Política

A Folha se assumindo

postado em by Pablo Villaça em Política | 28 comentários

Outra dica da Débora Vieira.

Assustador: a Folha passou a usar o jargão empregado pela Ditadura para classificar seus oponentes como "terroristas" – aproveitando para rotular Dilma Roussef como tal no ano anterior às eleições. Uau.

Estou certo de que os direitistas-conservadores-reacionários que lêem este blog irão concordar com a pecha. Assim como certamente balançariam a cabeça, enojados, com os revolucionários-terroristas, caso vivessem naquele período durante o qual certamente elogiariam a "estabilidade econômica" proporcionada pelos militares (às custas de um terrível endividamento que nos atormentaria pelas décadas seguintes, mas e daí?).

Update: E para quem ainda quer defender a Folha, Antônio Espinosa, a fonte do artigo original da jornalista que tentou criar o link entre Dilma e o tal plano para seqüestrar Delfim, enviou uma carta à Folha desmentindo a repórter e denunciando-a por usar depoimentos fora de contexto para tentar criar um factóide contra a ministra. E a Folha, em vez de demitir a jornalista mentirosa, simplesmente se negou a publicar a carta do sujeito.

Fundo de Quintão

postado em by Pablo Villaça em Política | 28 comentários

De acordo com o jornal O Tempo, aqui de Minas Gerais, o candidato derrotado à prefeitura de BH, Leonardo Quintão, resolveu processar Tom Cavalcante pelo vídeo hilário que o comediante lançou dias antes da eleição e no qual satirizava o político. O que mais chamou minha atenção, porém, foi o fato de Quintão argumentar que Cavalcante debochou "do povo mineiro".

Para começo de conversa, me irrita profundamente essa tentativa de transformar seu próprio interesse em algo maior, como se tentasse defender a "honra" dos mineiros. Mas, mais do que isso, o revoltante é que foi o próprio Leonardo Quintão quem, ao decidir interpretar um tipo caipira durante a eleição, debochou de todo o Estado ao presumir que, encarnando um matuto, apelaria para a simpatia do povo ao despertar algum tipo de identificação. 

Talvez o eleitor mineiro é que devesse processá-lo.

 

Lula, um fracasso internacional

postado em by Pablo Villaça em Política | 52 comentários

A fracassada política externa de Lula. (Dica da querida ex-aluna Débora Vieira.)

Ressaca?

postado em by Pablo Villaça em Política, Variados | 16 comentários

Argh… que dor de cabeça pavorosa… O que aconteceu ontem? Lembro-me apenas de ter levantado no meio da noite, confuso e agitado, enquanto balbuciava algo do tipo "Preciso… mudança… tudo claro agora… sicofantas! O Pai-Nosso a vigário… Tyler! Rosebud… Rosebud!". Minhas memórias embaçadas ainda trazem vagas imagens sobre uma página azul, um texto escrito febrilmente e, então, a escuridão total e absoluta.

Só resta, agora, a dor de cabeça.

Enfim…

Recebi hoje a notícia de que os candidatos que eu apoiava para a eleição da OFCS venceram. Os três. Conseguimos, com isso, eliminar toda a diretoria antiga, que incluía um membro que estava no comando há sete anos. Ao longo da campanha e dos debates, ele chegou, aliás, a me enviar um email me ameaçando de expulsão caso eu insistisse nas críticas, mas, para seu azar, como um dos responsáveis por reescrever o estatuto há quatro anos, eu sabia que ele não tinha base alguma para isso e expus seu blefe – levando, em seguida, o caso a público nos fóruns da organização. Além disso, como falei neste post, ajudei os três candidatos que apoiava na concepção de sua estratégia, sugerindo, inclusive, que concorressem como uma chapa unica em vez de individualmente – ja que sabia que o antigo diretor certamente seria reeleito caso os votos se dividissem.

Ganhamos e, pela primeira vez em alguns anos, estou entusiasmado com o futuro da organização. Espero não estar equivocado.

A Luz

postado em by Pablo Villaça em Administrativo, Cinema, Clássicos, Luca & Nina, Música do dia, Novos filmes, Personalidades, Política, Série Musas | 129 comentários

 

 

Meninos, eu vi!

Eu vi a Luz. Finalmente, a Luz!

