Novos filmes

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postado em by Pablo Villaça em Novos filmes | 12 comentários

Hoje, antes da sessão de Ensaio Sobre a Cegueira para a crítica de BH, vi um cartaz do novo filme de Bruno Barreto no lobby do cinema (tentei encontrar uma versão digital, mas sem sucesso). Minha primeira reação: "Ué, foi Bob Dylan quem assaltou o ônibus?".
 
Bob Dylan do Nascimento, provavelmente.

Ensaio Sobre a Cegueira

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Confiram, abaixo, a matéria que Renato Silveira fez sobre Ensaio Sobre a Cegueira, incluindo as exclusivas com Fernando Meirelles e Alice Braga.

Tão vendo como é trabalhar em BH?

postado em by Pablo Villaça em Novos filmes | 28 comentários

Depois eu reclamo que trabalhar em BH é impossível e sou criticado.

Trovão Tropical vai estrear em praticamente todo o Brasil nesta sexta-feira. Menos em BH. E também não teremos cabine. Ou seja: todos os sites concorrentes poderão escrever sobre o filme, menos o Cinema em Cena.

Bacana.

Siga o dinheiro

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Novos filmes, Variados | 31 comentários

Então o presidente da Warner, Alan Horn, se "desculpou" com os fãs por ter adiado Harry Potter e o Enigma do Príncipe para 2009. Porém, reparem que ele não prometeu reverter a decisão – e não vai fazê-lo. O que me espanta é que o estúdio foi até honesto ao explicar o motivo da alteração: em vez de se esconder atrás da desculpa habitual ("Usaremos o tempo para fazer o filme ficar ainda melhor, refinando os efeitos visuais", etc, etc, blábláblá), Horn citou um motivo puramente corporativo: eles preferem lançar o longa no verão americano, já que: a) é financeiramente mais promissor (embora os filmes da série não tenham sido exatamente prejudicados por seus lançamentos habitualmente em novembro); e b) o estúdio ficou sem muitas outras opções de produtos para lançar naquele período, já que a greve dos roteiristas atrasou todas as produções.

O que Horn não disse, porém, é que o principal motivo para que Harry Potter tenha sido adiado para 2009 diz respeito ao imenso sucesso de O Cavaleiro das Trevas e também a Watchmen.

Hein? Como assim?

Simples: a Warner tem que prestar contas sobre sua arrecadação anual junto aos acionistas – e quedas brutais neste sentido podem perfeitamente custar as cabeças de altos executivos. O problema é que o estúdio já conseguiu dinheiro suficiente, com o sucesso inesperado de Batman (ninguém esperava tanta repercussão), para transformar 2008 em um ano maravilhoso para suas contas. Em contrapartida, 2009 conta apenas com Watchmen – e, como já sabemos, é bem possível que a Warner tenha que sacrificar boa parte dos lucros que teria com a superprodução para pagar a Fox, que processou a concorrente em função dos direitos de adaptação da graphic novel. Com isso, 2009 pareceria um fracasso ao ser comparado com 2008 – especialmente com as centenas de milhões de dólares que Harry Potter ainda traria para a Warner.

A saída? Mover HP para 2009 e jogar esta fortuna para o ano que vem, permitindo que as finanças do estúdio se mantenham equilibradas em dois anos consecutivos.

Em outras palavras: os fãs podem chorar o quanto quiserem; a decisão da Warner não será alterada. Ou vocês realmente esperam que os executivos sacrifiquem seus empregos apenas para agradar um público que, de uma forma ou de outra, dará seu dinheiro para a franquia, seja agora ou no ano que vem?

Caixão enterrado

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Novos filmes | 71 comentários

Gosto de José Mojica Marins. Quando o entrevistei, em 2001, o cineasta estava em baixa, sem qualquer perspectiva de realizar uma superprodução como Encarnação do Demônio – e, por isto mesmo, fiz questão absoluta de defender uma edição do programa Retratos, da TV Horizonte, dedicada exclusivamente a ele. Na época, eu apresentava e roteirizava apenas o Cinema em Cena – e como este tinha apenas meia hora de duração, levei a pauta para o outro programa, que durava uma hora. Foi, aliás, minha estréia no Retratos, no qual eu posteriormente viria a entrevistar figuras como Fernando Meirelles, Kátia Lund, Beto Brant, João Moreira Salles, Paulo Thiago, Ugo Giorgetti, Kiko Goiffman, Eduardo Coutinho, Gianfrancesco Guarnieri, Suzana Amaral, André Klotzel, Lucélia Santos entre outros.

