Política

Pinochet, editor da Folha de São Paulo

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Dica do leitor Fábio sobre a origem do conceito de "ditabranda":

 Uau. A Folha, aprendiz de Pinochet.

Marco Ribeiro, Milk e o Preconceito – Parte 3: O Capítulo Final

postado em by Pablo Villaça em Política | 118 comentários

Para encerrar esta trilogia de posts (a não ser, claro, que um novo fato me leve a bancar o produtor de Hollywood e trazer a "Parte 4: O Renascimento"), quero fazer uma breve indagação sobre algo que o leitor Shiko escreveu nos comentários do post anterior sobre o assunto e que me fez lamentar até mesmo ter escrito porcamente que Marco Ribeiro tinha "direito" de discriminar homossexuais:

"As pessoas gostam de se ater à "questão de opinião". Nem tudo é uma
questão de opinião. As pessoas não dão grande bola porque é contra
homossexuais e isso está englobando a religião dele, mas eu queria ver
se o dublador não quisesse dublar um negro. Questão de opinião? Ele
está no direito de não gostar de negros ou isso é preconceito e crime?"

Ele está certo. Qual é a diferença entre discriminar negros, asiáticos, brancos, anões, deficientes físicos, autistas ou homossexuais?

Nenhuma. Absolutamente nenhuma. (E que ninguém venha com o papo de "escolha", por favor. Como disse Jon Stewart ao entrevistar Mike Huckabee, "A religião é muito mais uma questão de "escolha" do que a homossexualidade.")

Façamos o exercício de imaginação proposto por Shiko: suponhamos que Marco Ribeiro tivesse se negado a dublar Denzel Washington como Malcolm X ou Ossie Davis como Martin Luther King. Ou Dustin Hoffman em Rain Man. Ou Peter Dinklage em qualquer filme. E dissesse, em sua defesa, que isto vai de encontro à sua religião.

Apareceriam tantos defensores aqui para dizer que ele tem o direito de ter preconceito contra negros (ativistas ou não), autistas e anões?

Ah, mas com os homossexuais é diferente. O preconceito tem que ser tolerado; é uma questão de "opinião"!

Por quê?

Alguém perguntou, nos comentários, por que dedico tantos posts à causa gay. Esta é uma das razões: atualmente, os homossexuais enfrentam o que enfrentaram, no passado, negros, judeus e mulheres. Ora, não é um sinal de evolução que tenhamos passado a respeitar estes três grupos, compreendendo que devem ter os mesmíssimos direitos que brancos, cristãos e homens? Aliás, reparem que incluí, aqui, judeus e cristãos, que ao menos têm o direito de escolher seguir ou não suas orientações religiosas. (E, sim, também estou ciente de que ainda há preconceito contra todos eles, mas ao menos isso agora é condenado e ocorre de maneira quase pontual – e os intolerantes são vistos como aberrações. Bem diferente do que ocorre com os gays.)

Por que com os homossexuais é diferente? Por que discriminá-los é aceitável ou uma questão de "opinião"? Porque um grupo que optou por seguir uma religião afirma que eles são "distorções"? Que, a rigor, não deveriam ter nascido assim?

Desculpem, mas não posso e não vou aceitar isso. Viva e deixe viver. Se o que você faz no seu quarto não fere ninguém, é consensual e representa um ato de amor, palmas para você. Seja feliz. Quem sou eu (ou qualquer um) para dizer que você está errado(a)?

Marco Ribeiro

postado em by Pablo Villaça em Política, Variados | 126 comentários

O leitor Marcelo Cunha me enviou o seguinte texto publicado por Marco Ribeiro em fóruns e outros espaços na Internet:

"Alguns criaram uma polêmica sobre este assunto. Li coisas na Internet
que demonstram que as pessoas pregam a liberdade de expressão sim, mas
desde que todos pensem como elas pensam. ui ofendido, inclusive com
raciscmo, isto sim é preconceito. Se eu não fosse Cristão e Pastor isto
teria gerado tanta polêmica? Acho que não… onde está o preconceito
afinal? Não há mais liberdade de escolha? Direito de ir e vir? Existem
mais de 40 Milhões de Evangélicos no Brasil, será que eles também não
sentiram-se ofendidos com estas manifestações de hostilidade gartuitas?

