Séries

House of Cards – Terceira Temporada

postado em by Pablo Villaça em Séries, Séries de tevê | 6 comentários

Quando escrevi sobre a primeira temporada de House of Cards, explicitei meu entusiasmo não só pela complexidade de seu protagonista, mas pela própria maneira como a narrativa se desenvolvia. Aliás, de certa forma, a série demonstrou algo que costumo discutir em meus cursos: o fato de que o meio de exibição (e sua evolução) invariavelmente provoca alterações e estimula novas estruturas narrativas e recursos de linguagem. Ao ser desenvolvida como uma temporada lançada de uma só vez, House of Cards livrou-se da necessidade de prestar atenção às respostas e reações do público ou mesmo do imperativo de ter que pensar em cliffhangers que levariam o espectador a retornar na semana seguinte. Além disso, ao ver-se liberta do formato obrigatório de 42 minutos por episódio, ela pôde investir, em cada capítulo, o tempo estritamente necessário para avançar a trama e desenvolver seus personagens, sem ter que depender de encheções de linguiça, de barrigas ou de condensações de tempo. Há episódios de 42, 52 ou 57 minutos, dependendo das necessidades de cada um.

E mais: por saber que seu espectador já é assinante do Netflix, a série não precisa se preocupar com audiência, podendo devotar arcos inteiros a personagens que não são necessariamente aqueles que atrairiam mais a atenção do público – e, assim, perceber como o episódio de estreia da terceira temporada devota a maior parte de seu tempo a Doug Stamper (Michael Kelly) em vez de Francis Underwood (Kevin Spacey) é constatar a liberdade de roteiristas que optam pelo que é mais eficiente a longo prazo, não necessariamente ao que atrairá audiência imediata. E esta, diga-se de passagem, é uma opção que pode parecer frustrante a princípio (afinal, o personagem de Spacey é o atrativo principal), mas que acaba se justificando quando constatamos, ao final da 13a. hora, como o belíssimo arco dramático de Doug precisava daquela introdução.

Esta terceira temporada, aliás, é digna da primeira e um avanço considerável em relação à segunda, cuja irregularidade me desanimou a ponto de não me ver compelido a comentá-la neste espaço. Desta vez, os realizadores conseguiram um equilíbrio memorável, desenvolvendo os vários personagens sem jamais perder o foco da trama principal – e se Francis continua a se apresentar como um anti-herói vilanesco e instigante, é notável perceber como a série consegue despertar o interesse do espectador não só pelos secundários óbvios (como a Claire de Robin Wright), mas por figuras como Heather Dunbar (Elizabeth Marvel), cuja transformação ao longo dos 13 episódios é efetuada com calma, sutileza e verossimilhança: de uma uma mulher idealista que decide concorrer à presidência por motivos nobres e puros, ela gradualmente é corrompida pela natureza da política nos altos escalões, mostrando-se capaz de atos baixos que meses antes a enojariam.

Contudo, o mais curioso é perceber como House of Cards é hábil ao permitir que o público constate como Dunbar seria uma presidente potencialmente excepcional (ao menos nos dois primeiros terços da temporada), mas ainda assim mantenha-se fiel a Francis, que jamais deixa de ser um sujeito moralmente corrompido – algo que se deve também, claro, à performance magnética de Spacey, que também se beneficia de pequenos atos de humanidade de seu personagem que, mesmo raros, plantam aquela pequena dúvida essencial sobre a redenção de seu caráter. Empregando a quebra da quarta parede de maneira bem mais escassa do que nas temporadas anteriores, estes novos episódios ainda assim utilizam o recurso de forma orgânica e eficiente – e é particularmente interessante notar como, em ao menos dois momentos, Francis parece nos encarar não com o orgulho habitual, mas com uma raiva reveladora, como se ressentisse o fato de o flagrarmos em instantes de fragilidade (algo condizente com sua natureza).

Igualmente importante, também, é reconhecer como a temporada vai aumentando a pressão sobre o protagonista de forma inequívoca, despertando uma curiosidade surpreendente sobre como Francis será capaz (e se será capaz) de superar o número cada vez maior de obstáculos em seu caminho – e se há um ponto fraco é a maneira como ele parece criar novos obstáculos desnecessariamente, afastando, com sua arrogância, aliados importantes (um erro de cálculo grosseiro e pouco condizente com sua natureza calculista).

