Política

VEJA: Duas Chuvas, Duas Medidas

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 82 comentários

Encontrei essa comparação de capas no twitter da leitora Renata Arruda e… bom, as imagens falam por si mesmas: a falta de ética (não, dane-se o eufemismo: a corrupção moral e jornalística de uma revista canalha) é ilustrada pela abordagem das matérias sobre as chuvas em SP (território tucano) e no Rio. 
 

Capa da edição de 10/02/2010
 

Capa da edição de 14/04/2010

Observatório de Imprensa

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Política | 17 comentários

Trecho do artigo de Alberto Dines:

"A Folha de S.Paulo consegue se
superar a cada nova edição. Mais surpreendente do que a publicação do
abjeto texto de Cesar Benjamin (sexta, 27/11), sobre o comportamento
sexual do líder metalúrgico Lula da Silva quando esteve preso em 1979,
foi a completa evaporação do assunto a partir do domingo (29), exceto
na seção de cartas dos leitores.

Num dia o jornal chafurda na lama, dois dias depois se apresenta
perante os leitores de roupa limpa e cara lavada, como se nada tivesse
acontecido. E pronto para outra.

Não vai pedir desculpas? Não pretende submeter-se ao escrutínio da
sociedade? Não se anima a fazer um debate em seu auditório e depois
publicá-lo como faz habitualmente? E onde se meteram os procedimentos
auto-reguladores que as empresas de mídia prometem há tanto tempo
quando se apresentam como arautos da ética? Não seria esta uma
oportunidade para ensaiar algo como a britânica Press Complaints
Comission (Comissão de Queixas contra a Imprensa)?

E por que se cala a Associação Nacional de Jornais? Este não é um
episódio que põe em risco a credibilidade da instituição jornalística
brasileira? Um vexame destas proporções não poderia servir de pretexto
para retaliações futuras? Ficou claro que depois do protesto inicial
("Isto é uma loucura!"), o presidente Lula encerrará magnanimamente o
episódio. A Folha, em compensação, enfiará o rabo entre as pernas."

Como fico chateado quando alguém copia um texto meu na íntegra em vez de linká-lo, roubando pageviews, caso queiram ler o restante do ótimo texto de Dines, cliquem aqui.

Ainda a Foxlha e o “menino do MEP”

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Política | 28 comentários

Para aqueles crédulos, ingênuos (eufemismo), que compram tudo o que sai impresso na Folha ou adotam a filosofia do "Se publicaram, é porque deve ter algum fundo de verdade", recomendo a leitura da edição de hoje (mas só a de hoje; não renovei minha assinatura do UOL, enojado que estou com um portal que faz parte do mesmo grupo de Foxlha e Veja, mas ainda tenho uma semana de "crédito").
 
Depois de publicarem o artigo revoltante acusando o Presidente da República de tentativa de estupro, a Foxlha resolveu fazer o dever de casa em função da péssima repercussão que sua atitude gerou. E vejam que surpresa: entrevistando companheiros de cela do Lula, carcereiros, o delegado e o próprio (suposto) "menino do MEP" (bem como sua esposa), o jornal apurou que nada estranho aconteceu.
 
Que surpresa.
 
Jornaleco vergonhoso.

Enquete do Senado

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Política | 28 comentários

Confesso que eu já esperava isso: os líderes evangélicos, que estão fazendo um lobby pesado contra a lei que puniria discriminação contra homossexuais, moveram sua massa nos últimos dias da enquete sobre o assunto no site do Senado – e o "sim", que vencia por 2%, agora está perdendo para o "não". E hoje é o último dia. Triste.

Folha de São Paulo: a Fox News Brasileira

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 64 comentários

Não é preciso ser lulista como eu para concluir que a Folha de São Paulo desta vez passou de qualquer limite aceitável no que diz respeito à ética jornalística. Vou além: se o conto (porque é um conto) de César Benjamin girasse sobre Fernando Henrique ou José Serra, minha revolta com relação a este tablóide (porque virou um tablóide) seria absolutamente a mesma.

Senão vejamos: um sujeito escreve um artigo afirmando que, há 15 anos, o atual Presidente da República confessou, durante um almoço, ter tentado estuprar um jovem militante do MEP enquanto dividiam a mesma cela. O autor do texto não possui qualquer evidência que comprove sua gravíssima denúncia, afirma não se lembrar direito de quem estava à mesa, identificando apenas dois nomes diretamente ligados ao Presidente, e confessa não saber quem era a tal vítima de estupro.

O que a Folha faz? Ora, óbvio: publica o artigo sem pensar duas vezes.