Abaixo
a resposta por e-mail que dei ao Sr. Silas da Folha e foi só isso que
falei oficialmente… por que as pessoas só retiram do texto o que lhes
convém?

Fiquem com Deus.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

XXXX

Olá Silas. Obrigado por seu e-mail. É uma pena que eu não possa acrescentar muito à sua reportagem.

Li
o Blog do Sr. Tony Goes. Respeito a opinião dele e dos Internautas
mesmo sendo por vezes ásperas e demonstrando um certo desconhecimento
do que é ser Evangélico, mas dou graças a Deus pois vivemos em um País
democrático onde podemos expressar nossas opiniões e posições
livremente e onde a Imprensa é Livre e a Internet também é livre.

Tudo
o que tenho a declarar é que não tenho preconceito de nenhuma espécie,
até por que preconceito vai contra os princípios do Evangelho pregado
por Jesus Cristo, Evangelho este o qual creio e Proclamo, Evangelho
este que também diz que não devemos julgar as pessoas para não sermos
julgados e Evangelho este que nos leva a verdadeira liberdade a qual um
homem chamado Jesus proclamou há mais de 2000 anos.

Mais uma vez me desculpe e obrigado por sua atenção e por seu tempo.

Deus abençoe a sua vida.

Marco Ribeiro"


Bom, não sei de onde o direito de "ir e vir" entra na discussão, já que, pelo que eu saiba, ninguém proibiu Ribeiro de ir a lugar algum. Porém, compreendo por que ele incluiu esta pergunta em seu texto: quando estamos desesperados e não sabemos muito bem como guiar nossa defesa, temos a tendência de incluir qualquer coisa em nossa argumentação a fim de "enriquecê-la", torná-la mais "encorpada" – e, assim, considero a questão do "ir e vir" como um sintoma de que Marco Ribeiro não sabia exatamente como conciliar racionalmente sua defesa e seu instinto preconceituoso contra os homossexuais. (Acho curioso, da mesma forma, como ele se trai ao dizer que foi vítima de racismo e que "isso sim é preconceito" – como se a homofobia não o fosse).

Creio ser importante, também, esclarecer (como se isto fosse necessário) que não critiquei o "direito de expressão" de Marco Ribeiro: se ele não gosta dos gays (e não gosta, por mais que tente dizer o contrário, já que os classificou como ferramentas de uma "distorção do que Deus considera como família"), este é um direito dele. É estupidez, é sinal de uma mente atrasada e preconceituosa, é repulsivo, mas um direito dele.

Porém, ao se recusar a dublar Sean Penn, Marco Ribeiro saiu da esfera da "opinião" e se manifestou publicamente contra o filme e sua mensagem, querendo ou não. E isto o tornou um alvo aceitável para protestos como o que fiz em minha crítica. Como vários leitores argumentaram no primeiro post dedicado a este assunto, por que Ribeiro, em sua posição de "pastor evangélico", jamais se recusou a dublar assassinos, indivíduos violentos, corrompidos ou mesmo personagens de animações que trazem tons excessivamente cruéis para as crianças que as assistem? Nada disso vai de encontro à sua Fé, ao seu Evangelho? Defender a causa gay é mesmo pior do que cometer um assassinato frio e premeditado?

E por que dublar personagens afeminados que se tornam, assim, alvo de risos é algo aceitável, mas não um homossexual multifacetado e com uma história trágica e real?

