Séries de tevê

Breaking Bad S05E02

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 14 comentários

(Se não querem ler spoilers… “get out of my territory!“)

Walter White pode ser o protagonista de Breaking Bad, mas “Madrigal”, segundo episódio desta quinta temporada, elevou o fascinante Mike Ehrmantraut ao posto temporário de astro da narrativa. Praticamente relegando Walt e Jesse a duas ou três (ótimas) cenas, o episódio buscou lidar com as consequências da morte de Gus Fring e da queda de seu império no que diz respeito ao seu velho “chefe de segurança” – o que ofereceu ao ator Jonathan Banks a oportunidade de envolver o espectador com os modos frios e absurdamente calculistas do sujeito.

Dono de um olhar frio que consegue externar simultaneamente a impaciência, o cansaço, a crueldade e a inteligência de Mike, Banks salta de uma cena a outra em “Madrigal” exibindo uma disciplina admirável como intérprete – e mesmo quando um momento parece propício ao exagero, ao overacting (que atores tanto amam), o sujeito vai na direção contrária, ressaltando o grave em sua voz e quase cerrando completamente os olhos enquanto manifesta um mundo de reações. Neste sentido, a conversa que mantém com Hank e o parceiro numa sala de interrogatório é exemplar: seguro de não ter nada a temer (ou fingindo muitíssimo bem), Mike pouco fala – e quando abre a boca, salta entre o sarcasmo e o desprezo com facilidade. Assim, quando finalmente manifesta alguma reação, ele o faz quando de costas para seus antagonistas (e ainda assim é preciso aplaudir o talento do ator em expressar toda a raiva e a frustração do personagem através de uma leve contração facial).

Da mesma maneira, a competência profissional de Mike fica evidente em seus dois confrontos com o antigo subordinado Chris e com a apavorada Lydia em cenas nas quais a diretora do episódio, a brilhante Michelle MacLaren, constrói uma tensão crescente através do silêncio e da decupagem inteligente, oscilando entre quadro abertos que expõem o confronto direto dos personagens (como ao trazer Mike e Chris sentados de frente um para o outro) e closes que ressaltam o desespero destes (como a expressão suplicante de Lydia). Além disso, a movimentação de câmera de MacLaren é precisa, desde a revelação da cabeça ensanguentada de Chow até a presença sombria de Mike no quarto de sua vítima.

Porém, virtudes técnicas e de interpretação à parte, “Madrigal” trouxe dois momentos particularmente importantes para o arco geral de Breaking Bad e que merecem um comentário específico: o primeiro deles ocorre quando Mike recusa, a princípio, a oferta de Walt. Indagado sobre suas razões, o sujeito oferece  uma análise impecável sobre o caráter do protagonista e os possíveis rumos da série em um diálogo elegante e revelador: “Você é uma bomba relógio. (…) E não tenho qualquer intenção de estar por perto na hora do bum“. Já o segundo instante ocorre quando Hank se despede de seu chefe, que está sendo exonerado do cargo, e ouve enquanto este se espanta por ter convivido tanto com Gus Fring sem ter jamais percebido quem este era de fato – e a expressão no rosto do concunhado de Walt indica no mínimo o início da percepção do agente do DEA sobre a proximidade de algo ameaçador.

Finalizando com o tom perfeito um episódio excepcional, Michelle MacLaren ainda expõe todo o pavor da situação de Skyler através de um longo plano que se concentra no rosto tenso da esposa de Walt enquanto este tira a roupa ao fundo para deitar-se ao seu lado – e o fato de só o vermos da cintura para baixo durante a maior parte da cena torna-o ainda mais ameaçador, ressaltando a verdadeira tortura psicológica à qual a pobre mulher está sendo submetida. Mesmo que seu torturador não tenha a menor consciência do que está fazendo.

Breaking Bad S05E01

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 13 comentários

(Se não quiser ler spoilers…. Run!)

Vince Gilligan conhece seu público. Depois de meses de ausência, o criador de Breaking Bad sabe que não poderia iniciar a quinta temporada sem satisfazer a sede dos fãs e, assim, não demora em trazer, de cara, não apenas Walt e Jesse, mas também Mike e Saul Goodman, oferecendo belas cenas para que estes personagens secundários que conquistaram o público possam fazer o que fazem de melhor: ameaçar e provocar o riso.

Nada é gratuito na série, porém, e assim todos se envolvem em incidentes e discussões não apenas pertinentes, mas que já começam a indicar alguns dos possíveis rumos para a quinta e derradeira temporada da longa história de Walt White rumo à auto-destruição e à solidão absolutas.

Já iniciando o episódio com um destes flash forwards que se tornaram sua marca registrada (e que parece não abrir espaço para outra trapaça como a do infame urso rosa caolho), Gilligan traz o protagonista tenso, barbudo e tossindo, além de distante de casa em uma negociação por um armamento pesado que certamente indica um confronto pesado que se aproxima – e se o verbo “tossir” chamou sua atenção, não está sozinho: a mais clássica das pistas usadas pela dramaturgia para indicar uma doença grave provavelmente aponta para um retorno do câncer que iniciou todo o movimento de um pacato professor de Química rumo à scarfacezação de sua vida.