Este é o exemplo perfeito da extrema irresponsabilidade que tomou conta de órgãos como Folha, Veja e afins. É por isso que a nova Lei de Imprensa se tornou pauta. Se os grandes veículos passaram a se comportar como crianças, dizendo o que lhes vem à mente sem avaliar as conseqüências e sem embasar o que afirmam, a coisa está muito errada. 

Aliás, retiro o que disse: eles avaliam, sim, as conseqüências. E é isso que motiva artigos como este. Se a reputação do Presidente e sua aprovação pela população parecem inabaláveis depois de tantos artigos de ataque, resta apenas a apelação total: acusá-lo de crime sexual. E de natureza homossexual. Chego a me questionar se a Folha não cogitou a possibilidade de dizer que Lula ainda chutou uma Santa depois de tentar violentar o "menino do MEP", já que isto seria o complemento perfeito para um artigo que visa despertar a revolta do brasileiro médio. 

A tática politiqueira da Folha (abraçada com entusiasmo pelo canalha Reinaldo Azevedo, que saltou sobre a notícia como um cão faminto salta sobre um osso) em nada difere do que vermes como Glenn Beck, Bill O'Reilly e Sean Hannity vêm fazendo na Fox News ao sugerirem que Obama é "comunista" e quer "matar velhinhos" com seu projeto de atendimento médico patrocinado pelo Estado. Ou ao insinuarem que ele não nasceu em solo norte-americano. 

Publicar um artigo desses é a morte definitiva da Folha. Que começou a se matar ao emprestar seus furgões para transportar presos torturados na Ditadura, ao calar-se no meio da investigação sobre o Sr. X que pagou 200 mil dólares para os deputados federais pela emenda da reeleição e ao rebatizar o período mais trágico de nossa história política recente como "ditabranda". 

E que ela cumpra seu dever agora e apure o factóide que criou, buscando o "menino do MEP" e tentando confirmar o depoimento de Benjamin – lembrando-se de que, ao falhar, cimentará de vez qualquer vestígio de integridade que ainda possuía.

Update: Na edição de hoje, sábado (28/11), a Folha apurou a informação de que a denúncia de tentativa de estupro era infundada (oh!). Deveria ter feito isso ontem, antes de publicar essa coisa nojenta. Além disso, a VEJA (um amálgama de Pat Robertson, Rush Limbaugh, Ann Coulter e o Diabo) entrevistou o suposto "menino do MEP", que negou tudo. A manchete usada pela VEJA para a matéria? Se você pensou em algo como "Menino do MEP nega que Presidente tenha tentado estuprá-lo" ou algo mais claro, não conhece as táticas repulsivas da revista. O título é, simplesmente, "Triste e abatido".

Enquanto isso, o cineasta Silvio Tendler afirmou estar presente durante a tal conversa e negou categoricamente que Lula tenha confessado ter tentado estuprar um colega de cela e…

… não dá. Simplesmente não dá. Só de escrever esta última frase senti vontade de rir do absurdo. Então um candidato à Presidência, em meio a uma campanha disputadíssima, confessaria durante um almoço com meros conhecidos, de maneira absolutamente casual, ter cometido um crime de natureza sexual? Uma história cabeluda que nunca veio a público em 30 anos? E tem gente que acredita nisso? E FOLHA e VEJA publicam como fato? E Marcelo Madureira (do Casseta) escreve para a Folha para elogiar a "denúncia", provando que, além de sem graça, é também um imbecil? E Reinaldo Azevedo passa a chamar Lula, o Presidente da República, de "estuprador" sem ter qualquer evidência para isso?

E tem gente que ainda acha isso tudo "normal"? Não, não, a vontade rir passou. A reação mais apropriada é a ânsia de vômito.

Update 2: "O que está em discussão aqui é justamente a maneira de lidar com
dois fatos que guardam certa semelhança. FHC tinha um filho na Europa,
era algo sabido e comprovado, e ninguém falou nada para não arranhar
sua reputação. Agora, vem um cara dizer que Lula tentou estuprar um
colega de cela, sem prova alguma, sem evidência nenhuma, e ganha uma
página inteira no maior jornal do país. Tenho muita saudade dos tempos em que trabalhei na “Folha”, e do
jornal que fazíamos então. Jamais publicaríamos um artigo desses, com
acusação tão grave, sem a menor comprovação. O jornalismo, tal qual
aprendi a fazer na Barão de Limeira, não existe mais." – excelente post de Flávio Gomes sobre o assunto.

