Séries de tevê

Lost S06E04

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 30 comentários

(Possíveis spoilers.)
 
Na semana passada, comentei que todos os episódios centrados em Kate haviam me desapontado em maior ou menor grau. Pois o oposto ocorre com os episódios pertencentes a John Locke – e a tradição se manteve: neste quarto capítulo da última temporada, Lost ofereceu uma das respostas mais importantes de toda a série ao revelar por que os nomes de Jack, Locke, Hurley e Sawyer estavam na infame lista sobre a qual ouvimos falar desde o início do programa. Além disso, as motivações do Homem de Preto foram esclarecidas de vez, bem como os motivos que o levaram a matar Jacob e a assumir a forma de Locke. Como se não bastasse, os realizadores retomaram as referências ao "Preto x Branco" que dominavam a série desde o início e começaram a sugerir uma possível explicação para os números.
 
Precisava mais?
 
Pois bem: na realidade alternativa, acompanhamos um Locke frustrado com sua paraplegia, mas mais doce do que aquele que conhecíamos – e seus encontros com Hurley, Rose e – claro! – Ben Linus soaram orgânicos e interessantes. Apesar disso, confesso que ainda não consigo perceber para onde estas narrativas paralelas estão caminhando e espero, portanto, que desempenhem alguma função. Um erro cometido no episódio passado foi evitado: relativamente pouco tempo foi dedicado à realidade "paralela", o que é ótimo, já que, sejamos sinceros, depois de investirmos cinco anos nos personagens "clássicos", não estamos muito dispostos a gastar tempo em versões que não conhecemos direito e cujos papéis estamos longe de compreender.
 
Um excelente episódio que, além das várias respostas, funcionou muito bem do ponto de vista dramático.
 
Que venha o episódio de Benjamin Linus. E o de Sawyer. E o de Desmond. 

Lost S06E03

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 43 comentários

Em primeiro lugar, peço desculpas por não ter postado muito nos últimos dias: estou em Porto Alegre, como sabem, e tenho dividido meu tempo entre o trabalho, o curso e, claro, um ou outro passeio para conhecer a cidade. Tentarei normalizar o ritmo de agora em diante.

Sobre este terceiro episódio da sexta temporada de Lost, infelizmente não há muito o que dizer: gosto dos personagens e é sempre um prazer vê-los em situações novas, mas o fato é que os 42 minutos de duração do "capítulo" serviram apenas para duas revelações realmente importantes – e, claro, ambas vieram nos últimos minutos. Aliás, é curioso: desde o início da série, nunca fiquei realmente empolgado com nenhum episódio centrado em Kate; todos se revelaram decepcionantes de uma maneira ou de outra (o mesmo vale para aqueles centrados em Sun e Jin). 

Ainda assim, se eu tivesse que destacar um ponto alto deste "What Kate Does", seria a atuação impecável de Josh Holloway, que vem retratando a dor de Sawyer com uma sensibilidade ímpar. Não é segredo também que considero Matthew Fox um excelente ator que é muitas vezes subestimado por interpretar um personagem que, talvez em função de suas inseguranças, é visto com antipatia por parte do público (já eu considero Jack um herói trágico por natureza) – e aqui ele se sai bem como sempre ao tentar compreender as razões por trás das ações dos outros Outros.

Seja como for, considerando que esta última temporada contará com apenas 18 episódios, acho uma pena que ainda assim tenhamos que acompanhar capítulos como este, que mais soam como preparação desinteressante para o que virá do que como um pedaço realmente envolvente da narrativa.

Espero que este seja o último episódio da série centrado em Kate. E que Sun e Jin não ganhem um próprio nesta sexta temporada.

Lost S06E01-02

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 51 comentários

Como é bom escrever um título de post como esse. É difícil acreditar, aliás, que vi e comentei o último episódio inédito de "Lost" há longuíssimos oito meses, mas a espera finalmente chegou ao fim – e se tornou suportável graças a Dexter, que supriu minha necessidade de uma boa narrativa em série neste meio tempo. Pois bem, comento a seguir os dois primeiros episódios da sexta e última temporada de Lost e, embora eu vá tentar não revelar nada de especialmente importante, creio ser recomendável que este post seja lido apenas por aqueles que já assistiram à estréia.

