Política

Hipocrisia às claras

postado em by Pablo Villaça em Política | 77 comentários

A Direita é inacreditável: quando publiquei o post sobre o blog da Petrobras, celebrei a iniciativa da empresa por expor claramente as indagações que lhe eram feitas e também suas respostas na íntegra – algo que estava causando revolta nos jornalistas da Velha Mídia, que não mais poderiam manipular as informações como bem entendessem. Para tentar justificar a revolta, a associação que representa os interesses dos jornais (das corporações, vejam bem, não dos profissionais mal pagos por estas) protestou contra a quebra da  "exclusividade" de suas matérias (como se fossem donas da informação), já que as entrevistas estavam sendo divulgadas abertamente.

O que a Petrobras fez, então? Tomou uma atitude extremamente inteligente e concordou em publicar suas respostas após a divulgação das matérias pelos jornais. Com isso, eliminou a desculpa da Velha Mídia e ainda manteve a estratégia de divulgar as indagações dos jornalistas, bem como suas respostas.

Em outras palavras: a empresa sacrificou um cavalo para vencer a partida; cedeu a batalha e ganhou a guerra. E a Velha Mídia sabe disso. O que poderão alegar, agora, para impedir que a Petrobras mantenha a iniciativa de responder publicamente o que lhe é perguntado?

Ah, mas como alguns reacionários aqui do blog já começaram a fazer, a idéia é tentar conferir uma aparência de vitória à derrota vergonhosa. A Petrobras, vejam vocês, "foi obrigada a recuar"! A Petrobras "cedeu às exigências dos jornais"! A Petrobras "fraquejou"! Eu, pobre "defensor" da empresa, fui "traído" por ela (como se em algum momento eu tivesse dito que publicar as respostas antes dos jornais era necessário ou mesmo proveitoso – e basta reler o post para constatar que este é um ponto que nem menciono no texto).

Pintem como quiser, meus caros. A verdade é que vocês sabem que a Petrobras fez exatamente a única coisa que os jornais temiam: em vez de abandonar a estratégia, apenas adaptou-a às circunstâncias.

E prevaleceu. Touché.

Sobre Gravataí Merengue e o blog anônimo

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Musas | 46 comentários

"Gravataí" (leia-se: Fernando Gouveia) publicou o seguinte comentário no post sobre Soninha:

"Oi, Pablo. Eu até agora não vi a URL ou mesmo o tal "blog anônimo". Nunca fiz
blog anônimo. Eu assino com o pseudônimo "Gravataí Merengue" desde 1997, na
Faculdade, embora meu nome seja Fernando Gouveia. Tenho blogs desde 2001. Jà
assinei com vários pseudônimos (como Isaías Camanducaia, Tô Cansadinho [contra o
Cansei] e muitos outros). Nunca tive 'blog anônimo'. Você me chama de imbecil,
assim gratuitamente, mas tudo bem. É seu direito, já que vivemos num mundo de
livres expressões. Engulo essa. Só não acho bacana endossar uma acusação que não
foi provada. E nem poderá ser, pois não é verdadeira. Discorde de mim, Pablo. É
seu direito. Mas reiterar uma acusação, assim dessa forma, poxavida… Não me
parece bacana. Um abraço Fernando"

Ele tem razão. Fui precipitado. Embora admire o "Dossiê Veja" de Nassif, Gravataí está certo ao dizer que reiterei uma acusação que não foi provada.

Da mesma forma, o "imbecil" foi absolutamente desnecessário e prova de que tenho que aprender a controlar meus impulsos no que diz respeito aos posts políticos, que despertam uma paixão perigosa. Para me deixar ainda mais embaraçado, Gravataí publicou um comentário elegante e educado em resposta às minhas palavras inflamadas. Vergonhoso para mim.

Tão vergonhoso que, em vez de responder através de comentário, resolvi publicar este post apenas para desculpar-me.

Observação sobre o post "Musas #13": Como não moro em São Paulo, não sabia que Soninha havia se transformado em defensora de José Serra. Isto, sim, teria me feito hesitar imensamente em colocá-la na série. Uma "musa" deve ser não só atraente fisicamente, mas despertar um fascínio que vai além da aparência, seja pelo charme, talento, inteligência, ideologias ou o que seja. E ser defensora de José Serra é, para mim, o equivalente a ter uma pinta cabeluda na ponta do nariz. Mas agora já foi.

Sem falar que não dá para negar: ela é uma gracinha.