Maurício de Sousa, orgulho nacional

postado em by Pablo Villaça em Política, Variados | 128 comentários

Maurício de Sousa é um patrimônio nacional. Não apenas conseguiu algo que parecia impossível (criar um verdadeiro império de quadrinhos completamente baseado em território brasileiro e focado em personagens brazucas) como ainda usou sua galeria de criações para promover a aceitação da diferença e da individualidade, estabelecendo personagens cegos, paraplégicos e por aí afora. Sim, aqui e ali ele tropeça ao investir em homenagens comerciais como Ronaldinho e Pelezinho, mas estas são exceções num universo que inclui de dinossauros filósofos (Horácio) a monstros que ajudam as crianças a encarar o desconhecido com mais naturalidade (Penadinho, Cranicola, etc).
 
Não é à toa que depois de passar a infância lendo a Turma (embora eu também seja um fã do proletário Pato Donald, confesso, embora despreze o ícone norte-americano CIAsesco e ufanista Mickey), assinei para Luca dois pacotes, o do Almanaque e o da turminha. E todas as noites leio uma revistinha completa para o baixinho, que adora (ele já sabe ler, mas curte sentar comigo enquanto faço as vozes).
 
Pois bem: hoje, ao ler um comentário deixado no post anterior pelo leitor Rafael Fontenele, descobri que Sousa criou um personagem gay para a recém-lançada revista da Tina.
 
Meu orgulho por ter Maurício de Sousa como compatriota redobrou. Aos 74 anos, esse belo artista (e inteligentíssimo homem de negócios, é preciso dizer) demonstrou permanecer antenado às mudanças do tempo e às questões sociais e decidiu corajosamente abraçar uma causa controversa por natureza. Ele não precisava fazer isso; ninguém jamais pensaria em cobrar de Sousa a criação de um personagem de quadrinhos homossexual. Mas ele o fez assim mesmo. 
 
Pode parecer que minha reação à notícia é exagerada, mas, acreditem, não é: a importância deste personagem é indizível. Ao criar um personagem gay para revistas consumidas por crianças e adolescentes, Sousa está desmistificando essa "criatura" amedrontadora pintada por conservadores e tornando o conceito mais natural para as novas gerações. Em vez de ouvirem falar dos gays como seres estranhos e pervertidos, as crianças se lembrarão de Caio, um personagem tão inofensivo e comum quanto Rolo, Tina e Pipa. 
 
E isto, num mundo ameaçado por crápulas como o "pastor" Jorge Linhares (ler estes três posts sobre o sujeito, além deste outro), é algo fundamental. Como pai de duas crianças que, espero, crescerão num mundo infinitamente mais tolerante do que o nosso, agradeço de coração a Maurício de Sousa pela magnífica iniciativa.
 
Agora… é claro que isso despertará a ira dos reacionários preconceituosos – e, de fato, Fontenele linkou para uma notícia que trata do protesto feito por uma advogada de Manaus contra Sousa e seu personagem Caio. Não vou nem comentar os grosseiros erros de português (algo que desqualificaria qualquer um que se diga advogado), mas as seguintes passagens resumem perfeitamente o discurso odioso feito por esses vermes que defendem a discriminação (grifos meus):
 
"O que passou pela sua cabeça? Será que porque a turminha cresceu o Sr.
Achou por bem conviver com os absurdos da modernidade?. Sr. Mauricio,
eu lhe pergunto, qual será a postura do Anjinho diante de Caio? O que o
Sr. Quer ensinar para as crianças ? por acaso o Sr. Agora acha normal o
homossexualismo somente porque a Monica Cresceu e já tem definida a sua
sexualidade?
"
 
Deus despreza os gays – dizem os homens que, aparentemente, têm linha direta com o Divino.
 
"Sou Mãe, tenho 41 anos de idade, advogada e hoteleira, presidente de
uma instituição de turismo, vice presidente de um sindicato,
conselheira do club de mães da escola dos meus filhos. Enfim , me acho
uma formadora de opinião
na cidade que moro, e fique certo Sr. Que a
TODAS as mães que conheço e que tenho aproximação estão absolutamente
chocadas com a sua nova criação
. O que o Sr. Pretende é passar para as nossas crianças e adolescentes
que ser Gay ou ser Bissexual e normal? Foi isso que o Sr. Aprendeu da
sua Mãe e do seu Pai?
"
 
Tenho dó não apenas dos filhos da doutora adêvogáda, mas também daqueles que se deixam influenciar por suas opiniões. E que medo desta sociedade que ela descreve: dominada por mulheres preconceituosas que certamente farão o possível para que seus filhos sigam seus passos de intolerância.
 