Aviso dado.

Uma das coisas que mais me fascinam em Lost não diz respeito à sua trama repleta de reviravoltas e mistérios ou mesmo os personagens interessantes. Não, o que realmente me faz ter uma profunda admiração pela série é a capacidade que seus criadores têm de mudar radicalmente a própria estrutura narrativa do projeto. Produções como House, 24 Horas e Damages, por mais méritos que tenham (ou não, já que esta última temporada de House tem sido pavorosa), geralmente estão presas à estrutura estabelecida em seus episódios iniciais: House gira em torno da doença da semana (e é por isso que os dois primeiros episódios desta sexta temporada foram tão bons, já que fugiam disso), 24 Horas acompanha Jack Bauer em tempo real enquanto o sujeito lida com alguma ameaça terrorista e Damages salta seis meses no tempo para algum acontecimento bombástico. Eficazes ou não, estas séries só podem surpreender – se conseguirem – através de suas tramas, já que a estrutura será sempre a mesma.

E Lost? Ora, na primeira temporada, os flashbacks deram a tônica dos arcos dramáticos: acontecimentos do presente da ilha eram refletidos tematicamente em incidentes passados. Na segunda temporada, embora os flashbacks continuassem a dominar, a narrativa passou a ser dividida entre os personagens apresentados na temporada de estréia e os sobreviventes da parte de trás do avião. Finalmente, no terceiro ano veio uma mudança mais radical e os flashforwards foram introduzidos, mudando completamente a dinâmica da narrativa, já que agora o presente não refletia o passado, mas servia como triste contraponto ao futuro sombrio que viria a tomar conta dos heróis. No ano seguinte, embora os flashbacks e flashforwards continuassem a dominar, passamos a acompanhar novos núcleos narrativos que introduziram elementos diferentes do universo tradicional da série, como a mediunidade de Miles – mas foram as viagens temporais de Desmond (que remetiam a "Matadouro 5", aliás) que mais uma vez revolucionaram a maneira com que a trama de Lost era desenvolvida. Essa alteração na estrutura já seria algo sem precedentes no formato serializado, mas os criadores de Lost não se contentaram com isso e, na quinta temporada, radicalizaram no conceito introduzido com Desmond e passaram a adotar a viagem no tempo como tônica central da série.

Isto resume meu amor por Lost: o fato de não só jamais saber o que acontecerá, mas, principalmente, como acontecerá – o que nos traz a esta sexta e última temporada. Na qual, por incrível que pareça, Carlton Cuse e Damon Lindelof conseguem encontrar uma forma de mudar a estrutura da série pela quinta vez em apenas seis anos.

Estou falando do gato de Schrödinger.

Vocês certamente já ouviram falar deste conceito da física quântica: basicamente, um gato é colocado numa caixa fechada juntamente com um frasco de veneno. Como sabemos, sem abrir a caixa, se o gato está vivo ou morto? A resposta: enquanto não soubermos, as duas hipóteses se aplicam e o gato está simultanea (e teoricamente) vivo e morto; as duas situações coexistem.

Mas não é preciso mergulhar neste conceito para entender a sexta temporada de Lost (se fosse preciso, eu não entenderia nada, acreditem); basta sabermos que, de certa forma, os esforços de Jack para "resetar" a história com a explosão de uma bomba atômica deu certo: os personagens estão vivos e pousaram em Los Angeles. Mas os esforços de Jack também deram errado: os heróis acordam no tempo presente, mas ainda na ilha e com os ferimentos infligidos no final da temporada passada.

Em outras palavras: nada de flashbacks, flashforwards ou viagens no tempo. Lost agora lida com dimensões paralelas.

