Série Jornalistas

A falta de ética do Estadão

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas | 31 comentários

Em matéria sobre o colete utilizado pelo goleiro Júlio César na partida contra Portugal – e que foi exposto enquanto o jogador era atendido pela equipe médica em campo -, o jornalista Silvio Barsetti, certamente se sentindo muito esperto, incluiu a seguinte passagem em seu texto (grifos meus):

"'Tem um negócio de ferro ali, mas não vai escrever isso, por causa da
Fifa, senão você vai me ferrar", disse ele a um repórter, já no final da
área de entrevista. Na hora da confidência, Julio não percebeu que era
observado pela reportagem do Estado
.'"

De acordo com o próprio Barsetti, é óbvio que Júlio César estava falando em "off", ou seja: que sua declaração naquele momento não deveria ser utilizada no texto impresso. A prática do "off" é algo antiquíssimo e sagrado no jornalismo; é uma forma dos jornalistas descobrirem elementos importantes sem que, com isso, comprometam suas fontes. A idéia é a de que, de posse de uma informação em "off", o profissional possa buscar elementos relacionados que a corroborem ou, no mínimo, que a use para extrair informações "on the record" (que possam ser publicadas) junto a outras fontes.

Exemplo: sabendo que o colete tinha "um negócio de ferro", o jornalista poderia buscar mais informações sobre o material, sobre seu tempo de uso, questionar a equipe médica acerca de sua existência (citando, por exemplo, que "uma fonte" havia confirmado seu uso pelo goleiro) e assim por diante. A vantagem de tal procedimento é que o jornalista saberia que o colete foi usado (algo que Júlio César poderia simplesmente negar) ao passo que o goleiro teria seu anonimato preservado – o que, claro, o estimularia eventualmente a oferecer outras informações importantes em "off".

Em outras palavras, todos ganhariam com isso: jornalista, fonte e leitores.

O que definitivamente não se faz é publicar uma informação fornecida em "off". Pior ainda é identificar a fonte. E ainda pior – e mais sujo – é identificar a fonte e dizer que ela pediu para não ser identificada.

Silvio Barsetti podia até não ser o jornalista entrevistando o goleiro no momento da confissão, mas ele – como seu texto deixa claro – percebeu claramente que a declaração havia sido feita em off e para um colega. Assim, ele não só faltou à ética ao roubar a informação conseguida por um companheiro (e reparem que ele nem cita o outro jornalista) como ainda fez tudo o que não se deve fazer com uma declaração dada em "off".

Caso houvesse publicado a nota sobre o colete sem citar o goleiro, Barsetti poderia até ser perdoado por sua inacreditável falta de seriedade profissional (embora continuasse a ser um péssimo colega que rouba notícias de companheiros), mas ao expor Júlio César, sabendo que o jogador ainda poderia ser punido (e, repito, se vangloriando de sua "esperteza" na nota), ele merece apenas o desprezo de qualquer um que valorize o bom jornalismo.

Foxlha: Desrespeito à vida

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas | 49 comentários

E quando penso que a Foxlha não pode afundar mais (clique na imagem para ir à matéria)… 

 

Aprendam com os mestres

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 88 comentários

Como transformar em algo negativo o fato da TIME, uma das revistas mais importantes do planeta, ter apontado Lula como um dos principais líderes do mundo?

Simples e só leva alguns passos:

1) Diga que, embora esteja em primeiro lugar na lista, esta não foi colocada em ordem de importância. Curioso, já que tampouco está em ordem cronológica ou de idade dos indivíduos listados. Na falta de explicação, diga que é porque o texto que o homenageia foi escrito por um cineasta importante norte-americano, Michael Moore, mas esqueça de perguntar por que justamente Lula foi escolhido para ter um texto escrito por alguém famoso.

2) Concentre-se no fato de que Lula, embora seja listado entre os 25 mais importantes do mundo, não é o mais importante.

3) Bata nesta tecla.

E pronto.