O bacana do Retratos é que me permitia, a cada entrevistado, mergulhar em toda sua filmografia – e mais de uma vez, após a conversa , ouvi o comentário: "Acho que nunca falei tanto sobre minha carreira numa única entrevista". Além disso, como eu fazia questão de ver (ou rever) todos os trabalhos disponíveis da pessoa antes de entrevistá-la, os bate-papos sempre contavam com detalhes que eu pudera observar recentemente, como um nome na claquete visto em um filme de Giorgetti ou o fogo que iniciava e encerrava Notícias de uma Guerra Particular.

Quando falei com Mojica, portanto, nos debruçamos em praticamente todos os seus filmes como diretor. E ouvir seu relato de como suplicou à esposa para que esta permitisse que ele vendesse todos os móveis de sua casa para financiar um filme… bom, fiquei emocionado. Até mesmo sua humildade ao admitir que empregara um dublador em seus primeiros filmes por não se julgar apto a usar a própria voz foi algo que serviu como claro indicativo de sua integridade artística, independentemente de seus méritos ou deméritos como realizador.

Por que digo isso? Porque neste fim-de-semana, ao conversar com Renato e sua noiva Raquel aqui em casa, expliquei que um dos motivos que me levaram a não escrever sobre Encarnação do Demônio foi meu apreço por Mojica. Embora tenha várias restrições ao filme, eu não queria (e não quero) correr o risco de prejudicar a carreira de seu filme, já que acho maravilhoso que ele finalmente tenha conseguido trabalhar com o orçamento que sempre sonhou. (E antes que alguém me acuse de megalomania, eu sei perfeitamente bem que um texto negativo escrito por mim não implicaria no fracasso do longa; ainda assim, não quis correr o risco de: a) influenciar quem quer que seja a ignorar o filme; ou b) resgatar, em Mojica, suas memórias de rejeição da crítica – caso, por algum acaso impensável, ele se deparasse com meu texto em algum canto obscuro da Internet.)

Como disse para Renato e Raquel, não acho que Mojica seja um "mestre" ou um talento particularmente dotado de nosso Cinema. Gosto de alguns de seus filmes anteriores, mas moderadamente. Contudo, seu amor por esta arte é algo que me comove imensamente, bem como sua persistência. Além disso, para Mojica, fazer Cinema nunca foi uma desculpa para conseguir dinheiro, já que, ao contrário, ele praticamente se afundava em dívidas a cada novo projeto. E é por este motivo que torci por Encarnação do Demônio; por imaginar o sorriso de satisfação e o sentimento de sucesso que Mojica persegue há tanto tempo.

Infelizmente, isto não aconteceu. O filme estreou mal. Muito mal. Péssima média de espectadores, péssima colocação no ranking semanal (16a. posição), péssimo tudo. 

E digo mais: este fracasso foi tremendamente injusto, mesmo do ponto de vista artístico. Encarnação do Demônio pode ser um filme falho – e é -, mas está longe de ser uma merda colossal como Zohan – O Agente Bom de Corte. E não imaginam a raiva que sinto ao pensar que, apesar disso, o novo atentado de Adam Sandler certamente conseguirá uma bilheteria de estréia exponencialmente maior do que aquela alcançada pelo esforço de Mojica. Revoltante.

Star Wars: The Clone Wars

postado em by Pablo Villaça em Novos filmes | 14 comentários

Vi hoje de manhã. Visualmente desinteressante, tecnicamente mediano, história fraca e aborrecida… Não fiquei surpreso, mas é sempre decepcionante ver um filme com tanto potencial (ou, neste caso, grana) se revelar tão… bobo.

Watchmen

postado em by Pablo Villaça em Novos filmes, Variados | 60 comentários

Ontem finalmente li os doze volumes de Watchmen, série escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. Fiquei impressionado; eu simplesmente não conseguia parar de ler. O quarto capítulo, em especial, que gira em torno da história do Dr. Manhattan, me impressionou particularmente pela belíssima construção narrativa. Aliás, a estrutura da série é impecável: não apenas as narrativas paralelas se complementam perfeitamente (incluindo-se, aí, uma "história-dentro-da-história" girando em torno de um náufrago) como a própria utilização dos personagens secundários (quase figurantes, na realidade) é empregada com inteligência por Moore. Se inicialmente o leitor questiona a importância do jornaleiro, do garoto do gibi, do psiquiatra ou do casal de lésbicas, esta dúvida cai por terra quando percebemos como o tempo que passamos ao lado destas figuras aumenta o impacto dramático dos acontecimentos do terceiro ato da trama (se é que podemos falar em "terceiro ato" no caso de graphic novels).