Série Jornalistas #25

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 119 comentários

A fim de se proteger das deturpações freqüentemente levadas a cabo pela Velha Mídia (Veja, Folha, O Globo, etc) em seus esforços constantes de pintar o pior retrato possível de tudo que diz respeito ao governo federal, a Petrobras passou a utilizar um blog, Fatos e Dados, para divulgar as perguntas que são enviadas à estatal por jornalistas destes veículos – incluindo, nos posts, as respostas às indagações.

Há algo de mal nisso? De errado? De maligno? Se há, não consigo identificar o que seja. É uma maneira inteligente e válida de esclarecer publicamente o que lhe é questionado – e ao publicar as perguntas e respostas na íntegra, a Petrobras não apenas expõe formatações capciosas de certas perguntas como ainda se protege caso o veículo que receba a resposta decida editá-la ao seu próprio modo.

Assim, é claro que alguns destes veículos denunciaram a iniciativa como algo errado e maligno, como uma tentativa de manipular a opinião pública. Sim, você leu corretamente: responder perguntas publicamente é um artifício maniqueísta.

Como se não bastasse, até mesmo a Associação Nacional de Jornais (ANJ) entrou na confusão para defender seu pobres filiados – e num comunicado absolutamente inacreditável (que pode ser lido na íntegra aqui), ela chega a defender o seguinte (e ridículo) argumento:

"Numa canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas, a
empresa criou um blog no qual divulga as perguntas enviadas à sua
assessoria de imprensa pelos jornalistas antes mesmo de publicadas as
matérias às quais se referem, numa inaceitável quebra da
confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas
fontes
."
 
Hã… queridos?… esta confidencialidade estabelece obrigações do jornalista para com sua fonte (como preservar sua identidade, caso solicitado, e manter em off aquilo que a fonte não quer ver publicado), não o contrário. Em 34 anos de vida, nunca ouvi alguém dizer que a fonte deve manter em segredo o que lhe foi perguntado – a não ser em raros casos em que um acordo neste sentido é assinado pelo entrevistado.
 
Mas a estupidez continua:
 
"Como se não bastasse essa prática contrária aos princípios
universais de liberdade de imprensa, os e-mails de resposta da
assessoria incluem ameaças de processo no caso de suas informações não
receberem um “tratamento adequado”."
 
Mais uma vez: como, exatamente, a Petrobras está ferindo a liberdade de imprensa ao publicar as perguntas e respostas em seu próprio blog? E a tal "ameaça" é um direito legal: o de ser assegurado que suas palavras não serão tiradas do contexto e modificadas para sugerir algo que não é verdade. Os jornais só devem temer tal "ameaça" se de fato tinham essa intenção; se pretendessem utilizar as respostas com honestidade, não há nada que a Petrobras pudesse fazer contra os veículos.
 
"Tal advertência intimidatória, mais que um desrespeito aos
profissionais de imprensa, configura uma violação do direito da
sociedade a ser livremente informada, pois evidencia uma política de
comunicação que visa a tutelar a opinião pública, negando-se ao
democrático escrutínio de seus atos."
 
Outro argumento ofensivo em sua lógica distorcida e estúpida: que "direito da sociedade" a Petrobras está violando ao responder as perguntas enviadas pelos jornalistas e ao exigir que estas respostas não sejam deturpadas quando publicadas? E como ela pode estar se negando "ao democrático escrutínio de seus atos" se está justamente respondendo as perguntas enviadas – e, ainda por cima, num espaço público?
 
Ou seja: o desespero da Velha Mídia em ver suas manipulações expostas é tão grande que os veículos (devidamente protegidos pelo testa-de-ferro corporativo) partiram para o nonsense a fim de justificar seus interesses obscuros e seu direito à deturpação.
 
Ridículo. E revelador.
 
Update: Ao ler o blog da Petrobras, a natureza maliciosa da nota da ANJ se torna ainda mais clara. Sabem as tais "ameaças de processo no caso de suas informações não
receberem um “tratamento adequado"
? Pois é: nada mais são do que aqueles avisos padrões que as empresas costumam incluir automaticamente no rodapé de cada email enviado através de seus servidores – uma mensagem incluída, por exemplo, em meus emails enviados pelo Cinema em Cena e que, no caso da Petrobras, diz: "O emitente desta mensagem é responsável por seu conteúdo e
endereçamento. Cabe ao destinatário cuidar quanto o tratamento
adequado. Sem a devida autorização, a divulgação, a reprodução, a
distribuição ou qualquer outra ação em desconformidade com as normas
internas do Sistema Petrobras são proibidas e passíveis de sanção
disciplinar, cível e criminal".
 