Encerrando com um episódio que, como no primeiro da temporada, investe um tempo surpreendente (e que se revela fundamental) em uma personagem que não víamos há muito tempo, House of Cards ainda consegue comover com o encerramento de um arco que tinha tudo para ser chato ou frustrante (afinal, não envolve diretamente o protagonista) e, em vez disso, toca não só pelo destino de uma jovem, mas também (e isso é – narrativamente – digno de aplausos) pelos sentimentos do homem que a destrói.

E mesmo que, ao contrário das temporadas anteriores, esta não traga um desfecho que poderia até funcionar como conclusão da série, o resultado é bom o bastante para que ignoremos o anticlímax da conclusão e apenas torçamos para que os próximos treze episódios cheguem logo.

Leitores

postado em by Pablo Villaça em Série Leitor(a) do Dia, Séries | 25 comentários

Recentemente, vi em alguns blogs uma idéia que me encantou: a do “Leitor do Dia”. Basicamente, um post diário dedicado a leitores específicos, que falam um pouco sobre si mesmos, sobre como conheceram aquele espaço e por aí afora. Achei muito bacana e acho que poderia ser ainda mais interessante se eu enviasse algumas perguntas específicas para os participantes.

Assim, peço que sugiram perguntas que gostariam de fazer aos seus colegas leitores nos comentários abaixo. Selecionarei as mais interessantes e começaremos a brincadeira.

Dexter S03E09-E10

postado em by Pablo Villaça em Séries | 9 comentários

Dois bons episodios. Ou melhor: um excelente (o desta semana) e um razoável (o da semana passada), o que os traz à média de “bom”. Na semana passada, por mais que tenha admirado a explosão interna de Dexter e a cena subseqüente, que o mostrava com sua fachada sempre impenetrável, foi impossível ignorar a estupidez do estratagema usado por Deb e Quinn para convencer a testemunha (o pior ator de toda a série) de que o Skinner havia “aparado sua árvore”, levando-o a falar sobre o esconderijo no qual Anton era mantido refém.

Já esta semana, o episódio foi bem mais consistente: sim, é forçadíssima, a revelação de que (SPOILER) Miguel conseguiu localizar e transformar o Skinner em uma espécie de aliado, mas a cena no terraço valeu por sua intensidade e pelas ótimas atuações de um Jimmy Smitts explosivo e emocional e o de um Michael C. Hall sempre exibindo um imenso auto-controle. E vai ser interessantíssimo ver Dexter na posição de vítima indefesa (ou “indefesa”?) no próximo episódio e à mercê de um assassino como ele.

Além disso, as subtramas têm se mostrado interessantes: Angel (David Zayas) continua a crescer como personagem; Quinn (Desmond Harrington) vem se mostrando uma figura multifacetada e, por esta razão, intrigante; o sofrimento de LaGuerta (Lauren Vélez) fez bem para a personagem; e Masuka (C.S. Lee)… bem, é cada vez mais Masuka, o que é excelente.

Continuo fã da série e dos personagens.

Dexter S03E07-E08

postado em by Pablo Villaça em Séries | 10 comentários

Entramos no último ato da temporada.

Definido o tema deste terceiro ano da série – o confronto entre Dexter e seu próprio “código” -, fica mais claro perceber para onde estamos indo. Já de início, Dexter quebrou seu código ao matar alguém cuja culpa ele não havia estabelecido (o irmão de Miguel) e, posteriormente, flexibilizou-o ainda mais ao promover a eutanásia de uma velha amiga da família. Finalmente, o personagem aceitou fazer aquilo que se recusara a fazer mesmo com seu irmão na primeira temporada: dividir o momento íntimo do assassinato.

É claro que, de certa forma, um padrão claro vem se estabelecendo em Dexter: até agora, em todas as temporadas Dexter deixou que alguém se aproximasse, descobrisse seus segredos relativos ao “passageiro sombrio” e o fizesse pensar que uma possível comunhão poderia se estabelecer – apenas para eventualmente perceber que aquela pessoa representava um grande perigo e que feria o “código”, levando-o a matá-la.

Infelizmente, parece que estamos caminhando para isto mais uma vez.

Além disso, pela primeira vez desde que comecei a ver Dexter, fui obrigado a ouvir uma fala realmente ruim (“As árvores foram aparadas! O Esfolador esteve aqui!”) e a testemunhar uma péssima performance (a do suspeito preso que treme de medo ao ouvir o nome do chefe). Em contrapartida, Jimmy Smits continua impecável, assim como Michael C. Hall e o restante do elenco secundário.