O que mais me incomoda, revolta e enoja na postura de Marco Ribeiro é perceber como ele torna pública sua rejeição à homossexualidade ao mesmo tempo em que tenta posar de bom moço, como se fosse um homem tolerante e sem preconceitos. Quer agradar à sua base evangélica sem hostilizar aqueles que condenam a homofobia. Esta hipocrisia não só é repulsiva, como também perigosa. 

Não se trata, repito, de uma simples questão de "ter direito" de odiar os gays, mas sim de agir no sentido de transformar esta opinião numa condenação pública da homossexualidade.

E já que Marco Ribeiro preza tanto o modo de vida "macho", lanço aqui um desafio: seja "homem", senhor Ribeiro, e assuma publicamente sua opinião. É impossível negar-se a dublar um ativista gay por razões "religiosas" e ainda tentar alegar que não tem preconceitos. Harvey Milk foi "homem" (no sentido "machão", caricatural, da palavra) ao defender publicamente o que acreditava. Já que o considera indigno de receber sua voz, prove ao menos que tem a coragem similar para defender aquilo que acredita.

Pior do que um homófobo é um homófobo hipócrita.

Milk

postado em by Pablo Villaça em Críticas, Novos filmes, Política, Variados | 208 comentários

A crítica está aqui. Porém, considero relevante (e mesmo importante) copiar, aqui, a observação que acrescentei ao final do texto:

O dublador Marco Ribeiro, que normalmente empresta a voz às versões brasileiras dos filmes estrelados por Sean Penn, recusou-se a desempenhar esta função em Milk. Inicialmente,
pensei que sua hesitação devia-se à dificuldade do projeto, já que o
trabalho de voz de Penn é extremamente complexo ao equilibrar-se
delicadamente entre a afetação e a sobriedade – e qualquer leve desvio
neste equilíbrio poderia transformar a atuação em algo caricato e
risível.

 

Infelizmente,
eu estava errado: Ribeiro recusou o trabalho por ser pastor evangélico.
Em sua defesa, ele alega não ter preconceito algum contra homossexuais,
embora tenha dito ter “a voz envolvida com outras questões”. Disse,
também, que queria apenas “evitar aborrecimentos”, já que muitos
membros da comunidade evangélica o condenariam por seu envolvimento na
dublagem de
Milk.

 

Em primeiro lugar, Ribeiro escreveu (como informa a matéria linkada aqui),
no site de sua congregação, que famílias encabeçadas por membros do
mesmo sexo são uma “distorção do que Deus disse sobre o que deveria ser
a família” – mais um exemplo de pastores que, em sua inabalável certeza
de falarem por Deus, se entregam sem reservas a incitar o ódio entre
seus filhos (ou os homossexuais foram criados por Xenu?).

 

Além
disso, mesmo que Ribeiro queira apenas evitar problemas (algo que, como
exposto acima, me parece duvidoso), sua atitude conformista diante do
preconceito de seus companheiros de credo é covarde e cúmplice –
especialmente se considerarmos sua posição de “pastor”, de líder da
congregação. Não deveria ele ser o primeiro a iluminar seus “irmãos”,
afastando-os do caminho do ódio e da intolerância?

 

Ao se recusar a dublar Milk,
Marco Ribeiro apenas toma uma atitude similar à de Dan White, tirando a
voz de alguém que, ao contrário dele, buscava fazer algo do qual seu
Deus se orgulharia: promover a harmonia, o amor e a união entre os
habitantes deste já suficientemente hostil planeta.

Ditabranda? Ditabranda?!

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 129 comentários

Em editorial publicado na última terça-feira, dia 17, sobre os esforços de Hugo Chávez para se manter no poder na Venezuela, a Folha de São Paulo trouxe o seguinte absurdo:

“Mas, se as chamadas “ditabrandas” –caso do Brasil entre 1964 e 1985
partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam
formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo
autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no
Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os
controles democráticos por dentro, paulatinamente.”

“Ditabranda”. “Ditabranda“.

