Séries de tevê

Lost S05E14

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 35 comentários

(Spoilers, claro.)

É sempre triste ver um bom personagem deixando a série – e, infelizmente, um dos melhores acabou morrendo em The Variable, a trágica "continuação" do excepcional episódio The Constant

Construído com o claro objetivo de estabelecer por uma vez de todas que "o que aconteceu, aconteceu", o episódio encerrou não apenas o arco dramático percorrido por Daniel Faraday como também pode perfeitamente ter servido como conclusão da participação de Desmond na série – embora eu duvide que isto seja fato, já que um anúncio sobre o desligamento de seu intérprete seria feito (ainda assim, não vejo como Desmond poderia contribuir mais para a mitologia de "Lost"). Trazendo uma revelação curiosa, embora irrelevante no grande esquema das coisas (aquela sobre o pai de Faraday), The Variable foi um episódio tenso e com uma estrutura bem construída, mas que, ainda assim, se destacou não pela trama em si, mas pela forte carga dramática que apresentou.

Do encontro de Daniel com a pequena Charlotte à irônica e deprimente constatação final feita pelo personagem, o episódio estabeceu Faraday como sendo possivelmente o mais trágico de toda a série: um homem cujo amor pela música e demais interesses foram sumariamente descartados por sua fria mãe e que, no fim das contas, foi criado com o único propósito de morrer nas mãos desta.

House, estrutura narrativa e eu

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Séries de tevê, Variados | 106 comentários

Após assistir às duas primeiras temporadas de House, posso dizer que um episódio típico da série transcorre da seguinte maneira:

Dois adultos brincam com uma criança. Todos estão felizes. Subitamente, o pai começa a tossir descontroladamente. Ele fica rubro enquanto a esposa tenta ajudá-lo, desesperada. Finalmente, ele expele um pedaço de pão da garganta e respira aliviado. Nesse instante, o filho de 5 anos do casal desmaia e começa a ter convulsões.

Embora nunca tenha tido qualquer problema de saúde, o menino agora se encontra à beira da morte e alguém tenta fazer House se interessar pelo caso.

– A ficha diz que ele é diabético. Caso resolvido. Que tédio. – diz House.

– O nível de glicose da criança está normal há horas.

– Tirem a insulina e isso mudará.

– Mas House… ele não recebeu insulina nas últimas 10 horas…

House ergue os olhos. Foi fisgado.

– Diagnóstico diferencial, pessoal.

– Sarcoidose.

– Ele não está com febre.

– Linfoma.

– Os leucócitos estão normais.

– Lúpus.

– O ANA deu negativo.

– Imaginem que o corpo é uma pedreira. Algumas rochas são partidas por dinamite e pedregulhos se espalham por todo o lado. Um buraco foi aberto, mas as partículas agora estão no ar. Entenderam a metáfora?

– Síndrome de Villaça-Ebert!

– Mas só ocorreram 7 casos em toda a história da Humanidade!

– Iniciem o tratamento com kaeloxina e mertenato de zaninose.

O paciente melhora.

– Acertamos.

O paciente piora.

– Diagnóstico diferencial, pessoal.

– Sarcoidose.

– Linfoma.

– Lúpus.

– Mas os exames deram negativo.

– Talvez eles estejam errados.

– Façam uma punção lombar, uma tomografia e o teste do pezinho.

– Todos negativos. Você estava errado, House.

O protagonista faz piadas racistas sobre Foreman, misóginas sobre Cameron e xenofóbicas sobre Chase. E diz que Cuddy é um travesti.

Os pagers de todos tocam simultaneamente.

– Há algo errado com o paciente.

– Ele ficou verde!

– Isso é ótimo. – comemora House – É um sintoma novo. Que doença deixa alguém com taxa de leucócitos alta, sem febre e verde?

– Sarcoidose.

– Linfoma.

– Lúpus.

– Encefalopatia idiopática primária de Braxton-Hicks.

– Mas nenhum dos sintomas se…

– Em 0,3% dos casos, a doença pode se manifestar assim caso o paciente tenha olhos azuis. Iniciem o tratamento com soro caseiro, AS infantil e corticóides.

– Mas não deveríamos testar…

– Não há tempo! Os rins dele irão parar de funcionar em 37 minutos e o fígado está morrendo!

O paciente piora.

– Alguém está mentindo. Mas como…

Nesse momento, Wilson faz um comentário inocente ou algum paciente do pronto-atendimento diz algo que finalmente leva House a perceber o que está acontecendo.

House sai da sala.

– House vai conversar com um paciente?!

– Ele faz isso em todo episódio, não sei por que sempre ficamos surpresos.

House entra no quarto do paciente e aponta a bengala para o pai da criança.

– Pela mancha azul nas pontas dos seus dedos, pelo lenço que tentou esconder no bolso e pela descoloração deixada por sua aliança, vejo que você é estivador. Você disse que era poeta. Por quê?

– Eu não achei que importasse.

– Seu idiota, você quase matou seu filho! Por sua causa e somente por sua causa tratamos o garoto com medicamentos perigosos e o submetemos a uma penca de exames arriscadíssimos. Ele está com catapora. Iniciem o tratamento.

O menino é curado e sai do hospital sem seqüela alguma. House é visto pensativo enquanto toca piano num ambiente escuro.