"O sr. Mauricio já parou para pensar que suas revistinhas podem viram uma ótima ferramenta na mão de aliciadores de crianças?"
 
Isto… prefiro nem comentar. É de uma imbecilidade tão colossal que me faz desconfiar não só da sanidade, mas do Q.I. mínimo para que uma pessoa seja considerada funcional.
 
"Os ensinamentos deixados por Jesus, Maome , Buda, Alan Kardec, Dalai
Lama e etc… nenhum deles deixou escrito essa normalidade em relação
aos homossexuais e bissexuais.
"
 
Aqui este refugo genético busca posar de porta-voz de todas as religiões para disfarçar o preconceito de sua própria "fé". Buda condenou a homossexualidade? O Dalai Lama?? Kardec??? 
 
"Entenda Sr. Mauricio não estou sendo discriminativa, tenho amigos gays."
 
Não, não tem. Acredite. 
 
"Somente penso que a infância deve ser poupada do que é errado, é na
infância que aprendemos os conceitos do que é certo e do que é errado.
"
 
E amar uma pessoa do próprio sexo é errado, claro.
 
"Essa Opinião descrita aqui não é somente minha, mas de todos os do meu meio , pais e mães, irmãos, tios e tias e amigos."
 
Escrever "Opinião" com maiúscula não a torna mais legítima. E lamento por sua família.
 
"Tenho Muito orgulho do seu trabalho como brasileira, e quero continuar tendo. (…) Portanto se o Sr. Não que ver desaparecer os seus personagens das bancas
de revistas e dos lares do Brasil, mude a sua forma de pensar com
relação a infância, pois DEUS existe e Lá de cima, seja qual for o nome
de DEUS, ele esta vendo as ações de todos nos, inclusive as suas Sr.
Mauricio.
"
 
Finalizando seu texto como uma típica mafiosa, ela ameaça Maurício de Sousa e assume o papel de capanga divino. Que exemplo de brasileira. 

Dito tudo isso, se a versão teen do Zé Vampir brilhar sob a luz do sol, eu mesmo escreverei uma carta de protesto a Maurício de Sousa repleta de ameaças.

E lá vamos nós de novo…

postado em by Pablo Villaça em Política | 99 comentários

É inacreditável, mas há uma enquete no site do Senado que pergunta simplesmente:

"Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?"

Ora, para mim, esta seria uma pergunta óbvia por natureza. Como assim, se sou a favor de uma lei que pune a discriminação? Isto é pergunta que se faça? O que perguntarão a seguir… se sou contra apedrejamentos e estupros? Que pergunta idiota. Quem, em pleno 2009, seria capaz de defender o preconceito? Quem, a esta altura do campeonato, poderia justificar que a intolerância se transformasse em lei?

Aparentemente, metade das quase 300 mil pessoas que votaram na enquete.

Há momentos em que, confesso, as palavras me fogem. Busco articular minha descrença, minha revolta, e é como se artigos, substantivos e adjetivos olhassem para mim e dissessem: "Que se foda! Se vire sem a gente; isso tudo é absurdo demais para nós!".

E é profundamente absurdo. Mais: é surreal. Que tipo de gente é esse? Quem são esses seres humanos que se julgam tão superiores aos seus colegas de espécie que são capazes de afirmar que o preconceito é algo que deveria ser permitido pelo Estado? Já não basta negar certos direitos aos homossexuais (como o casamento)? Agora é preciso tirar deles também o direito de serem respeitados?

Sério: quem são essas pessoas?

(A enquete, que já linkei duas vezes no twitter, está aqui.)

UPDATE: Para aqueles que insistem na odiosa argumentação de que discriminar homossexuais é apenas uma "questão de opinião", volto a este post.

Vergonha nacional

postado em by Pablo Villaça em Política | 41 comentários

Sou lulista assumido – algo que nem preciso dizer para os leitores deste blog. Dito isso, ver Lula acenando sorridente ao lado de um crápula como Ahmadinejad – um homem que nega o Holocausto e afirma que executar homossexuais é algo importante para a "continuidade da espécie" – é algo que não só me causa asco como me provoca uma profunda decepção.  Nunca deveríamos ter permitido a entrada deste verme no país.
 
Há limites para a diplomacia. Ahmadinejad vem depois deste limite.

Estúpidos “Piratas”

postado em by Pablo Villaça em Política, Twitter | 54 comentários

Se você acompanha este blog há algum tempo, sabe que levo política muito a sério. Você pode não concordar com minhas opiniões relativas ao assunto, mas não pode negar que, ao menos, encaro a questão com absoluto respeito. E é por isso que fico profundamente irritado quando percebo que há pessoas que encaram discussões vitais para o futuro do país como mera oportunidade de alcançaram algum tipo de notoriedade.