Mas é triste perceber que a série está começando a se repetir.

Dexter S03E03-E06

postado em by Pablo Villaça em Séries | 6 comentários

Uma das coisas que admiro em Dexter é o cuidado com os personagens secundários: em todas as temporadas, subtramas envolvendo os companheiros do personagem-título são apresentadas, com maior ou menor complexidade, a fim de torná-los interessantes e relevantes para o arco geral da narrativa. Assim, este ano temos a mágoa de Masuka com os colegas; a relação de Debra com o parceiro Quinn (que é vivido de maneira curiosa por Desmond Harrington, que nos mantém curiosos com relação ao caráter de seu detetive) e também com o informante Anton; a lealdade da tenente LaGuerta para com a família Prado, que passa a ser testada pelo comportamento de Ramon e pelos indícios de que Miguel possa não ser tão limpo quanto ela acredita; e, claro, a solidão do (agora) sargento Angel Batista, que, sempre interpretado com sensibilidade por David Zayas, é um de meus favoritos na série e que agora parece estar prestes a embarcar em uma nova relação. Além disso, há a belíssima Rita e seus filhos, além, claro, do próprio Dexter, cujo lado animalesco vem sendo explorado com maior intensidade nesta terceira temporada, quando testemunhamos sua transformação imediata em monstro ao lidar com suas vítimas (reparem sua expressão no momento do “abate”).

E se Keith Carradine se revelou uma adição bacana na temporada passada, desta vez Jimmy Smits não faz feio ao retratar Miguel Prado como um homem que realmente inspira a confiança de Dexter – e a nossa – ao insistir em compartilhar os segredos do protagonista. 

Por outro lado, não posso dizer que aprecio a maneira com que os monólogos internos de Dexter vêm sendo retratados, já que usar a imagem de seu pai adotivo, Harry, como manifestação “física” de suas inseguranças não é algo original ou mesmo muito crível.

Mas estou curtindo bastante a temporada, embora imagine saber para onde ela está caminhando, o que tira um pouco da graça.

Dexter S03E02 e The Office S05E02

postado em by Pablo Villaça em Séries | 35 comentários

Sobre The Office, rapidamente: Holly (Amy Ryan) foi uma adição genial à série: uma Michael Scott de saias, quem diria, era o que o personagem de Steve Carell precisava para completá-lo de vez.

Dexter, como sempre, fascina pelos monólogos interiores do personagem-título – e Michael C. Hall está cada vez mais à vontade no que diz respeito à complexidade de Dexter. É muito interessante notar, por exemplo, como ele move os lábios num sorriso praticamente imperceptível (mesmo) ao ouvir um “Obrigado!” de Ramon Prado (Jimmy Smits) ou perceber como, ao atacar uma presa, seu rosto se transforma num esgar pavoroso que faz jus à sua alma de serial killer, abandonando qualquer resquício do Dexter “simpático” que o mundo pensa conhecer.

Dois ótimos episódios de duas ótimas séries.

The Office S05e01 e Dexter S03e01

postado em by Pablo Villaça em Séries | 12 comentários

Não pretendo comentar aqui todos os episódios de The Office, mas queria apenas registrar que só me dei conta da saudade que estava sentindo de Michael, Jim, Pam, Dwight, Kevin e cia depois que os reencontrei. E é impressionante a capacidade que The Office tem de me fazer rir a ponto de ter que pausar o vídeo para não perder nada.

Quanto à terceira temporada de Dexter, fico feliz em dizer que foi um começo promissor (e também só me dei conta da falta que sentia da série ao rever seus fantáticos créditos iniciais): ao que parece, Deb irá enfrentar um conflito interno no que diz respeito ao que será capaz de fazer para conseguir o tão cobiçado distintivo, Angel terá que se adaptar ao seu novo cargo e Dexter se verá diante não apenas da questão moral imposta por ter infringido seu código pessoal, mas também terá que se adaptar à idéia do que está ocorrendo com Rita – o que certamente despertará um forte receio com relação às “inadequações” que ele poderá “transmitir” (não quero ser muito específico, ainda, já que isto marca o fim do episódio). 

É bom ter minhas séries de volta. Pena que Lost… só em 2009.