Séries de tevê

Lost S06E16

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 37 comentários

(Spoilerbud…)

Êta, Ben Linus, que nunca deixa de ser um personagem fascinante. Depois de permanecer ausente ou relegado a segundo plano durante boa parte da temporada, o sujeito vivido por Michael Emerson de maneira brilhante voltou a demonstrar o cinismo e a frieza que o transformaram numa das melhores criações de Lost, culminando numa ação impactante que finalmente põe um fim à promessa de vingança feita por ele a Widmore há duas (ou três?) temporadas – e sua fala neste instante tão marcante é arrepiante e perfeitamente condizente com tudo que já sabemos sobre Benjamin. ("Ele não vai ter a chance de salvar a filha").

Aliás, ao voltar a se concentrar nos personagens depois do decepcionante episódio passado, que simplesmente transferiu para a "mãe" de Jacob e do Homem de Preto os mistérios que estes representavam (além de introduzir o bobo conceito da "luz da ilha"), Lost mais uma vez demonstrou sua força narrativa, construindo uma tensão crescente ao fazer a justaposição das cenas na ilha com aquelas nas quais vemos Desmond arquitetando seu grande e definitivo plano – e que obviamente atingirá seu clímax no concerto do filho de Jack, que certamente reunirá todos os personagens principais da série.

E mesmo que particularmente não tenha gostado da idéia da "ilha", o propósito de proteger os mistérios daquele lugar é algo que a série já havia introduzido há tempos e que, portanto, não gera estranheza – e, neste sentido, a cena em que Jacob finalmente explica com suas próprias palavras por que trouxe aquelas pessoas para a ilha, por que riscou o nome de Kate na caverna e o que espera delas é, claro, um dos momentos mais emblemáticos da série. Algo, na verdade, que de certa forma vinhamos sonhando em ver desde a primeira vez em que a "lista de Jacob" foi citada.

Voltando à boa forma habitual em seu penúltimo capítulo, Lost certamente fará uma falta tremenda a todos aqueles que se habituaram a passar os últimos seis anos mergulhados em seus muitos e instigantes mistérios – e, assim, quando Jacob diz a Hurley que "estamos muito perto do fim", confesso que senti uma pontada de dor e saudade antecipada. Aliás, não culpo Benjamin Linus por, mesmo depois de tantas tragédias e decepções, continuar disposto a tudo para permanecer na ilha.

Afinal, compreendo perfeitamente como ele  se sente.

Lost S06E15

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 67 comentários

(I see spoiled people.)

Nhé.

Era inevitável um episódio que girasse em torno da origem de Jacob e do Homem de Preto. Caso não fosse produzido, os fãs inevitavelmente reclamariam – e com razão, considerando a importância dos dois personagens para a mitologia da ilha. No entanto, o que Carlton Cuse e Damon Lindelof fizeram aqui foi uma bela trapaça: sim, vimos as origens dos dois inimigos, que, gêmeos, eventualmente se desentenderam em função da maneira com que enxergavam a mulher que os criou. Esta, por sua vez, se encarregou de impedir que os dois homens fossem capazes de se matar e também explicou a origem dos "poderes" da ilha: uma caverna dominada por uma luz que basicamente é feita da mesma energia que o espírito humano.

Mas hein?

Sim, era de se esperar que a natureza da ilha envolvesse algo metafísico, já que não há uma explicação científica plausível para tudo que ocorre ali, mas… uma caverna de luz? (Luz esta que, por sinal, parece ter saído da ilha e ido parar na maleta de Marsellus Wallace em Pulp Fiction?). E o Monstro de Fumaça seria, na realidade, o espírito do irmão de Jacob convertido naquela criatura pela tal luz?

Então tá.

Além disso, como falei, Cuse e Lindelof trapacearam nas explicações: sim, descobrimos as origens de Jacob e do Homem de Preto (cujo nome jamais é revelado), mas… e a "mãe" da dupla, de onde veio? E que diabos ela faz para impedir que eles se matem? E o que era o tal líquido que Jacob bebe para se tornar o guardião da ilha? E por que uma roda ligada à luz pode mover a ilha ou as pessoas que nela estão?