Não sei exatamente como isto ocorreu. Talvez eu tenha sido chamado de volta à realidade quando alguns leitores gentilmente apontaram que, apesar de me dizer esquerdista, eu comprei um iPhone. Ou talvez tenham sido os comentários de leitores como Joca e Jorel, que, antes considerados por mim como reacionários estúpidos, finalmente passaram a fazer sentido ao explicarem que a ditadura brasileira nos salvou de uma pior, de esquerda.

O fato é que eu vi. Ao acordar no meio da noite, suado e ansioso, percebi os erros em meu caminho. Chamem de epifania, inspiração divina ou isquemia cerebral, o fato é, meninos, que eu vi.

Vi o que o pastor Jorge Linhares queria dizer ao pregar que os homossexuais estavam destruindo a instituição do matrimônio. Como eu disse para minha mulher hoje cedo: "Você é fêmea, eu sou macho. É claro que é assim que as coisas devem funcionar. Agora vá fazer meu café enquanto explico para o Luca que é hora de parar com essas intimidades e de começar a me chamar de "senhor".". Se antes eu não enxergava isso, é porque estava com a visão embaçada pelo charme do liberalismo. Mas agora eu vejo claramente. E oro com devoção para que tenha me redimido a tempo de ser arrebatado ao lado de meus irmãos. E já comprei, feliz, o pacote que entregará meus documentos aos meus parentes infiéis que forem deixados para trás.

Vejo, meninos, que Dilma Roussef é uma assassina criminosa. Que deveria estar na cadeia, não no governo. Vejo que ter lutado contra a ditadura militar e a repressão era apenas mais uma prova de seu total divórcio da realidade; os revolucionários verdadeiros, aqueles que fizeram a diferença, foram aqueles que discursavam na academia, usando o charme de líder estudantil para pegar mulheres, e que rapidamente fugiram para o exterior quando as coisas ficaram feias – ganhando, com isso, o charmoso título de "exilados políticos" sem que de fato tivessem precisado fazer o trabalho duro contra os militares.

Vejo, meninos, que votarei em José Serra em 2010. Desde que ACM Neto não saia candidato, claro.

Mas vi mais: ao ler a Veja desta semana, que assinei ainda de madrugada apenas para poder acessar sua versão online na íntegra, constatei que a única forma de me manter realmente informado sobre o mundo seria assinando os blogs de Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi. Que, a partir de agora, chamarei de pastores. Como Jorge Linhares.

Vi que o layout avermelhado do Cinema em Cena e deste blog eram uma homenagem sutil ao comunismo, essa invenção maligna que gerou capetas como Che e Lula.

Vi que ser um adulto com contradições aparentes é um erro. O mundo é preto ou branco e, portanto, assim também devemos ser como indivíduos. Corrigir minhas idiossincrasias, limando-as em prol de uma identidade sem nuances é, agora, minha prioridade número um.

Ou melhor: dois. Porque minha prioridade imediata é assistir a uma sessão tripla de Vovó…zona, O Paizão e Gigolô por Acidente, dos gênios Lawrence, Sandler e Schneider.

Meninos, acreditem: eu vi.

Música do dia:

Comemorando a Ditabranda

postado em by Pablo Villaça em Política | 33 comentários

Muitos leitores têm me pedido comentários sobre a comemoração que um grupo de militares planejou para os 45 anos do golpe de 64, mas… o que posso dizer? Há certas sandices que não merecem ou precisam de comentário. Uma coisa é um dos principais jornais do país publicar um editorial minimizando a barbárie à qual fomos submetidos naqueles anos; outra é um grupo de velhinhos reacionários com espírito de ditadores celebrando seus tempos de glória. Que falem sozinhos e batam com as mãos ensangüentadas uns nas costas dos outros.

Política

postado em by Pablo Villaça em Política | 42 comentários

Eu adoro política. Mas todos aqui sabem disso. O que talvez não saibam é que meu gosto por política não diz respeito apenas às grandes campanhas nacionais, mas também a outras infinitamente menos "grandiosas": ao longo da vida, fundei o grêmio do colégio Promove Savassi e fui seu presidente por dois anos; fui presidente (ou seu equivalente: Diretor Geral) do D.A. do ICB, na UFMG; fui presidente do comitê dos estudantes secundaristas de Belo Horizonte, na época do Fora Collor (quando dei dúzias de entrevistas, discursei em carro de som em plena Praça da Liberdade e na Praça Sete, e quase fui espancado pelo MR-8 por motivos que agora não vêm mais ao caso); e só não saí como candidato a Diretor Geral do DCE da UFMG porque senti que meu curso estava sendo muito sacrificado – mas na época eu contava com o apoio geral da diretoria corrente e da UNE.