Filhos da puta. Suponho que, ao contrário de tantas outras famílias, os canalhas por trás deste editorial não perderam parentes para a “ditabranda”. Nem tiveram parentes torturados pelos agentes desta “ditabranda”.

Eu tive. Há, em minha família, pessoas que trazem nos corpos e nas mentes as seqüelas das torturas dos assassinos do DOPS e do governo militar. E estas pessoas que amo, por sua vez, perderam muitos amigos naquele período.

Como a Folha se atreve, por qualquer motivo que seja, a usar o adjetivo “branda” em relação à sangrenta ditadura brasileira? Tivesse o autor deste texto imbecil ficado pendurado num pau-de-arara por horas, tivesse ele levado choques nos genitais por dias, tivesse ele experimentado a agonia de um arame quente enfiado em sua uretra, tivesse ele sentido as unhas se despregando da carne, tivesse ele visto amigos morrendo sob pauladas, tivesse ele corrido o risco de ter o corpo descartado como lixo no mar ou enterrado em cova rosa como um cachorro sem dono, tivesse ele sentido dezenas de cigarros sendo apagados em sua pele, tivesse ele experimentado o pavor do afogamento em um tonel repleto de água, tivesse ele ouvido as companheiras sendo violentadas por torturadores ou sodomizadas com cassetetes, tivesse ele um mínimo de respeito para com quem passou por tudo isso, não escreveria uma barbaridade dessas. Ou, tendo escrito, se retrataria imediata e publicamente pelo absurdo cometido.

No mesmo texto, o imbecil escreve:

“Nesse contexto, e diante de
uma oposição revigorada e ativa,
é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da
vitória de domingo.”

Pois em nossa “ditabranda”, caro editor da Folha, a oposição não podia se dar ao luxo de se sentir “revigorada” ou provocar o “desconforto” do governo, já que estava sob constante e sangrento ataque, sendo punida não com uma derrota política, mas com a perda da própria vida.

O que há de brando nisso?

Morre o Garganta Profunda

postado em by Pablo Villaça em Política | 12 comentários

W. Mark Felt Sr., mais conhecido como o "Garganta Profunda" que direcionou as investigações de Bob Woodward e Carl Bernstein no caso Watergate, morreu aos 95 anos de idade. Seu maior legado: ajudar a derrubar um presidente corrupto. Well done, Deep Throat. Well done.

John McCain

postado em by Pablo Villaça em Política | 7 comentários

Depois de ler as sete partes da matéria sobre os bastidores das campanhas de Obama e McCain, devo reconhecer que fui injusto com este último. De acordo com os jornalistas da Newsweek, McCain seguiu a contragosto boa parte das sugestões dos estrategistas republicanos que conduziram sua campanha, buscando sempre argumentar quando recebia instruções para adotar uma postura negativa, de puro ataque.

É claro que, sendo o candidato, ele tinha poder de veto e preferiu não usá-lo, seguindo os conselhos dos (aí, sim) canalhas que o guiavam, mas é um alívio saber que ele ao menos ofereceu alguma resistência, fazendo jus ao homem admirado que foi até mesmo pelos liberais durante boa parte de sua carreira.

Pena que o McCain pós-2006 é quem provavelmente será lembrado pela posteridade.

O casamento entre homossexuais

postado em by Pablo Villaça em Política, Variados | 95 comentários

Ontem à noite, o âncora Keith Olbermann, da MSNBC, fez um comentário emocionante (e emocionado) sobre a aprovação da Proposta 8, que baniu o casamento entre homossexuais na Califórnia. É uma fala tão sensata e humana que não pude deixar de traduzi-la, mesmo que parcial e rapidamente, para postá-la aqui no blog ao lado do vídeo que traz o pequeno discurso de Olbermann. (Se quiser reproduzir a tradução em algum lugar, sinta-se à vontade – mas peço apenas que cite este blog como fonte, ok?)