Não creio que veremos respostas a isto – e, portanto, a frustração é inevitável.

Por outro lado, sempre defendi que o grande barato de Lost residia nas perguntas e mistérios que a série propunha, e não nas respostas em si. Somos espectadores mal acostumados; exigimos esclarecimentos para tudo e nos esquecemos da beleza e do charme do desconhecido. Assim, confesso que eu ficaria mais feliz se Lost jamais tivesse tentado explicar a origem dos poderes da ilha e do Monstro de Fumaça, já que as explicações que acabou oferecendo me pareceram forçadas, tolas e insatisfatórias.

Seja como for, o que realmente me interessa na série, além das perguntas (e não das respostas) que esta desperta, são os personagens e como estes lidam com os mistérios apresentados pela ilha. E ainda tenho fortes esperanças de que os dois próximos episódios nos reservarão grandes momentos neste sentido.

LOST 06E14

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 38 comentários

(If you spoil it, they'll come.)

O décimo quarto episódio da última temporada de Lost representou um verdadeiro massacre de personagens "originais" da série – aqueles que passamos a acompanhar já na primeira temporada. Se somarmos Lapidus aos três mortos, então teremos não só uma matança ainda maior, mas a confirmação definitiva de que Carlon Cuse e Damon Lindelof, embora tenham inúmeros e imensos méritos como criadores, realmente falharam ao introduzir um personagem que não exerceria absolutamente nenhuma função ao longo das três temporadas que apareceu na série.

Dito isso, o episódio representou mais um grande momento dramático da empreitada: Sayid se despediu com um sacrifício final e Jin e Sun, embora longe de estarem entre meus personagens favoritos, conseguiram concluir com impacto o arco romântico que viveram ao longo de todas as seis temporadas (dito isso, realmente acho que trazer Jin na realidade paralela logo após sua morte na linha original serviu apenas para enfraquecer o drama do que acabara de ocorrer).

Esclarecendo de vez o propósito de Locke (née Homem de Preto) ao reunir os "candidatos", os últimos 42 minutos de Lost conseguiram também evocar uma grande atmosfera de tensão, além de trazer Jack finalmente começando a montar as peças na realidade paralela, o que será fundamental, claro, nos três episódios finais da série.

"Três episódios finais da série". Uau. Doeu, escrever isso. Especialmente depois de mais um grande capítulo como este.

Lost S06E13

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 34 comentários

(I'm the spoiler king of the world!)

Ao longo dos últimos 12 episódios, acompanhamos os eventos da realidade paralela enquanto estes nos apresentavam aos acontecimentos "alternativos" das vidas de Jack, Locke, Ben, Sun, Jin, Sayid, Kate, Claire, Charlie, Hurley e Desmond de maneira aparentemente isolada: embora aqui e ali os personagens se cruzassem, suas linhas narrativas viam se desenvolvendo de maneira independente e ocasionalmente frustrante. A impressão que surgia – e que manifestei em comentários sobre outros episódios – é a de que o conceito da "realidade paralela" era melhor em teoria do que na prática, já que pouco pareciam contribuir para que a série, como um todo, caminhasse para a frente.

Começo a perceber meu engano.

Finalmente, depois de uma dúzia de episódios, Carlton Cuse e Damon Lindelof justificaram todo o desenvolvimento da temporada: de certa maneira, Lost estava apenas preparando um grande reencontro de todos os personagens principais em função de choques pessoais ou de epifanias provocadas pelo amor ou pelas intervenções de Desmond. Mas, mais do que isso, estava conduzindo esta narrativa paralela enquanto, na ilha, os incidentes transcorriam em ritmo perfeito para levar a uma confluência paradoxal das duas linhas paralelas.

Mais uma vez levando o episódio a um crescendo impecável de tensão, o roteiro não só forneceu mais respostas importantes (desde a identidade dos "fantasmas" da ilha até a "captura" de Claire pelo "espírito" do pai, que muitos – não eu – julgavam ter sido um furo da série) como ainda começou a se alinhar claramente para encerrar o arco geral de Lost bem como para esclarecer a natureza da realidade paralela.