Digo isso porque estou intensamente envolvido numa das mais ferozes campanhas que já vi pela diretoria da OFCS. Não estou concorrendo, mas apoiando três candidatos que se colocaram contra os três diretores atuais – e como membro veterano da organização (estou lá há sete anos), tenho participado dos debates e aconselhado os três opositores com relação às melhores estratégias de campanha, etc. e tal. Mas tem sido uma campanha impiedosa de ambos os lados – a impressão é a de que um cargo importantíssimo para o futuro da humanidade está em jogo, o que não deixa de ser engraçado (embora não tire a seriedade da campanha).

O fato é que, como podem ver, adoro política. De qualquer tipo ou dimensão.

Religião: para que existe, mesmo?

postado em by Pablo Villaça em Mundo, Política | 385 comentários

Nunca fui contra a Religião como um conceito. Há, ao meu ver, uma importância inegável em um conjunto de crenças que não só inspiram certa responsabilidade moral em seus seguidores, mas também oferecem esperança de que algo exista além do túmulo. Imagino que, infelizmente, a certeza de não ter que responder a um ser superior levaria muitas (muitas mesmo) pessoas a agirem de maneira reprovável em seu dia-a-dia – algo que, somado ao desespero de saber que a morte encerraria tudo, poderia conduzir o mundo a uma espécie de caos muito rapidamente. Como podem ver, não confio na natureza humana e, assim, a figura de autoridade e esperança representada por um deus é algo que, acredito, contribuiu bastante para a evolução da humanidade como sociedade organizada.

Ao longo dos séculos, porém, a Religião trouxe tantas dores, promoveu tantas tragédias, que realmente não sei mais dizer se tudo valeu a pena ou não. 

E hoje, o que vemos? Em vez de contribuirem para a aproximação das culturas, de promoverem a harmonia e a compreensão, temos muçulmanos e judeus e cristãos se matando em nome da Fé; grupos quase para-militares matando médicos que praticam o aborto; pastores evangélicos que levam seus seguidores a atos de repúdio a outros seres humanos que consideram como "distorção" e por aí afora.

E agora, um arcebispo da Igreja Católica, um homem hierarquicamente influente em sua religião, diz que o aborto é um crime pior do que o estupro. Uma garota de 9 anos é violentada pelo padrasto, engravida, tem os bebês removidos para o bem de sua saúde mental e física, e o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, compara este aborto ao Holocausto, além de promover a excomunhão da mãe da menina e dos médicos responsáveis pelo procedimento. Detalhe: o estuprador não foi excomungado, já que seu crime, segundo o próprio Arcebispo, não foi tão grave quanto o aborto.

Claro que muitos católicos reprovaram a atitude do arcebispo – e o próprio presidente Lula declarou: "Como cristão e como católico, lamento profundamente que um bispo da
Igreja Católica tenha um comportamento conservador como esse. Não é possível que uma menina estuprada por um padrasto tenha esse filho, até porque a menina corria risco de vida. (…) Neste caso, a Medicina estava mais certa do que a Igreja." 

Ainda assim, um poderoso representante do Vaticano, cardeal Giovanni Battista, defendeu a atitude do arcebispo, o que não depõe a favor da Igreja como um todo. Em resumo: o estuprador é um verme canalha, mas o arcebispo e o cardeal também merecem estes adjetivos. Mas se o estuprador vai ser punido na cadeia, ao se encontrar do outro lado da moeda (ou do pênis, como queiram), que tipo de punição será aplicada aos "representantes de Deus"? Nenhuma (a não ser, claro, que ambos sejam diretamente encaminhados para o Inferno depois de mortos). Só aumentaram o sofrimento de todos os envolvidos, pioraram o problema, inflamaram as mentes dos fiéis influenciáveis e sem bom senso, e pronto.

Como se não bastasse, o arcebispo de Olinda e Recife disse o seguinte:

"A lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando a lei humana é contrária à de Deus, esta lei humana não tem valor algum".

Alguém tem que lembrar a ele que, graças a Deus, vivemos num Estado laico.

Brasil na Variety! Que orgulho!

postado em by Pablo Villaça em Política | 90 comentários

Parabéns, Marco Ribeiro! É o auge de sua carreira!

Ainda sobre a Ditabranda

postado em by Pablo Villaça em Política | 36 comentários

Dica do leitor Vítor Souza e extraído de oesquema.com.br

(Outro assunto que, como perceberam, mexeu muito comigo.)