Caso FHC ou Serra tivessem sido citados numa lista que trouxesse, digamos, os cem homens mais importantes do mundo, o UOL manteria uma chamada imensa em destaque por três dias. Como foi Lula, deixou por algumas poucas horas e enterrou a manchete. Não satisfeito, resolveu voltar com a seguinte chamada: 

Em outras palavras: a notícia positiva se transformou em uma manchete negativa. Em vez de "Em destaque na revista TIME, Lula é eleito um dos homens mais influentes do mundo" (uma manchete que, aposto meus dois rins, seria a escolhida caso o homenageado fosse tucano), o UOL aposta em "Time nega ter escolhido Lula o líder mais influente do mundo". Com essa manchete na capa, o portal mais acessado pelos internautas brasileiros cria uma impressão negativa no leitor casual, que não procura se informar mais, e ainda faz uma sutil sugestão de que alguém – possivelmente o PT ou o próprio Lula – mentiu dizendo que o Presidente foi honrado pela revista com o tal título.

Detalhe: o UOL pertence ao mesmo grupo da Foxlha.

Agora digam se estou louco ou se não se trata mesmo de uma imensa desonestidade por parte do portal?

VEJA: Dois Candidatos, Duas Medidas

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 139 comentários

Capa de 24 de fevereiro anunciando a candidatura de Dilma Rousseff: 

Em preto-e-branco, triste, enquanto Dilma olha para o lado com expressão séria, quase calculista. Referência aos "radicais do PT", alusões à sua ideologia (e contraste ao pragmatismo necessário para governar um país) e, claro, referência a um mundo "em crise".

Agora vejamos a capa de 21 de abril anunciando a candidatura de Serra: 

O candidato olha diretamente nos olhos do (e)leitor em uma capa viva, colorida, enquanto procura sorrir abertamente. O texto faz alusão à sua vitória ("Brasil pós-Lula") e traz uma única chamada com a garantia (feita pelo próprio Serra) de que se preparou a vida inteira para ser presidente.


I rest my case.

Update: Como o Datafolha manipulou sua última pesquisa para colocar Serra 10 pontos acima de Dilma. (Update do update: algumas das colocações feitas pelo autor do blog geraram controvérsia. Sugiro que leiam também os comentários daquele blog e as respostas do autor.)

Update 2: Graças a uma dica do leitor Tadeu Porto, fui conferir a capa que a revista TIME deu a Barack Obama quando este venceu as eleições. E… 

VEJA: Duas Chuvas, Duas Medidas

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 82 comentários

Encontrei essa comparação de capas no twitter da leitora Renata Arruda e… bom, as imagens falam por si mesmas: a falta de ética (não, dane-se o eufemismo: a corrupção moral e jornalística de uma revista canalha) é ilustrada pela abordagem das matérias sobre as chuvas em SP (território tucano) e no Rio. 
 

Capa da edição de 10/02/2010
 

Capa da edição de 14/04/2010

“A não mais solitária luta de Pablo Villaça pelos direitos autorais”

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Série Jornalistas | 30 comentários

Matéria publicada no site da APIJOR (Associação Brasileira de Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais). Recomendo a leitura por conter informações relevantes sobre a questão dos direitos autorais. De todo modo, reproduzo abaixo a entrevista que concedi à jornalista Vanessa Silva para a matéria:

1) Não foi a primeira ocorrência de jornais que utilizam seus conteúdos sem autorização. Como vê essa relação dos veículos com o trabalho jornalístico na internet?

Não, não foi. Há 20 dias, o Tribuna Independente de Alagoas não só reproduziu um texto meu na íntegra como ainda o alterou para que parecesse que o escrevi especialmente para o jornal. (Acrescentaram um "que estréia amanhã, em Maceió" no meio da frase de abertura.) Além disso, no ano passado, o Notícias do Dia de Joinville (SC) republicou minha crítica sobre "O Leitor" – algo que descobrimos vários meses depois. Ao ser procurado pelo departamento jurídico do Cinema em Cena, o editor do jornal foi grosseiro e negou fazer qualquer tipo de reparação. Estamos estudando como agir.

Estes são apenas três exemplos mais extremos: praticamente todos os dias (mesmo), recebo notificações do serviço Copyscape (www.copyscape.com), que assino, me notificando sobre uso de TRECHOS de meus textos em artigos, notas e críticas publicadas em jornais de todo o país – e que nem se preocupam em fornecer créditos ou links para o Cinema em Cena. Não que fornecer os créditos seja o bastante: vivo do que escrevo e crédito não põe comida na mesa. Se alguém usa algo que escrevi, quero (e tenho o direito de) ser pago por isso.

Infelizmente, isso vem acontecendo com freqüência cada vez maior. Por alguma lógica deturpada e irracional, muitos acreditam que algo publicado na Internet é de domínio público e não pensam duas vezes antes de copiar textos inteiros ou trechos específicos, numa falta de ética absoluta que reflete a notória queda na qualidade do jornalismo brasileiro. Triste.