A não ser que todos os integrantes da ANJ sejam débeis mentais, é mais do que óbvio que este rodapé não representa uma ameaça de processo com o intuito de garantir que a Petrobras não seja atacada pelos jornais – e o fato de tentar vender esta mentira prova apenas o mau-caratismo dos autores do ridículo comunicado distribuído pela Associação e de seus "clientes".
 
Update 2: É claro que o verme-mor da VEJA, Reinaldo Azevedo, está defendendo a atitude da Petrobras como "manobra espúria" e de "guerra à imprensa". Se eu precisasse de mais algum motivo para esfregar esta imbecilidade na cara da Velha Mídia, bom… a simples presença de Azevedo entre os "ofendidos" pela Petrobras seria o bastante.
 
Update 3 (09/06): O presidente da Associação Brasileira de Imprensa enviou a seguinte carta à Petrobras:
 
"A ABI considera legítima a decisão da Petrobras de criar um blog
para divulgação das informações que presta à imprensa e especialmente
aos veículos impressos, uma vez que as questões relativas ao seu
funcionamento e aos seus atos de gestão interessam ao conjunto da
sociedade, que não pode ficar exposta ao risco de filtragem das
informações típica e inseparável do processo de edição jornalística. A
empresa tem o direito de se acautelar, através das informações que
difunde no blog, contra as distorções em que os meios de comunicação
têm incorrido, como a própria ABI registrou em matéria publicada da edição de 31 de maio de um dos jornais que agora se insurgem contra o blog da empresa.

A criação do blog constituiu-se em
instrumento de autodefesa da empresa, que se encontra sob uma barragem
de fogo crítico disparado por vários veículos impressos. Não se poderá
alegar que é assegurado à empresa o direito de resposta, uma vez que
quando este for exercido a informação nociva já terá produzido afeitos
adversos. Ademais, é conhecido principalmente dos jornalistas o
tratamento que a imprensa concede tradicionalmente ao direito de
resposta, se e quando o reconhece e o acata: a informação imprecisa ou
inidônea é divulgada com um destaque e uma dimensão que não se confere
à resposta postulada e concedida.

O presente confronto entre a empresa e
alguns veículos de comunicação tem inegável cunho político, com
favorecimento de segmentos partidários que se opõem ao Governo Lula. A
Petrobras encontra-se, infelizmente, na linha de tiro do canhoneio
contra ela assestado. Atacá-la com a virulência que se anota agora não
faz bem ao País.

Rio de Janeiro, 9 de junho de 2009
Maurício Azêdo, Presidente”

Um último post sobre monarquia

postado em by Pablo Villaça em Política | 108 comentários

Agora que um velho leitor do blog e do Cinema em Cena resolveu levar toda a questão sobre "o retorno da monarquia" para o campo pessoal, sinto-me na obrigação de publicar um último post com alguns questionamentos sérios sobre o assunto – justamente em respeito a este indivíduo, cuja participação sempre valorizei neste espaço e que, por isso mesmo, me surpreendeu com sua virulência recente.

É uma simples questão de bom senso: prezados monarquistas, em que aspecto o retorno da Coroa favoreceria o país? Uma pergunta curta e direta. Sejam convincentes.

Porque vejo a "discussão" (que só existe na mente dos monarquistas, já que o restante da população nem pensa mais no assunto) de uma maneira objetiva: se a monarquia retornasse no Brasil (e juro que sinto vontade de rir só em escrever isso), o Rei poderia: a) deter um poder político real, mesmo que em pequena escala; ou b) ser uma figura puramente decorativa.

No primeiro caso, é ofensivo pensar que alguém deteria algum tipo de poder de decisão política apenas por ter nascido em determinada família. Para começo de conversa, aqueles que carregam a Coroa não são exatamente conhecidos por sua grande compreensão das questões sociais prementes em um país pobre como o Brasil. Divorciados da realidade em todos os sentidos justamente por terem nascido quase que literalmente em berço de ouro, os monarcas tendem sempre ao conservadorismo e à religiosidade – duas características perigosíssimas em um político (vide Bushinho, que falava em nome de Deus em suas cruzadas movidas a petróleo). Além disso, volto à questão: como justificar que um "Rei" comande a política de um país (mesmo que em grau mínimo) apenas por pertencer a certa linhagem? Não é absurdo, mesmo ofensivo, que em pleno século 21 alguém queira deter algum grau de poder apenas por causa de um sobrenome? O que torna um Bragança "melhor" do que um Silva, Serra, Gomes ou Neves? Posso ter mil ressalvas contra este ou aquele tucano, mas ao menos sei como sua carreira foi construída e posso avaliar suas idéias a partir de seu passado, escolhendo votar ou não em sua campanha. Mas um Rei não precisa ter preparo ou trajetória; basta que seja quem é. E nada posso fazer a respeito, já que, de acordo com tradições absurdas, sua família sempre deteve o poder.

