Política

Serra e sua realidade paralela

postado em by Pablo Villaça em Política | 82 comentários

A história é simples, mas reveladora: temendo o palanque que Osmar Dias poderia oferecer ao PT no Paraná, caso decidisse sair candidato a governador, José Serra e o PSDB tomaram uma decisão arriscada e anunciaram o irmão do sujeito, Álvaro Dias, como vice de sua chapa. Esqueceram apenas de consultar o aliado PFL-Arena (não basta mudar de nome para DEM para apagar o passado vergonhoso) que, naturalmente, não gostou nada de ficar de fora da composição principal da candidatura.
 
Instalou-se o caos na campanha: Roberto Jefferson, sempre buscando os holofotes, não só anunciou o nome de Álvaro Dias como ainda chamou o PFL-Arena de "merda" no twitter (apagando o comentário posteriormente). Caciques do partido anunciaram a intenção de romper a aliança antiga com o PSDB, tomando de Serra seus preciosos minutos na televisão durante a propaganda eleitoral. FHC, que se encontrava no exterior, voltou correndo ao Brasil para tentar apagar o incêndio. Álvaro Dias anunciou que abandonaria a candidatura caso isso fosse necessário para acalmar o PFL-Arena, mas, no dia seguinte, voltou atrás e disse que o PSDB havia ordenado que se mantivesse filme: "Não sai o DEM e nem saio eu", afirmou então. A declaração piorou tudo, irritando os chefes do PFL-Arena que imediatamente declararam que Dias não podia falar pelo partido.
 
E aparentemente, tampouco podia falar por si mesmo, já que acabou saindo. Cansado de esperar a definição da situação, Osmar Dias anunciou que seria mesmo candidato a governador, que daria palanque a Dilma no Paraná e, com isso, o principal motivo de manter seu irmão como vice-presidente deixou de existir.
 
Hora de arrumar um candidato a vice saído do PFL-Arena e apaziguar a situação. Entra o deputado federal Índio da Costa, anunciado subitamente como novo vice de Serra. Sujeito desconhecido no cenário nacional, é apresentado pelo PSDB-PFL/Arena como relator do projeto Ficha Limpa, o que poderia trazer-lhe a visibilidade necessária.
 
Desta vez, a surpresa veio do próprio PSDB: uma vereadora do próprio partido rechaçou a escolha de Índio e lembrou que ele próprio havia se envolvido num escândalo grave envolvendo  a licitação de merendas escolares no Rio, o que resultou numa CPI cujo relatório era pouquíssimo favorável ao político do PFL/Arena (o site da vereadora traz, ainda,  um post de 2007 no qual ela expõe outros problemas do sujeito, incluindo o fato de ele ser um dos deputados mais faltosos do país (o quarto), tendo faltado a quase 30% das sessões). Como se não bastasse, um dos projetos mais "importantes" apresentados por da Costa ao longo de sua carreira foi uma lei que tornaria a esmola ilegal – sim, você leu certo: ele tentou criar uma lei que puniria qualquer um que desse esmola.
 
No entanto, o mais grave de toda esta história reside num detalhe curioso: Serra escolheu, para vice, um sujeito que mal conhecia, tendo se encontrado com Índio em apenas uma ocasião, durante 15 minutos, durante o jogo Brasil x Coréia do Norte. Com isso, Índio se tornou a Sarah Palin brasileira: um político desconhecido, inexpressivo e com currículo inexistente que, da noite para o dia, conquistou a possibilidade de ocupar um cargo que o deixa a um ataque cardíaco de se tornar presidente da nação.
 
Mas onde está a "realidade paralela" que citei no título deste post? Simples: depois de toda essa confusão que descrevi acima, José Serra teve a coragem de declarar ontem que a decisão de escolher Índio da Costa como vice foi inteiramente sua e que "não houve pressão" por parte do PFL/Arena. "Eu poderia ter escolhido [um candidato] do PSDB ou do DEM", afirmou.
 
Inacreditável. (Mesmo.)
 
Não satisfeito, Serra ainda resolveu justificar por que escolheu Índio da Costa para se tornar o novo presidente do Brasil caso qualquer problema de saúde o acometa: "(…) tinha um rapaz do qual eu particularmente gostava".
 
Grande argumento. Em primeiro lugar, porque o tal rapaz do qual ele "particularmente gostava" era um sujeito que ele mal conhecia. E em segundo, porque este "argumento" não seria aceito nem para justificar a contratação de um executivo de empresa; muito menos, então, para selecionar alguém para potencialmente se tornar o novo ocupante do cargo máximo do poder executivo do país.
 
Estamos mesmo cada vez mais próximos da forma norte-americana de se fazer política: já temos nossa Fox(lha) e agora ganhamos nosso McCain (Serra) e, claro, nossa própria Sarah Palin.
 
Quero até ver como os defensores de Serra justificarão os fatos narrados neste post. Será divertido.

Como atraio esse tipo de gente?

postado em by Pablo Villaça em Política | 54 comentários

Deixemos claro: sou de esquerda. Quando o assunto é política, este é um blog com linha editorial esquerdista. Sou filho de uma mulher que lutou contra a ditadura. Sou sobrinho de duas mulheres torturadas física e psicologicamente pelos militares. Sou sobrinho de um sujeito que aos 14 anos já atuava em células de combate à Ditadura.
 
