Política

A Taça Não é Nossa; a Copa, sim

postado em by Pablo Villaça em Política, Variados | 24 comentários

Difícil resistir a fazer um breve (mais ou menos) comentário sobre o jogo e suas absurdas repercussões. Em primeiro lugar, a reação de muitos no Facebook não foi de todo surpreendente, já que o perfil daquele espaço tende a ser mais conservador do que o do Twitter, por exemplo. Observo isso todos os dias: comentários idênticos feitos em um e outro são recebidos com apoio no Twitter e repúdio no Facebook e vice-versa.

Não, o que me espanta, de fato, é perceber um salto tão súbito na atitude de tanta gente. Pessoas que às 17h cantavam o hino e diziam ser brasileiras “com muito orgulho e muito amor”, que se mostravam orgulhosas da organização da Copa (que mostrou ao mundo inteiro nossa capacidade de sediar um evento deste porte), que balançavam bandeiras e celebravam o país e que, menos de duas horas depois surgiam queimando estas mesmas bandeiras enquanto afirmavam que era por vergonha da Educação, da Saúde, etc, etc.

O viralatismo surgiu com força em um texto medíocre, com toda pinta de ter sido escrito há muito tempo e estar apenas à espera de uma derrota, no qual o autor anônimo dizia que havíamos testemunhado a derrota da “malandragem” diante da “competência”. E que isto deveria ser uma lição para um país no qual a “malandragem” impera tanto que não é nem preciso “estudar para ser presidente”.

Vamos separar as coisas: a seleção brasileira perdeu. E feio. De forma vergonhosa. Houve, sim, despreparo. Até certa negligência. Mas estes meninos não são vilões – e nem mesmo Felipão ou Parreira são. Fracassaram. E envergonharam o país, mas não são vilões. Não merecem “repúdio”. E, acreditem, já estão se penalizando mais do que podemos imaginar. Dormirão hoje (se dormirem) com dor no peito e terão pesadelos – dos quais não acordarão pela manhã, que trará a consciência de que, sim, tudo aquilo aconteceu. Dito isso, compreendo a dor e a revolta como torcedor.

Mas como “brasileiro”? Ora, que revolta súbita é esta pela “Educação” que esperou convenientemente uma derrota da seleção para se manifestar? E é sério que querem usar como exemplo a Alemanha – onde o índice de analfabetismo é dez por cento e, portanto, bem maior que o do Brasil? (Até entendo: aprender aquela língua deve ser terrível!)

Ora, o Brasil acabou de aprovar uma medida para investir nada menos do que dez por cento do nosso PIB apenas em Educação! Apenas quatro outros países no mundo inteiro investem tanto – e nenhum tão grande quanto o Brasil.

E fora dos campos, o Brasil venceu a Copa. A imprensa internacional é unânime em dizer que esta é a melhor de toda a História – e as matérias não se limitam a falar dos jogos, mas da infra-estrutura, dos estádios, dos aeroportos que funcionaram (uma média de atrasos de 7,5% quando até 15% são considerados aceitáveis pela aviação em todo o mundo), da hospitalidade desse povo maravilhoso que se apaixonou pelos visitantes e inspirou a paixão destes.

A Copa foi tão bem sucedida que o próprio Aécio Neves, candidato da oposição, manifestou receio de que ela ajudasse a presidente nas eleições – e é justamente por isso que não fiquei surpreso ao perceber que Alvaro Dias, senador tucano, compartilhou o tal texto sobre nossa “malandragem”.

“MALANDRAGEM”? Fale por você, senador.

O Brasil não é perfeito e o governo federal tampouco. Mas não se esqueça de que o tal cara que foi eleito presidente “sem ter estudado” deixou o posto como o governante com a maior aprovação da História desse país. E que sua substituta gozava de igual aprovação até as manifestações de junho passado, que foram disparadas por um aumento nas passagens de ônibus que – vale lembrar – contavam com um subsídio do governo federal para que não fossem tão elevadas e que mesmo assim, por ganância das empresas, foram reajustadas.

Mas paro por aqui, pois sei que, nos dias de hoje, ninguém lê texto extenso ou que contenha dados que possam ser confirmados no Google. O texto que ganha compartilhamentos no Facebook e no Whatsapp é aquele curtinho, com ofensas e acusações sem prova e uma frase de efeito que, mesmo reduzindo o próprio leitor ao posto de “malandro”, é passado adiante pelo choque artificial que provoca.

Assim, publico este texto para mim mesmo. Como um lembrete de que, vergonhosos 7 a 1 à parte, essa Copa FOI DO CARALHO. AINDA ESTÁ SENDO.

E é um imenso motivo de orgulho para todos os brasileiros diante de todo o mundo. Mesmo para aqueles que, num impulso tolo e inexplicável, decidiram queimar a bandeira da pátria que lhes trouxe esse presente de Copa.