E isto, do ponto de vista dramático, é magnífico – e uma inigualável oportunidade para o elenco, que se sai admiravelmente bem. Josh Holloway pode encarnar o Sawyer amadurecido e estóico que passamos a admirar, mas também o golpista cínico e mau caráter que desprezávamos há seis anos, no início da série. Terry O'Quinn vive a versão "Homem de Preto", cruel e ardiloso, mas também um John Locke sereno e sábio. Jorge Garcia interpreta um Hurley tranqüilo e certo da própria sorte e um Hurley abalado e ansioso. E assim por diante.

Além disso, a batalha entre Jacob e o Homem de Preto se estabelece de vez, ao passo que o papel a ser desempenhado por Benjamin Linus ainda se encontra indefinido, o que é bastante curioso (mas apropriado, já que é sempre difícil prever o que se passa na cabeça calculista de Ben). 

E confesso: já não aguentava mais de saudades daquele acorde dissonante que, num crescendo, culminava num estampido ao final de cada episódio quando éramos surpreendidos por uma nova e chocante reviravolta.

Pois, senhoras e senhores, tudo isso está de volta.

A melhor série da atualidade voltou ao ar.

Dexter – Quarta Temporada

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 82 comentários

Uma das reclamações mais constantes sobre Dexter diz respeito ao fato do personagem-título ter se “suavizado” com o passar do tempo. Se antes ele se importava apenas com suas presas, não mudando seus hábitos em função das possíveis vítimas destas, agora ele se esforça para evitar que os criminosos que persegue cometam novas barbaridades, chegando a se expor para salvar inocentes.
 
Isto, para mim, não é suavizar o personagem. É desenvolvê-lo. Ao longo das três primeiras temporadas, Dexter se envolveu romanticamente com uma mulher repleta de bagagem emocional, assumiu a paternidade dos dois filhos desta, teve seu próprio filho, descobriu quem foi sua mãe, que tinha um irmão, apurou sua compreensão sobre seu “Passageiro Negro”, revelou sua verdadeira face para outro ser humano na esperança de encontrar um amigo que o conhecesse de fato, quase se viu descoberto pelo FBI…
 
… o que estas pessoas esperavam? Que ele se mantivesse exatamente o mesmo? Que não se deixasse afetar por tudo que vivenciou? Isto, sim, seria completamente absurdo e artificial.
 
O que nos traz a esta quarta e impecável temporada. Contando com o melhor antagonista de toda a série, o frio e implacável Arthur Mitchell (num desempenho que renderá várias indicações e prêmios a John Lithgow), os doze últimos episódios exibiram um arco dramático impecável – e se voltarmos ao primeiro episódio poderemos perceber como as sementes do que aconteceria neste último já haviam sido plantadas. Ao mesmo tempo em que buscava aceitar sua condição de homem de família, Dexter se mostrou obcecado em evitar que sua natureza psicopata causasse sofrimento a Rita e às crianças enquanto se preocupava com a possibilidade de conseguir conciliar suas diversas facetas. Como se não bastasse, sua irmã insistia em mergulhar no passado de Harry Morgan, o que inevitavelmente a levaria à mãe de Dexter e ao seu parentesco com o Ice Truck Killer da primeira temporada. Se isto já seria o suficiente para manter Dexter ocupado, os roteiristas ainda o colocaram diante de seu maior desafio: um serial killer inteligente e bem-sucedido e com o qual o protagonista talvez pudesse aprender algo importante sobre si mesmo.
 
Sim, houve um ou outro tropeço: no fim das contas, a jornalista Christine se mostrou uma figura dispensável e o romance entre Batista e LaGuerta, embora envolvesse dois ótimos personagens (e dois ótimos atores – especialmente Zayas), acabou não rendendo o esperado, surgindo mais como encheção de linguiça do que como algo integral à narrativa. Por outro lado, todos os personagens sem exceção, de Masuka a Quinn, passando por Debra, Batista e LaGuerta, foram desenvolvidos com propriedade ao longo da temporada. E se Rita (a linda Julie Benz, que já citei em minha série Musas) revelou-se irritante em diversos episódios, acabou se suavizando nos dois últimos, o que se provou importante. (Mais sobre isso em instantes.)
 