Em outras palavras: não há justificativa plausível para que uma família mande em um país apenas em função de sua linhagem sangüínea.

Quanto ao papel "decorativo" de um monarca sem poder, pergunto: qual sua razão de existir, então? Fazer figura? Alguém disse, num post, que a família real serviria de "exemplo de conduta" para o povo – o que não apenas é ridículo, como ofensivo. Então o "exemplo" a ser seguido é o de uma família conservadora, católica e que não tem que trabalhar para colocar comida na mesa? Em que o Príncipe Charles serve como exemplo para quem quer que seja? Ou qualquer um dos "Dons" brasileiros?

E mais: o Brasil não é a Inglaterra ou um país de primeiro mundo. Causa repulsa pensar que o povo teria que pagar para manter uma família inútil, sedentária e parasitária em seu estilo de vida luxuoso e repleto de ostentação enquanto crianças morrem de fome em nossas ruas. Alguém citou que os habitantes de Petrópolis têm que pagar, ainda hoje, uma taxa que vai parar nos bolsos da "família imperial" – se isto é fato, é um absurdo que já deveria ter sido interrompido há décadas. Por que teríamos a obrigação de arcar com as despesas dos descendentes dos velhos monarcas? Por que, então, não sustentarmos os descendentes de, sei lá, Tiradentes, Aleijadinho e tantos outros que, à sua própria maneira, marcaram nossa História?

Até entendo que os descendentes "imperiais" defendam a volta da monarquia: querem reviver os tempos áureos; querem voltar a ser "especiais". É lamentável e mesmo repugnante que pensem ter o direito a privilégios apenas porque o ta(ta?)taravô  foi alguém importante, numa versão radicalizada do playboy que, ao ser parado pela polícia por dirigir bêbado, pergunta se o PM sabe "quem é seu pai" – mas, repito, é compreensível: cada um defende o próprio interesse.

Menos aceitável (e nada compreensível) é o motivo que leva alguém que não é ligado à família "real" a defender o retorno da monarquia. Como argumentei nos parágrafos anteriores, não há justificativa racional para o retorno dos monarcas e, portanto, só resta pensarmos que se trata de algum tipo de idealização absurda do passado, do que significa viver numa monarquia. Não seríamos mais especiais apenas por sustentarmos uma família de parasitas (e que, na República em que vivemos, certamente devem trabalhar para se manter, sendo membros ativos da sociedade – ou assim espero) – e, portanto, me atrevo a pensar que a defesa da monarquia represente alguma forma recalcada de um intenso complexo de inferioridade.

(Também me chamou a atenção o fato de alguns leitores alegarem que um dos motivos pelos quais o regime monarquista não venceu o plebiscito de 93 foi o fato dos "negros" terem sido levados a pensar que a escravidão também retornaria – o que escancara uma visão revoltantemente racista ao classificar os negros brasileiros como criaturas estúpidas e facilmente manipuláveis.)

Sinceramente, quando publiquei o primeiro post sobre o assunto, jamais pensei que pudesse gerar algum tipo de controvérsia, já que considero a monarquia como um assunto do passado, algo que, do ponto de vista evolutivo, já aprendemos a considerar como um troço arcaico por definição. Que exista uma comunidade com 11.000 "monarquistas" no Orkut é algo assustador, mas compreensível – o Orkut é famoso por agregar aberrações em comunidades específicas (para que tenham uma idéia, há até uma comunidade dedicada a mim!). Mas que leitores deste blog, figuras que aprendi a respeitar com o passar dos anos, pareçam pensar que o retorno da monarquia é algo minimamente razoável… bom, aí a história é diferente.

Neste caso, o que era apenas hilário se torna preocupante.

Um último pensamento sobre a monarquia

postado em by Pablo Villaça em Mundo, Política | 65 comentários

E eis que, em pleno século 21, me encontro "lutando" contra a monarquia. Uau.

Isso me faz sentir um pouco como Benjamin Button: minha mãe e meus tios lutaram contra a Ditadura Militar, eu enfrento os monarquistas e meus filhos… o quê?… combaterão os dinossauros?

(Update: não se preocupem, pois não pretendo dar início a uma série de posts como aqueles contra a homofobia ou pastores preconceituosos. Por quê? Simples: ao contrário dos anteriores, os monarquistas não representam uma ameaça real. São apenas… divertidos.)

(Update 2: meu velho amigo Hélio Flores me alertou para o fato de que os monarquistas, num sentido literal, representam, sim, uma ameaça "real". Zing!) 