No entanto, esta é apenas a promessa de um fim de série apocalíptico; a princípio, Walt e Jesse devem lidar com problemas mais urgentes logo após a morte de Gus Fring: evidências que poderiam levá-los à prisão. O que temos, então, é um episódio típico de Breaking Bad: Walt age sob pressão, mas com inteligência, embora eventualmente se deixe levar por impulsos perfeccionistas até quase comprometer tudo, ao passo que Jesse, sempre confiante na inteligência de seu tutor, não hesita em apostar todas as suas fichas (e seu dinheiro) no antigo professor, chegando a se colocar entre ele e Mike para salvar sua vida (“O que há entre vocês?”, pergunta este, impressionado/irritado com a fidelidade do rapaz). Enquanto isso, Skyler deve lidar com sua própria decisão impulsiva de tentar obrigar o ex-amante a pagar a Receita, o que resultou em um acidente que poderia levá-la a ter seus próprios problemas com as autoridades.

A cena entre Skyler e Ted, aliás, é fundamental para apontar a ambiguidade de caráter que torna os personagens de Breaking Bad tão complexos e, consequentemente, fascinantes: se a princípio ela manifesta dó e arrependimento ao ver o estado no qual o sujeito se encontra, estes sentimentos são logo substituídos por espanto ao perceber que este mostra-se aterrorizado diante dela – e é esta constatação que a leva a colocar uma máscara durona para um ameaçador “Good!” ao ouvi-lo prometer que não a mencionará para a polícia. É uma postura artificial, mas reveladora: ela não tem orgulho de ser uma ameaça, mas sabe ser necessário transformar-se em uma naquele momento.

Contudo, se Skyler apenas finge ser implacável, seu marido caminha a passos largos em direção à psicopatia descontrolada – e se há algo que fica claro neste episódio é que a quinta temporada se dedicará a acompanhar as últimas fases da metamorfose do sujeito. Já no carro com Mike e Jesse, ao ouvir o primeiro perguntando porque deveria aceitar que a missão foi cumprida, o antes amedrontado Walt responde com um simples “Porque eu disse que sim” – e da mesma maneira, é curioso lembrar do subterfúgio usado por ele para abordar Saul Goodman pela primeira vez e contrastá-lo com o momento marcante no qual este se aproxima do advogado e praticamente afirma que este agora é seu prisioneiro, amedrontando-o visivelmente.

Pois Walter White está muito próximo de se converter em um monstro. Se antes agia para defender-se ou à família, agora é movido por orgulho, ambição, raiva e por um claro sentimento de superioridade diante dos demais, parecendo sempre calcular cada gesto ou decisão. Quando beija a filha bebê neste episódio, por exemplo, a impressão que temos é menos a de um pai amoroso do que a de um homem que simula um carinho para estudar a reação da esposa e avaliar como deverá abordá-la sobre o assunto que realmente lhe interessa – e o medo exibido por Skyler diante do marido no último plano acabou me remetendo ao instante em O Poderoso Chefão Parte 3 em que Michael diz para Kay “Você me odeia”, ouvindo, como resposta, algo muito pior do que o simples ódio: “Não, Michael. Eu tenho pavor de você”.

Pois se o ódio pode ser contornado, o medo deixa marcas difíceis de apagar. Assim, quando vemos Walt sentado sozinho em seu quarto, não é difícil perceber como eventualmente se transformará no homem nervoso, mal cuidado, solitário e à beira da destruição que, de acordo com o flash forward, encontraremos em alguns meses.

Breaking Bad – Quarta Temporada

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 28 comentários

Breaking Bad s0401: Um começo razoável. A mudança de Jesse soa súbita e brusca demais.

Breaking Bad s04e02: Ainda sem encontrar o ritmo da temporada, o episódio parece apenas começar a preparar as peças do jogo.

Para uma dupla que já trabalha junta há tempo tempo e viveu tantas coisas, Walt e Jesse dividem muito pouco um com o outro.

Marie é louca. Não, sério, Marie É louca.

O raccord sonoro do triturador de lixo para o aspirador de pó é o tipo de jogo de linguagem que Breaking Bad faz que me encanta.

A transformação de Skyler é uma das coisas mais intrigantes dos últimos episódios, começando na terceira temporada.

Acho que o design de produção de Breaking Bad está exagerando no roxo para Marie. Um pouco demais.

Breaking Bad s04e03: Estou meio cansado das ondas depressivas de Jesse e a temporada ainda não engatou, mas… ok, vá lá.

Hahahahaahahahahah! A impaciência dele por causa da orelha!!!!!

Mike Ehrmantraut – O Filme JÁ!

Breaking Bad s04e04: Estou meio cansado da dinâmica repetitiva “Jesse-instável-cria-problemas-e-Walt-tem-que-salvá-lo”.

Adoro as músicas usadas em Breaking Bad.

Breaking Bad s04e05: Ok, estou intrigado com a estratégia misteriosa de Gus, seja lá qual for. E o orgulho de Walt é… destrutivo.

Breaking Bad s04e06: A temporada ainda não engatou, mas a série sempre consegue encerrar os episódios com falas que… uou.

Breaking Bad s04e07: Agora, sim, a temporada começa a caminhar rapidamente. E Hank, seu detetive surpreendentemente bom!

Breaking Bad s04e08: Gosto como a série tem coragem de parar um episódio para estabelecer o passado de personagens “secundários”. Ótimo episódio.