A Importância da História (ou “Eu Lembro”)

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Política | 150 comentários

Em uma entrevista concedida há dois dias e cuja leitura recomendo fortemente, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, fez uma observação bastante interessante sobre a postura política de boa parte da população mais jovem:

“Imagina um jovem de 18 anos hoje. Ele não sabe o que foi a era pré-Lula. Até mais. 25 anos. Uma pessoa de 25 anos hoje, tinha 12, 13, quando o Lula tomou posse. O que eles sabem? Quer dizer, se colocou um desafio muito maior, mas temos de conversar com a população sobre o que se avançou. Até para se apropriar dessas conquistas, as pessoas têm de saber o que era o Brasil antes dessas oportunidades surgirem. É um desafio grande. Uma coisa é explicar para uma pessoa de 40 anos o que era o Brasil antes do Lula e outra para uma pessoa de 25, porque ela não viveu. Ela não viveu o desemprego, a inflação, o apagão, falta de oportunidade educacional.”

É uma reflexão fundamental. Como já apontei algumas vezes, tenho ficado chocado com a quantidade de jovens que vêm assumindo uma postura reacionária, claramente de Direita, enquanto regurgitam clichês retóricos típicos das classes economicamente dominantes. Mesmo quando tentam assumir uma postura apolítica (“Não existe mais diferença entre Esquerda e Direita no país”, “Não tenho partido; sou contra tudo que está aí”; “Todo político é ocrrupto”), fica fácil perceber que se trata apenas de uma fachada, já que todas as críticas que fazem dizem respeito ao governo federal – mesmo quando estão discutindo temas subordinados às administrações estaduais e municipais.

Mas, a partir do que ponderou Haddad, me vi movido a indagar se estes jovens são de fato reacionários (algo ainda mais estranho e triste na juventude) ou se apenas não se lembram de como era o Brasil pré-2002.

Porque eu lembro. Lembro do Plano Cruzado com suas donas-de-casa fiscais de preço; do confisco da bolsa; dos apagões de FHC e sua dependência do FMI. Lembro de quando FHC obrigou o país a racionar luz. Lembro da falta de oportunidades na educação pública. Da falta de universidades (que poderia ser pior; já que ele cogitou acabar com as públicas). Lembro da inflação (que tantos dizem que FHC controlou, mas que na realidade subiu descontroladamente no seu mandato).  Lembro da compra de votos pra reeleição (200 mil/deputado). Lembro dos grampos telefônicos na era FHC. Lembro do Engavetador-Geral da União, que, ao contrário do que ocorre hoje, não permitia que as denúncias fossem investigadas. Lembro do vexame da “festa” dos 500 anos. Lembro do 1,6 BILHÃO que FHC deu ao Marka/FonteCindam (e lembro do Cacciola). Lembro do filho de FHC e seu envolvimento com a EXPO 2000. Lembro do massacre no Eldorado dos Carajás. Lembro da dengue descontrolada. Lembro dos reajustes de 580% na telefonia. Lembro do PIB ridículo. Lembro dos mais de 2 BILHÕES de fraude na SUDAM de FHC. Lembro de FHC chamando aposentados de “vagabundos” E o povo brasileiro de “caipira“.

Lembro, enfim, muito bem de como era este país até 12 anos atrás. Esta é a questão: não falo tanto de política porque gosto. Ao contrário: me dá dor de cabeça, me faz perder leitores e me prejudica profissionalmente.

Eu falo tanto de política porque preciso. Tenho dois filhos. Não quero pra eles o Brasil no qual cresci. Não quero retrocesso. E é por esta razão, por saber que tenho tantos leitores jovens, que me sinto na obrigação de passar a eles um pouco do que vivi e testemunhei.

Isso não é ativismo político; é apenas ser responsável como cidadão.

 

Cronologia de um Demagogo

postado em by Pablo Villaça em Política | 90 comentários

01/12/2011: Ronaldo aceita cargo no Comitê Organizador Local da Copa.

20/10/2011: Ronaldo celebra Copa 2014 no Itaquerão.

20/03/2012: Ronaldo: “A Copa do Mundo da FIFA é de todo o Brasil”.

10/10/2012: Ronaldo garante Brasil pronto pra receber a Copa 2014.

30/01/2013: Ronaldo pede para imprensa abraçar a Copa do Mundo.

05/11/2013: Ronaldo defende Copa de “protestos inventados” e enaltece progresso.

19/12/2013: Ronaldo minimiza desconfianças e vê Brasil acreditar no projeto da Copa 2014.

07/01/2014: Ronaldo diz que Copa está trazendo muitos benefícios ao país.

21/02/2014: “Copa é um grande negócio para o país”, afirma Ronaldo.

30/03/2014: Ronaldo está animado para a Copa de 2014.

01/05/2014: Ronaldo posta foto de apoio à candidatura de Aécio Neves.

23/05/2014: Ronaldo se diz envergonhado com preparação da Copa.

A propósito: de acordo com a Ernst & Young e a Fundação Getúlio Vargas, entre 2010 e 2014, o Brasil deverá arrecadar 16 bilhões com impostos deixados pela FIFA no Brasil (entre valores dos ingressos e eventos relacionados) – um valor consideravelmente superior ao que o governo federal gastou na reforma dos estádios. Ou seja, a Copa dará lucro ao país. Que coisa.