Mais monarquia

postado em by Pablo Villaça em Política | 44 comentários

Ao que parece, os fãs de confusão levaram meu post sobre monarquia para certas comunidades no Orkut e, vejam só, acabei recebendo uma mensagem de um integrante da família imperial. Quanta honra!

Como não tenho autorização para divulgar a identidade do "dom" que me escreveu (e que, pelos problemas gramaticais de sua missiva, não tem o "dom" da escrita. Ha!), copio apenas alguns trechinhos do email sem revelar seu looooongo nome:

"Talvez tenha sido sua intenção, ou não, mas no seu artigo “Reis da estupidez”
você acaba por ofender a memória de um grande homem e a de muitos que seguem sua
filosofia."

Que homem seria este?, pergunto. Espero sinceramente que ele não esteja se referindo a Pedro Luiz e que não tente transformar meu post em um ataque à memória do rapaz, já que, como falei, lamento sua morte da mesmíssima maneira com que lamento a morte dos "plebeus" com os quais ele dividia o avião. 

"Inicialmente, pra começar, independente do Brasil ainda ser uma república
presidencialista (nada é eterno meu amigo) é de direito da nobreza manter seus
títulos nobiliárquicos."

"Nada é eterno". Uau. Vá sonhando, "dom", vá sonhando. Quanto aos direitos da "nobreza", decidi não respeitá-los a partir do momento em que comecei a estudar História na quinta série do ginásio. Por uma pura arbitrariedade histórica, gerações e gerações de famílias "nobres" se sentiram no "direito" de se julgarem superiores, por comando divino ou linhagem sangüínea, a outros seres humanos constituídos exatamente pelo mesmo código genético. Isto é arcaico, é anacrônico, é estúpido.

"Se referir à Sua Alteza Real e Imperial, Dom Pedro Luiz, como príncipe, nada
mais é do que fornecer informações de quem se trata, assim como um deputado ou
um presidente".

Presidentes, deputados, advogados, médicos, escritores e afins fizeram por merecer seus títulos. Não se intitularam "Alteza Real e Imperial" apenas por um acidente genealógico. Meu lamento é pela morte de um jovem com toda a vida pela frente, não pela queda de uma cabeça que poderia ser coroada num universo paralelo e atrasado.

"Antes de desabafar seu contragosto deveria estudar mais história do Brasil,
assim, não seria ridicularizado em comunidades no Orkut, que acharam sua
postagem absolutamente desnecessária e infantil."

Oh, Deus! Comunidades no Orkut me ridicularizaram?! O que farei agora que o grande baluarte da intelectualidade latino-americana zombou de mim?

Primeiro, as fãs de "Crepúsculo"; agora, os monarquistas. Por que atraio inimigos tão poderosos, brilhantes e articulados?

"P.S. Se fosse um tanto mais atualizado, saberia que o movimento monárquico
existe e tem um numero de adeptos talvez muito maiores do que você, "Líder
maligno indiscutível da Terra" imagina."

Isso é porque a monarquia já barbarizou, executou e explorou as riquezas de vários países durante séculos, ao passo que o movimento "Villaciano" tem apenas um dia. Aguarde mais 2.500 anos e verá, prezado "dom".

Seja como for, agora tenho um motivo a mais para combater os monarquistas: caso voltem ao poder, irei para a guilhotina.

Lei Rouanet – momento de mudanças

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Política, Variados | 15 comentários

(Subi esse post porque hoje é o último dia da consulta pública. E o abaixo-assinado continuará no ar.)

A Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet) foi e é, sem dúvida alguma, importantíssima na fomentação cultural em nosso país nos últimos anos – e não só no que diz respeito ao Cinema. Porém, é sempre importante aprendermos com nossos erros e afinarmos nossos mecanismos legais que tornam possíveis as produções de obras culturais. E o momento para que isto ocorra é agora, já que há em andamento (até amanhã, quarta) uma consulta pública para alterações na Lei Rouanet.

Passo a palavra ao meu querido Pedro Biondi, que escreveu um belíssimo post (como de costume) sobre o assunto – incluindo um link para um abaixo-assinado que poderia se beneficiar muitíssimo da sua assinatura.

"Caros,

fiz um texto sobre a proposta de mudança na Lei de Incentivo à
Cultura, mais conhecida como Lei Rouanet, que está em consulta pública até
depois de amanhã
(quarta, 6) e pode ser apoiada num abaixo-assinado
disponível na internet.

Nem todos os diretamente envolvidos — neste
caso, aqueles que trabalham com cultura ou curtem cultura, o que significa todos
nós aqui — percebem a importância de se manifestar num processo desses, de
política pública.
Em parte porque os canais de divulgação e participação são
sempre imperfeitos, em parte porque a atuação de muitos dos expoentes da nossa
classe política dá engulhos e afasta os cidadãos.