Vicio em Breaking Bad: vi esta vitrine no centro de Porto Alegre e pensei “Marie adoraria esta loja!”.  

Porra, muito badass, o Gus Fring.

Breaking Bad s04e09: Eu estava esperando que isso acontecesse entre Walt e Jesse desde a primeira temporada. Demorou, até.

Bacana, o número de diretorAS nos episódios de Breaking Bad.

Nunca ouvi ninguém dizer “bitch” com tanta vontade como Jesse em Breaking Bad.

Walt criou um excelente filho. Walt Jr. me comove.

Agora que me ocorreu que Breaking Bad traz dois atores (Steven Bauer e Mark Margolis) que estiveram em… Scarface. Apropriado.

Breaking Bad s04e10: A conversa de Walt e Jr., a estratégia de Skyler e a sequência final compõem um ótimo episódio. Reta final agora.

Breaking Bad, esse tropeço no tapete me pareceu meio forçado. Não vá me decepcionar e dizer que é importante depois, ok? Por favor.

Huell: acabei de conhecê-lo, disse duas palavras e já o considero um de meus favoritos em Breaking Bad.

Ah, Breaking Bad. O tapete. Nao precisava. (Mas darei alguns créditos pelas laranjas.)

O plano no deserto, com a nuvem passando e atirando os personagens momentaneamente na sombra, é maravilhoso.

Já comentei aqui antes sobre o design de som de Breaking Bad, mas o do s04e11 é arrasador.

Breaking Bad s04e11: O fato de o desespero de Walt ser tão impactante reside justamente no fato de conhecermos a força do personagem. Assim, quando ele se assusta, nós também nos assustamos.

E bora pro 12. Mais um pouco e serei um veterano de Breaking Bad como todos vocês que me fizeram ver a série. HA!

Breaking Bad s04e12: Vilões inteligentes sempre enriquecem uma narrativa. E Gus Fring tem inteligência… paranormal.

E vamos ao episódio final.

C(ding)A(ding)R(ding)A(ding)L(ding)H(ding)O(ding)

Não direi que o plano final de Gus justifica o urso rosa caolho queimado pela metade, já que não corrige o grande problema ali (o acidente de avião), mas ao menos cria uma rima visual muito bacana.

Breaking Bad s04e13: Gus Fring não envenenaria uma criança. Gus Fring.

COMO EU VOU FAZER SEM MAIS BREAKING BAD PARA ASSISTIR?!?!??!

Breaking Bad – TerceiraTemporada

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 17 comentários

Jesse voltou da clínica de reabilitação sem o vermelho e o amarelo. Gosto dessa lógica. Mas o gosto do final da temporada passada continua.

Breaking Bad s03e01: Apenas dá os primeiros passos na nova dinâmica entre os personagens. Muito cedo para tentar antecipar algo.

Detalhe bacana: os ternos mal ajustados, levemente maiores do que o ideal, de Saul Goodman. Um indicativo de sua picaretagem profissional.

Eu assistiria a uma série protagonizada por Saul Goodman.

Faz isso não, Breaking Bad. Os gêmeos com figurinos e coreografias coordenados são cafona demais. O que é isso agora? Matrix Reloaded?

Breaking Bad s03e02: (suspiro impaciente)

“Há dois tipos de homens nesse mundo: os que tomam e os que servem”. Ok, Breaking Bad, chamou minha atenção. Estou ouvindo.

Cacetada, Skyler diz uma das coisas mais cruéis da série no s03e03. Até entendo seus motivos, mas… filha da puta.

Breaking Bad s03e03: Uou. Ela não sabe com quem está mexendo. Isto é muito bacana em Breaking Bad: pensar no Walt do primeiro episódio e compará-lo com o cara perigoso e explosivo que virou.

“Eu peguei minha segunda esposa transando com meu padrasto”. Adoro o humor de Breaking Bad. Odeio o urso rosa caolho.

Eu assistiria a uma série protagonizada pelo personagem de Jonathan Banks.

O orgulho que Walt tem de seu “produto” é uma das coisas mais divertidas de Breaking Bad.

Breaking Bad s03e04: A temporada começa a ganhar forma e a ficar realmente interessante. E como é rica em seus personagens secundários.

A composição de Giancarlo Esposito como o poderoso Gus em Breaking Bad é interessante. Curiosa, até. Vive o cara beirando o autismo.

Walt e Skyler jantam com uma coluna separando-os no quadro. Esses detalhes em Breaking Bad me fazem esquecer o urso rosa caolho.

Breaking Bad s03e05: Depois de duas temporadas estabelecendo a dinâmica Walt-Jesse, a série decide alterá-la radicalmente. Interessante.

Fiquei com dó de Hank, agora. Ligou confiante pra pessoa errada.

Breaking Bad s03e06: Episódio tenso, bem construído (apesar da estupidez nada verossímil de Walt ao ignorar o que Badger faria) e que plano LINDO, o que encerra o episódio. Fotografia maravilhosa, a da série.

Que do caralho o plano intermediário de Hank e Marie no elevador.

Aaron Paul já ganhou algum prêmio por Breaking Bad? Porque no s03e07 ele dá um verdadeiro show.