Update: Estão tentando vender a ideia mentirosa de que o governo federal isentou a FIFA de impostos sobre os ingressos. Errado. A FIFA ganhou isenção ao IMPORTAR itens para a infra-estrutura dos jogos, como uniformes e ônibus. Mas não foi só ela. As televisões brasileiras também ganharam isenção para importar equipamentos necessários para televisionar o evento. Não caiam nas falácias dos reacionários; eles ganham espalhando inverdades.

A Culpa é do PT?

postado em by Pablo Villaça em Política | 208 comentários

Este será um ano difícil.

Anos eleitorais sempre são desgastantes para qualquer um que se importe com política, mas 2014 promete ser um período particularmente exaustivo. Considerando a virulência manifestada nas redes sociais por aqueles que se colocam contra o governo federal – e insisto em apontar que o tom e a agressividade dos argumentos por parte da esquerda nem chegam aos pés daqueles usados pela direita -, os próximos meses serão tomados por factóides, maniqueísmo midiático e baixarias.

Que a mídia há muito demoniza o governo federal enquanto higieniza todo e qualquer escândalo envolvendo a oposição é algo inquestionável. Basta ver o que ocorre agora em São Paulo, quando UOL, Foxlha, Veja e Estadão insistem em dizer que não haverá racionamento de água no estado, repetindo o discurso de Alckmin, quando um levantamento recente feito pelo Instituto Data Popular aponta que 23% da população já sofre com a falta de água – 35% só na capital. O mais revelador, contudo, é perceber que o problema afeta duas vezes mais as famílias de baixa renda: 12% dos que ganham mais de dez salários-mínimos contra 25% daqueles que recebem até um salário. Enquanto isso, denúncias envolvendo a Petrobrás (que, claro, devem ser investigadas) ocupam as páginas dos portais e dos jornais mesmo que o processo de apuração ainda se encontre em andamento. Ou seja: um fato é ignorado por prejudicar Alckmin; uma denúncia é amplamente discutida por prejudicar Dilma. Dois pesos e duas medidas.

Aliás, faço um desafio: entre no UOL todos os dias (mas não clique em nada; eles não merecem pageviews) e perceberá que sempre haverá uma manchete anti-governo em destaque. Se houver algo positivo, estará enterrado no pé da página. Por outro lado, chamadas envolvendo a oposição sempre ganham viés positivo. Não é à toa que, há algum tempo, o UOL mudou a manchete da mesma notícia em um curto espaço de tempo, transformando um fato positivo em negativo no espaço de apenas algumas horas. Da mesma maneira, é impossível esquecer a manchete da Foxlha, em novembro, que informava “Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso”, esquecendo-se convenientemente de observar que o prefeito em questão era o ex, Kassab, e não o atual, Haddad.

Este ataque diário já trouxe resultados: virou clichê – e até motivo de piada – notar como sempre há alguém culpando o PT por tudo que ocorre no mundo, desde questões municipais em cidades administradas por tucanos ou democratas até, pasmem, a derrota do Vasco no campeonato brasileiro (não é brincadeira; o técnico da equipe atribuiu a responsabilidade ao PT em entrevista pós-jogo). Enquanto isso, comentaristas de portal (o esgoto do esgoto da Internet) publicam ameaças/desejos de morte à presidente – sendo aplaudidos com “likes” pelos colegas -, contribuindo para o processo de desumanização da política e do debate sadio.

O mais irônico é que estes mesmos jornalistas e comentaristas de Internet insistem em afirmar que o governo é “censor”. Ora, se o governo Dilma realmente aplica a censura nos meios de comunicação, o censor oficial deveria ser imediatamente demitido, pois está fazendo um trabalho pavoroso, já que, como já dito, a presidente e sua gestão se encontram sob ataque constante. O curioso é que estes mesmo indivíduos que gritam “Censura!” nada comentam sobre a tentativa de Aécio Neves de censurar o Google ou sobre a postura do senador tucano Aloysio Nunes, que, ao ouvir uma pergunta feita por um sujeito, partiu para a agressão física e ainda conseguiu fazer o sujeito ser preso. Detalhe: em ambos os casos, tudo foi registrado pela Justiça ou em vídeo, tornando impossível negar o que ocorreu. Aliás, sabem como O Globo noticiou a agressão de Nunes? “Ex-assessor de deputada petista é preso por insultar senador”. Vejam o vídeo e reflitam se realmente foi isto que ocorreu.

MAS, ENTÃO, O QUE FAZER?

Ah, jovem padawan, esta é a questão central. Porque o que vem ocorrendo é que, acuados pela enxurrada de ataques por parte da mídia e comentaristas de portal, os militantes de esquerda, associados ou não a algum partido, parecem cada vez mais tímidos e intimidados. E é precisamente isto que a direita deseja: criar uma sensação de instabilidade e de insatisfação tamanhos até que a vitória das forças conservadoras se torne viável. Não é à toa que a aprovação de Dilma caiu – estranho seria se, com tantas manchetes contra seu governo, ela se mantivesse no mesmo lugar. No entanto, as perguntas mais importantes são: a queda da presidente reflete o estado das coisas? Estamos mesmo indo para o buraco sob a liderança de Dilma Rousseff? A presidente está destruindo o país? As coisas estão piorando?

Errr… não. Nem de perto. O desemprego nunca esteve tão baixo. 22 milhões de pessoas deixaram a situação de miséria. Educação e Saúde nunca receberam tantas verbas. O Bolsa Família, tão atacado pela direita, é visto com admiração pelo resto do mundo.