Mas a melhoria tanto
dos mecanismos legais com que contamos como do próprio funcionamento da política
depende do nosso envolvimento, da nossa contribuição, da nossa cobrança. E, por
isso, divido com vocês meus argumentos a favor da alteração dessa lei, que já
tem quase 18 anos. Estão aqui, em www.pedrobiondi.wordpress.com.

Botem
a boca no trombone, ou a mão no contrabaixo, grafitem sua opinião, elaborem um
cordel, peçam o microfone para fazer uso da palavra. Fiquem à vontade para
repassar a minha mensagem ou se contrapor a ela. Afinal, como lembra aquela
palavra de ordem: “Você aí parado/Também não é contemplado!/Você aí
parado/Também não é contemplado!”…

Pedro Biondi"

Ronald Reagan, o dedo-duro

postado em by Pablo Villaça em Personalidades, Política | 51 comentários

Durante a "caça às bruxas" anti-comunista liderada pelo repugnante senador norte-americano Joseph McCarthy, que destruiu as vidas e as carreiras de inúmeros atores, diretores e roteiristas, ninguém menos do que Ronald Reagan atuou como informante secreto do FBI, denunciando os colegas que ele considerava simpatizantes do comunismo. Sim, ele manifestava discordar das táticas do comitê liderado por McCarthy, mas isso não o impedia de atirar seus companheiros na fogueira.

E o mais revoltante? Na época, ele era presidente do Sindicato dos Atores e supostamente deveria defender os interesses da classe em vez de arruinar centenas de seus integrantes.

Que caráter!

Estupefato (e, conseqüentemente, novas regras)

postado em by Pablo Villaça em Política | 205 comentários

Este post começou como um comentário que iria publicar no post "A Folha se assumindo", mas, quando percebi, havia escrito uma espécie de resposta-desabafo que acabou virando outro post.

Ao ler mais um comentário agressivo publicado pelo leitor Leandro Firmino neste blog, finalmente sucumbi à curiosidade e, pela primeira vez desde que comecei a "blogar", fiz uma pesquisa no histórico de comentários de um indivíduo específico. E o que encontrei foi o seguinte (grifos meus):

"Pablo literalmente ñ sabe o conceito de genocídio, seria bom ele esquecer o que ouviu os vários personagens de Hollywood falar, e ler uns livros para não falar besteira, mas como ele é esquerdista, isto se torna quase impossível."

"Aqui Pablo demonstra como desconhece a Bíblia, e os preceitos básicos do Cristianimo, e como todo esquerdista cai de pau em cima de posturas mais religiosas, e se agarram a mediocridade de sua ideologia. (…) E quanto a presunçosa ironia com ares de profunda intelectualida, com a ignorância nata dos esquerdalhas, Deus criou sim os homossexuais, e não foi Xenu, porém, os dotou de LIVRE ARBITRIO, logo ele pode fazer o que quiser com seu orificio retal."

"Qualquer idiota hoje em dia critica a Igreja e os EUA, e por isso se passa facilmente por intelectual."

"Incrível como o Pablo não consegue diferenciar a prática homossexual, do INDIVÍDUO homossexual. Alguém que é contra atos homossexuais, não necessariamente abomina os homossexuais. E também não sabe o que é homofóbico."

"Deveriam fazer uma charge tb, do soldado Mario Kozel Filho, e do Capitão Chandler, ambos "justiçados" pela corja comunista."

"Fico com o pé atrás com essa notícia, para quem conhece o RJ, sabe que a Lapa de madrugada é um verdadeiro antro de gays, travestis, et caterva."

"A questão não é se os homossexuais devem casar ou não, e sim que tipo de família estaríamos construindo para o futuro da nação, com a autorização desse tipo de "matrímônio" (que nem pode ser chamado assim, pq matrimônio exige que se tenha uma mulher)."

"Homossexuais não devem se casar, pq abre um precedente sobre o tipo de família que estamos construindo. Não se pode inverter as leis que regem a humanidade, e que estão calcadas a milenios. Não existe debate para isso, da mesma forma que não existe refutação à família tradicional."

"Se realmente tudo que o Pablo escreveu nesse post quer dizer ao contrário. Realmente ele é muito ignorante. Acredito que no fundo esta seja a brincadeira do 1° de abril!!! Oremos para que sim!!"

"24 anos; funcionário da Oi; Licenciado e bacharelado em História; moro no Rio de janeiro".