2) Você vai entrar com alguma ação contra o Jornal da Imprensa?

O editor do veículo entrou em contato comigo e pediu desculpas formais. Agora o departamento jurídico do Cinema em Cena discutirá com ele um valor a ser pago pela reprodução da matéria. Como falei, desculpas e créditos não são aceitos no supermercado e nem na tesouraria da escola dos meus filhos.

3) Qual a sua reação ao encontrar um texto de sua autoria sendo utilizado sem sua autorização?

Revolta, frustração, raiva. É terrível ver o fruto do seu trabalho sendo roubado – especialmente com tamanha freqüência e sem pudor algum.

4) Isso ocorre por que motivo? As empresas não têm conhecimento sobre a Lei dos Direitos Autorais, os jornalistas não tem conhecimento sobre seus direitos e por isso “deixam passar” atitudes como essa…

Uma combinação de fatores: em primeiro lugar, como escrevi anteriormente, há essa visão estúpida de que algo publicado na Internet é de domínio público. Além disso, há o amadorismo: indivíduos que ficam tão felizes em ver seus trabalhos publicados/reproduzidos em algum lugar que praticamente se vangloriam por isso – e são muitos, lamentavelmente. Como se não bastasse, há aqueles que trabalham de graça (ou praticamente), aceitando o simples crédito como retribuição pela "colaboração". O que, claro, contribui para criar nas empresas esse sentimento arrogante de que tudo lhes pertence; se querem um texto, basta pegá-lo e pronto.

E, sim, a falta de iniciativa daqueles que são roubados é algo que só colabora para que esta prática se torne comum. Posturas como "ah, vai dar trabalho conseguir ser pago", "o que posso fazer? Gastar com advogados?", etc, é algo não só preocupante, mas que indica uma passividade lamentável. Particularmente, devo dizer que no ano passado recebi cerca de 2 mil reais líquidos apenas de cobrança de textos reproduzidos ilegalmente. Não é muito, mas é um "extra" – um dinheiro que entrou sem que eu esperasse, o que é sempre bom.

5) A Apijor é a associação de cuida dos direitos autorais dos jornalistas. Temos um boletim diário sobre direitos autorais e outras temáticas relativas à comunicação. Qual sua apreciação a respeito desta iniciativa? Já conhecia a entidade?

Não, não conhecia. Como disse, sempre batalhei sozinho (ou melhor: ajudado pelo jurídico do Cinema em Cena) por meus direitos e muitas vezes senti uma frustração imensa ao julgar que esta era uma batalha solitária. É bom saber que a Apijor existe e atua para combater esta prática.

6) As empresas, principalmente na Europa, criaram um movimento (Declaração de Hamburgo) contra os agregadores de notícias que indexam conteúdos de notícias mas não revertem nenhum dinheiro para os produitores desses conteúdos. Alguns críticos consideram que essa atitude não será revertida em benefícios para os profissionais, que continuarão não recebendo a mais ou a menos. Qual a sua opinião a respeito?

Há dois tipos de agregadores de notícias: aqueles que linkam para os textos originais e outros que reproduzem as matérias na íntegra ou a maior parte destas. Quanto aos primeiros, nada tenho contra, já que direcionam público para os veículos responsáveis pelas matérias, gerando tráfego e receita em potencial. Quanto aos últimos, devem ser combatidos como o que são: ladrões de conteúdo, publicações que infringem direitos autorais e devem pagar por isso.

—–

Aproveito para agradecer à APIJOR pelo interesse demonstrado pelo assunto e por lutar pelos direitos dos produtores de conteúdo.

Outra da Foxlha?

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas | 26 comentários

Em matéria veiculada na Foxlha Online, encontrei o seguinte trecho:

"Assim que apareceu com a câmara de vídeo, e graças a um trabalho muito
festejado no mundo fashion, Madeira foi procurado por estilistas. Glória
Coelho batalhou para que ele, e não o produtor de vídeos Richard Luiz,
recomendado pelo SPFW, filmasse o desfile de sua grife. Bateu o pé e
conseguiu. Eduardo Dugois, assessor de Glória, confirma, mas diz que ela
não quer falar sobre o assunto: "Não põe o nome dela, não, tá?", pede."