Tanto que finalmente me julgo capaz de formar uma teoria – algo que, anteriormente, não poderia fazer por saber que seria completamente baseada em adivinhação. Ao ver Sun reconhecendo aterrorizada Locke deitado ao seu lado, no hospital, ocorreu-me que talvez todo aquele universo pudesse ser uma criação do Homem de Preto pós-saída da ilha. Embora Illana e Richard insistam em dizer que a fuga da criatura representaria "o fim de tudo", atrevo-me a especular que não haveria muito sentido o Homem de Preto finalmente se libertar apenas para destruir tudo à sua frente. Assim, talvez (e repito: tenho consciência de ser um gigantesco "talvez") aqueles acontecimentos sejam uma espécie de "Matrix" concebida pelo monstro de fumaça para manter os "candidatos" (e o mundo?) em absoluta passividade enquanto ele se diverte com sua liberdade – uma "Matrix" que teria, em Desmond, sua própria versão do "Neo" que toma consciência da artificialidade do universo e se dedica a libertar os demais prisioneiros.

(Alguns elementos que me fazem acreditar nesta teoria, além da reação de Sun, dizem respeito ao fato de que quase todos os personagens mantêm, nesta realidade, vidas bem mais agradáveis que na anterior: Hurley é rico e sortudo; Jack é pai; Sun e Jin estão "grávidos"; Sawyer é um homem da Lei; Ben Linus alcançou a redenção; Miles e o pai são amigos; Locke está prestes a se casar e se relaciona bem com o próprio pai; Claire está prestes a encontrar uma nova família e a manter Aaron; a amada de Sayid voltou à vida; etc. Por outro lado, Kate continua fugitiva; Charlie permanece um drogado infeliz e Sayid não está de fato com a amada. Então… bom, não sei.)

Absurdo? Provavelmente. Em minha crítica de "Matrix Reloaded", por exemplo, teci longos comentários sobre o que julgava ser o caminho a ser tomado pelo filme seguinte apenas para ver minhas conjecturas explodindo em meu rosto no fraco capítulo seguinte. Por outro lado, acredito que, caso esteja novamente errado, ficarei feliz em constatar que a explicação definitiva oferecida por Lost se revelará infinitamente mais satisfatória do que a minha.

Afinal, se há algo que Lost se especializou em fazer nos últimos seis anos foi em superar todas as expectativas de seus fãs. E não creio que isto mudará agora.

Lost S06E12

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 39 comentários

(Em grego, spoileegia; em latim, spoilegi; em francês, spoilégie; em inglês, spoilegy; em alemão, spoilegie; em italiano, spoilegia; em espanhol, spoilegia.)

Lost realmente chegou em seu ato final. Não é à toa que, depois de seis temporadas, temos momentos como aquele em Hurley simplesmente diz "Entendi o que são os sussurros" e imediatamente se encarrega de esclarecer em duas ou três frases aquele que foi um dos primeiros grandes mistérios da série. Da mesma maneira, marcos da ilha finalmente desapareceram, como o Black Rock, ao passo que uma personagem que vinha se tornando cada vez mais presente desde a última temporada deixou a série de forma súbita, inesperada e com uma referência à morte de outro personagem menor há algumas temporadas.

Porém, se uma figura deixou Lost, dois outros personagens do passado da série ressurgiram inesperadamente: Michael (que serviu para que Hurley decifrasse o mistério por trás dos sussurros) e Libby, que não só conseguiu finalmente oferecer algum conforto a Hugo pelo primeiro encontro que jamais tiveram, mas que também continuou a oferecer mais pistas sobre a natureza da realidade paralela.

Já do ponto de vista estrutural, não consigo me lembrar de nenhum outro episódio que tenha se dividido em tantas linhas narrativas paralelas: além dos esforços de Hugo para salvar seus companheiros na ilha, tivemos as cenas envolvendo Locke no acampamento, Locke e Desmond na trilha rumo ao poço e junto a este, Desmond na realidade paralela e Hurley também neste universo alternativo – e além de usar estes saltos na narrativa para manter a história fluida, os realizadores conseguiram estabelecer também um tom crescente de tensão.