Então é um mistério como este blog pode atrair tantos reacionários como o que acabou de deixar este comentário no post "VEJA: Filhote ideológico do DOI-CODI":
 
"Ditadura o caralho, aquilo foi ditabranda, e esta terrorista deveria ter sido
morta, apanhou muito pouco na cadeia. Vagabunda, ajudou matar o coitado do
milityar americano Charles Chambler, eu ainda era moleque e me lembro muito bem
disso, desta Egua véia safada, cade o curriculum dela? me mostrem se tem coisa
boa na vida dela??? Não falem merda seus imbecis, tenho 60 anos e vivi muito bem
naquela epoca. Nos eramos felizes e não sabiamos, ditadura vivemos hoje, com os
PeTralhas no poder e com esta esquerda atrazada, anacrônica,corrupta, burra e
revanchista, com o pais em frangalhos, bandidos pra tudo quanto é lado, naquela
epoca nem muros haviam nas casas, esta maldita esquerda que ao inves de pensar
pra frente fica por ai, pelos cantos, como baratas de esgoto, remoendo as cinzas
do passado e querendo botar um maldito regime no pais que morreu com a queda do
muro de Berlin. Quero ver se algum FDP que vomita merda consegue apontar sequer
um militar da epoca envolvido em falcatruas, vamos seus jumentos esquerdopatas,
me mostrem, unzinho só…Digam, quais militares eram corruptos, me apontem um ou
a familia dele, vamos seus jumentos, digam logo…..SALVE AS GLORIOSAS FORÇAS
ARMADAS DO BRASIL QUE NOS LIVRARAM DA PESTE COMUNISTA EM 64…SALVE…" (tiggersp@starmedia.com)
 
Normalmente, eu apagaria esse comentário e pronto, iria dormir feliz. (Ele deixou continuações ainda mais insanas, mas apaguei-as.) Mas… não sei… há algo na virulência desse imbecil que me compeliu a expô-lo como vitrine da direita brasileira.
 
Update: Babaquice minha, defini-lo como "vitrine da direita brasileira". Ignorem esse último comentário.

Crônica de um Golpe Anunciado

postado em by Pablo Villaça em Política | 78 comentários

Com a queda brutal de José "Zelig" Serra nas pesquisas (até o Datafoxlha foi obrigado a conceder um "empate"), a oposição entrou em desespero – especialmente ao descobrir que nada menos do que 25% dos que declaram intenção de voto no candidato dizem que votarão em quem Lula apoiar como sucessor (e inacreditáveis 10% dos "eleitores" de Serra acreditam ser ele o candidato de Lula). Em outras palavras: as chances de Dilma vencer no primeiro turno se tornam cada vez maiores.
 
Com isso, a primeira decisão dos demo-tucanos ("demo" é redutivo de "democratas", o nome que o PFL resolveu adotar depois de perceber que a denominação anterior já era sinônimo de corrupção moral) foi a de tentar impedir, de todas as formas,  que Lula participe mais ativamente da campanha, já que, assim, não poderia declarar seu apoio oficial a Dilma. Para isso, basta o Presidente espirrar que a oposição entra com recurso no TSE, que, seguindo a cartilha neoliberal, já aplicou quatro multas a Lula.
 
Enquanto isso, Serra aparece em programas eleitorais do DEM em vários estados – algo expressamente proibido pela Lei Eleitoral, que impede que um candidato use espaço de outro Partido na televisão – e nada é feito. Ao contrário: já está anunciado que ele aparecerá em programas futuros do DEM e do PTB e absolutamente nada é feito, mesmo com o PT entrando com queixas oficiais no TSE. E o incrível é que Roberto Jefferson, presidente do PTB, chegou a dizer com todas as letras que "a produção é do Serra. O programa é para o Serra, quem produz é ele". Inacreditável.
 
(E antes que eu alguém use a justificativa de Jefferson na entrevista para a "legalidade" da propaganda, copio o Tijolaço: "Não (é legal), não. O programa do dia 24 de junho é de propaganda partidária, não de
propaganda eleitoral,
como está claramente expresso na Instrição n° 131 do TSE, relatada
pelo Ministro Arnaldo Versiani. A convenção para a escolha de
candidatura é um ato eleitoral e é evidente que sobre sua divulgação
extra-partidária, de massa, aplicam-se as limitações da lei eleitoral,
por óbvio, mas também as da propaganda partidária comum.")
 
Porém, já temendo que nada disso bastará, a oposição, apoiada pela Velha Mídia reacionária, já começa a plantar as primeiras sementes de um golpe: em entrevista à Foxlha, a vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau, disse que a "quantidade imensa de coisas" que observou na campanha de Dilma a levam a apontar a possibilidade de indeferir o pedido de registro de sua candidatura ou mesmo de não diplomá-la caso eleita.
 
E o Noblat, primo pobre de Reinaldo Azevedo, imediatamente soltou em seu blog uma provocação, sugerindo que impugnar Dilma seria "um ato de coragem".
 
Desenha-se, assim, a primeira sugestão de um golpe no tapetão. Que, se confirmado, ao menos servirá para uma coisa: mais um "terrorista" nascerá em minha família.
 