Fiquei entusiasmado para ver o filme. E, assistindo ao trailer, é possível perceber que, ao menos visualmente, Zach Snyder parece ter sido bastante fiel ao conceito original.

Encarnação do Demônio

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Novos filmes | 37 comentários

Acabo de voltar da cabine de Encarnação do Demônio, que transporta a figura emblemática de Zé do Caixão, criação de José Mojica Marins, para o século XXI. Aliás, o contraste entre a imagem do personagem e a ambientação moderna é uma das (poucas) coisas boas do filme, que, de modo geral, é uma imensa decepção regada a pura misoginia e que se enquadra perfeitamente na mesma categoria "pornografia da tortura" que embala os trabalhos do doente Eli Roth.

Quando digo que a idade e a experiência de vida são fatores
fundamentais na formação de um bom crítico, aliás, é justamente a
isto que me refiro: somente a extrema imaturidade pode permitir que um filme como Encarnação do Demônio seja celebrado sem levar em consideração as implicações morais e temáticas de sua narrativa. Não que o Cinema não possa retratar a violência contra a mulher (ou crianças, ou quem quer que seja); muitas vezes, isto é necessário para que a história seja contada da maneira apropriada. Há uma diferença fundamental, porém, entre a violência justificada pela narrativa e aquela que surge apenas como sensacionalismo barato, como truque gráfico para chocar e, assim, atrair um público interessado apenas no gore

É inacreditável, aliás, que este filme tenha vencido o prêmio principal do Festival de Paulínia. Uma coisa é reconhecer a importância de Marins para o Cinema brasileiro e sua tocante história pessoal (fiz uma longa entrevista com ele, em 2001, para o programa "Retratos" da TV Horizonte, e fiquei encantado com sua perseverança e amor pela 7a. Arte); outra é deixar que este respeito por sua figura influencie de maneira imprópria a percepção de seu trabalho atual.

Sim, o trash pode ser divertido (e ainda que tente negar sua natureza trash, Encarnação do Demônio não consegue totalmente), mas isto não o torna menos ridículo. E o status cult, que o filme também busca atingir, não é algo que um cineasta pode conferir ao seu longa já na concepção; é algo que só o tempo traz – e em alguns casos. E, infelizmente, Encarnação do Demônio não é nem mesmo ruim o bastante para se tornar um Plano 9 do Espaço Sideral.

Devo escrever sobre o longa com mais detalhes. Mas, por enquanto, queria apenas dividir com vocês minha decepção.

Entrevista com Breno Silveira e Thiago Martins

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Novos filmes | 8 comentários

Confiram, abaixo, a entrevista que Renato Silveira, co-editor do Cinema em Cena, fez com Breno Silveira e Thiago Martins, diretor e ator de Era uma Vez…, respectivamente.

 

 

Arquivo X 2

postado em by Pablo Villaça em Novos filmes | 28 comentários

Acabo de voltar da cabine do filme. Não sou muito familiarizado com a série, já que assisti a pouquíssimos episódios, mas sei o suficiente para reconhecer o nome de Skinner e para saber o que são shippers. Além do mais, minha função é analisar um longa-metragem dentro de sua proposta cinematográfica – o que inclui, no máximo, situar este novo filme a partir do longa anterior, de 98 (que acho apenas razoável).
 
Como provavelmente já perceberam, não gostei muito do filme. Há bons elementos, é verdade: o diretor Chris Carter consegue estabelecer uma atmosfera de constante inquietação e a fotografia explora muito bem as paisagens cobertas por neve para mergulhar o espectador num clima de medo e insegurança. Infelizmente, os esforços são sabotados pelo roteiro a partir do instante em que a trama começa a ser resolvida, revelando absurdo atrás de absurdo numa história que me fez lembrar de uma bomba estrelada por Ray Milland em 1972 e cujo título só posso mencionar precedido de um aviso de spoiler (e guardo isso para a crítica). Aliás, é curioso: os aspectos sobrenaturais do filme soam críveis dentro do contexto da narrativa, ao passo que os elementos "científicos" ofendem pela estupidez. Para piorar, a dinâmica Mulder-Scully, embora funcione muito bem durante boa parte do tempo, acaba incluindo também elementos artificiais e diálogos pavorosamente ruins.
 
Mas escreverei com mais detalhes nos próximos dias.