Contudo, o grande duelo de interpretações foi mesmo aquele travado por Lithgow e por Michael C. Hall. Enquanto o primeiro deixou definitivamente para trás o jeito bufão e boa praça do Dick Solomon da série 3rd Rock from the Sun (seu último grande papel na televisão), o segundo comprovou mais uma vez o domínio absoluto sobre um personagem cada vez mais complexo – e somente a cena em que Dexter, lá pelo meio da temporada, se dá conta de que ama a família é algo suficiente para que o ator seja carregado nos ombros da crítica especializada.
 
E chegamos, enfim, a este episódio final – e aqui preciso pedir que os leitores que ainda não o viram interrompam a leitura. Mesmo. Sério. Voltem depois. Abraços. Agradeço a compreensão. Tchauzinho. 
 
Ok. Estamos sós?
 
Muito bem. Praticamente desde o primeiro episódio, a equipe e o elenco de Dexter vêm avisando que o final da temporada seria “chocante”, “inesquecível”. Por um lado, isso nunca é bom, já que cria expectativas altas demais – o que leva a um inevitável anti-clímax. Por outro, a verdade é que os três minutos finais realmente foram dolorosos o bastante para justificar a antecipação. Remetendo ao inesquecível desfecho de Se7en, Dexter derrota o serial killer vivido por Lithgow apenas para descobrir que este havia assassinado Rita em seu ritual sangrento na banheira. Dramaticamente, a descoberta não poderia ter sido melhor construída: Arthur Mitchell, em sua última conversa com Dexter, diz que o sonho deste ser “bom para a família” já veio “tarde demais” e, enquanto atira os pedaços do assassino no mar, o protagonista realmente sonha com um futuro de felicidade no qual poderá se entregar definitivamente à família sem se preocupar com seu “Passageiro Negro” – sem saber que, àquela altura, este objetivo já se tornou tragicamente impossível. (Aliás, a trilha instrumental desta seqüência é comovente e se encontra entre os melhores momentos da série – o que é um grande elogio, já que, vale lembrar, Dexter costuma ser brilhante em sua trilha.) Ao chegar em casa, ainda sem saber o que houve, o anti-herói liga para a esposa apenas para ouvir o toque ao lado, o que o leva a descobrir seu corpo na banheira. 
 
Trágico? Sem dúvida. Mas tenho duas observações: me parece um pouco moralista, por parte dos roteiristas da série, que Rita tenha se mostrado tão desagradável durante boa parte da temporada e que tenha até mesmo ensaiado uma traição a Dexter, já que estes comportamentos tendem a transformar sua morte em uma espécie de “punição” – ou, no mínimo, em algo para atenuar o desconforto do espectador. Além disso, por mais que tematicamente tenha sido apropriado ver o filho do protagonista sentado numa imensa poça de sangue, remetendo às origens do pai, a cena é absurda por natureza, já que seria ridículo pensar que o bebê permaneceu ali, naquela posição, por horas a fio até ser convenientemente encontrado por Dexter – e essa “licença dramática”, confesso, me incomodou um pouco e me deixou mais atento para a construção dramática do roteiro do que seria o ideal naquele instante, já que me levou a sair um pouco da história. (E se fosse para assumir uma licença do tipo, eu preferiria que Arthur também tivesse matado o bebê, mesmo que isso não fizesse parte de seu modus operandi, já que resolveria a questão da imobilidade da criança, seria ainda mais chocante e traumático para Dexter – e para o espectador – e tornaria as conseqüências da psicose deste último ainda mais palpáveis. Mas isso certamente provocaria uma revolta em parte do público, portanto compreendo a decisão dos roteiristas.)
 