“Alguns esclarecimentos, como prefácio: não é uma questão de gritaria ou política ou mesmo sobre a Proposta 8. Eu não tenho nenhum interesse pessoal envolvido, não sou gay e tive que me esforçar para me lembrar de um membro de minha imensa família que é homossexual. (…) E, apesar disso, essa votação para mim é horrível. Horrível. (…) Porque esta é uma questão que gira em torno do coração humano – e se isto soa cafona, que seja.

Se você votou a favor da Proposta 8 ou apóia aqueles que votaram ou o sentimento que eles expressaram, tenho algumas perguntas a fazer, porque, honestamente, não entendo. Por que isso importa para você? O que tem a ver com você? Numa época de volubilidade e de relações que duram apenas uma noite, estas pessoas queriam a mesma oportunidade de estabilidade e felicidade que é uma opção sua. Elas não querem tirar a sua oportunidade. Não querem tirar nada de você. Elas querem o que você quer: uma chance de serem um pouco menos sozinhas neste mundo.

Só que agora você está dizendo para elas: “Não!”. “Vocês não podem viver isto desta forma. Talvez possam ter algo similar – se se comportarem. Se não causarem muitos problemas.” Você se dispõe até mesmo a dar a elas os mesmos direitos legais – mesmo que, ao mesmo tempo, esteja tirando delas o direito legal que tinham (o do casamento civil). Um mundo em volta deste conceito, ainda ancorado no amor e no matrimônio, e você está dizendo para elas: “Não, vocês não podem se casar!”. E se alguém aprovasse uma Lei dizendo que você não pode se casar?

Eu continuo a ouvir a expressão “redefinindo o casamento”. Se este país não tivesse redefinido o casamento, negros não poderiam se casar com brancos. Dezesseis Estados tinham leis que proibiam o casamento inter-racial em 1967. 1967! Os pais do novo Presidente dos Estados Unidos não poderiam ter se casado em quase um terço dos Estados do país que seu filho viria a governar. Ainda pior: se este país não houvesse “redefinido” o casamento, alguns negros não poderiam ter se casado com outros negros. (…) Casamentos não eram legalmente reconhecidos se os noivos fossem escravos. Como escravos eram uma propriedade, não podiam ser marido e mulher ou mãe e filho. Seus votos matrimoniais eram diferenciados: nada de “Até que a morte os separe”, mas sim “Até que a morte ou a distância os separe”.

O casamento entre negros não era legalmente reconhecido assim como os casamentos entre gays (…) hoje não são legalmente reconhecidos.

E incontáveis são, em nossa História, os homens e mulheres forçados pela sociedade a se casarem com alguém do sexo oposto em matrimônios armados ou de conveniência ou de puro desconhecimento; séculos de homens e mulheres que viveram suas vidas envergonhados e infelizes e que, através da mentira para os outros ou para si mesmos, arruinaram inúmeras outras vidas de esposas, maridos e filhos – apenas porque nós dissemos que um homem não pode se casar com outro homem ou que uma mulher não pode se casar com outra mulher. A santidade do matrimônio.

Quantos casamentos como estes aconteceram e como eles podem aumentar a “santidade” do matrimônio em vez de torná-lo insignificante?

E em que isso interessa a você? Ninguém está te pedindo para abraçar a expressão de amor destas pessoas. Mas será que você, como ser humano, não teria que abraçar aquele amor? O mundo já é hostil demais. Ele se coloca contra o amor, contra a esperança e contra aquelas poucas e preciosas emoções que nos fazem seguir adiante. Seu casamento só tem 50% de chance de durar, não importando como você se sente ou o tanto que você batalhará por ele. E, ainda assim, aqui estão estas pessoas tomadas pela alegria diante da possibilidade destes 50%. (…) Com tanto ódio no mundo, com tantas disputas sem sentido e pessoas atiradas umas contra as outras por motivos banais, isto é o que sua religião te manda fazer? Com sua experiência de vida neste mundo cheio de tristeza, isto é o que sua consciência te manda fazer? Com seu conhecimento de que a vida, com vigor interminável, parece desequilibrar o campo de batalha em que todos vivemos em prol da infelicidade e do ódio… é isto que seu coração te manda fazer?