Primeiro, tiremos do caminho o óbvio: Sarney se transformou num imenso embaraço para o Senado. Não, não é o único a aproveitar brechas legais para benefício próprio – e muitos dos senadores que eventualmente o pressionarão para abandonar a presidência da Casa certamente foram presenteados direta ou indiretamente pelos mesmos atos secretos que derrubarão o vice de Tancredo e pai do Cruzado. E, sim, é lamentável que Lula tenha manifestado apoio a Sarney. Vergonhoso, até. Um ponto baixo de sua presidência.

Dito isso, retorno ao ponto inicial: toda esta crise no Senado representa uma enorme possibilidade de mudança nas regras do jogo. Portanto, é algo que deve ser encarado com sobriedade e maturidade, levando a discussões adultas e embasadas sobre como o país deve lidar com Sarney, o Senado e seu próprio sistema político.

Entram Júnior Lima (mais conhecido como SandyeJúnior), Marcos Mion (mais conhecido como Papito) e Vesgo (mais conhecido como… bom, Vesgo): vislumbrando na crise do senado uma oportunidade para a auto-divulgação, os três jovens imbecis criaram um "movimento" que batizaram de "Piratas-de-alguma-coisa" (não vou gastar tempo pesquisando o nome) e passaram a utilizar o Twitter com o objetivo de despertarem o interesse de… acreditem ou não… Ashton Kutcher para o seu "fora Sarney" particular.

Sim, Ashton Kutcher: o grandalhão abestalhado de "That 70s Show", marido de Demi Moore e rei do Twitter.

É uma história repleta de momentos absolutamente patéticos que ilustram apenas a estupidez, a imaturidade e o egocentrismo dos três envolvidos e que culmina – mais uma vez, acreditem ou não – com uma demonstração surpreendente de bom senso do sr. Moore, que, com 140 caracteres, cala a boca e envergonha os três "revolucionários" brasileiros.

Mas permitirei que o vídeo abaixo conte esta história para vocês:

 
"PUTZ, ASHTON DISSE QUE NÃO PODE AJUDAR! QUE NÓS TEMOS QUE LUTAR PELO NOSSO PAIS…fuck!"
 
Síntese perfeita da mente de três criaturas dignas de dó.

Al Franken

postado em by Pablo Villaça em Política | 11 comentários

Os norte-americanos têm que repensar urgentemente seu sistema eleitoral: depois do fracasso de 2000, quando Bush foi eleito num processo confuso e repleto de irregularidades, e de 2004, quando voltou à presidência embora tivesse conseguido menos votos do que John Kerry, em 2008 foi a vez da disputa ao senado trazer longas batalhas em torno dos resultados. Na noite do dia 5 de novembro, publiquei alguns comentários sobre a eleição e escrevi, entre outras coisas:

"(01:24) Uma outra disputa que desperta
meu interesse é pelo senado em Minnesota, onde o comediante Al Franken
(ex-roteirista do Saturday Night Live) pode derrubar o atual ocupante
do cargo, o repulsivo republicano Norm Coleman. Minha admiração por
Franken, que já era grande em função de sua atuação na ótima iniciativa
do Air America Radio, cresceu ainda mais quando assisti ao bom documentário Al Franken: God Spoke, sobre o qual escrevi o seguinte:

A inteligência, o carisma e a presença de
espírito de Franken são notórios, assim como seu pavor à retórica da direita
norte-americana – algo que o filme ilustra de maneira burocrática. Além disso,
a falta de foco do documentário leva-o a parecer um mero instrumento de
propaganda, o que é lamentável."

 

Depois dizem que não consigo separar minha ideologia do meu papel como crítico…"

Pouco depois, escrevi: 
 
"(03:16) Coleman voltou a ultrapassar Franken e está se
distanciando. Além disso, a "Proposta 8", que bane o casamento
homossexual, irá ser aprovada, provavelmente. Como disse antes, a noite
não será perfeita."

Pois bem: depois de perder a disputa por menos de 200 votos, Franken entrou com um pedido de recontagem. Seu adversário, Coleman, disse que jamais teria feito isso caso houvesse perdido. Foi aí que a recontagem deu a vitória a Franken e… Coleman exigiu uma re-recontagem. A disputa se arrastou por meses – período no qual Minnesta ficou sem representante no Senado – e hoje finalmente Al Franken foi empossado.

Pena que não dá para reverter também a aprovação da Proposta 8.