Os gêmeos não me convenceram. A coisa mais fraca da terceira temporada até agora. Dá pra ver que os realizadores acharam que seriam “cool”. Mas não foram. Foram apenas tolos. E o “Fácil demais”? Artificial, arbitrário e não me convenceu.

Dito isso, Breaking Bad s03e07 é um episódio FODA.

O que mais me incomoda na segunda temporada não é nem o… incidente em si (embora seja absurdo), mas o esforço que a serie fez para enganar o espectador. Os dois sacos com corpos (claro que sabíamos que não seriam Walt e Jesse, mas a sugestão é que estariam envolvidos de alguma forma); o saco de evidência com óculos parecidos com os de Walt (que, de novo, não estava envolvido). ISSO irritou mais que tudo.

Por outro lado, Hank carregando uma sacola roxa e flores roxas no final do s03e07… adoro.

O rosto de Bryan Cranston é uma pequena obra de arte com suas rugas e linhas de expressão profundas.

Breaking Bad s03e08: É lindo que a série consiga ao mesmo tempo desenvolver a relação entre os personagens e mover a trama.

Oh, Hank.

Não, Breaking Bad, o corte de “O que é mais importante do que dinheiro?!” para Hank não faz jus à sua inteligência. Óbvio de-mais.

TODO episódio de Breaking Bad deveria ter ao menos DUAS cenas com Saul Goodman. No mínimo.

Jesse pode ser bem filho da puta, às vezes.

Uma das cenas mais engraçadas da série: Walt se inclinando em direção a Skyler, curioso a respeito da mentira que ela contaria SOBRE ELE. É o tipo de humor que aprecio: não teria graça se não conhecêssemos os personagens e a SITUAÇÃO que vivem. Parafraseando o conceito teórico de “drama subjetivo”, eu chamaria isso de “comédia subjetiva”. Muito bom.

Breaking Bad s03e09: uma cena genial atrás de outra. Walt e Gus; Saul e Jesse; Jesse e comparsas no NA; Skyler no final. Melhor episódio da série.

Porra, minha timeline tá dominada por Breaking Bad.

E aí Jesse vai soprar uma peça de metal e eles cortam para um mangueira de ar comprimido e desce uma lagriminha de emoção aqui. Coisa linda.

Breaking Bad s03e10: E ai que quase no fim da temporada, a série PARA completamente para um episódio autocontido e obviamente teatral. E… se sai extraordinariamente bem. Move os personagens, as situações, cria uma penca de simbolismos maravilhosos (Walt segurando escada pra Jesse?) e traz Aaron Paul e Bryan Cranston dignos de receber o Tony. Magnífico e corajoso episódio. Aqui Breaking Bad me reconquistou.

(Detalhe: o episódio foi dirigido pelo excelente cineasta Rian Johnson, do magnífico A Ponta de um Crime.)

Será que dá tempo de terminar a terceira temporada de Breaking Bad antes de sair para dar aula?

Comparem um personagem fazendo fisioterapia para voltar a andar em Breaking Bad e outro em House. E este último é que deveria ser o “drama médico”.

Uma rima visual constante em Breaking Bad traz os personagens sendo vistos em contraplongé através de objetos “transparentes”. Eu curto.

Ice Station Zebra!

Breaking Bad s03e11: A maneira como a série está lidando com Skyler é intrigante e inesperada. E Jesse usando apenas cinza… perfeito.

Só a montagem mostrando o cotidiano da viciada amiga de Jesse já vale o episódio s03e12.

Digam que Jonathan Banks ganhou algum prêmio por seu monólogo no Breaking Bad s03e12, por favor.

Breaking Bad s03e12: Puta.que.o.pariu.

Eu quero um FILME com o personagem de Jonathan Banks.

“Please, teach me”. Not a good sign.

Acho bonitinho que Jesse trate Walt como “Mr. White”. Isto o infantiliza de forma natural e tocante.

Breaking Bad s03e13: ………………………………………………………

A terceira temporada de Breaking Bad termina com uma referência a O Grande Roubo do Trem (1903), de Edwin S. Porter. PRECISA MAIS?!?!?!

Alunos do curso de Teoria, Linguagem e Critica em Porto Alegre: não haverá aula hoje. Tenho que ver a quarta temporada de Breaking Bad.

Breaking Bad – Segunda Temporada

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 37 comentários

Breaking Bad s02e01: Hank, que no início parecia caminhar para ser um personagem chato, está cada vez mais divertido. Episódio morno, porém.

Breaking Bad s02e02: Outro episódio chove-não-molha; 50 minutos acompanhando Walt e Pinkman pensando como escapar de Tuco? Dificil.

Breaking Bad s02e03: Um episódio para lidarem com Tuco, outro inteiro pra explicarem onde estavam. Bem conduzido, mas não vai a lugar algum.

Breaking Bad s02e04: Uou. Vai demorar até minha antipatia profunda por Skyler passar.

Breaking Bad s02e05: Espero que além da cleptomania de Marie, agora tenhamos que acompanhar as crises de pânico de Hank. Dito isso, a temporada parece finalmente ganhar estrutura e objetivo com a (surpreendente) transformação de Walter. Não esperava isso. Gostei.

Lembram-se de quando escrevi que não gostava do Jesse Pinkman? Estou no meio do s02e06 e… agora adoro o sujeito. Haverá esperança para Skyler? Voltemos ao episódio.