Update: Para quem ficou com preguiça de clicar no último link e preferiu enviar email me condenando por declarar minhas "intenções criminosas": se a eleição for definida no tapetão, ignorando a vontade popular, é obrigação daqueles que defendem a democracia ir para as ruas e protestar. Fato.

Por que votarei em Dilma e por que não votaria em Serra JAMAIS

postado em by Pablo Villaça em Política | 169 comentários

Já escrevi vários posts sobre o papel vergonhoso da grande mídia nestas eleições: a manipulação descarada (a última gota foi a Foxlha decidir intitular todas as matérias da eleição com “Presidente 40”), a falta de ética e o jogo sujo que viabiliza ao não condenar as ações desprezíveis de tucanos que insistem em pintar Dilma como “terrorista” e que até mesmo usam o câncer (derrotado) da candidata para desmerecê-la.
 
No entanto, percebi que nunca enumerei os motivos que me levam a votar em Dilma e a rejeitar com todas as forças a candidatura Serra – e que vão muito além da notória arrogância e antipatia do sujeito.
 
Comecemos com os motivos pró-Dilma:
 
1) O governo Lula, do qual Dilma representa a continuidade, foi um dos mais eficientes exemplos de gestão pública já documentados neste país. Aliás, o sucesso de Lula como presidente é tamanho que nem mesmo Serra, que se apresentou como seu completo oposto em 2002, agora exibe a coragem de desafiá-lo, fazendo questão de dizer que o governo de Lula “termina bem“, que o presidente está “acima do bem e do mal” e por aí afora. Serra, que representa a oposição, não tem nem mesmo a honradez de admitir esta condição, preferindo dizer que não é “oposição nem situação“. O que ele é, então?
 
2) Ao se candidatar em 2002, Lula prometeu criar 10 milhões de empregos. Foi atacado por Serra, que disse com todas as letras que aquilo era uma mentira óbvia, uma promessa de campanha absurda e inalcançável. Pois bem, ele realmente não criou os 10 milhões prometidos, mas por uma ótima razão: criou mais de 14 milhões.
 
3) O governo Lula trouxe para o Brasil um status internacional que jamais havíamos experimentado. Somos considerados como referência de democracia e de crescimento social lá fora, o que resultou em grandes honrarias ao Presidente, como o prêmio da ONU pelo combate à fome e, claro, a inclusão de Lula na lista dos 25 políticos mais influentes do mundo.
 
4) Com uma economia fortalecida ao longo de 8 anos de gestão, o Brasil foi um dos países que menos sofreu com a crise internacional disparada em 2009 e que chegou a 2010 fazendo vítimas nos EUA, na Europa e na América Latina.
 
5) Graças ao seu espírito excessivamente democrático, Lula – além de jamais tentar mudar a Constituição para permitir sua permanência no poder (como fizeram Chavéz e Fernando Henrique Cardoso) – não se deixou abalar pela pressão internacional ao tentar fechar um acordo nuclear com o Irã. Como resultado, o acordo, fechado hoje, alcança uma vitória que nem mesmo a ONU conseguiu e abre as portas para que o Estado iraniano possa estabelecer relações comerciais com o Ocidente. O que, conseqüentemente, diminui os riscos de um confronto internacional com graves repercussões. (Update: o fato do governo dos EUA ter barrado o acordo não diminui a proeza de Lula; apenas ressalta a estupidez norte-americana.)
 
6) O bolsa-família, embora ainda imperfeito por não conseguir filtrar exploração do benefício por adultos mal intencionados, vem alcançando resultados expressivos não só nos índices de educação das crianças, mas também ao diminuir consideravelmente o número de crianças exploradas pelo trabalho infantil. E particularmente considero que 100 maçãs podres explorando o sistema não são o suficiente para desmerecer a realidade de milhares de crianças que vão à escola em vez de à lavoura. Como se não bastasse, a desnutrição infantil caiu em 52% na população atendida pelo bolsa-família.
 
7) No governo Lula, os 10% mais ricos da população ficaram 11% ainda mais ricos. Já os 10% mais pobres tiveram um aumento de renda de 72%. Em outras palavras, sem desprezar a população classe AAA, o governo conseguiu beneficiar economicamente todas as camadas da população.
 
8) Dilma foi parte fundamental do governo Lula desde o primeiro ano, atuando como Ministra e como chefe da Casa Civil. Nestas posições, manteve-se ao lado do presidente durante suas duas gestões, compartilhando de sua visão sobre a forma de conduzir o país e mantendo-se no meio de todo o processo, passando a dominá-lo de maneira inquestionável. Como tal, é a candidata perfeita para dar continuidade ao projeto que guiou o país nos últimos 8 anos.
 
Analisemos agora Serra e seu modelo neo-liberal:
 
1) Os países que seguiram à risca o neo-liberalismo, advogando a interferência mínima do Estado sobre a economia, foram os que mais sofreram com a crise mundial. Aliás, é possível até mesmo dizer que a crise foi provocada por esta política, já que aberrações como Goldman Sachs e Lehman Brothers se tornaram possíveis justamente graças à total falta de fiscalização e regulação por parte do governo. No entanto, quando a coisa estourou, aí, sim, os governos mundiais foram chamados para apagar o incêndio, sendo obrigados a investir mais de um trilhão de dólares na economia para tentar salvá-la.
 