Você quer santificar o casamento? Quer honrar seu Deus e o Amor universal que você acredita que Ele representa? Então dissemine a felicidade – este minúsculo e simbólico grão de felicidade. Divida-o com todos que o buscam. Cite qualquer frase dita por seu líder religioso ou por seu evangelho de escolha que te comande a ficar contra isso. E então me diga como você pode aceitar esta frase e também outra que diz apenas: “Trate os outros como gostaria de ser tratado”.

O seu país – e talvez seu Criador – pede que você assuma uma posição neste momento. Um pedido para que se posicione não numa questão política, religiosa ou mesmo de hetero ou homossexualidade, mas sim numa questão de Amor. (…) Você não tem que ajudar ou aplaudir ou lutar por ela. Apenas não a destrua. Não a apague. Porque mesmo que, num primeiro momento, isto pareça interessar apenas a duas pessoas que você não conhece, não entende e talvez não queira nem conhecer, é, na realidade, uma demonstração de seu amor por seus semelhantes. Porque este é o único mundo que temos. E as demais pessoas também contam.”

Nos bastidores da campanha de Obama

postado em by em Política, Variados | 8 comentários

Uma equipe de jornalistas da Newsweek acompanhou os bastidores das campanhas de Obama e McCain durante o último ano, prometendo, em troca do acesso, aguardar as eleições para só então publicarem a matéria relatando o que observaram. A primeira das sete partes da série já pode ser lida aqui e oferece um retrato instigante sobre as inseguranças de Obama, sua relutância inicial em aceitar se candidatar, sua severa auto-crítica com relação à própria performance nos debates das prévias democratas e até mesmo relatos dos bastidores da fracassada campanha de Hillary Clinton (oferecendo, inclusive, explicações para o desastre em função das disputas internas dos acessores assessores (Embarassed) da senadora).

Se você tem facilidade com inglês, a matéria é imperdível.

Aqui estão os Capítulos 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Eleição nos EUA

postado em by Pablo Villaça em Política | 50 comentários

(00:35) A CNN acaba de projetar que Ohio, tão determinante na vitória de Bush em 2004, irá para Obama este ano. E nenhum republicano jamais foi eleito Presidente sem ganhar também em Ohio. Somada às vitórias (projetadas) de Obama na Pennsylvania e (possivelmente) Flórida, não há mais esperança para McCain e Palin!
 
(Meus posts durante a noite de eleição de 2004 estão – na ordem – aqui, aqui e aqui. Como é bom não ter que repetir a angústia daquela noite.)
 
(01:08) A CNN ainda não "deu" o Texas para Bush McCain (dá no mesmo), mas a MSNBC, sim. Isto já era esperado. Assim, os votos eleitorais se dividem entre Obama e McCain em 207-129 (a CNN ainda traz 207-95).
 
(01:11) Obama precisa de apenas mais 8 votos eleitorais para se tornar o próximo Presidente dos Estados Unidos. Por que oito? Porque o eleito precisa conquistar 270 votos eleitorais e Obama já tem 207. Porém, a Califórnia (e seus 55 votos) pertence a Obama, sem dúvida alguma, totalizando 262 votos. Restam oito, portanto (a Pensilvânia e Ohio fizeram uma imensa diferença, como podem ver).
 