Breaking Bad s02e06: Belo episódio que atua muitíssimo bem para desenvolver Walt e Pinkman em direções opostas às originais. Excelente.

Breaking Bad entende que o audiovisual é uma mídia de ação, não diálogos. Isto fica claro no plano do s02e07 no qual vemos Jesse fumando seu bong enquanto Walt se curva em uma crise de tosse. Sem dizerem nada, sabemos que não são feitos para o trafico.

Breaking Bad s02e07: Só a participação de Danny Trejo (toda, até sua última aparição) já vale o episodio.

Breaking Bad s02e08: Saul Goodman merecia sua própria série. Episódio divertido que expandiu bem os personagens e seus dilemas.

Walt grita demais com Jesse, mas… caralho, Jesse merece. Dito isso, sua estupidez é hilária.

Ok, Walt é o novo MacGyver.

Breaking Bad s02e09: A maior prova de que os personagens de uma série te conquistaram é você se emocionar com a alegria deles.

Raccord sonoro belíssimo em Breaking Bad s02e10 fazendo transição entre Walt sob a casa e o cara aspirando escritório de Skyler.

O trabalho de design de produção de Breaking Bad também impressiona: é fascinante como a casa de Pinkman se torna um lar gradualmente.

E o que dizer do corte de Skyler flertando com alguém para a furadeira de Walt entrando na madeira? Gênio.

Breaking Bad s02e10: Bryan Cranston merecia todos os prêmios de atuação apenas pela forma como diz a fala final do episódio.

Aliás, vou usar esta fala (“Fique longe do meu território”) como o momento em que definitivamente me apaixonei pela série.

Breaking Bad s02e11: Episódio morno, mas que finalmente parece colocar Walt numa encruzilhada pessoal definitiva enquanto Jesse afunda.

Breaking Bad s02e12: Walt pode ser um monstro quando quer. Mas é a primeira vez que realmente parece se importar com Jesse. E o final do episódio só funciona mesmo dramaticamente graças à conversa entre Walt e o pai de Jane no bar, na cena anterior. Estrutura 10.

Jonathan Banks em Breaking Bad!

Ele usa luvas roxas. Ah, Breaking Bad, você realmente faz seu dever de casa.

Vontade de abraçar Walt Jr. Digo… Flynn.

Hank erguendo acidentalmente a foto de Walt à frente de um cartaz de “Wanted”. Brincadeira óbvia, claro, mas divertida e apropriada.

Ah, Jesse… 🙁

Ah, não, puta que o pariu. Eles cortam da roupa de Jane sobre a cama para a bebê de Walter. Que corte LINDO e TRISTÍSSIMO.

Sério, Breaking Bad? Tinha que fazer uma cagada dessas no final da temporada? Na boa… vontade de largar a série AGORA. Criam uma estrutura inteira de flashforward para gerar suspense e esta se revela uma estupidez monumental baseada em coincidências absurdas. Vá te foder, Breaking Bad. Parei.

Isso é um atentado à inteligência de qualquer um. Os caras ficaram confiantes demais e acharam que o espectador engoliria qualquer coisa.

Aliás, vou usar o urso rosa de um olho só como simbolo do exato momento em que desapaixonei e tomei antipatia de Breaking Bad.

Breaking Bad s02e13: Tão estúpido quanto o pior dos episódios de House. The end.

Breaking Bad – Primeira Temporada

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 24 comentários

Assisti à primeira temporada de Breaking Bad e comentei cada episódio no twitter:

Anúncio oficial (cc @helioflores @ligadoemserie @bcarvalhobc): hoje assistirei ao Breaking Bad s01e01, ok? Aí me deixarão em paz?

Breaking Bad s01e01: Fotografia excepcional de John Toll e um protagonista curioso. Mas ainda não sei para onde a série pode caminhar.  

Uma temporada/série inteira sobre um professor de química que cozinha metanfetamina? Sei, não. Vamos ver.

Até agora, Breaking Bad é a história de um homem na meia idade que vira fabricante de droga para se curar da impotência sexual.

Breaking Bad s01e02: Ok, o humor das situações e dos diálogos me surpreendeu. Gosto da dinamica entre Walt e Pinkerman. Gostei mais desse.

Ok, tive que parar com 5 minutos do terceiro episodio. A maquiagem digital de rejuvenescimento dos dois é horrorosa. Ok, voltemos a ele.

Breaking Bad s01e03: Tenso, dramático, bem construído. Curioso para saber para onde a história caminha a partir daqui.

Breaking Bad s01e04: As cenas envolvendo a família de Pinkman foram um porre e nada acrescentaram ao personagem. O resto foi… hum… ok.

Mas este episódio 04 foi o mais fraco e aborrecido até agora. Pareceu pura encheção de linguiça.

Por outro lado, so neste episódio notei o interessante jogo de cores básicas envolvendo o figurino dos personagens: Walter sempre verde; a esposa, azul; Pinkman, vermelho. Vou começar a prestar atenção nos demais para ver se o padrão se mantém. Achei divertido.

Breaking Bad s01e05: De novo, as cenas envolvendo Pinkman derrubam o episódio, ao passo que aquelas em torno de Walter e seu dilema sobre o tratamento representam um ponto dramático eficaz. Além disso, o preciosismo de Pinkman de jogar fora o produto que não considera “perfeito” simplesmente não convence. Estou desgostando cada vez mais do personagem, que estava tão divertido antes. Hum.