Agora uma pergunta: ao pedir para não incluir certa informação, o tal assessor não teria deixado claro que estaria falando em off? Assim sendo, ao incluir não só o que ele disse, mas também seu nome (e o próprio pedido de off), não teria a matéria cometido um dos pecados capitais da ética jornalística – desrespeitar a fonte e o sigilo desta?

A Foxlha e o Dramaturgo

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas | 18 comentários

A Foxlha de São Paulo continua a aprontar: aparentemente irritadinha por não conseguir uma entrevista exclusiva com o dramaturgo Mário Bortolotto depois que este saiu do hospital (lembrem-se: ele levou três tiros ao reagir a um assalto, há alguns meses), o jornal decidiu, segundo o próprio escritor, fazer campanha contra ele, levantando insinuações mil.
 
Incrível.
 
Update: Conhecendo a filosofia foxlhenesca do jornal, é claro que posiciono-me instantaneamente ao lado de Bortolotto. Dito isso, em seu novo post, o dramaturgo escreveu: "Vou te dizer uma coisa, Mauricinho, tu tem sorte que eu tô com o braço quebrado, porque senão minha retratação ia ser uma porrada no meio dessa tua fuça de cuzão". Depois de ler isso, abandono a questão (não as críticas à Foxlha, que voltarão sempre que necessárias), já que, na adolescência, aprendi a seguir a expressão "apelou, perdeu". Ao abandonar a compostura e agir como um troglodita, um ignorante, Bortolotto demonstra apenas não ter bom senso e civilidade mínimos para manter uma discussão de alto nível. E se o maior interessado na questão age assim, por que eu deveria sair do meu caminho para apoiá-lo?
 
O mais triste é perceber que sua experiência de quase morte não o fez mudar nada em sua postura de valentão. Particularmente, ao passar por minha experiência de quase morte, senti que amadurecia anos em poucos dias. Depois que você percebe como é frágil, constata também como é tolice esbravejar e agir como um ignorantão. Pelo menos, foi assim comigo.
 
Bortolotto está por conta própria.

Folha de São Paulo: a Fox News Brasileira

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 64 comentários

Não é preciso ser lulista como eu para concluir que a Folha de São Paulo desta vez passou de qualquer limite aceitável no que diz respeito à ética jornalística. Vou além: se o conto (porque é um conto) de César Benjamin girasse sobre Fernando Henrique ou José Serra, minha revolta com relação a este tablóide (porque virou um tablóide) seria absolutamente a mesma.

Senão vejamos: um sujeito escreve um artigo afirmando que, há 15 anos, o atual Presidente da República confessou, durante um almoço, ter tentado estuprar um jovem militante do MEP enquanto dividiam a mesma cela. O autor do texto não possui qualquer evidência que comprove sua gravíssima denúncia, afirma não se lembrar direito de quem estava à mesa, identificando apenas dois nomes diretamente ligados ao Presidente, e confessa não saber quem era a tal vítima de estupro.

O que a Folha faz? Ora, óbvio: publica o artigo sem pensar duas vezes.

Este é o exemplo perfeito da extrema irresponsabilidade que tomou conta de órgãos como Folha, Veja e afins. É por isso que a nova Lei de Imprensa se tornou pauta. Se os grandes veículos passaram a se comportar como crianças, dizendo o que lhes vem à mente sem avaliar as conseqüências e sem embasar o que afirmam, a coisa está muito errada. 

Aliás, retiro o que disse: eles avaliam, sim, as conseqüências. E é isso que motiva artigos como este. Se a reputação do Presidente e sua aprovação pela população parecem inabaláveis depois de tantos artigos de ataque, resta apenas a apelação total: acusá-lo de crime sexual. E de natureza homossexual. Chego a me questionar se a Folha não cogitou a possibilidade de dizer que Lula ainda chutou uma Santa depois de tentar violentar o "menino do MEP", já que isto seria o complemento perfeito para um artigo que visa despertar a revolta do brasileiro médio. 

A tática politiqueira da Folha (abraçada com entusiasmo pelo canalha Reinaldo Azevedo, que saltou sobre a notícia como um cão faminto salta sobre um osso) em nada difere do que vermes como Glenn Beck, Bill O'Reilly e Sean Hannity vêm fazendo na Fox News ao sugerirem que Obama é "comunista" e quer "matar velhinhos" com seu projeto de atendimento médico patrocinado pelo Estado. Ou ao insinuarem que ele não nasceu em solo norte-americano. 