Seja como for, considerando que tivemos quase 12 horas de uma narrativa impecável, estou mais do que disposto a relevar estes pequenos problemas. E, claro, já volto à ansiedade costumeira provocada pelos vários meses até que a próxima temporada finalmente seja levada ao ar.
 
5 estrelas em 5

Dexter – 4×01-04

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 25 comentários

Sou fã confesso da série Dexter, como sabem, mas até agora não havia sentido impulso de escrever nada sobre a quarta temporada. Não que ela esteja ruim, pois não está. Os personagens secundários continuam interessantes, o envolvimento entre Angel e Laguerta traz boas promessas dramáticas, o retorno de Frank Lundy foi uma boa sacada e Masuka continua divertidíssimo. Por outro lado, não comprei muito a idéia de Quinn como um policial corrupto nem burro a ponto de fazer confidências a uma jornalista. E embora ache John Lithgow um excelente ator, seu “Trinity Killer” me parece um conceito forçado demais; muito melhor era acompanhar a complexidade do Miguel Prado de Jimmy Smits.
 
Ah, mas Dexter… 
 
… este continua soberbo.
 
Ainda assim, foi somente neste quarto episódio da quarta temporada que finalmente experimentei um daqueles momentos arrepiantes que sentimos quando vemos um grande ator no auge de sua forma – e Michael C. Hall demonstrou estar no auge na cena em que conversa com sua vítima da semana e percebe, quase que por acaso, que ama sua família.
 
Sim, descobrir que ama a família e sentiria sua falta caso a perdesse é algo que vem como um (agradável) choque para o protagonista da série. Hall, diga-se de passagem, vem criando um personagem que tem tudo para se tornar um dos mais memoráveis da História da TV norte-americana: é fascinante perceber como Dexter Morgan, no convívio com as demais pessoas, tenta desesperadamente parecer um sujeito normal e inofensivo sem perceber como seus esforços soam artificiais – e para sua sorte, o máximo que seus pares podem concluir é que ele é um sujeito tímido e sem a menor graça, já que a idéia de que ele possa ser um serial killer é ridícula.
 
Por outro lado, o ator passa por uma brutal transformação quando encarna o Dexter dominado por seu “Passageiro Negro”: observem como sua expressão se torna concentrada e ameaçadora; seus modos se tornam agressivos (notem como, ao conversar com a vítima, ele a cutuca na testa com uma raiva mal contida e como range os dentes e arregala os olhos em antecipação ao prazer que sentirá ao matá-la). Conciliar os dois Dexters – o pai de família e o assassino – é algo que seria impossível caso estivéssemos tratando de um ator menos talentoso. 
 
E o intrigante é perceber como a criação de Hall se encaixa perfeitamente naquela descrição clássica feita por vizinhos de alguém que se revelou um demente: “Ele parecia tão tranqüilo, tão retraído. Ninguém poderia imaginar que ele fosse capaz de uma coisa dessas!”.
 
Se há uma série capaz de rivalizar com meu amor por Lost, esta série é Dexter.

Novo programa InFilm

postado em by Pablo Villaça em Premiações e eventos, Séries de tevê, Variados | 17 comentários

O próximo programa do InFilm está imperdível: Como Filmes e Programas de TV São Realmente Feitos. Ele vai acontecer de 21 a 25 de setembro, em Los Angeles, e vai incluir os seguintes eventos:
 
1) Visita à Academia;
2) Visita aos sets da CBS;
3) Palestra com um bem-sucedido produtor de Hollywood;
4) Visita à Panavision;
5) Visita aos estúdios da Warner;
6) Visita a uma conhecida empresa que fabrica figurinos;
7) Visita à Digital Domain;
8) Visita à World Stunt Academy;
9) Visita à gravação de uma série de tevê;
10) Exibição de documentário sobre montagem seguida por conversa com sua produtora;
11) Além de dois eventos surpresa e de visita à biblioteca da Academia.
 