2) Se dependesse de Serra e FHC, tudo o que tínhamos de mais valioso já teria sido privatizado – como, de fato, muitas empresas estatais o foram. Parte fundamental do neo-liberalismo, estas privatizações teriam provocado um desastre em nossa economia. Basta lembrarmos que a Petrobrás só não foi privatizada graças à pressão da oposição da época e da população. Resultado: hoje a Petrobrás é uma das empresas mais lucrativas e respeitadas do mundo – e com o pré-sal, isto só tende a aumentar exponencialmente. Em outras palavras: as riquezas que iriam para os bolsos já recheados da iniciativa privada agora voltarão em forma de divisas para o país.
 
3) Serra, ainda candidato, tem feito uma série de declarações desastrosas que indicam seu despreparo absoluto para a Presidência. Primeiro, disse que o Mercosul era uma farsa – e, ao ser pressionado e condenado por praticamente meio mundo, voltou atrás afirmando que queria dizer que é preciso “flexibilizar o Mercosul“. A pergunta: como alguém pode querer “flexibilizar” algo que considera uma “farsa”?
 
4) Em entrevista à CBN, Serra afirmou que iria intervir no Banco Central. Com isso, provocou um alvoroço no mercado financeiro, que recebeu muito mal a idéia. Por sorte, ninguém acredita, a esta altura, que Serra será eleito e, assim, os índices do dia não foram afetados. Agora reparem que ele ainda é candidato e afirma ter se preparado “a vida inteira” para ser presidente. Imagine se já estivesse no cargo, o estrago.
 
5) Notoriamente autoritário, Serra reprimiu manifestações de todos os tipos empregando pesada e covardemente a força policial, usando uma força desnecessária. Num dos momentos mais graves, cometeu a impensável asneira de colocar a Polícia Militar para reprimir os policiais civis em greve – e qualquer um que conheça a rivalidade entre as duas corporações sabe que isto poderia facilmente ter virado uma tragédia absoluta. Algo que não ocorreu quase que por milagre. E por que Serra ordenou a ação dos PMs? Apenas para evitar que os grevistas se aproximassem de seu palácio.
 
6) Ao assumir a prefeitura de São Paulo, Serra fez um compromisso em cartório que não abandonaria o cargo para concorrer ao governo do estado. Garantiu que iria até o fim do mandato. Não foi; abandonou o cargo, entregando-o a Kassab. E repetiu o gesto ao renunciar ao governo de São Paulo para concorrer à presidência.
 
7) O autoritarismo de Serra não se manifesta apenas através de sua utilização da polícia para reprimir grevistas. Como é possível ver neste link, ele destrata sem hesitação qualquer um que ousa questionar suas ações como gestor, desferindo patadas e deixando entrevistas no meio.
 
8) José Serra não hesita em assumir, sempre que pode, a autoria de obras alheias: diz-se, por exemplo, criador do programa contra a AIDS elogiado em todo o mundo – algo que vocês poderão constatar fartamente durante sua campanha. Mas o programa foi criado por Lair Guerra e Adib Jatene, não tendo absolutamente nada a ver com Serra. Da mesma forma, como governador, fez várias aparições públicas para vender a idéia de que o Estado de São Paulo havia comprado e iria distribuir gratuitamente as vacinas contra o H1N1 – ressaltando que São Paulo foi o primeiro Estado a fazê-lo, batendo até mesmo o Ministério da Saúde. Outra mentira: foi o governo Federal que comprou e pagou pelas vacinas (incluindo agulhas e seringas), enviando-as para os Estados. Ou seja: Serra se vangloriou por ter feito algo que o governo Lula fez. E a mídia vendeu a mentira. Finalmente, Serra não se cansa de se apresentar como o “pai dos medicamentos genéricos”. Adivinhem só? Exato, outra farsa: o responsável pela chegada dos genéricos no Brasil foi Jamil Haddad, ministro da Saúde de Itamar Franco.
 
Recomendo que cliquem nos links que usei para embasar todas as argumentações e espero que tenha me expressado sem a agressividade ou mesmo a paixão da qual muitos me acusam neste espaço.

Semana de Homofobia

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Política | 88 comentários

Começou no dia 4 de Maio, com um artigo intitulado "Escândalo e Decadência" assinado por Valério Mesquita na Tribuna do Norte:

"Captei
na internet que o Senado iniciou a discussão da proposta de
discriminação da homofobia em colisão com as convicções cristãs. Começou
a tramitar sub-repticiamente na Câmara Federal e, em 23 de novembro de
2006, foi aprovada sorrateiramente em plenário. Como pano de fundo a
proposta pretende punir quem reprova o homossexualismo. A relatora,
senadora Fátima Clede do PT de Roraima (quem diabo é Fátima Cleide?), já
emitiu(…)"