Não que a gestão Dilma seja perfeita. Particularmente, me irrito constantemente com o espaço que o governo confere aos fundamentalistas religiosos e à bancada ruralista. Movimentos sociais foram solenemente ignorados neste primeiro mandato e a aliança do PT que permitiu a ascensão de figuras como Márcio Lacerda em Belo Horizonte provocou danos profundos à minha querida cidade. (Reparem que não linkei nada para comprovar os aspectos negativos relacionados à Dilma, já que os conservadores não pedem fontes quando a informação é anti-governo e não protestarão.)

Mas não, mesmo considerando os problemas inquestionáveis do governo, o retrato de caos pintado pela mídia não corresponde à realidade.

“Mas a inflação está descontrolada!” “A Petrobrás está afundando!”

Ai, ai.

A inflação anual na gestão Dilma é menor que aquelas dos governos Lula e FHC.

Inflação anual sob Dilma: 6,08%.
Sob Lula: 7,53%.
Sob FHC: 12,4%.

“Ah, mas FHC pegou o país muito pior e, quando entregou a Lula, tudo já estava melhorando! Lula foi beneficiado por tudo que FHC fez.”

Hum… não. FHC, na verdade, quebrou o Brasil três vezes. Em seu segundo mandato, a inflação vinha subindo.

12anos

E a Petrobrás? Está mesmo afundando sob Dilma?

Vamos ver. Em 2002, a Petrobrás valia 15,5 bilhões de dólares. Em 2012? 126 bilhões. O lucro da Petrobrás em 2002: 8,1 bilhões. Em 2012? 21,2 bilhões. A receita da Petrobrás em 2002: 69,2 bilhões. Em 2012? 281,3 bilhões.

Uou.

Por outro lado, vale apontar que FHC tinha planos de privatizar a empresa (lembram da “Petrobrax”?); a impediu de buscar empréstimos no exterior; quebrou o monopólio sobre o petróleo com o objetivo de permitir que empresas estrangeiras explorassem nossas jazidas; entre outras ações pavorosas.

E Pasadena? Isto justifica um mau negócio? Bom, negócios são negócios; erros de avaliação ocorrem. Agora, se envolveram negligência e/ou corrupção, devem ser investigados e punidos. Se envolveram. Ainda assim, é importante apontar que a questão é complexa e que até mesmo o especialista convidado pela Globo News para opinar sobre o assunto mostrou-se favorável à maneira com que a Petrobrás vem sendo administrada.

OK, OK, MAS VOCÊ NÃO RESPONDEU O QUE DEVEMOS FAZER!

Verdade. Acabei me distraindo.

Bom, neste momento, já que a Comunicação do governo federal parece incapaz de se defender (este é um problema histórico das gestões Lula-Dilma; sofrem de Síndrome de Estocolmo e parecem gostar de apanhar da mídia, sempre sonhando em conquistá-la), cabe a você combater a campanha de desinformação da mídia. Sempre que ler (mais uma) manchete negativa no UOL, leia a matéria e suas entrelinhas. Ou melhor: busque outras fontes. Esqueça o UOL e a Abril de modo geral. Uma coisa é ter posição política; outra é maquiar/alterar/manipular informações.

Por sorte, temos os fatos do nosso lado e o Google existe para isso. O importante é não ficar calado – o silêncio dá a impressão de estarmos admitindo um fracasso que não existe. Estimulem seus amigos e seus familiares a pesquisarem. Quando vierem com um “a culpa é da Dilma!”, pergunte por quê. Peça fontes. Não tenha medo de ser atacado(a) – passo por isso todo dia nas redes sociais (e certamente acontecerá nos comentários deste post) e posso afirmar que não dói. Com o tempo, até passa a ser divertido, já que o desespero da oposição se torna evidente assim que é confrontada com os fatos.

Não podemos desanimar. Não podemos nos acovardar. Há um projeto muito bonito – mesmo que falho – em andamento. E se você se lembra de como o país era no período FHC (ou como é na gestão tucana em MG e SP), sabe que não podemos caminhar para trás.

A vantagem é que – de novo – os fatos e as estatísticas estão do nosso lado, mesmo que a oposição tente fazer o possível para desmerecê-los/questioná-los – desde manobras matemáticas absurdas e gritos de “Você está esquecendo o contexto!” até manipulações grosseiras como aquelas feitas nos gráficos exibidos nos telejornais da Globo, que magicamente transformam 5,91% em algo superior a 6,50%:

12anos

É uma batalha árdua, que exige esforço, dedicação e paciência.

Mas querem saber? Que vale muito a pena.

Em 1943, a Disney deu uma olhada 70 anos adiante

postado em by Pablo Villaça em Política, Vídeos | 20 comentários

A raposa publica jornais diários, revistas semanais e apresenta telejornal em horário nobre.

(Lembrança de Christian Heit)

E daqui, para onde vamos?

postado em by Pablo Villaça em Cotidiano, Política | 435 comentários

Hoje participei da manifestação que ocorreu em Belo Horizonte e sinto-me à vontade para dizer algo: Geraldo Alckmin conseguiu o que queria e entrou para a História do Brasil. Não como sonhava entrar, mas seu nome já está garantido ao menos como nota de rodapé nos livros didáticos.