O valor do pacote é 2.900 dólares, já incluindo passagens aéreas e hospedagem em Los Angeles. Esse preço vale para inscrições até 10 de setembro (ou até o preenchimento das vagas, que devem ficar em torno de apenas 10, para tornar a experiência mais personalizada e íntima). As vagas serão preenchidas na ordem das inscrições.
 
(É preciso ter o visto de entrada nos EUA, claro.)
 
Para se inscrever, clique aqui.

Lost S05E16-17

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 82 comentários

(Spoilers.)

1) Bernard e Rose não precisavam aparecer; só o fizeram porque os fãs aparentemente achavam que eles eram relevantes e os realizadores de "Lost" quiseram honrar esta curiosidade. O mesmo se aplica a Vincent. Mas vá lá.

2) Qual a relevância de Jacob salvar a pequena Kate de uma pequena enrascada e de entregar uma barra de chocolate a Jack? Se a idéia era mostrar como ele participou de momentos fundamentais da vida dos "losties" (como de fato ocorreu com Locke, Sayid e, em menor grau, Sawyer), será que ele não poderia ter, sei lá, sido o instrumento através do qual Jack conseguiu curar sua ex-esposa? Ou o responsável por Kate decidir explodir o padrasto? Ainda assim, é um personagem intrigante – mais pela preparação feita por todas as temporadas anteriores do que pelo que vimos aqui.

3) É interessane como todos em "Lost" afirmam ser "os mocinhos".

4) Absurdamente tensa, a construção do episódio. Passei os 84 minutos de duração com o coração acelerado, esperando que algo impactante e trágico fosse ocorrer.

5) O momento final entre Sawyer e Juliet foi tocante e o melhor momento de Josh Holloway na série.

6) A revelação do conteúdo da caixa de metal foi bem feita – e gostei particularmente que tenham reutilizado o movimento de câmera que encerrou a temporada passada.

7) Michael Emerson é impressionante: pode ficar calado o episódio inteiro, mas quando abre a boca rouba o show.

8) Não entendo por que muitos não gostam de Jack; Matthew Fox não apenas é um ator completo como ainda criou um personagem complexo e trágico.

9) De certo modo, eu esperava um pouco mais deste final de temporada, mas não o considerei ruim.

10) Em toda a série nos habituamos ao título "Lost" em branco visto num fundo preto. Se inverter este padrão (fonte preta em fundo claro) for um indício de que a sexta e última temporada irá mais uma vez modificar a estrutura da série, ficarei feliz: foi uma forma inteligente e orgânica de apontar isto.

Agora…

sete meses até a última temporada??? Oh, Deus…

Lost S05E15

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 37 comentários

(Spoilers.)

Uma das coisas que me atraem numa série de longa duração é jamais ter a certeza do que poderá acontecer no futuro – e, numa lógica de implicação, é também o prazer de olhar para trás e pensar: "Quem poderia ter imaginado isso?".

Nunca pensei ver Jack determinado a destruir a ilha e todos os seus ocupantes apenas para se livrar de seu próprio sofrimento. Não foi este, o médico determinado a salvar os companheiros que encabeçou a série em seus três primeiros anos.

Jamais cogitei a possibilidade de que Sawyer seria o herói disposto a se sacrificar pelos amigos. Mesmo sabendo que Sayid era um torturador, seu arrependimento e sua vergonha foram suficientes para me fazer admirá-lo – e, assim, vê-lo transformado numa espécie de psicopata que mata crianças e tem raiva e ressentimento nos olhos é algo estranho. E Locke, que desde o princípio abraçou a ilha e seus mistérios e agora anuncia sua intenção de eliminar aquilo que parece ser a alma do lugar?

No entanto, estas transformações não surgiram bruscamente, como meros artifícios dramáticos. Não, não; foram construídas gradualmente e, com isso, se tornaram plausíveis, mesmo que ainda surpreendentes.