O texto de Mesquita (quem diabo é Valério Mesquita? Ou, para falar a língua do sujeito, eu deveria perguntar: "QUE diabo é Valério Mesquita?"?) já começa com uma confusão clara de alguém que acredita que sua "fé" é tão inquestionável que deve determinar as relações sociais e legais de seus concidadãos. Num Estado Laico como o Brasil, as leis da Igreja não se confundem com as do país – e presumir que as "convicções cristãs" devem ser defendidas mesmo que firam direitos legais (como o de não ser discriminado por orientação sexual) é não só uma imensa estupidez, mas uma arrogância sintomática de quem segue um Deus de intolerância. Além disso, as sugestões do autor de que a lei foi apresentada "sorrateiramente" e que ele a "captou" por acaso denuncia apenas sua própria ignorância, já que tudo foi fartamente debatido por meses. Mas continuemos:

"Num país onde o presidente da República fala abertamente em preservativo
e ponto G não há como não concluir que o governo perdeu o respeito
pelos valores éticos e cristãos. Isto porque o projeto insensato se
propõe incriminar qualquer pessoa física ou jurídica (igrejas) que de
alguma forma não aceitam o comportamento homossexual ou a “orientação
sexual” como uma prática ou “padrão social aceitável” em qualquer lugar
público ou privado.
"

Oh, não! O Presidente fala sobre planejamento familiar e proteção contra doenças sexualmente transmissíveis! Que pecado imperdoável! Sim, o Vaticano foi, por anos (acho que ainda é), um dos maiores acionistas da Bayer, que fabrica camisinhas, mas esse tipo de hipocrisia movida à ganância é algo que empalidece diante do dever de um gestor público de divulgar medidas de proteção aos seus cidadãos. E falar de "ponto G" só pode ser considerado algo "anti-ético" por alguém que encara o sexo como tabu, como pecado, como algo a ser discutido através de sussurros carregados de culpa. Como se não bastasse, Mesquita não vê problema algum em colocar seu direito à liberdade religiosa (uma escolha) acima dos direitos daqueles que nasceram com determinadas orientações sexuais, o que, claro, não é de se espantar vindo de alguém que empalidece diante do conceito de que a mulher deve sentir prazer no sexo.

"(…) aprovada a lei, as aberrações sexuais (transtornos de conduta moral)
deixarão de ser um vício, um problema médico e ou social para ser um
mérito, e quem o criticar será tratado como criminoso."

Um criminoso como o senhor Valério Mesquita (quem diabo é Valério Mesquita?) demonstra ser ao tratar os homossexuais publicamente como "aberrações".

"E como ficam os postulados bíblicos e as igrejas que já sofrem e
combatem, não só publicamente, mas internamente, tais procedimentos à
luz das Sagradas Escrituras e dos bens costumes?"

Duas opções: caso queiram manifestar o conceito de "Deus", "Jesus", oração, Fé e por aí afora, podem ficar onde bem entenderem, já que a liberdade religiosa é algo defendido na Constituição. Por outro lado, caso queiram utilizar a desculpa da liberdade religiosa com o objetivo de pregarem a intolerância, devem ficar na cadeia e nos tribunais. Simples assim.

"Até a dona de casa que descobrir e exonerar a babá lésbica que cuida das
crianças será punida."

Aqui não vejo nem como contra-argumentar. O raciocínio de Mesquita é tão distante de qualquer resquício de bom senso que sinto estar diante de um marciano. Um marciano homófobo, claro.

"A postura pró-safadeza do governo brasileiro não é novidade. (…) Perseguir os católicos e evangélicos que jamais deixarão de seguir a
infabilidade da palavra de Jesus Cristo (“o que desligares na terra será
desligado no céu”) pelas diabruras de almas mortas dentro de corpos
inutilmente vivos é retroagir ao tempo das catacumbas."

É aqui que preciso parar e contar até mil para controlar o velho temperamento e não dizer alguns palavrões. A estupidez de Mesquita é rivalizada apenas por sua arrogância ao usar a "infabilidade da palavra de Jesus Cristo", um personagem que, de tão deturpado, já virou figura ficcional, para estabelecer sua superioridade moral. Além disso, ao classificar homossexuais como "almas mortas dentro de corpos inutilmente vivos", é o próprio Mesquita quem retorna ao "tempo das catacumbas" (WTF?), praticamente fazendo a defesa da execução de gays e lésbicas em função de sua "deturpação moral". Se isto não é o suficiente para processá-lo, então nossas leis precisam mesmo de uma revisão urgente.

Não conheço o Tribuna do Norte, mas ceder espaço a um ser abjeto como Valério Mesquita não é indício de que seja uma publicação que deva ser levada a sério.

Infelizmente, porém, o discurso enlouquecido do homófobo Mesquita não foi o pior momento da semana, já que, no Globo, um artigo traz a afirmação do arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, de que "a sociedade atual é pedófila". E o que o valoroso Dadeus (hihihi) usa para defender tal afirmação? Talvez o excesso de exposição de crianças em programas de televisão nos quais são levadas a dançar usando roupas mínimas enquanto imitam danças erotizadas de funkeiras que cantam atrocidades como "Fama de putona só porque como seu macho"?

Não.

Ele queria apenas defender os inúmeros casos de abuso sexual envolvendo padres ao afirmar que a pedofilia se generalizou e que é mais comum entre "médicos, professores e empresários". De onde ele tirou essa informação? Do mesmo lugar do qual tirou a frase seguinte: "Antigamente não se falava em homossexual. E era discriminado. Quando começa a (dizer) que eles têm direitos, direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos".