Mas uma coisa é inegável: estou encantado com a fotografia de Breaking Bad.

Pinkman também usa muito amarelo.

Caralho. Skyler = azul. Pinkman = amarelo. Juntando os dois (família + drogas) = verde. Walt. Ok. Estou oficialmente intrigado pela série.

Cacete. E o criador da série ainda deu a dica do jogo que estava fazendo com cores ao citar a Gray Matter como resultado de Black e White.

E eis que no clímax do episodio 6, Walt é visto através de vitrais.. vermelhos e amarelos. Transforma-se em Pinkman. Porra, que lindo.

Breaking Bad s01e06: Episódio impecável. Da construção narrativa (com o lance do mercúrio nas pontas) ao clímax. O melhor até agora.

Breaking Bad s01e07 (final da temporada): Tá bom, fui fisgado.

Globo, BBB e o “lindo amor” de Pedro Bial

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Séries de tevê | 59 comentários

Eu tinha 20 anos de idade e estava numa calourada da UFMG, onde cursava Medicina. Durante a festa, uma colega do Diretório Acadêmico, do qual eu era diretor, se aproximou de mim e, do nada, me deu um beijo enlouquecedoramente intenso. Era linda, a moça, e eu tinha por ela uma queda que já durava alguns meses – uma paixonite que a timidez (há muito perdida) me impedia de manifestar. A princípio, empolgado, retribuí o beijo, mal acreditando no que estava acontecendo.

E então percebi o gosto do álcool. 

Por alguns segundos, tentei ignorar, mas senti-me estranho, mal, diante do que ocorria. Por um lado, queria que os beijos continuassem; por outro, eu sabia que a garota costumava ser reservada, contida, e que aquela postura não refletia seu comportamento habitual. Sim, eu a queria – mas não daquela maneira, não sem ter certeza de que ela me queria de volta e com plena consciência disso. Assim, interrompi os beijos e expus minha preocupação sobre seu estado naquele momento – e falei que, no dia seguinte, caso ela ainda quisesse dar prosseguimento àquilo… bom, que eu estaria ali e feliz.

Pois há pouco mais de um dia, a Globo, emissora de tevê aberta com maior audiência do país, exibiu imagens de uma garota praticamente inconsciente em função do álcool (fornecido pela própria empresa) enquanto esta tinha seu corpo explorado por um colega de cativeiro. As imagens se prolongaram por minutos intermináveis. Ninguém fez nada; nenhum produtor chamou o rapaz que a explorava; ninguém da ilha de corte interrompeu a transmissão. Mais tarde, quando internautas protestaram, o diretor do programa, o poderoso Boninho, afirmou categoricamente que “não houve estupro” (aparentemente, transferiu seu papel de “Deus” daquele microcosmos para o mundo real) e que quem insistia na afirmação estava sendo “racista”, já que o rapaz envolvido é negro.

Mais tarde, ao comentar as imagens, o apresentador Pedro Bial disse apenas que “o amor é lindo”.

É uma história tão sórdida que chega a espantar que seja real. 

Não assisto ao Big Brother. Acompanhei a primeira edição e, tempos depois, vi aquela envolvendo Jean Wyllys. E então me dei conta de que não fazia sentido perder horas e horas acompanhando pela tevê o cotidiano de pessoas que eu não gostaria de conhecer fora dela. Dito isso, é impossível ignorar o programa: mesmo colocando filtros no Twitter para eliminar menções a ele, acabo aprendendo os nomes dos participantes e ficando a par dos acontecimentos diários – e, também neste sentido, o Big Brother faz jus à palavra “praga”. Desta forma, já ouvi casos de homofobia, machismo e racismo perpetrados e divulgados pelo programa – mas nada que se comparasse ao que ocorreu agora.

Exagero? Recapitulemos: a moça, mantida em cativeiro (mesmo que voluntário) pela emissora, embebedou-se com o álcool oferecido à vontade em uma festa, deitou-se ao lado de um homem que explorou seu corpo por um longo tempo diante das câmeras enquanto ela se encontrava obviamente desacordada e ninguém fez nada. Exibiram as imagens, tinham consciência do que ocorria, mas nada fizeram. Confrontados, defenderam o agressor, acusaram os acusadores de “racismo” e minimizaram o ocorrido. Certamente achando que ainda estamos na década de 90, Boninho obviamente acreditou que mataria o assunto na base do grito.

Mas não estamos mais na década de 90, Boninho. As redes sociais e a internet democratizaram o mundo de uma maneira que a Velha Mídia não consegue compreender. Antigamente, vocês abafariam o caso. Antigamente, o livro A Privataria Tucana seria morto no útero da editora. Mas no século 21 o caso não foi abafado e o livro é o mais lido do país. 

Não que tenhamos motivos para celebrar. Ainda há muitos que, possivelmente vítimas da síndrome de Estocolmo, insistem em defender a emissora e o programa, que deveria sair do ar imediatamente. Como é possível que vivamos num país que censura um abuso sexual fictício em Um Filme Sérvio e nada faz em relação a um incidente real veiculado ao vivo em rede nacional? Como racionalizar uma contradição dessas?