E o mais bacana é observar como os roteiristas da série estruturaram esta quinta temporada de maneira brilhante, plantando elementos narrativos ao longo de cada episódio com o claro propósito de resgatá-los agora, no clímax – da bomba atômica às ações de Eloise, passando pelo envolvimento entre Sawyer e Juliet, a relação entre Miles e Chang, a onipresença do aparentemente imortal Richard e, claro, os planos sempre enigmáticos de Benjamin. A impressão clara que fica é a de que todos os últimos 15 episódios nada mais foram do que uma cuidadosa preparação para que as peças estivessem estrategicamente situadas no tabuleiro no momento definitivo.

E confesso que poucas vezes encarei um fim de temporada com tamanha ansiedade. A sensação é a de que absolutamente qualquer coisa pode ocorrer na próxima semana – mesmo a morte de personagens que considerávamos intocáveis.

Ainda In Treatment

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 12 comentários

Já mencionei no blog (nesta nova versão ou na antiga) que, quando na Medicina, eu me via terrivelmente dividido entre dois campos de especialização: a Pediatria (vocês sabem: crianças me fascinam) e a Psiquiatria (as pessoas me fascinam). Assim, peço desculpas de antemão por transcrever mais um diálogo da série In Treatment apenas alguns dias depois de outro post sobre a produção da HBO, mas bons diálogos… já sabem… me fascinam.

Nesta cena, o terapeuta Paul, que está vivendo um período conturbado em sua vida pessoal, conversa com sua própria terapeuta, Gina:

– Como eu vou ajudar meus pacientes se minha própria vida está uma bagunça? Você contrataria um bombeiro caso soubesse que todos os encanamentos da casa dele estão entupidos?

– Não é a mesma coisa. Você é um psicoterapeuta profissional.

– Mas não um marido, um pai ou um filho profissional.

– Não, não é. Como homem, você é uma espécie de animal na selva: você vive o cotidiano tentando proteger seu território e sua família. Como terapeuta, você está observando certos integrantes do rebanho à distância, através de binóculos. Estas são duas formas muito diferentes de enxergar a vida. E você não pode se observar através de binóculos.

– Mas é por isso que estou aqui.

– Correto. 

É como escrevi no Twitter: In Treatment é uma série sobre adultos conversando sobre seus problemas cotidianos. É incrível que ainda esteja no ar.

A força de um bom diálogo

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Curso, Séries de tevê | 16 comentários

Estava assistindo a In Treatment quando, no episódio 12 da segunda temporada, encantei-me com a força e a inteligência de uma rápida troca de diálogos cuja importância poderia passar despercebida em um primeiro momento.

Antes de citá-lo, porém, esclareço o contexto da cena: o psiquiatra Paul (Gabriel Byrne) está tratando a estudante universitária April (Alison Pill), que descobriu ter linfoma. Ela, porém, se recusa a iniciar o tratamento, o que provoca grande preocupação em Paul. Em sua terceira consulta, ela, visivelmente cansada, diz que não conseguiu dormir na noite anterior, explicando que experimentara uma sensação terrível, como se tivesse outra coisa, que não sangue, correndo em suas veias: fogo, veneno, algo assim. 

E é então que Paul diz:

– Quando você disse que parecia ter veneno correndo em suas veias, posso dizer no que pensei imediatamente?

– Químio.

– Câncer.

– É a mesma coisa.

– Não, não é. Você pode escolher não fazer químio.

– Touché.

O que me encantou no diálogo, além de sua construção simples e elegante, foi o subtexto que expõe, revelando as preocupações dominantes de cada personagem: Paul não pode aceitar o fato de April estar se matando, ao passo que esta encara o tratamento como a pior de duas alternativas ruins. Porém, ao apontar que ela pode escolher fazer químio (mas nada pode fazer com relação ao câncer, que já está instalado), Paul aplica lógica a um problema complicado pelas emoções da paciente – que, apesar disso, é obrigada a reconhecer a propriedade do argumento do médico. Ainda assim, a irreverência com que ela concede a "vitória" ao argumento de Paul indica que, no fim das contas, seu ponto de vista permanece inabalado.

Tudo isso em uma troca de diálogos que dura menos de 10 segundos.