Em outras palavras: escalado pela CNBB para falar publicamente pela organização, Dadeus usou, como defesa das canalhices feitas por sua quadrilha de hábito, o conceito absurdo, preconceituoso e repulsivo de que a homossexualidade estaria associada à pedofilia de alguma maneira abstrata – e que defender um seria defender o outro. Percebam que, com isso, ele não condenou seus colegas criminosos, limitando-se apenas a desviar a atenção do assunto ao atacar um grupo que, ao contrário dos padres pedófilos, não fazem mal a absolutamente ninguém, desejando apenas que a sociedade respeite a orientação sexual com a qual nasceram e que envolve sexo consensual por parte de dois adultos.

Mas a insanidade do arcebispo continua. Aparentemente julgando que suas idéias preconcebidas servem como substitutas de pesquisa psicológica e comportamental, ele prossegue:

"Nós sabemos que o adolescente é espontaneamente homossexual. Menino brinca com menino, menina brinca com menina. Só depois, se não houve uma boa orientação, isso se fixa."

Aqui sou levado a questionar o significado do verbo "brincar". Quanto à afirmação de que é a "boa orientação" que finalmente "conserta" a natureza homossexual do ser humano (sim, por que é isso que ele argumentou, no fim das contas), bom… só posso dizer que se é esse tipo de pessoa que a CNBB apresenta como representante, então a Igreja está perdida.

O que nos traz, claro, à terceira e derradeira notícia que encerra a semana da homofobia no Brasil: os discursos homofóbicos feitos por Anthony Garotinho em eventos promovidos para alavancar sua candidatura ao governo do Rio:

"Anthony Garotinho, que deve concorrer ao governo do Rio de Janeiro este
ano, vem sendo acusado de incentivar a homofobia em eventos realizados
por todo o estado. Os atos promovidos pelo político oficialmente tem
caráter religioso, mas na prática servem como palanque para que
Garotinho, que é envagélico, fale contra a união homoafetiva e ataque
adversários que apoiam a realização de Paradas Gay.

Em evento realizado na última semana na Baixada Fluminense,
Garotinho esteve acompanhado por Emanuel de Albertin, cantor gospel que
soltou a pérola: "Se Deus fizesse o homem para casar com homem, não
seria Adão e Eva, teria feito Adão e Ivo". O mesmo cantor perguntou aos
presentes no palco e à plateia se eram favoráveis à união civil gay.
Todos disseram ser contra e Garotinho aproveitou para alfinetar Fernando
Gabeira e Sérgio Cabral. "O Gabeira e o Sérgio Cabral são a favor. O
governador patrocina Parada Gay em Copacabana", disse."

O que nos traz ao tipo de combinação que vem se tornando cada vez mais comum na política brasileira e que encaro como  um dos maiores perigos que a sociedade enfrentará nos próximos anos: a combinação de política e religião feita por candidatos que, pregando para a base evangélica, vêm buscando alcançar cargos através da propagação do ódio e do preconceito. Políticos que, eleitos, terão poder e influência para emplacar leis que beneficiem não o país de modo geral, mas apenas aos conservadores preconceituosos que, acreditando falar em nome de Deus, agem como verdadeiros demônios, esforçando-se para diminuir, discriminar e eliminar aqueles que, ao seu ver, não são dignos de "Jesus".

Uma Cruzada feita nas urnas e que, portanto, soa legítima embora, em sua essência, seja um pequeno câncer espalhando-se pela República.

Sim, eu comparei religião a um câncer. Mas o mais curioso é que, neste caso, a quimioterapia recomendada é simples e sem efeitos adversos: o amor ao próximo. Algo que, paradoxalmente, os religiosos extremistas parecem ter uma dificuldade imensa em experimentar.

Jorge Furtado

postado em by Pablo Villaça em Links, Política | 23 comentários

Normalmente, eu reservo posts que apenas trazem um link para o Twitter, mas desta vez abrirei uma exceção: o blog do cineasta Jorge Furtado foi uma descoberta recente que fiz e, após ler dois ou três posts, assinei o feed RSS por julgá-lo essencial. Um dos diretores e roteiristas mais talentosos de nosso Cinema (e, infelizmente, um dos mais subestimados), Furtado vem construindo textos incrivelmente bem articulados sobre os mais diversos temas em seu espaço pessoal – e o mais recente, contra a lei da "ficha limpa", é um deles.
 
Recomendadíssimo.

Pastor Serra

postado em by Pablo Villaça em Política | 112 comentários

"A pessoa que fuma sabe que o cigarro vai fazer
mal, mas continua assim mesmo.
Depois, adoece e mesmo assim continua fumando.
Assim, é uma pessoa sem Deus. Sabe que Ele está ali, mas não o procura." – pastor José Serra, em encontro no último fim-de-semana com pastores evangélicos em Camboriú, Santa Catarina, quando foi saudado por estes como "futuro presidente".

Em um evento que contou com 540 mil reais gentilmente fornecidos pelo governo tucano do estado e pela prefeitura tucana da cidade.

A propósito: Serra conseguiu, com esta frase,  aumentar meu repúdio à sua candidatura em 100% – algo que eu julgava ser impossível a esta altura do campeonato. Comparar alguém que "não procura Deus" a um fumante em busca de câncer? Genial.