Explico: até a noite de quinta-feira, 13 de junho, o movimento que ocorria pontualmente ao redor do Brasil em protesto ao aumento das passagens de ônibus era algo relativamente difuso, sem muito potencial para crescimento. Havia duas opções de desfecho: as passagens seriam reduzidas (como ocorreu em Porto Alegre) e tudo voltaria ao normal ou eventualmente a negativa das empresas e do governo deixaria claro que nada poderia ser feito quanto à questão. No entanto, a partir do instante em que Alckmin agiu como Alckmin (e Serra) e ordenou que a PM reprimisse a manifestação popular com força desproporcional, catalisou um processo que talvez levasse um tempo infinitamente maior para se cristalizar. Ninguém gosta de um bully – e o governo tucano, como já havia se mostrado em tantas outras ocasiões (com professores da rede pública, estudantes da USP, habitantes do Pinheirinhos e até mesmo com a Polícia Civil), não hesita em se entregar ao bullying sempre que questionado.

Desta vez, porém, Alckmin errou feio seu cálculo e criou um monstro que se espalhou por todo o país. A partir de quinta-feira, a questão definitivamente já não girava mais em torno de 20 centavos ou mesmo do transporte público livre; era uma questão de cidadania. E, como tal, deixou também de ser algo contra o governo tucano ou a prefeitura petista, passando a ser um grito de revolta generalizado, um berro de “chega!”.

Mas “chega” o quê?

E foi esta pergunta que vi tantos jovens se fazendo durante o manifesto em BH – mesmo que não percebessem o questionamento. Assim, voltei para casa feliz por testemunhar o despertar de uma juventude repleta de potencial, mas também inquieto por perceber claramente que ela não tem ainda uma ideia muito clara do que está fazendo ou de como prosseguir.

O que resulta numa combinação muito, muito perigosa.

(Aqui peço licença para um breve flashback pessoal para estabelecer por que me julgo detentor de certa experiência para discutir a questão: em 1992, depois de fundar e presidir por dois anos o grêmio do colégio no qual estudava – Promove Savassi -, fui eleito em assembleia estudantil como líder do movimento secundarista no Fora Collor. Como tal, participei da organização das manifestações em Belo Horizonte, discursei em carro de som na Praça da Liberdade e na Praça Sete e fui o rosto de meus colegas sempre que uma entrevista à imprensa era necessária – e certamente há fitas embaraçosas nas emissoras mineiras que trazem meu rosto moleque tentando parecer sério enquanto discute os motivos que tornavam necessária a saída do Presidente. Na época, fui um dos estrategistas do movimento em Minas, ajudando a decidir datas, locais e focos de protesto – e mais tarde presidiria o DA da faculdade até abandonar o movimento estudantil ao perceber que precisava me focar nos estudos. Não sou, portanto, um mero palpiteiro, creio eu. Fim do flashback.)

Ao caminhar entre a multidão de milhares de pessoas neste sábado, percebi duas coisas muito óbvias: uma imensa empolgação e uma preocupante falta de foco.

A primeira é fácil compreender: há anos a juventude não ia às ruas – e, como toda geração, eventualmente era inevitável que ela se questionasse acerca de sua própria revolução. A geração anterior teve o “Fora Collor!”; antes dessa, houve a luta contra a Ditadura. O que a geração pós-anos 90 tinha para protestar, porém? Quando e como poderia extravasar o impulso rebelde que faz parte do DNA jovem e que é algo tão belo e fundamental para o avanço da Humanidade?

Os últimos dias trouxeram esta oportunidade – e não é à toa que um jovem amigo pelo qual tenho imenso carinho me enviou uma mensagem por telefone na qual dizia, em parte, “estar em êxtase” após a passeata. Como não estaria? Lembro-me de meus dias de líder estudantil e ainda sinto o calor nostálgico da sensação de dever cumprido: como tantos antes de mim, eu estava deixando minha marca na História.

É um sentimento lindo, único, precioso. E sinto-me privilegiado por ter testemunhado o brilho que este trouxe aos olhos de tantos jovens hoje em Belo Horizonte. Eu olhava ao meu redor e via este êxtase em todos os rostos lisos que me cercavam – e sentia a vontade de abraçá-los com força e dizer: “Eu sei. É lindo, não é?”.

Sim, é lindo.

Mas eu também me sentia inquieto ao observar que, ao lado da euforia, havia uma clara dispersão de objetivos. Assim, puxei papo com vários jovens e observei atentamente os cartazes que carregavam.

“Pela humanização das prostitutas!”

“O corpo é meu! Legalizem o aborto!”

“Fora, Lacerda!”

“Viva o casamento gay!”

“Passe Livre já!”

“Passagem a 2,80 é assalto!”

“Pelo fim da PM no Brasil!”

“Cadê a Dilma da guerrilha?”

“Fuck you, PSTU!”

“Aécio NEVER!”

“Não à Copa no Brasil!”