Sim, o rapaz foi expulso do programa, mas o Big Brother, que promoveu, explorou, acompanhou, veiculou, lucrou e acobertou o crime, continua no ar. (E se eu fizesse parte da família da moça, estaria consultando advogados neste instante. Há uma fortuna em potencial apenas esperando ser transferida dos cofres da Globo para a conta de sua vítima.) Para piorar, de acordo com meu amigo Hélio Flores, que assiste ao Big Brother (ninguém é perfeito), a garota foi instruída a mentir para os colegas sobre o ocorrido. A cumplicidade da Globo, de Boninho e do programa neste incidente repugnante é difícil de negar.

Um Filme Sérvio continua proibido no país. Aguardemos para ver se há um mínimo de coerência em nosso sistema legal.

Dexter – Sexta Temporada – Episódio Final

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 40 comentários

(Spoilers abundam como as vítimas de Dexter.)

Oh, Dexter.

Depois de um começo apenas correto, a temporada ganhou relativa força à medida que a história ia sendo desenvolvida e os temas principais iam sendo apresentados: se lá atrás Dexter insistiu para colocar Harrison numa escola católica, isto eventualmente se refletiu no arco do sexto ano, que girava em torno de um serial killer com motivações apocalípticas; por outro lado, se o personagem-título se tornou próximo do “irmão” Sam, isto obviamente cumpriu apenas a função de evitar protestos de religiosos com relação à maneira com que a fé foi abordada pelos roteiristas, o que não deixa de ser uma atitude cínica e covarde. Ainda assim, a revelação envolvendo Travis e o professor Gellar foi bem trabalhada, mesmo que nada original, e Colin Hanks, com sua imagem de bom moço herdada do pai, conseguiu criar um vilão relativamente eficiente.

Dito isso, nada justifica a queda abrupta de qualidade dos episódios na reta final da temporada e que comprova apenas o que comentei ao escrever sobre a passada: a entrada dos responsáveis por 24 Horas, cuja qualidade oscilou pavorosamente ao longo dos anos, comprometeu de forma irremediável a série.

Já no início deste último episódio, a cara de pau dos roteiristas se faz presente através de uma saída ridícula para a sobrevivência de Dexter no mar (lembrando também que jamais descobrimos como ele poderia ter escapado daquela explosão no episódio passado): exibindo o nome “Milagro”, o barco que trazia imigrantes ilegais é introduzido quase com orgulho pelos autores do episódio, como se o tema religioso justificasse a artificialidade da solução (teria sido mais honesto – e igualmente apropriado – batizar o barco como Deus ex machina). Porém, este seria apenas o primeiro de uma série de tropeços: se na quinta temporada a babá contratada por Dexter e o ex-policial vivido por Peter Weller ocuparam mais espaço do que deveriam, sugerindo uma importância que jamais teriam, isto se refletiu na sexta através da irmã de Batista e do assistente de Masuka. Além disso, o que dizer de toda a subtrama envolvendo o roubo da mão de uma vítima do Ice Truck Killer, que começou do nada e não chegou a lugar algum?

Infelizmente, há mais. Conte quantas vezes ao longo dos seis anos de Dexter o personagem-título chegou a uma cena de crime apenas para receber a notícia de que todos estavam esperando sua presença para entrarem no local? Pois isto ocorre aqui sem a menor justificativa (havia duas entradas para a casa; Dexter apenas salta uma pocinha de sangue; Masuka já estava lá; etc) apenas para que o rosto do protagonista na pintura deixada por Travis não seja visto por mais ninguém, permitindo que ele a destrua antes que esta seja vista pelos demais – e que sorte que ninguém ouviu as marteladas, não? Como se não bastasse, a velha ideia do “heroi-tendo-que-salvar-uma-pessoa-amada-das-mãos-do-vilão” já é batida por natureza, tendo sido utilizada à exaustão pela própria série – e, assim, é espantoso que os roteiristas tenham decidido utilizá-la sem qualquer vergonha.

Ou talvez não seja tão espantoso assim, já que, se considerarmos toda a História das Más Ideias na Ficção, com seus milênios de dados, possivelmente poucas serão piores do que (e não sei se rio ou choro ao escrever isso) criar tensão sexual entre os irmãos Debra e Dexter. Porque, sim, são irmãos: quando Dexter foi levado por Harry, tinha a idade de seu filho Harrison – e ao longo de seis anos, nenhuma sugestão foi feita de que Deb e Dex jamais tenham tido qualquer tipo de envolvimento que os diferenciasse de irmãos biológicos. Será possível que os roteiristas introduziram este elemento na temporada apenas para tornar a descoberta de Debra sobre a natureza psicótica de Dexter mais… traumática? Será mesmo que o fato de serem irmãos não seria suficientemente forte? É preciso que ela tenha (oh, Deus) tesão por ele para que se sinta dividida?

Errando até mesmo ao exibir a morte de Travis em um plano conjunto, ignorando que passamos doze episódios esperando pelo momento final do vilão e que este merecia ao menos um primeirinho plano em sua despedida ou algo do gênero, a sexta temporada de Dexter terminou com uma reviravolta que, embora há muito esperada pelos espectadores (nem usarei mais a palavra “fãs”; não consigo), foi encenada de forma desajeitada e novelesca, merecendo figurar mais num Vale a Pena Ver de Novo do que numa produção que incluiu um arco tão magnífico quanto aquele visto na quarta temporada (e estou começando a torcer até mesmo por uma imbecilidade do tipo “o irmão gêmeo de Trinity decide vingar-se de Dexter”, já que isso seria melhor do que o que temos visto no projeto). Ao menos, a descoberta de Debra obrigará os responsáveis pela série a alterarem completamente o rumo da narrativa no próximo ano, embora eu esteja certo de que irão encontrar uma maneira de errar espetacularmente em sua condução.