Update: A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) divulgou uma nota perfeita sobre a declaração de Serra, lembrando, inclusive, que o Brasil que o ex-prefeito e ex-governador (abriu mão de ambas as gestões) pretende governar é um Estado laico. 

"A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) vem a público
protestar contra a declaração do pré-candidato José Serra que compara
ateus a fumantes. Ao participar de evento religioso em Santa Catarina, o
ex-governador afirmou que "a pessoa que fuma sabe que o cigarro vai
fazer mal, mas continua assim mesmo. Depois, adoece e mesmo assim
continua fumando. Assim é uma pessoa sem Deus. Sabe que Ele está ali,
mas não o procura." A manifestação de Serra é infeliz e inapropriada em
diversos níveis. 

Em primeiro lugar, a frase revela desinformação,
pois ao contrário do que Serra imagina, os ateus não "sabem" que o deus
do monoteísmo ocidental "está ali": somos ateus precisamente porque
analisamos as evidências e argumentos em favor de sua existência, e
entendemos que eles não se sustentam. Afirmar que em verdade somos
teístas é zombar de nossas convicções pessoais que resultaram de análise
profunda e cuidadosa. Significa menosprezar quem somos e como nos
definimos, negando a própria existência dos ateus. 

A frase ainda é
insultuosa porque iguala uma convicção filosófica a uma doença. Para
Serra, não apenas somos incompetentes e contraditórios como ateus, mas
somos como doentes: indivíduos que precisam de tratamento e de leis que
protejam os demais contra a influência perniciosa de nossas atividades.

Por
fim, a declaração também é preconceituosa por fazer uma generalização
negativa que atinge rigorosamente a todos os ateus e avilta o caráter
laico da república que ele pretende governar. Se ganhar a eleição, Serra
será presidente tanto de teístas como de ateus e agnósticos, e não
parece haver nele qualquer disposição de reconhecer ateus e agnósticos
em pé de igualdade com seus compatriotas teístas. Aparentemente, seremos
cidadãos de segunda categoria, nada mais do que teístas envergonhados e
birrentos.

A afirmação de Serra não apenas denigre a todos os
ateus. Recebemos a rejeição absoluta que é a negação de nossa própria
existência. Esse tipo de comportamento é inadmissível em qualquer
cidadão civilizado, quanto mais de um pretendente ao cargo mais alto da
nação. O contexto sugere que Serra teria feito esse tipo de declaração
para satisfazer uma plateia que ele aparentemente imaginava ser tão
preconceituosa quanto ele, o que é ainda mais embaraçoso. 

A Atea é
uma associação civil sem fins lucrativos com mais de mil membros que
tem entre seus objetivos a luta contra o
preconceito e a desinformação a respeito do ateísmo e do agnosticismo,
dos ateus e dos agnósticos. O IBGE se recusa a divulgar dados referentes
ao ateísmo no país, mas de acordo com diversas pesquisas particulares,
sabe-se que representamos aproximadamente de 2% da população, ou cerca
de 4 milhões de brasileiros. A declaração de Serra exige reparo amplo e
imediato em respeito a esses milhões de ateus brasileiros e às centenas
de milhões de ateus no mundo."

Update 2: A RBS, que originalmente havia noticiado a fala de Serra, agora corrige a matéria dizendo que ele não fez uma comparação direta entre ateus e fumantes. Ótimo. Isso não muda o fato dele ter aberto mão de participar dos eventos de Primeiro de Maio, apesar de convidado pela Força Sindical, e de ter preferido ir puxar o saco dos pastores evangélicos em um evento patrocinado pelo PSDB.

Aprendam com os mestres

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 88 comentários

Como transformar em algo negativo o fato da TIME, uma das revistas mais importantes do planeta, ter apontado Lula como um dos principais líderes do mundo?

Simples e só leva alguns passos:

1) Diga que, embora esteja em primeiro lugar na lista, esta não foi colocada em ordem de importância. Curioso, já que tampouco está em ordem cronológica ou de idade dos indivíduos listados. Na falta de explicação, diga que é porque o texto que o homenageia foi escrito por um cineasta importante norte-americano, Michael Moore, mas esqueça de perguntar por que justamente Lula foi escolhido para ter um texto escrito por alguém famoso.

2) Concentre-se no fato de que Lula, embora seja listado entre os 25 mais importantes do mundo, não é o mais importante.

3) Bata nesta tecla.

E pronto.

Caso FHC ou Serra tivessem sido citados numa lista que trouxesse, digamos, os cem homens mais importantes do mundo, o UOL manteria uma chamada imensa em destaque por três dias. Como foi Lula, deixou por algumas poucas horas e enterrou a manchete. Não satisfeito, resolveu voltar com a seguinte chamada: 

Em outras palavras: a notícia positiva se transformou em uma manchete negativa. Em vez de "Em destaque na revista TIME, Lula é eleito um dos homens mais influentes do mundo" (uma manchete que, aposto meus dois rins, seria a escolhida caso o homenageado fosse tucano), o UOL aposta em "Time nega ter escolhido Lula o líder mais influente do mundo". Com essa manchete na capa, o portal mais acessado pelos internautas brasileiros cria uma impressão negativa no leitor casual, que não procura se informar mais, e ainda faz uma sutil sugestão de que alguém – possivelmente o PT ou o próprio Lula – mentiu dizendo que o Presidente foi honrado pela revista com o tal título.