Publicar um artigo desses é a morte definitiva da Folha. Que começou a se matar ao emprestar seus furgões para transportar presos torturados na Ditadura, ao calar-se no meio da investigação sobre o Sr. X que pagou 200 mil dólares para os deputados federais pela emenda da reeleição e ao rebatizar o período mais trágico de nossa história política recente como "ditabranda". 

E que ela cumpra seu dever agora e apure o factóide que criou, buscando o "menino do MEP" e tentando confirmar o depoimento de Benjamin – lembrando-se de que, ao falhar, cimentará de vez qualquer vestígio de integridade que ainda possuía.

Update: Na edição de hoje, sábado (28/11), a Folha apurou a informação de que a denúncia de tentativa de estupro era infundada (oh!). Deveria ter feito isso ontem, antes de publicar essa coisa nojenta. Além disso, a VEJA (um amálgama de Pat Robertson, Rush Limbaugh, Ann Coulter e o Diabo) entrevistou o suposto "menino do MEP", que negou tudo. A manchete usada pela VEJA para a matéria? Se você pensou em algo como "Menino do MEP nega que Presidente tenha tentado estuprá-lo" ou algo mais claro, não conhece as táticas repulsivas da revista. O título é, simplesmente, "Triste e abatido".

Enquanto isso, o cineasta Silvio Tendler afirmou estar presente durante a tal conversa e negou categoricamente que Lula tenha confessado ter tentado estuprar um colega de cela e…

… não dá. Simplesmente não dá. Só de escrever esta última frase senti vontade de rir do absurdo. Então um candidato à Presidência, em meio a uma campanha disputadíssima, confessaria durante um almoço com meros conhecidos, de maneira absolutamente casual, ter cometido um crime de natureza sexual? Uma história cabeluda que nunca veio a público em 30 anos? E tem gente que acredita nisso? E FOLHA e VEJA publicam como fato? E Marcelo Madureira (do Casseta) escreve para a Folha para elogiar a "denúncia", provando que, além de sem graça, é também um imbecil? E Reinaldo Azevedo passa a chamar Lula, o Presidente da República, de "estuprador" sem ter qualquer evidência para isso?

E tem gente que ainda acha isso tudo "normal"? Não, não, a vontade rir passou. A reação mais apropriada é a ânsia de vômito.

Update 2: "O que está em discussão aqui é justamente a maneira de lidar com
dois fatos que guardam certa semelhança. FHC tinha um filho na Europa,
era algo sabido e comprovado, e ninguém falou nada para não arranhar
sua reputação. Agora, vem um cara dizer que Lula tentou estuprar um
colega de cela, sem prova alguma, sem evidência nenhuma, e ganha uma
página inteira no maior jornal do país. Tenho muita saudade dos tempos em que trabalhei na “Folha”, e do
jornal que fazíamos então. Jamais publicaríamos um artigo desses, com
acusação tão grave, sem a menor comprovação. O jornalismo, tal qual
aprendi a fazer na Barão de Limeira, não existe mais." – excelente post de Flávio Gomes sobre o assunto.

Obundagate (ou Série Jornalistas #26)

postado em by Pablo Villaça em Mundo, Série Jornalistas | 39 comentários

Barack Obama, Nicolas Sarkozy e a bunda de uma brasileira de 17 anos – é isto que interessa à imprensa mundial no momento. Não as resoluções do G8, mas a foto que traz Obama aparentemente olhando para a parte do corpo mais famosa no que diz respeito à anatomia das brasileiras. Isto permitiu, por exemplo, que o UOL publicasse uma foto que exibe uma das legendas mais elegantes de sua bela história: 

E antes que alguém diga que acabei de usar a palavra "bunda" no título deste post e na primeira frase do texto: isto é um blog pessoal, não um veículo jornalístico.

Para piorar, é bastante provável que este "escândalo" (ah, tempos pudicos miseráveis!) seja completamente fabricado, já que o vídeo divulgado pela ABC revela que Obama estava apenas descendo um degrau e ajudando a moça que se encontrava logo atrás a fazer o mesmo (por outro lado, Sarkozy até se inclina para continuar a ver a brasileira, o que é divertido e prova que nem mesmo o casamento com Carla Bruni pode garantir que um homem deixe de observar outras mulheres).

Isto, claro, não impediu o mundo "jornalístico" de parar tudo para gastar horas analisando o comportamento do presidente norte-americano.