(01:24) Uma outra disputa que desperta meu interesse é pelo senado em Minnesota, onde o comediante Al Franken (ex-roteirista do Saturday Night Live) pode derrubar o atual ocupante do cargo, o repulsivo republicano Norm Coleman. Minha admiração por Franken, que já era grande em função de sua atuação na ótima iniciativa do Air America Radio, cresceu ainda mais quando assisti ao bom documentário Al Franken: God Spoke, sobre o qual escrevi o seguinte:
 
"

A inteligência, o carisma e a presença de
espírito de Franken são notórios, assim como seu pavor à retórica da direita
norte-americana – algo que o filme ilustra de maneira burocrática. Além disso,
a falta de foco do documentário leva-o a parecer um mero instrumento de
propaganda, o que é lamentável."
 
Depois dizem que não consigo separar minha ideologia do meu papel como crítico…
 
(01:30) Esqueci que Washington também encerra sua votação ao mesmo tempo que a Califórnia. (Obrigado, Danilo!) E que tem direito a 11 votos no colégio eleitoral. E que é um Estado democrata.
 
Em outras palavras: a eleição já acabou. Barack Hussein Obama é o novo Presidente dos Estados Unidos.
 
Só falta McCain fazer seu "concession speech" (discurso de admissão da derrota).
 
(01:47) Adoro novas tecnologias – e o touch-screen gigante usado pela CNN é o tipo de brinquedinho que me faz salivar. Porém, há um limite entre o inovador e o patético. E a CNN acabou de cruzar este limite com a participação de um certo músico chamado Will.I.Am. Além de não fazer o menor sentido trazer a "sábia" participação de um "expert" como este, a emissora ainda está exibindo a conversa entre o artista e o âncora Anderson Cooper através de uma… simulação de holograma! E, para piorar, a legenda ainda anuncia, orgulhosa: "Will.I.Am via Holograma".
 
Oh, Deus…
 
(01:57) Em três minutos, as urnas fecham na Califórnia, no Havaí, em Idaho, em Oregon e em Washington. E, neste instante, Barack Obama será o novo Presidente dos EUA. Três minutos e a História será feita: um negro com sobrenome "Hussein" se tornará líder do país mais poderoso do mundo.
 
(02:00) Acabou. Presidente Barack Hussein Obama. Fim da era do genocida Bush e seus asseclas desprezíveis.
 
(02:19) John McCain está fazendo seu discurso admitindo a derrota. Ao mencionar Obama, o público começou a vaiar e McCain, obviamente constrangido, pediu que parassem – justamente a postura contrária daquela que demonstrou durante toda a campanha, quando pregou a intolerância e estimulou manifestações de ódio do tipo "Cortem a cabeça de Obama!", etc. Pena que agora seja tarde demais para evitar todo este ódio.
 
A propósito: não deixa de ser trágico que a avó de Obama, que praticamente o criou, tenha morrido na véspera da eleição que consagraria seu neto.
 
(02:23) Coleman ultrapassou Franken em Minnesota. Parece que a noite não será perfeita.
 
(02:34) Franken está ganhando novamente. Taí uma disputa que só será definida depois dos 99% de votos apurados.
 
(02:57) Barack Obama e sua família se apresentam diante do público enlouquecido, em Chicago. Que medo de vê-lo levando um tiro… (Sim, sou paranóico, mas a História dos Estados Unidos justifica este medo, não?)
 
(03:14) Um discurso elegante de Obama, mas contido demais, não? (E precisava do "God bless the United States of America", que ele evitou em toda a campanha?) A propósito: quando McCain deixou o palco depois de discursar e reconhecer sua derrota, a trilha de Maré Vermelha acompanhou sua saída.
 
Maré Vermelha. Um filme (sensacional, diga-se) sobre um veterano comandante branco que é deposto por um homem mais jovem que é idealista… e negro. E pensar que a escolha não foi proposital…
 
(03:16) Coleman voltou a ultrapassar Franken e está se distanciando. Além disso, a "Proposta 8", que bane o casamento homossexual, irá ser aprovada, provavelmente. Como disse antes, a noite não será perfeita.
 
Vou dormir.