E por aí afora. Era um festival desconjuntado de causas, ideologias e revoltas. Os cartazes tratavam dos sintomas, não da doença – e ao berrarem os sintomas pelas ruas de BH em vez de identificarem a patologia que os provocavam, aqueles jovens pareciam felizes, sim, mas também um pouco perdidos.

Passei a caminhar silencioso pela multidão. Sentia a energia gostosa, positiva, da ação juvenil, mas mergulhava cada vez mais em uma reflexão preocupada sobre o que via. Seria apenas um sinal dos tempos? Uma revolução do tempo das redes sociais, nas quais você pode “curtir” uma mensagem, uma causa, a cada segundo? Havia, sim, um componente de hiperlink até nos bordões cantados pela massa: um refrão sobre os ônibus levava a outro sobre a PM que levava a outro sobre a Copa que levava a outro sobre Lacerda que levava a outro sobre…

… sobre o quê?

Ao chegar em casa, manifestei esta dúvida no Twitter e alguns jovens imediatamente responderam: “Ninguém nos representa!” e “Sim, estamos contra tudo!”.

Mas “estar contra tudo” não é ideologia.

E sem ideologia não há movimento que se sustente. Ou, no mínimo, que se sustente de maneira consistente – o que abre espaço para a manipulação.

Foi isto, enfim, que me angustiou profundamente.

Vivemos em tempos perigosos: a direita religiosa se torna cada vez mais influente e as grandes empresas da mídia já perceberam que o PSDB não é uma oposição viável – e, assim, decidiram ser elas mesmas a Oposição. Não é à toa que, contradizendo todos os índices econômicos divulgados por órgãos independentes, a Globo, a Foxlha, a Veja e o Estadão vêm pintando um quadro de instabilidade crescente: inflação alta, dólar alto, PIB decrescente e por aí afora, pintando um país em crise que, sejamos honestos, não corresponde ao que vemos todos os dias nas ruas.

Enquanto isso, o aliado histórico dos movimentos populares, o PT, parece ter se esquecido de suas origens: tímido em sua resposta à brutalidade da PM, Haddad apenas embaraçou-se ao relativizar os excessos da polícia – e sua proposta de se reunir com as lideranças do movimento Passe Livre vem tardio, já que estas já não representam mais as massas na rua. Enquanto isso, Dilma é vaiada num estádio lotado por representar o poder – mesmo que, há pouco tempo, tenha oferecido subsídios justamente para diminuir as passagens de ônibus que, ironicamente, serviram como estopim da revolta.

Ora, se o PT não é visto mais como representante popular pelos manifestantes (e nem tem projeto que o aproxime da juventude) e o PSDB é claramente a mão pesada da repressão, para onde os jovens podem se voltar? Além disso, como não têm uma causa específica a defender, estes empolgados rapazes e moças criam um problema impossível, já que não há solução viável que os acalme. Como resultado, surge apenas um clima imponderável de insatisfação política generalizada – um clima complexo, intenso, raivoso e insolúvel.

É deste tipo de contexto que nascem os golpes.

E esta não seria uma solução que desagradaria os barões da mídia – lembrem-se das manchetes dO Globo pós-golpe em 64.

Claro que esta não é a única resolução possível para o quadro que se desenha. Uma revolução sem foco é uma revolução em busca de um líder, de um emblema, de uma figura messiânica. E não há, hoje, uma estrutura política mais equipada para preencher este vácuo que a direita religiosa.

A guinada reacionário-fascista, portanto, é uma possibilidade nada absurda para este movimento que nasce tão bem intencionado.

Isto, aliás, é que me deixa tão preocupado: os jovens que vi hoje na rua eram… lindos. Lindos. Felizes em seu papel democrático, acreditavam estar desempenhando uma função histórica fundamental. E estão. Mas se não surgir um foco para esta embrionária revolução, o perigo para que ela se desvirtue e seja cooptada pelo que temos de mais reacionário, conservador, atrasado e estúpido é real e imediato.

E veríamos, então, a destruição dos resultados trazidos por dez anos de um projeto político voltado de forma inédita para o crescimento social dos miseráveis. Ninguém duvida que, do ponto de vista social, o Brasil de 2013 seja infinitamente melhor que o de 2003. Mas se esta massa juvenil maravilhosa não encontrar o foco necessário, corremos um grande risco de regressarmos a 1993.

Foi isto, afinal, que me deixou tão triste após uma tarde de alegria ao lado daqueles admiráveis jovens.

São Paulo, 13 de junho de 2013

postado em by Pablo Villaça em Cotidiano, Discussões, Política | 82 comentários

“Aquela noite escura teve estrelas:
as estrelas humanas,
as lâmpadas do povo.”

– “Dito no Pacaembu”, Pablo Neruda

De acordo com a Veja, “ação rigorosa da PM impediu depredação da Paulista”. Seu principal articulista, Reinaldo Azevedo, chamou manifestantes de “vagabundos“. Mais cedo, um editorial do Estado de São Paulo pedia que os PMs dessem “um basta” na ação dos “baderneiros”. Já a Superinteressante, outra publicação da Abril, atribuía a culpa da violência… à presidenta Dilma. Todos diminuíam a responsabilidade do governador Alckmin, do PSDB, e ressaltavam o silêncio do prefeito Haddad, do PT.

