetisse umas quinhentas vezes: "lebrina" (neblina), "bisbiotar" (bisbilhotar) e "debolir" (demolir).


 Hoje levei o pequeno para assistir a Monstros Vs. Alienígenas num cinema 3D. Antes da sessão, ele comentou, empolgado:

– Eu estou adorando ver filmes em 3D, papai!

– É mesmo? Por quê?

– Porque parecem mais reais, né? Porque a vida é em 3D também! (pausa) Como será que as coisas seriam se tudo fosse 2D?

Depois do filme, o comentário crítico:

– Adorei, papai! Mas eles quiseram mesmo mostrar que era um filme 3D, né?

– Por que diz isso?

– Porque toda hora colocavam uma explosão, uma cena no espaço, alguma coisa pra sair da tela. Era só pra mostrar que era 3D!

Ah, danadinho…

Luca e Nina

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 22 comentários

Estávamos buscando um lugar para almoçar, no domingo, quando passamos diante do Porcão. Encostei o carro enquanto decidíamos se ficaríamos ali.

– Tem um parquinho bacana. – comentei, já que esta é uma obsessão de qualquer um que tenha filhos pequenos.

Enquanto isso, Luca, que está em processo de alfabetização, começou a ler a placa:

– Po… Por… Porca… Porcau… Porcão. – e, continuou, espantadíssimo: – Porcão?! Ah, não, esse restaurante deve ser uma porcaria!

Liguei o carro e continuamos nossa procura.


Nina, claro, ainda está na fase oral do desenvolvimento e, portanto, mata sua curiosidade com relação ao mundo levando tudo o que encontra à boca: brinquedos, roupas, o controle remoto da televisão e por aí afora. No entanto, tenho notado algo interessante: se antigamente ela imediatamente levava os objetos à boca, agora ela primeiro segura aquilo que desperta seu interesse por algum tempo, observando cuidadosamente o que pegou. Permanece assim por um bom tempo, olhando concentrada… e só então, como se concluísse que o objeto em questão merece um estudo mais aprofundado, se entrega aos velhos hábitos. (E RaUL… há certos comentários que não devem ser feitos com o pai de uma garotinha, certo? Foot in mouth)

A pequena, aliás, já está demonstrando personalidade. No domingo, enquanto lanchávamos, ela levou um pedaço de plástico à boca. Percebendo aquilo, tomei-o de sua mãozinha, que ainda tentou segurá-lo com toda a força possível. Percebendo que perdera a disputa, ela olhou para mim, brava, e disparou, claramente irritada: 

– Blu-blu-diu-pou-pu-bla-blô! Blo-blu-di-di-la-to-la-ba-be-be!

Ela prosseguiu me xingando por vários minutos – e mesmo sem entender o que estava sendo dito, tenho a forte impressão de que fui fartamente ofendido.


Meus filhos, aliás, parecem igualmente impacientes com algumas bobagens de seu velho pai. Outro dia, eu brincava com Nina quando Luca se aproximou. Para evitar que o baixinho sentisse ciúmes, abracei-o, beijei-o e falei: 

– Sabia que você também vai ser sempre o neném do papai?

Ao que ele retrucou energicamente:

– Que é isso? Eu já tenho seis anos, cara!

Algumas do Luca

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina | 17 comentários

Luca estava decorando um pequeno texto para uma apresentação. Um dos trechos era o seguinte:

– Meu pai trabalha na roça. Ele cuida da terra, planta milho, planta arroz, ordenha as vacas…

O problema é que ele não conseguia gravar a parte sobre "ordenhar" – uma palavra que estava aprendendo naquele instante. Assim, em certo momento durante os "ensaios" com seu pai, o pequeno, ao esquecer mais uma vez o que deveria dizer, resolveu improvisar:

– Meu pai trabalha na roça. Ele cuida da terra, planta milho, planta arroz… é… hum… pasta…

 Eu sabia que não deveria ter comido grama na frente do baixinho.


Ontem, Luca e eu brincávamos com alguns bonecos de heróis e vilões. Inventando super-poderes para os personagens, Luca explicou:

– Esses vilões são geneticamente conectados!

– Geneticamente o quê?

– Conectados!

– Ah, tá.


Fomos assistir a Coraline e o Mundo Secreto. Ao final da sessão, enquanto todos se levantavam para sair, permaneci no assento como de costume. Luca, inquieto, perguntou:

– Papai, por que você sempre gosta de ver todas as letrinhas passando?

– Hum… quando você for maior, o papai explica, tá?

(Há vários motivos para isso, mas o principal tem a ver com o "retorno à realidade" – algo que explico com detalhes na segunda aula do curso.)

– É para ver quem trabalhou no filme? – insistiu o pequeno.

– Também.

– É para ver se vai ter alguma cena depois das letrinhas?

– Também.

– Fala o que é, então, papai!

Suspirando, concordei:

– É o seguinte… hum… você sabe como, durante o filme, parece que a gente está dentro da história? Então. A gente até não esquece que está no cinema?

– Eu não esqueço, não.

– Hum… quero dizer… quando você está muito interessado no filme, você nem repara que está dentro do cinema, repara? Você fica só prestando atenção na história, não é?

– É.

– Pois então. No final, quando as letrinhas sobem, a gente sai devagarinho do filme. As letrinhas mostram quem trabalhou no filme, na vida real, mas a música ainda é aquela da história. As luzes acendem aos pouquinhos… tudo isso é bom pra gente voltar bem com calma pra vida real e, assim, o filme fica mais forte com a gente, não é igual na televisão que, assim que ele acaba, já vem outro programa. E o papai acha que isso é importante, faz parte da experiência de ver o filme. 

Silêncio.

– Já sei por que você disse que queria esperar até eu crescer pra me explicar isso, papai. Você achou que eu era muito criancinha pra entender. Mas eu entendi tudo, viu? Eu tô me lembrando de tudo o que você falou até agora!

Bom aluno, esse meu filhote.