Que culminou, claro, no esperado encontro entre Locke e Jack (e a expressão de insegurança deste último revelou muito sobre sua postura nesta última temporada) e – ainda mais chocante – na ação surpreendente e misteriosa de Desmond no universo paralelo.

É curioso: a cada novo episódio, venho sentindo uma ansiedade crescente em chegar logo no fim e descobrir tudo o que os criadores da série tinham em mente. Por outro, episódios como o passado e este me fazem desejar que Lost não acabe nunca, mantendo-nos sempre presos aos seus fascinantes mistérios.

 

Lost S06E11

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 27 comentários

(To spoil or not to spoil; that is the question.)

Há exatos 18 anos, morria Isaac Asimov, um dos maiores gênios da ficção científica. E não posso imaginar uma homenagem maior ao escritor russo do que a exibição, no aniversário de sua morte, deste magnífico décimo-primeiro episódio da última temporada de Lost.

Não é segredo que todos os episódios protagonizados por Desmond Hume se estabeleceram facilmente entre os mais intrigantes e eficientes de toda a série – e as coisas não mudaram agora. Trazendo o escocês em uma fascinante viagem pela realidade paralela que estabeleceu laços fortes com os episódios "A Variável" e "A Constante", este "Felizes para Sempre" começou a esclarecer de maneira instigante a função e a natureza do universo alternativo que os criadores de Lost introduziram nesta sexta temporada. Aliás, mais do que isso: embora eu tenha manifestado dúvidas sobre como Desmond poderia se encaixar na série depois da resolução de seus dilemas anteriores, o fato é que, voltando a ganhar destaque após praticamente não ter dado as caras em toda a temporada, o personagem imediatamente se estabeleceu como uma das figuras que certamente se revelarão fundamentais no clímax de toda a série, o que, por si só, já valeu o episódio.

Voltando a investir nas rimas narrativas que se tornaram comuns nesta temporada (o uísque de Widmore, a presença de George guiando Desmond, o afogamento de Charlie), "Felizes para Sempre" comprovou que Lost realmente se torna infinitamente mais forte quando investe em sua mitologia diversificada e aposta na ficção científica como guia indiscutível.

Que belíssimo episódio, "brotha".

Lost S06E10

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 13 comentários

(You spoilin' to me? You spoilin' to me? I'm the only one here. You spoilin' to me?)

Acho que este foi o primeiro episódio protagonizado por Sun e Jin que achei aceitável. Não foi genial ou mesmo muito bom, mas suficientemente interessante para ficar acima dos demais estrelados pelo casal (o que não quer dizer muita coisa). Gostei, por exemplo, de como finalmente vimos o outro lado dos incidentes narrados na realidade paralela de Sayid e – mesmo que pecando pela falta de sutileza – apreciei a ironia do tiro disparado no olho do russo. Em contrapartida, a afasia de Sun soou (com o perdão do trocadilho) como algo desnecessário, mera encheção de linguiça para aproximá-la da condição do marido na realidade paralela, tomando um tempo valioso de tela em função das explicações e traduções.

Além disso, é sintomático que o episódio tenha ficado melhor sempre que a narrativa se afastava dos Kwon, concentrando-se em Locke ou mesmo Charles Widmore, cujo propósito ao retornar à ilha foi esclarecido (só espero que expliquem melhor seu conflito com Ben Linus, já que, teoricamente, ambos sempre trabalharam para Jacob). 

Ainda assim, embora não tenha sido entediante, o episódio soou como filler na maior parte do tempo, como se os 41 minutos iniciais tivessem sido criados com o único propósito de armar a surpresa final, quando um velho personagem retornou à série.

Um personagem que, ao contrário de Sun e Jin, protagonizou alguns dos melhores episódios de todo o projeto – e que, portanto, me faria muito feliz caso voltasse a fazê-lo nesta sexta e última temporada.

Lost S06E08-09

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 40 comentários

(I believe in spoilers. Spoilers have made my fortune.)