Quando cheguei a este último comentário, em minha rápida pesquisa, quase caí para trás. A partir dos comentários anteriores, eu imaginava que se tratasse de um velho conservador, reacionário e estúpido que tivesse na religião sua fuga de uma realidade torpe e repleta de preconceitos.

Para meu espanto, descobri tratar-se de um jovem conservador, reacionário e que, mesmo com a bagagem proporcionada por um curso de História, parece ter na religião a fuga de uma realidade torpe e repleta de preconceitos.

Em seus comentários, Leandro constantemente refuta qualquer argumento contrário às suas crenças políticas, sociais e religiosas dizendo que o que diz "é fato" ou que "não há espaço para debates". Refere-se ao socialismo ou aos indivíduos de esquerda repetidamente como "corja", "canalhas" e usa mainardismos e azevedismos como "esquerdalha" e "petralha". Defendeu a postura do arcebispo que condenou o aborto feito na criança estuprada. Disse que os homossexuais não deveriam se casar.

E sempre faz questão de estabelecer como me julga ignorante, estúpido e ideologicamente corrompido.

Quando comecei este blog, não imaginei que fosse atrair esse tipo de gente. Não por uma necessidade de ter a aprovação alheia, já que sinto-me suficientemente firme e confortável em minhas convicções para dispensar esse tipo de coisa, mas por pura ingenuidade, mesmo: por acreditar que, numa sociedade moderna e tradicionalmente liberal como o Brasil (ao menos, em comparação com boa parte do mundo), a mentalidade do usuário típico de Internet, de um indivíduo que busca um site voltado ao Cinema e um blog de um crítico desta Arte, seria naturalmente mais avançada, menos preconceituosa ou, no mínimo, não tão tomada pela retórica reacionária de vermes como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo.

Mas não. Os mesmos órfãos da direita podre que gerou e idolatra as memórias da Ditadura se fazem presentes destilando seu constante veneno neste espaço. Continuam a manifestar o velho preconceito elitista contra Lula embora se beneficiem sem remorsos de seus quase sete anos de gestão brilhante que avançou os índices sociais e econômicos de um país tão carente de líderes que pensassem não apenas nos 5% mais ricos, mas também na maioria miserável.

Sejamos honestos: de onde vêm estas reclamações contra o governo Lula? O país está mal das pernas? As instituições estão paralisadas? Estão tomadas pela corrupção? Ora, denúncias gravíssimas de corrupção existem desde sempre (ou vocês ignoram que FHC pagou 200 mil dólares para cada deputado que votou pela reeleição ou que Marcos Valério foi criado por Eduardo Azeredo?) – a diferença é que, agora, há uma imensa liberdade de investigação, de apuração. O que os reacionários acusam como epidemia de corrupção (como se os oito anos de governo de FHC fossem limpíssimos) eu chamo de "sujeira finalmente vindo a público". Ótimo para o país. Ótimo para nossas instituições.

Mas não adianta. Sem argumentos, apenas com retórica, os velhos comentaristas insistem em interpretar tudo de maneira distorcida. Se linko para um post repleto de ironia sobre o respeito que Lula atingiu lá fora, eles resumem a conversa a um "contra-argumento" besta de que sentar-se ao lado da Rainha Elizabeth não é sinal de prestígio – como se o colunista em questão ou eu estivéssemos afirmando uma ingenuidade dessas em vez de apontarmos que o respeito com que Lula foi tratado lá fora é conseqüência de anos de uma política externa cuidadosamente construída e sedimentada à base de muita diplomacia e inteligência.

Não. Em vez disso, somos "a corja comunista". Estamos "destruindo o país". (E volto a perguntar: sejam sinceros e respondam o que de tão ruim vem acontecendo em seu estilo de vida. Como o governo Lula está destruindo sua família, seus negócios e sua Sociedade? É uma curiosidade autêntica.)

O que me traz de volta à virulência de Leandro Firmino. Imagine que toda vez em que você defendesse um ponto de vista, alguém parasse na sua frente e te chamasse de "estúpido", "ignorante", "imbecil" e usasse termos como "corja", "petralha" e "esquerdalha". O que você faria?

Duas opções: sentaria a mão na cara do sujeito ou lhe daria as costas, ignorando-o.

No passado, quando era um jovem impulsivo que freqüentemente se entregava a confrontos físicos, eu certamente me entregaria à "satisfação" do murro rápido e certeiro na base do nariz, aquele que acaba com a briga antes que esta comece (e como "ganhei" brigas assim, infelizmente). Graças ao fenômeno do envelhecimento, porém, descobri que esta "satisfação" é efêmera; chega ao fim no momento em que surge: num segundo, você aprecia o estrago que fez e se sente vingado; no seguinte, percebe que continua com raiva e que, na prática, provou apenas ser um indivíduo tão ou mais ignorante do que aquele que feriu. Você perdeu. E continua puto.