Ah, sim, já erraram: Debra quer ir pra cama com o irmão.

Puta. Que. Pariu.

Dexter s06e11

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 10 comentários

(Spoilers vão rolar.)

Como escrevi antes, esta sexta temporada não estava maravilhosa, mas certamente encontrava-se consideravelmente melhor do que o pavoroso quinto ano de Dexter, que servira como um imenso desapontamento (especialmente por vir depois do melhor arco da série – aquele envolvendo Trinity). Sim, a discussão religiosa estava trôpega, mas, por outro lado, Dexter continuava a ser um personagem interessante que se tornara ainda melhor ao desistir de “controlar” seu Passageiro Sombrio. Além disso, a subtrama envolvendo Debra corria bem e o Doomsday Killer, embora empalidecendo diante de Trinity, ao menos soava como uma ameaça crível (e, particularmente, gostei da revelação envolvendo o personagem de Colin Hanks. Não foi a mais original, mas ao menos foi construída com cuidado pelos roteiristas.).

E aí chegamos a este penúltimo episódio e mais uma vez a série demonstrou que, sob as mãos dos antigos responsáveis por 24 Horas, não é mesmo confiável.

Em primeiro lugar, duas coisas já haviam ficado óbvias: a terapia de Debra teria que levar a algum lugar (ou teria ocupado muito tempo à toa) e a mão roubada pela estagiária de Mazuka retornaria de alguma forma à trama. A segunda questão, ao que parece, ganhará uma justificativa tola: vingancinha de um programador de games contra a honestidade crítica de Dexter. Ai, ai.

Já a terapia, que vinha apontando a dependência de Debra com relação ao irmão, sempre me pareceu uma forma de levar a um desfecho que a trará descobrindo a natureza psicopata de Dexter – especialmente graças a diálogos óbvios como aquele que ela solta ao dizer que a irmã de Travis (Hanks) deveria ter desconfiado de algo ou à sua manifestação de não imaginar sua vida sem o irmão. Não ficarei surpreso se for este o gancho da sexta temporada: Debra constatando que Dexter é um serial killer. (Soma-se a isto sua conversa com Matthews neste episódio, quando claramente se mostrou implausivelmente desconfortável em manter em segredo o fato de que ele estava no motel quando a prostituta morreu – um fato que não mudaria absolutamente nada, já que Matthews não matou a garota e nem se negou a socorrê-la e que serviu apenas para estabelecer a ética de Debra, que despertará o conflito com relação ao segredo do personagem-título.

Dito isso… o que passou na cabeça dos roteiristas quando decidiram incluir uma sugestão de que Debra estaria romanticamente interessada em Dexter? Como podem ter achado que isto seria uma boa ideia? E como podem ter escrito uma cena pavorosa de sonho como aquela?

E prefiro nem comentar o fato de que usaram não uma, mas duas vezes o clichê do sujeito que está assistindo à tevê no exato momento em que uma notícia importante para mover a trama é apresentada por um telejornal. Isso é recurso de roteirista preguiçoso, medíocre. E em dose dupla.

Se somarmos a tudo isso o clímax do episódio, quando Dexter escapa de maneira inexplicável da morte (enquanto Travis convenientemente parte sem se certificar de que seu plano maligno daria certo), o resultado é um desastre completo.

Chega a doer a lembrança da estupenda quarta temporada. Como uma série pode despencar tanto e tão rapidamente?

Dexter s06e07

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 7 comentários

(O Código de Harry: não leia se não gosta de spoilers.)

Durou pouco, mas foi bom. (That’s what she said?) Durante um episódio, Dexter Morgan substituiu os conselhos de sua alucinação esquizofrênica habitual (um componente intrigante de sua psicopatia), Harry, por aqueles oferecidos por seu falecido irmão, o Ice Truck Killer – e, como resultado, pudemos ver aquilo que o personagem-título teria se tornado caso não tivesse o código criado por seu pai para controlá-lo. Assim, enquanto Dexter tentava lidar com uma revelação trágica envolvendo Trinity, Michael C. Hall entregou-se a uma performance assustadora, abraçando sem reservas o lado sombrio do personagem e ilustrando, em seu olhar, seu potencial assassino. Teria sido bom ver este lado durar mais episódios, mas por outro lado é bacana que Dexter consiga enxergar em sua natureza assassina um autocontrole que não o impede de manifestá-la, mas apenas… discipliná-la, já que é frustrante quando surge a sensação de que o sujeito quer encontrar uma maneira de se livrar de seu “Passageiro Sombrio” (o que, além de implausível, destruiria o personagem).

Assim, embora tenha se desviado da trama principal da temporada, este episódio foi também um dos melhores até agora – especialmente por colocar fim na tensão entre Debra e Quinn, que já consumira tempo excessivo.

Além disso, como não aplaudir isso?

Ops! Digo… isso?