Antes de qualquer coisa, peço desculpas por não ter comentado o episódio 08 na semana passada, mas o fato é que só consegui tempo para vê-lo hoje. Em poucas palavras: as seqüências da realidade paralela realmente funcionam muito melhor quando já conhecemos todos os personagens envolvidos – e ver Sawyer assumindo uma postura diametralmente oposta à de sua vida anterior foi algo que, somado à redenção de Benjamin Linus no episódio 07, começa a estabelecer um padrão interessante no que diz respeito à lógica desta outra "realidade". Da mesma forma, confesso estar cada vez mais curioso para compreender o papel do piloto vivido por Jeff Fahey na lógica da série, já que, embora pensemos pouco neste personagem (já que ele faz pouca coisa), deve haver uma razão para que ele exista, posto que seria impensável que Lindelof e Cuse cometessem um erro tão básico quanto manter uma figura sem função por tanto tempo na trama.

O que nos traz ao nono episódio desta última temporada.

Presente há um bom tempo na mitologia de Lost, Richard Alpert sempre foi um dos grandes mistérios da ilha: por que não envelhece? De onde veio? Qual sua função? Pois todas estas  perguntas (e outras ainda mais importantes) foram definitivamente esclarecidas nos 46 minutos mais recentes do projeto. Sim, 46, já que este episódio foi um pouco maior do que o normal. 

Trazendo aquele que provavelmente foi o flashback mais longo de toda a série, o episódio narra de maneira envolvente toda a jornada de Richard, saindo-se especialmente bem ao ilustrar seus angustiantes dias presos no navio do Black Rock depois do naufrágio, quando conseguiu estabelecer a passagem do tempo de maneira impecável e torturante. Além disso, Nestor Carbonell não desperdiçou a oportunidade oferecida pelos criadores de Lost, oferecendo um desempenho sólido e tocante, embora, aqui e ali, o roteiro tenha se arrastado um pouco. Aliás, devo confessar que até certo ponto do episódio senti imensa frustração: se por um lado queria saber a história de Richard, por outro não me conformava com tanto tempo sendo devotado ao personagem sem que nada de importante sobre a mitologia geral da série fosse esclarecido a tão poucos episódios do final.

Uma impressão radicalmente alterada nos dez minutos finais da trama.

Provando a inteligência da construção da narrativa (algo do qual eu, incrédulo momentâneo, envergonho-me de ter questionado), o episódio justificou toda a apresentação da história de Richard ao usá-la para esclarecer aquele que talvez seja o maior mistério de toda a série: qual é a verdadeira natureza da ilha.

Sim, vocês leram corretamente: ao fim deste nono episódio, finalmente descobrimos, depois de seis anos, qual é o papel da ilha e por que Jacob é tão importante não só para esta, mas para o resto do mundo. E também por que é tão fundamental que o Homem de Preto jamais consiga abandonar o local. Aliás, a resposta foi tão reveladora que confesso ter sentido, talvez pela primeira vez nesta última temporada, uma vontade imensa de voltar ao primeiro episódio de Lost e recomeçar a vê-la apenas para avaliar como tudo se encaixa agora que sei o que está por trás de seus mistérios.

Por outro lado, com esta pergunta tão fundamental esclarecida, resta saber o que os roteiristas tirarão da manga para manter nosso interesse nos próximos nove episódios.

Um flashback mostrando a origem de Jacob e do Homem de Preto, talvez? Se for, mal posso esperar.

Lost S06E06

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 17 comentários

(No meio do caminho havia um spoiler. Havia um spoiler no meio do caminho.)

Sayid não é mais o mesmo. Se antes ele era o primeiro a detectar mentiras e perigos, mostrando-se sempre durão e inabalável, agora ele grita, geme e é facilmente manipulado por todos. A expressão antes sempre dura e impassível agora cedeu lugar a um olhar de sofrimento, dúvida e hesitação. Não é mais o personagem que eu considerava um de meus favoritos, mas não posso reclamar: mesmo que ele tenha se transformado em alguém que não conheço, o fato é que estas mudanças foram justificadas pelos acontecimentos das últimas duas temporadas e, portanto, soam perfeitamente naturais. 