Detalhe: o UOL pertence ao mesmo grupo da Foxlha.

Agora digam se estou louco ou se não se trata mesmo de uma imensa desonestidade por parte do portal?

VEJA: Filhote Ideológico do DOI-CODI

postado em by Pablo Villaça em Política | 50 comentários

Nojo.

Raiva profunda.

Vontade de socar.

Reações viscerais que eu gostaria de conseguir eliminar do meu temperamento, mas que simplesmente me dominam quando vejo canalhas como Reinaldo Azevedo, uma desgraça com genoma humano, tentando criar uma imensa controvérsia em cima de uma foto trocada.

Para quem não sabe, o site oficial de Dilma Rousseff exibia, em certo ponto da página, uma montagem que trazia três fotos: Dilma criança e na atualidade e, no meio destas, uma mulher em passeata contra a Ditadura. Pois bem: a mulher era Norma Bengell, não a candidata à sucessão de Lula.

Um erro? Sem dúvida alguma. Mas seria isto algo grave? Sim, seria – caso o site tivesse usado a imagem para passar a impressão de que Dilma Rousseff participou de protestos do tipo sem que isto fosse verdade, numa lógica do tipo "Hum… Dilma era revolucionária de mesa de bar. Nunca fez nada de fato. Falou muito, mas não fez nada. Não seguia o que pregava. Então vamos tentar enganar a população e usar uma dublê! Yes!".

No entanto, para uma direita desesperada em vender seu candidato (José Serra), qualquer factóide é útil para criar uma tempestade onde só existe orvalho. E assim, vira-latas raivosos como o colunista/blogueiro de VEJA foi acionado para criar posts nos quais usa a foto errada como desculpa para acusar Dilma de ser… stalinista!

Sim: aparentemente, usar a foto de Bengell no site é o equivalente ao costume de Stalin de apagar desafetos políticos de fotos oficiais para mudar a História. Claro que uma coisa não tem absolutamente nada a ver com outra, mas para o exército de imbecis que seguem as palavras de Azevedo como algo sagrado, é o bastante para que testemunhemos um espetáculo de ignorância e ódio nos comentários do blog do calhorda-mor. Tentar dizer que a imagem de Bengell no site de Dilma é uma "fraude" ou algo minimamente significativo seria o mesmo que alegar que o fato de Serra ter comentado o jogo do Santos em uma rádio paulista deveria ser investigado como uso da máquina estatal, já que a rádio em questão tem concessão pública. Besteira (mas que, em teoria, seria bem mais grave do que uma foto trocada).

Mas o que mais me espanta nisso tudo é perceber como a direita, representada com orgulho por VEJA, vem lutando para transformar a história pessoal de luta de Dilma Rousseff contra a Ditadura em algo "vergonhoso", "reprovável". Inventam ações das quais ela não participou, atribuem a ela papéis que não desempenhou e ignoram os atos reais e admiráveis que ela protagonizou naquele período trágico da história de nosso país. 

Para VEJA, os inúmeros torturados, mortos e desaparecidos graças às ações dos militares brasileiros são "terroristas", são homens e mulheres que mereceram o destino que tiveram. Afinal, de acordo com a irmã de sangue da VEJA, a Foxlha, aquele foi um período de "Ditabranda" – algo menor, sem conseqüência.

Claro que basta folhear o "Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)" (link) para ver que a única coisa "branda" nesta história toda é a concentração de humanidade e ética nestes veículos.

Já disse e repeti isso aqui várias vezes: venho de uma família que combateu os militares. Tive parentes presos e torturados – e estes tiveram grandes amigos que morreram nas mãos dos militares. Se ter combatido a Ditadura agora faz de alguém um "terrorista", bom…

… então devo dizer que sou membro orgulhoso de uma família de grandes terroristas.

VEJA: Dois Candidatos, Duas Medidas

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 139 comentários

Capa de 24 de fevereiro anunciando a candidatura de Dilma Rousseff: 

Em preto-e-branco, triste, enquanto Dilma olha para o lado com expressão séria, quase calculista. Referência aos "radicais do PT", alusões à sua ideologia (e contraste ao pragmatismo necessário para governar um país) e, claro, referência a um mundo "em crise".

Agora vejamos a capa de 21 de abril anunciando a candidatura de Serra: 

O candidato olha diretamente nos olhos do (e)leitor em uma capa viva, colorida, enquanto procura sorrir abertamente. O texto faz alusão à sua vitória ("Brasil pós-Lula") e traz uma única chamada com a garantia (feita pelo próprio Serra) de que se preparou a vida inteira para ser presidente.


I rest my case.

Update: Como o Datafolha manipulou sua última pesquisa para colocar Serra 10 pontos acima de Dilma. (Update do update: algumas das colocações feitas pelo autor do blog geraram controvérsia. Sugiro que leiam também os comentários daquele blog e as respostas do autor.)

Update 2: Graças a uma dica do leitor Tadeu Porto, fui conferir a capa que a revista TIME deu a Barack Obama quando este venceu as eleições. E…