Não, não, não. Não há nada que dê mais satisfação do que ignorar aqueles que merecem ser ignorados. E, portanto, no cenário hipotético que estabeleci, eu daria as costas ao agressor e o deixaria falando sozinho.

Infelizmente, o que ocorre neste blog é que os agressores estão dentro da minha casa. Entraram graças à hospitalidade que ofereci ao deixar a porta aberta, mas, em vez de devolverem a cordialidade, passaram a quebrar os móveis, a cuspir no chão e a pichar as paredes.

Hora da purgação, cavalheiros. 

Há debates e há agressões. Se você entrou aqui, na minha casa, isto não o impede de expressar seus pontos de vista mesmo que estes destoem radicalmente dos meus. Mas você não se aproximaria de seu anfitrião para chamá-lo de "ignorante" e nem se referiria aos seus companheiros de ideologia como "corja". Por que aqui deveria ser diferente?

Pois não deveria e não será.

Então que fique claro: não serei mais tolerante com este tipo de ataque. Não permitirei que este blog se transforme em palco para discursos preconceituosos, raivosos, homofóbicos ou mainardistas. Argumentos são bem vindos; retórica, sofismas e falácias típicas da Folha e da Veja, não. Não gostou? Estou certo de que o blog de Reinaldo Azevedo estará de pernas abertas à sua espera.

Para o bem de minha saúde mental e emocional, não posso mais ficar impassível ao ver este blog ser tomado pelo tipo de discurso que cresci aprendendo a desprezar.

A Ditabranda

postado em by Pablo Villaça em Livros, Personalidades, Política | 8 comentários

No update que fiz no post passado, incluí link para a carta enviada por Antônio Espinosa para a Folha e na qual desmente as informações que a "jornalista" Fernanda Odilla publicou alegando tê-lo como fonte. Pois na carta Espinosa cita um "personagem" de meu livro "O Cinema Além das Montanhas", Carlos Alberto Soares de Freitas, e achei que valeria a pena copiar aqui o trecho relevante.

(Para quem não conhece a Coleção Aplauso, subsidiada pelo Governo de SP – daí o ótimo preço -, ela é sempre escrita na primeira pessoa, como se o autor do livro estivesse "encarnando" o biografado – no caso, o cineasta mineiro Helvécio Ratton.)

"EM 1970, RESOLVI QUE ERA HORA de deixar a organização e sair do país. Não era uma decisão fácil: mesmo que as coisas estivessem afundando e as perspectivas se tornando cada vez mais sombrias, era impossível deixar de se sentir como um traidor, como se estivesse abandonando os companheiros que estavam presos e sofrendo nos porões da ditadura. Havia um enorme peso moral em largar tudo.

Além disso, eu seria obrigado a me virar sozinho, já que a organização não possuía um esquema montado para retirar os militantes perseguidos do país; tirar as pessoas da luta não era uma prioridade – e eu não sabia por quanto tempo teria que ficar escondido e nem mesmo se conseguiria sair do Brasil. Finalmente, manifestei minhas intenções para o meu contato na Var-Palmares, o dirigente Carlos Alberto Soares de Freitas. Cerca de dez anos mais velho do que eu, Beto, um sujeito afável e interessante, era muito conhecido em Belo Horizonte, onde era dono de um bar famoso na Avenida Getúlio Vargas, quase com Avenida Afonso Pena. Eu e Beto tínhamos uma relação muito afetuosa: eu gostava imensamente dele e admirava sua inteligência.     A esta altura, ele já era um dos caras mais procurados do Brasil.

Quando expliquei que pretendia deixar o país, ele aceitou minhas ponderações de forma tranqüila, embora deixasse claro que discordava de minha decisão. Muito correto, me entregou algum dinheiro para que eu pudesse sobreviver por algum tempo e, assim, nos despedimos. Ele foi uma das últimas pessoas da organização com quem estive antes de sair. Menos de um ano depois, em 15 de fevereiro de 71, Beto foi preso ao lado de dois companheiros na pensão em que residia, em Ipanema. Levado para o DOI-CODI, foi torturado durante os 100 dias seguintes, sendo finalmente assassinado com vários tiros à queima-roupa. Seu corpo nunca foi encontrado. Em homenagem à mãe deste companheiro, que passou a manter o quarto do filho exatamente como ele deixara, Chico Buarque compôs Pedaço de Mim, na qual canta:

Ó pedaço de mim, ó metade arrancada de mim
Leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu".