Série Jornalistas

Série Jornalistas #25

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 119 comentários

A fim de se proteger das deturpações freqüentemente levadas a cabo pela Velha Mídia (Veja, Folha, O Globo, etc) em seus esforços constantes de pintar o pior retrato possível de tudo que diz respeito ao governo federal, a Petrobras passou a utilizar um blog, Fatos e Dados, para divulgar as perguntas que são enviadas à estatal por jornalistas destes veículos – incluindo, nos posts, as respostas às indagações.

Há algo de mal nisso? De errado? De maligno? Se há, não consigo identificar o que seja. É uma maneira inteligente e válida de esclarecer publicamente o que lhe é questionado – e ao publicar as perguntas e respostas na íntegra, a Petrobras não apenas expõe formatações capciosas de certas perguntas como ainda se protege caso o veículo que receba a resposta decida editá-la ao seu próprio modo.

Assim, é claro que alguns destes veículos denunciaram a iniciativa como algo errado e maligno, como uma tentativa de manipular a opinião pública. Sim, você leu corretamente: responder perguntas publicamente é um artifício maniqueísta.

Como se não bastasse, até mesmo a Associação Nacional de Jornais (ANJ) entrou na confusão para defender seu pobres filiados – e num comunicado absolutamente inacreditável (que pode ser lido na íntegra aqui), ela chega a defender o seguinte (e ridículo) argumento:

"Numa canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas, a
empresa criou um blog no qual divulga as perguntas enviadas à sua
assessoria de imprensa pelos jornalistas antes mesmo de publicadas as
matérias às quais se referem, numa inaceitável quebra da
confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas
fontes
."
 
Hã… queridos?… esta confidencialidade estabelece obrigações do jornalista para com sua fonte (como preservar sua identidade, caso solicitado, e manter em off aquilo que a fonte não quer ver publicado), não o contrário. Em 34 anos de vida, nunca ouvi alguém dizer que a fonte deve manter em segredo o que lhe foi perguntado – a não ser em raros casos em que um acordo neste sentido é assinado pelo entrevistado.
 
Mas a estupidez continua:
 
"Como se não bastasse essa prática contrária aos princípios
universais de liberdade de imprensa, os e-mails de resposta da
assessoria incluem ameaças de processo no caso de suas informações não
receberem um “tratamento adequado”."
 
Mais uma vez: como, exatamente, a Petrobras está ferindo a liberdade de imprensa ao publicar as perguntas e respostas em seu próprio blog? E a tal "ameaça" é um direito legal: o de ser assegurado que suas palavras não serão tiradas do contexto e modificadas para sugerir algo que não é verdade. Os jornais só devem temer tal "ameaça" se de fato tinham essa intenção; se pretendessem utilizar as respostas com honestidade, não há nada que a Petrobras pudesse fazer contra os veículos.
 
"Tal advertência intimidatória, mais que um desrespeito aos
profissionais de imprensa, configura uma violação do direito da
sociedade a ser livremente informada, pois evidencia uma política de
comunicação que visa a tutelar a opinião pública, negando-se ao
democrático escrutínio de seus atos."
 
Outro argumento ofensivo em sua lógica distorcida e estúpida: que "direito da sociedade" a Petrobras está violando ao responder as perguntas enviadas pelos jornalistas e ao exigir que estas respostas não sejam deturpadas quando publicadas? E como ela pode estar se negando "ao democrático escrutínio de seus atos" se está justamente respondendo as perguntas enviadas – e, ainda por cima, num espaço público?
 
Ou seja: o desespero da Velha Mídia em ver suas manipulações expostas é tão grande que os veículos (devidamente protegidos pelo testa-de-ferro corporativo) partiram para o nonsense a fim de justificar seus interesses obscuros e seu direito à deturpação.
 
Ridículo. E revelador.
 
Update: Ao ler o blog da Petrobras, a natureza maliciosa da nota da ANJ se torna ainda mais clara. Sabem as tais "ameaças de processo no caso de suas informações não
receberem um “tratamento adequado"
? Pois é: nada mais são do que aqueles avisos padrões que as empresas costumam incluir automaticamente no rodapé de cada email enviado através de seus servidores – uma mensagem incluída, por exemplo, em meus emails enviados pelo Cinema em Cena e que, no caso da Petrobras, diz: "O emitente desta mensagem é responsável por seu conteúdo e
endereçamento. Cabe ao destinatário cuidar quanto o tratamento
adequado. Sem a devida autorização, a divulgação, a reprodução, a
distribuição ou qualquer outra ação em desconformidade com as normas
internas do Sistema Petrobras são proibidas e passíveis de sanção
disciplinar, cível e criminal".
 
A não ser que todos os integrantes da ANJ sejam débeis mentais, é mais do que óbvio que este rodapé não representa uma ameaça de processo com o intuito de garantir que a Petrobras não seja atacada pelos jornais – e o fato de tentar vender esta mentira prova apenas o mau-caratismo dos autores do ridículo comunicado distribuído pela Associação e de seus "clientes".
 
Update 2: É claro que o verme-mor da VEJA, Reinaldo Azevedo, está defendendo a atitude da Petrobras como "manobra espúria" e de "guerra à imprensa". Se eu precisasse de mais algum motivo para esfregar esta imbecilidade na cara da Velha Mídia, bom… a simples presença de Azevedo entre os "ofendidos" pela Petrobras seria o bastante.
 
Update 3 (09/06): O presidente da Associação Brasileira de Imprensa enviou a seguinte carta à Petrobras:
 
"A ABI considera legítima a decisão da Petrobras de criar um blog
para divulgação das informações que presta à imprensa e especialmente
aos veículos impressos, uma vez que as questões relativas ao seu
funcionamento e aos seus atos de gestão interessam ao conjunto da
sociedade, que não pode ficar exposta ao risco de filtragem das
informações típica e inseparável do processo de edição jornalística. A
empresa tem o direito de se acautelar, através das informações que
difunde no blog, contra as distorções em que os meios de comunicação
têm incorrido, como a própria ABI registrou em matéria publicada da edição de 31 de maio de um dos jornais que agora se insurgem contra o blog da empresa.

A criação do blog constituiu-se em
instrumento de autodefesa da empresa, que se encontra sob uma barragem
de fogo crítico disparado por vários veículos impressos. Não se poderá
alegar que é assegurado à empresa o direito de resposta, uma vez que
quando este for exercido a informação nociva já terá produzido afeitos
adversos. Ademais, é conhecido principalmente dos jornalistas o
tratamento que a imprensa concede tradicionalmente ao direito de
resposta, se e quando o reconhece e o acata: a informação imprecisa ou
inidônea é divulgada com um destaque e uma dimensão que não se confere
à resposta postulada e concedida.

O presente confronto entre a empresa e
alguns veículos de comunicação tem inegável cunho político, com
favorecimento de segmentos partidários que se opõem ao Governo Lula. A
Petrobras encontra-se, infelizmente, na linha de tiro do canhoneio
contra ela assestado. Atacá-la com a virulência que se anota agora não
faz bem ao País.

Rio de Janeiro, 9 de junho de 2009
Maurício Azêdo, Presidente”

Reinaldo Azevedo: Façam o que eu falo…

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas | 38 comentários

não façam o que eu faço. (Dica do leitor Ânderson Luiz Galdino.)

Caso não tenha entendido, a ironia diz respeito a isto.

Veja continua a mergulhar rumo ao fundo do poço

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas | 51 comentários

Do Comunique-se: "Veja copia partes de matéria do Wall Street Journal sem citar fonte".

O artigo do Comunique-se inclui a seguinte e inacreditável justificativa da jornalista Gabriela Carelli (grifo meu):

"Fonte nega ter sido procurada
Questionada pelo Comunique-se, a pesquisadora negou ter sido procurada pela Veja. Ela afirma que as informações publicadas pela revista foram baseadas em entrevista dada a um repórter do WSJ. (…) A repórter da Veja reconhece não ter procurado a pesquisadora e, como justificativa, diz que tal procedimento é usual na revista."

Em outras palavras: "Veja" não só é corrompida do ponto de vista moral e político, mas também jornalístico.

Ditabranda? Ditabranda?!

postado em by Pablo Villaça em Política, Série Jornalistas | 129 comentários

Em editorial publicado na última terça-feira, dia 17, sobre os esforços de Hugo Chávez para se manter no poder na Venezuela, a Folha de São Paulo trouxe o seguinte absurdo:

“Mas, se as chamadas “ditabrandas” –caso do Brasil entre 1964 e 1985
partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam
formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo
autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no
Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os
controles democráticos por dentro, paulatinamente.”

“Ditabranda”. “Ditabranda“.

Filhos da puta. Suponho que, ao contrário de tantas outras famílias, os canalhas por trás deste editorial não perderam parentes para a “ditabranda”. Nem tiveram parentes torturados pelos agentes desta “ditabranda”.

Eu tive. Há, em minha família, pessoas que trazem nos corpos e nas mentes as seqüelas das torturas dos assassinos do DOPS e do governo militar. E estas pessoas que amo, por sua vez, perderam muitos amigos naquele período.

Como a Folha se atreve, por qualquer motivo que seja, a usar o adjetivo “branda” em relação à sangrenta ditadura brasileira? Tivesse o autor deste texto imbecil ficado pendurado num pau-de-arara por horas, tivesse ele levado choques nos genitais por dias, tivesse ele experimentado a agonia de um arame quente enfiado em sua uretra, tivesse ele sentido as unhas se despregando da carne, tivesse ele visto amigos morrendo sob pauladas, tivesse ele corrido o risco de ter o corpo descartado como lixo no mar ou enterrado em cova rosa como um cachorro sem dono, tivesse ele sentido dezenas de cigarros sendo apagados em sua pele, tivesse ele experimentado o pavor do afogamento em um tonel repleto de água, tivesse ele ouvido as companheiras sendo violentadas por torturadores ou sodomizadas com cassetetes, tivesse ele um mínimo de respeito para com quem passou por tudo isso, não escreveria uma barbaridade dessas. Ou, tendo escrito, se retrataria imediata e publicamente pelo absurdo cometido.

No mesmo texto, o imbecil escreve:

“Nesse contexto, e diante de
uma oposição revigorada e ativa,
é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da
vitória de domingo.”

Pois em nossa “ditabranda”, caro editor da Folha, a oposição não podia se dar ao luxo de se sentir “revigorada” ou provocar o “desconforto” do governo, já que estava sob constante e sangrento ataque, sendo punida não com uma derrota política, mas com a perda da própria vida.

O que há de brando nisso?

Um Dia no Rio

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Novos filmes, Personalidades, Série Jornalistas | 67 comentários

Viajei hoje cedo, às 6h15, para o Rio de Janeiro. O objetivo: assistir a Operação Valquíria e participar da entrevista coletiva com o ator Tom Cruise. Visto o filme (que é bom, mas não ótimo), entramos nos ônibus contratados pela assessoria de imprensa da Fox e nos dirigimos ao Copacabana Palace, onde ocorreria a conversa.

Belissimamente organizado pela equipe de Renata Cajado, da In Press, o evento foi precedido por um lanche/almoço elegante (a mesa de doces era formidável) até que, finalmente, entramos no salão preparado para receber o convidado. 

A princípio, senti-me incomodado – mesmo ofendido – pela presença do cordão de isolamento que separava a imprensa do ator: será que alguém esperava que saltássemos em cima de Tom Cruise para mordê-lo num frenesi de sexo e dor? Decidi relevar. Minutos depois, Cruise entrou na sala e a coletiva teve início. 

Detesto coletivas. Sempre detestei. Em primeiro lugar, fico embaraçado e raramente faço perguntas. Para piorar, o nível das indagações é geralmente baixíssimo, o que sempre me deixa envergonhado pelo coletivo. Perguntas do tipo "Você está gostando do Brasil?", "Qual a sua cor favorita?" e afins são mais comuns do que se imagina, o que sempre me deixa espantado com a falta de preparação dos colegas que as fazem.

Felizmente, de modo geral, as perguntas hoje foram até relevantes, embora Tom Cruise tenha se limitado, na maior parte do tempo, a oferecer respostas no piloto automático e pouco interessantes – ainda que, preciso salientar, tenha se mostrado extremamente simpático com todos. No final, resolvi fazer uma pergunta, mas a exigência dos organizadores de que perguntássemos em português acabou me prejudicando, já que em vez de formular minha pergunta diretamente para o ator, em inglês, deixando-a clara, tive que contar com a tradução do profissional que acompanhava o entrevistado – e creio que este não a traduziu corretamente, já que a resposta oferecida foi terrivelmente insatisfatória. 

Mas é claro que ainda ocorreram momentos de constrangimento – e nem me refiro ao jornalista que comentou, como se fosse algo incrível, o fato de Cruise ter declarado sempre ter detestado os nazistas (oh!). Não, não: o pior momento foi quando um profissional credenciado se levantou e disse:

– Meu nome é (não me lembro) e represento o veículo (não me lembro). Eu tenho um sobrinho de 12 anos que adora a série Missão: Impossível e que diz que o Ethan Hunt é o maior herói do cinema. Ele me mataria se soubesse que estive com você e não tirei uma foto. Posso tirar uma foto com você?

Nesse instante, o representante da Fox tentou conter a ação patética do jornalista (que depois confessou não ter sobrinho algum), mas Tom Cruise, certamente querendo ser o mais simpático possível, se levantou e pediu que o sujeito se aproximasse. Foi a deixa para que uma mulher que estava ao meu lado também saltasse de sua cadeira e cruzasse o cordão de isolamento para pedir uma foto – o que levou o segurança a correr em sua direção a fim de contê-la. Mais uma vez, porém, Cruise disse que tudo bem e posou para o retrato.

Mas o constrangimento foi geral entre os profissionais da imprensa, já que ficamos todos embaraçados com a atitude dos dois. (O que não impediu um jornalista da Band de entrevistar o sujeito que pediu a foto, depois da coletiva. Triste.) 

Ao que parece, a assessoria de imprensa estava certa em montar o cordão de isolamento.

Com o fim da coletiva, deixamos o (maravilhoso, magnífico) Copacabana Palace e, surpreso, vi que uma multidão se aglomerava na porta do hotel à espera da oportunidade de vislumbrar Cruise – nem que por um milissegundo. Atrasado para uma reunião que marcara na Cinelândia, peguei o metrô ao lado de Marco Aurélio Ribeiro (diretor de fotografia de A_Ética e que viajou comigo para filmar a coletiva) e, com a ajuda de Lucas Salgado (do Cinemacafri) e Breno (esqueci o veículo), logo cheguei ao local do encontro – que, coincidentemente, ficava próximo do Odeon BR, que já se preparava para receber Cruise à noite, na première do filme, e que se encontrava cercado de uma multidão de seguranças e observadores.

Depois da reunião, voltei para Copacabana com Marco Aurélio e ficamos num barzinho batendo papo, comendo um tira-gosto e bebendo (refrigerante e suco, já que raramente bebo álcool). De onde estávamos, podíamos ver que a multidão crescia cada vez mais diante do Copacabana Palace. Inacreditável.

Finalmente, partimos para o aeroporto por volta de 20h e pegamos o vôo de volta às 22h. Cheguei exausto, mas satisfeito com o dia produtivo. 

Fotos: Marco Aurélio Ribeiro
 
Update: Esqueci de contar que, na porta do hotel, camelôs vendiam placas de automóvel com os dizeres "Tom Cruise Brasil", "Suri Brasil" e "Katie Holmes Brasil". O preço das placas? 50 reais cada.

Série Jornalistas #24

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas | 17 comentários

Colaboração enviada pelo leitor Marcelo Maia (clique na reprodução para visitar o link): 

 

Eu talvez não devesse mesmo esperar grande apuro jornalístico de um site chamado "Te Contei!", mas como a notícia girava em torno da Proposta 8, achei que os responsáveis fariam no mínimo uma pesquisa básica para compreendê-la. Pois não só não compreenderam como ainda a interpretaram exatamente ao contrário, colocando, ainda, o casamento religioso no meio. Bagunça total.
 
E sobre o crédito da foto: duvido muito que ela tenha sido tirada por alguém do site – e se estou certo, isto ainda configura grave erro ético e legal.

Série Jornalistas #23

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas | 30 comentários

Michael Douglas visitou as Nações Unidas, hoje, para defender um tratado que visa banir testes nucleares. Os jornalistas de plantão, vendo-se diante do ator que ganhou um Oscar por interpretar o inescrupuloso Gordon Gekko em Wall Street – Poder e Cobiça, não hesitaram em pedir sua opinião sobre a queda pavorosa que as bolsas norte-americanas sofreram na semana passada. Isto não deixa de ser curioso: ao que parece, caso um foguete tripulado tenha problemas no espaço, a saída será chamar Ed Harris, que se mostrou tão versátil em Apollo 13. E por que ninguém convoca Jim Caviezel para ressuscitar os mortos, já que ele interpretou Cristo no filme de Mel Gibson?

Seja como for, Douglas foi atencioso com os jornalistas e ofereceu seu ponto de vista. Neste momento, um dos repórteres perguntou, referindo-se ao famoso monólogo de Douglas no longa de Oliver Stone

– Quer dizer, Gordon, que a ganância não é algo bom?

Douglas, tornando-se meu ídolo-mor desta semana, respondeu:

– Eu não disse isso. E meu nome não é Gordon. Ele foi um personagem que interpretei há 20 anos.

Tóin!

Série Jornalistas #22

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas | 23 comentários

Estava assistindo à transmissão das provas de atletismo no Terra TV quando a seguinte troca de diálogos ocorreu entre o apresentador e seu comentarista (ao qual se refere como "professor"):

– Professor, uma participante de nosso chat pergunta sobre as marcas impressionantes atingidas pela atleta Florence Griffith-Joyner nas Olimpíadas de Seul…

– Pois é, a Florence deixou marcas incríveis em Seul, mas depois descobriram que ela só corria dopada.

– Ha-ha-ha… – riu o apresentador, divertido.

– Ela inclusive morreu pouco tempo depois por causa disso.

– Err…. (silêncio constrangido).


Pouco depois, ao acompanhar o salto triplo do atleta chinês, o apresentador exclamou empolgado ao ver a marca:

– Puxa, quase 18 metros!

E o professor, provavelmente espantado com a cegueira do colega e acertando em cheio:

– É, tá mais pra 17,30…


Como se não bastasse, ele ainda completou com esta enquanto eu escrevia este post: ao ouvir o grito de uma lançadora de peso (ou dardo, já que eu só estava ouvindo e não vi qual era a prova), o "professor" comentou:

– Olha, essa lançadora é brava, hein?

E o apresentador, querendo entrar na brincadeira:

– Pois é! Imagina esse grito na cozinha! Iria quebrar todas as xícaras…


Update: Narrando a última bateria dos 110m com barreiras, que contava com a participação do atleta-astro chinês Liu Xiang, o "professor" notou que o corredor fazia caretas ao se preparar para a partida (e, de fato, ele viria a abandonar a prova com dores). Foi aí que veio o comentário:

– Será que o Liu Xiang vai amarelar? Ele já é amarelo…

Série Jornalistas #21

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas | 18 comentários

Contribuição do leitor Antônio: de acordo com o portal de cinema do UAI, hoje chega aos cinemas… The Dark Gentleman!

 

 

Série Jornalistas #20

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas, Variados | 20 comentários

Para retomar a série Jornalistas neste novo blog (para conferir as 19 edições anteriores, clique aqui e digite "série jornalistas" – sem as aspas! – no campo de busca), conto com a ajuda do sempre divertido – e inteligente – The Daily Show with Jon Stewart, que, em sua edição de ontem, exibiu o seguinte absurdo em seu "momento zen": no canal CNN, uma jornalista da emissora surge orgulhosa no canto da tela. Ao seu lado, clipes do âncora Wolf Blitzer discutindo o assassinato da ex-Primeira-Ministra do Paquistão, Benazir Bhutto. Uma retrospectiva de como sua morte afetou o Paquistão nos últimos meses? Uma homenagem, talvez?

Não. Inacreditavelmente, a jornalista, com um sorriso de orelha a orelha, anuncia:

– Parabéns a toda a equipe do "Situation Room". Nós fomos indicados ao prêmio Emmy por nossa extensa cobertura do assassinato da ex-Primeira-Ministra do Paquistão, Benazir Bhutto! Esta é nossa primeira indicação ao Emmy e é claro que esperamos que seja a primeira de muitas. E, claro, esperamos ganhar!

Uau. Se alguém ainda tinha dúvidas de que o jornalismo agora é apenas mais um braço do entretenimento, espero que o fato da moça ignorar a crueldade e a frieza de sua comemoração seja a prova inquestionável de que, cada vez mais, os jornalistas vêm se considerando grandes estrelas, e não perseguidores da verdade.

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