Mas foi a PM controlada pelo governo do estado que massacrou os manifestantes. Que, ao contrário do que inicialmente tentaram afirmar GloboNews, Foxlha, Veja, Estadão e demais cúmplices, agiam de maneira calma e pacífica mesmo diante da presença da tropa de choque. É profundamente comovente ver os cidadãos gritando “Sem violência! Sem violência” apenas para ver seus pedidos respondidos com o avanço impiedoso de uma polícia obviamente instruída a agredir, machucar e reprimir sem hesitação. Basta observar que, já nos primeiros segundos da ação policial, um criminoso de farda dispara uma bala de borracha nas costas da multidão em fuga.

Enquanto isso, a GloboNews informava que ninguém havia sido ferido e o UOL dava destaque a um pobre PM que supostamente fora obrigado a ouvir gritos de “Lincha, mata!”. Pobres tímpanos sensíveis.

A Internet, contudo, não permite mais tão facilmente a mentira da Velha Mídia. Em questão de minutos, surgia um tumblr dedicado exclusivamente a desmentir a informação de que não havia feridos. Logo, outros vídeos reveladores entregavam até mesmo a ação bandida de policiais para criar a impressão de que os manifestantes haviam promovido quebradeira:

Não é difícil imaginar o objetivo do policial que parte o vidro da própria viatura, é?

Por outro lado, não é fácil compreender o que se passa nas mentes de quatro homens fardados que não hesitam em espancar um fotógrafo desarmado:

Ou como alguém pode disparar um tiro de borracha contra um cidadão que se encontra deitado e indefeso no meio da rua:

Ou contra outros cidadãos que já se encontram com os braços erguidos:

A situação se tornou tão insustentável ao longo das horas seguintes que o apresentador Datena, em seu programa na Band, deu início a uma enquete cuja formulação visava escancaradamente influenciar a resposta dos espectadores: “Você é a favor de protesto com baderna?”.

Ora, se o qualificativo “com baderna” faz parte da pergunta, a tendência de qualquer cidadão é responder “não”. Observem que mesmo quem normalmente se mostraria favorável a manifestações teria a tendência de, levado pela estrutura maniqueísta da pergunta, a se mostrar contra a ideia.

E ainda assim, isto aconteceu:

A revolta dos espectadores diante das ações criminosas da PM foi tamanha que, “baderna” ou não, a maioria decidiu apoiar os manifestantes – e Datena, pensando na audiência, imediatamente mudou de opinião e passou a chamar a “baderna” de “show de democracia”.

E até mesmo a Veja, inundada no Twitter por protestos de internautas revoltados com a manchete citada no início deste post, alterou a chamada de “PM impede depredação da Paulista” para “PM impede tomada da Paulista”.

Pena que se esqueceram de mudar a URL da notícia.

Assim, este 13 de junho foi um dia vergonhoso para a imprensa brasileira (mais um), mas admirável pela ação dos manifestantes. Mais cedo, escrevi que as grandes mudanças na história da humanidade foram movidas pela Ciência, pela Arte e pela inquietude da juventude – e lamentei que as duas primeiras estivessem sendo cada vez mais podadas pela religião, ao passo que a terceira encontrava-se morta. Fico feliz por perceber que há exceções, mas triste ao vê-las apanhando nas ruas de São Paulo. E ainda mais arrasado ao ler tantas manifestações de apoio às ações da PM feitas por jovens – e creio nunca ter bloqueado tantas pessoas no Twitter e no Facebook como fui obrigado a fazer hoje em função das mensagens repletas de veneno reacionário e fascista que recebi. Temo por esta geração: se a juventude é a fase da rebelião e há tantos proto-fascistas em seu meio, imagino, assombrado, a quantidade de Bolsonaros que surgirão em 30 anos.

Além disso, as ações escancaradas da PM me fizeram sentir uma dor profunda ao constatar que, se estes policiais agem assim sob o escrutínio de centenas de câmeras, mal podemos conceber o que fazem rotineiramente quando se encontram anônimos e diante dos miseráveis de nosso país. Penso na humilhação, nas surras, nas feridas e nos mortos jamais registrados por câmeras de iPhone e flashes de jornalistas e percebo como nos encontramos cegos. Com nossa ignorância, somos cúmplices das mortes de um sem-número de índios, de sem-teto, sem-terra e sem-direitos ao redor do Brasil.

O que houve hoje em São Paulo é apenas uma espiadela apavorante por trás da cortina. E vai muito além de um protesto em função de 20 centavos. Acreditar nisso é mais do que alienação; é cegueira absoluta.

Bolsonaro no Cinema

postado em by Pablo Villaça em Brincadeiras, Política, Twitter | 27 comentários

Jair Bolsonaro entrou com um mandado de segurança para, acreditem ou não, ter o direito de pescar em uma estação ecológica. Se este sujeito fosse um vilão do Cinema, eu provavelmente o consideraria caricatural, undimensional demais para funcionar. Bom, ao menos ele é consistente: não tem respeito por nada nem ninguém, homem ou animal.

Sua visão de mundo é tão deturpada que acabei brincando no Twitter de imaginar sua percepção acerca de certos filmes e mesmo sua participação em alguns deles – e se quiserem deixar suas contribuições nos comentários abaixo, fiquem à vontade.