Com um ritmo bem mais acelerado do que o episódio anterior, Lost agora parece ter entrado em ritmo de final de temporada, embora tenhamos chegado apenas ao fim do primeiro terço – e isso é bom e apropriado, mesmo que às vezes dê a impressão de que certos incidentes ocorreram de forma conveniente demais, como a chegada de Kate (ela não ia procurar Claire?), Ben, Sun e os demais em um momento-chave. Por outro lado, é preferível que as coisas aconteçam subitamente do que demorem mais do que o indicado – e Lost é famosa por arrastar mistérios até que eles se tornem mais importantes do que deveriam, gerando um anti-clímax que pode ser frustrante quando são finalmente esclarecidos (mesmo que a explicação seja coerente).

Pecando aqui e ali em função de tropeços técnicos (o dublê de Naveen Andrews na luta com Dogen tem seu rosto constantemente revelado, o que indica um erro grave na coreografia e na decupagem da cena), o episódio ainda assim conquistou pelo impacto provocado por vários instantes de sua trama, como a ótima conversa entre LockeLuthor e Sayid, o jeitão de "profeta do fim dos tempos" de ClaireSalu e, claro, o plano final, que me trouxe uma clara impressão de revival de Os Invasores de Corpos.

Um ótimo episódio.

Lost S06E05

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 50 comentários

(Spoilers ahead.)

Então os números finalmente foram explicados. 

O quê? Não percebeu? Ou não ficou satisfeito? É, creio que era inevitável que muitos ficassem decepcionados com a explicação sobre os números, independentemente de qual fosse esta. De minha parte, creio que ela é suficientemente satisfatória para aplacar minha curiosidade: 108 números, 108 candidatos. Cada número, um grau no farol permitindo que Jacob monitorasse seu dono à distância. Os seis números mais importantes (4-8-15-16-23-42) são, obviamente, aqueles relacionados aos personagens-candidatos da série e cujos nomes já haviam sido listados lá no início, durante a segunda temporada – além de, claro, montarem uma seqüência que, somada, leva a 108, o que é elegante.

Assim, é natural que este episódio tenha sido escrito por Carlton Cuse e Damon Lindelof e dirigido por Jack Bender, já que, do ponto de vista da mitologia de "Lost", é um dos mais importantes justamente por responder a uma das questões mais fundamentais da série.

Dito isso, a idéia das dimensões paralelas, embora excelente em conceito, vem se revelando uma decepção. Porque o fato é que simplesmente não dou a mínima para a relação entre Jack e seu filho. E sabem por quê? Porque eu acabo de conhecer o personagem depois de cinco anos de série!

Esta é a falha básica das dimensões paralelas adotadas nesta sexta temporada: o que ocorre no universo no qual o Oceanic 815 não caiu é desinteressante e frágil, do ponto de vista dramático. Depois de investirmos todo esse tempo na série, queremos saber o que acontece com os personagens que conhecemos, não com aquelas versões recém-apresentadas. Oh, então Jack cruzou pelo japonês Dogen no recital do filho?! Hum. Três palavras: quem se importa?

Já a idéia de Claire como uma nova Rousseau é simplesmente estúpida. Claire jamais foi uma personagem particularmente interessante e, sinceramente, foi bom vê-la fora da série. O problema é que, ao trazê-la de volta, os roteiristas sentem a necessidade de justificar seu retorno, o que nos condena a passar mais tempo com a moça. Frustrante. Mas este nem foi o maior tropeço do episódio, já que a cena em que Jack e Kate se encontram ao acaso na floresta não só se revelou completamente descartável (e não há tempo a perder nesta sexta e última temporada!), como ainda soou simplesmente absurda.

Mas ao menos os números foram explicados. E isso, convenhamos, já é muita coisa.

P.S.: Vira e mexe, alguém comenta que Lost tem pendores racistas. Michael, Walt, Mr. Eko, Rose, Abbadon, Naomi… todos foram relegados ao esquecimento, a quase figurantes, ou simplesmente assassinados pelos roteiristas. Bom… com o que ocorre no episódio de hoje, os realizadores da série não ajudaram muito a própria defesa.