  • Bolsonaro, Malafaia e Feliciano teriam sido expulsos da Sonserina. “Há limite para tudo!”, protestariam os demais alunos.
  • Dizem que Sauron, ao receber a ficha de alistamento de Bolsonaro, a recusou por temer que ele trouxesse má fama ao seu exército de orcs.
  • Há alguns anos, Bolsonaro foi infectado pelo embrião do Alien. O bichinho morreu envenenado lá dentro.
  • Certa vez, Bolsonaro pediu uma audiência com o Imperador Palpatine. Após o encontro, este comentou com Vader: “Aquele cara é louco!”.
  • Bolsonaro ficou chateadíssimo quando os brinquedos foram resgatados da fornalha em Toy Story 3.
  • Até hoje Bolsonaro acha que A Lista de Schindler é uma comédia.
  • Bolsonaro desistiu de jogar Mario Bros quando descobriu que não havia a opção de selecionar o vilão Bowser como seu personagem.
  • Bolsonaro até hoje não entende por que Star Trek é narrado a partir do ponto de vista da Federação e não dos Borgs.
  • Bolsonaro acredita que Seven é um drama sobre um herói justiceiro perseguido por dois detetives psicopatas.
  • Bolsonaro acha que A Família Addams é um documentário sobre seus parentes.
  • Toda vez que Jason é morto ao final dos filmes Sexta-feira 13, Bolsonaro começa a chorar.
  • Uma vez, Freddy Krueger sonhou com Bolsonaro e molhou a cama.

 

Ashley Judd, uma ameaça para os Republicanos

postado em by Pablo Villaça em Política, Vídeos | 26 comentários

Entre 1997 e 2004, a atriz Ashley Judd viveu um breve período de estrelato absoluto: qualquer produtor que precisasse de uma protagonista para um suspense/policial colocava o nome da moça no topo da lista. No entanto, como ela insistia em apostar em obras formulaicas, seus resultados de bilheteria foram diminuindo e, consequentemente, seu nome foi descendo na lista – o que, associado ao fato de que Diane Lane competia basicamente pelos mesmos papéis e encarava cenas de sexo mais fortes, acabou transformando Judd em uma vaga memória na mente dos cinéfilos. Isto prova não só que o público tem, sim, paciência limitada no que diz respeito a atores que insistem em fazer o mesmo tipo de filme repetidamente como ainda deixa claro o sexismo de Hollywood – e Ashley Judd, que sempre se proclamou feminista, tem um histórico de se recusar a ficar nua em certas produções que ela sentia estarem apenas interessadas em explorá-la (e é sintomático que ela tenha recusado o papel de Mulher-Gato para se dedicar ao papel da forte Maggie numa montagem de “Gata em Teto de Zinco Quente” para a Broadway). Seja como for, sua carreira em Hollywood está em franca decadência há alguns anos.

E é aí que a história fica mais interessante: em 2009, a atriz retornou à faculdade – Harvard! – e fez um mestrado em Administração Pública. A partir daí, começou a se envolver com ativismo político e, mesmo não abandonando Hollywood completamente, tornou-se uma defensora ardente de políticas públicas mais progressivas no que diz respeito ao meio ambiente, anunciando apoio entusiasmado à reeleição de Barack Obama.

Ah, mas a coisa fica melhor: como cresceu no estado de Kentucky, a atriz começou a considerar um ingresso formal na política da região – o que nos traz à corrida para o Senado em 2014. Desde 1984, o representante de Kentucky é o conservador Mitch McConnell, que durante a última eleição presidencial fez uma pesada campanha contra Obama através de mensagens que alegavam que este queria “tomar as armas da população”. Favorável à guerra do Iraque e defensor da manutenção de Guantanamo Bay, aquele pesadelo humanitário, McConnell atacou também o “Obamacare”. É, em suma, o representante perfeito de um estado conhecido por seu conservadorismo.

Assim, quem poderia derrotá-lo em 2014, considerando que ele permanece imbatível desde 1984?

Sim, os democratas parecem acreditar que Ashley Judd poderia realizar esta proeza – e nos últimos meses o nome da atriz passou a ser abertamente discutido pelo comitê eleitoral do partido. E querem saber a melhor parte? Os republicanos parecem realmente temê-la.

Como podemos ter certeza disso? Simples: a organização American Crossroads (um super PAC coordenado pelo perigoso e nojento Karl Rove, o cérebro por trás de Bush Jr.) acaba de lançar um vídeo de mais de um minuto que tem o único propósito de atacar Judd – antes mesmo que ela se torne um projeto de candidata. Trata-se de um comercial agressivo, baixo e que, honestamente, beira a paródia em seu maniqueísmo.

E que comprova que, caso realmente aceite a indicação, Ashley Judd pode se preparar para uma campanha muito, muito suja.

Triste mundo…

postado em by Pablo Villaça em Cotidiano, Política | 9 comentários

… no qual o presidente de um país importante como os Estados Unidos precisa divulgar uma foto sua disparando uma espingarda para provar para os eleitores que gosta de armas, como se isto fosse uma virtude.

(Às vezes, o twitter faz falta. Só às vezes.)