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Isto, amigos, se chama “fórmula” e sua causa, para usar termos médicos, não tem nada de idiopática: se algo faz sucesso, para que mudar? Este é o problema de grande parte das séries de televisão e da maioria absoluta das continuações no Cinema: os realizadores, cientes de que algo no que criaram agradou os espectadores, querem manter o show na estrada, mas sem correrem qualquer risco – e simplesmente repetem o original ad nauseam, mudando uma ou outra coisa para dar a impressão de que algo novo está ocorrendo. (E é por esta razão que episódios que tentam fugir da rotina acabam ganhando prêmios e a admiração dos fãs, como Três Histórias, The Mistake e Euforia Partes 1 e 2.)

Uma das coisas que mais admiro em Lost, aliás, é justamente o fato de seus criadores se arriscarem tanto no que diz respeito à estrutura básica da série: quando os flashbacks começaram a se tornar repetitivos, eles introduziram o interessante conceito de flashforward (um recurso narrativo bem mais raro do que se imagina) – e antes que este também passasse a cansar, a série assumiu uma estrutura completamente nova através das viagens no tempo.

Também é por isso que temporadas menores como as de Dexter são mais eficientes como narrativa, rivalizando até mesmo com boa parte das produções para Cinema: em vez de contar uma historinha diferente a cada semana, Dexter é planejada como uma grande trama de 480 minutos de duração – e, assim, cada “episódio” simplesmente conta um pedaço deste “filme” de 8 horas. 

Mas voltando a House: se a série não é um fracasso, isto se deve, claro, ao protagonista: House provavelmente aparecerá, no futuro, naquelas listas de “grandes personagens da televisão” – mas duvido muito que a série em si seja citada como um exemplo de boa televisão. E isto é uma pena, já que, confesso, também considero House (graças ao seu excelente intérprete Hugh Laurie) fascinante – e pretendo, inclusive, continuar a assistir a série, que representa um entretenimento agradável (embora jamais vá ter peso dramático; já chorei até pelo vilão Ben Linus de Lost, mas jamais me ocorreria chorar por qualquer dos personagens de House, mesmo em episódios dramáticos e eficientes como Euforia Parte 2).

Isto não quer dizer, claro, que eu admire House como médico. Aliás, quando escrevi no Twitter que não gostaria de ser atendido por ele, alguns leitores defenderam o personagem, dizendo que ele é brilhante, só pega casos complicados, que adorariam tê-lo como médico e por aí afora. Em outras palavras: permitiram que o conceito do personagem ofucasse seu senso crítico.

E aqui entra o elemento “eu” do título desse post.

Há menos de dois anos, eu estive bem perto de morrer. Depois de uma cirurgia aparentemente bem-sucedida da qual me recuperei até com certa rapidez, recebi alta e fui para casa certo de estar saudável. Dois dias depois, estava de volta ao hospital com dores terríveis, exame de sangue completamente alterado e vomitando. Por outro lado, não tinha febre e o ultrassom e a tomografia não identificavam nada claramente.

House iniciaria um tratamento imediatamente a partir de hipóteses diagnósticas. E me mataria, já que, como qualquer médico pode atestar, oferecer o tratamento errado a um paciente é geralmente algo mais danoso do que a doença em si. Se fosse real, House já teria perdido sua licença há anos.

Permaneci quatro dias internado e piorando rapidamente. Eu sentia que estava morrendo, que meu corpo estava parando de funcionar. Meu abdômen inchou e eu não conseguia dar dois passos sem ajuda. Nesse período, fiz várias gasometrias (um exame de sangue doloroso, já que colhe sangue arterial, não venoso), tomografias (com contraste e sem), ultrassons e por aí afora. Curiosamente, foi um velho e tradicional raio-X de abdômen que levou os médicos ao diagnóstico final.

O resultado do último exame saiu às 22 horas do dia 14 de agosto. Às 7 da manhã do dia seguinte eu já estava sendo operado. E aqui estou.

Em outras palavras: House pode até ser um personagem divertido (para seus colegas, nunca para os pacientes), mas, no que diz respeito à Medicina, fico mesmo com o Dr. Gustavo Abras e com sua fantástica equipe do Hospital Madre Tereza.

Susan Boyle e a realidade do show

postado em by Pablo Villaça em Links, Séries de tevê, Variados | 57 comentários

Provavelmente vocês já viram a apresentação da britânica Susan Boyle no "Britains Got Talent" (e que, por sua vez, remete à performance de Paul Potts há dois anos). É um momento dramaticamente impecável no qual uma mulher feia, desajeitada e pobre acaba desafiando os preceitos de uma sociedade dominada pela beleza, inspirando-nos puramente através de seu Talento.

Sim, o dom de Boyle é real, não há dúvida. Mas o drama… ah, este é de um maniqueísmo patente, comprovando que o elemento "show" é infinitamente mais importante que o de "reality" em programas do tipo.

Aliás, deixo vocês com o ótimo post escrito por Jim Emerson, editor do site de Roger Ebert, que faz uma excelente análise da clara construção narrativa que levou à apresentação de Boyle, transformando-a numa sensação do dia para a noite. Em meu curso, digo que compreender a linguagem cinematográfica é também uma ferramenta contra a manipulação no "mundo real" feita por telejornais, programas no formato documentário e, claro, reality shows. E o que Emerson faz em seu post é um belo exemplo desta lição.

Abaixo, um trecho do post em questão (tradução minha):

" "Susan Boyle de Blackburn, West Lothian, foi inicialmente tomada como uma piada. Mas por quê?"

Por quê? Porque esta foi a história que os produtores de "Britains Got Talent" construíram ao seu redor, este é o porquê. Ela foi descoberta em um teste prévio e os produtores indubitavelmente perceberam que tinham nas mãos o potencial para um grande momento televisivo se a apresentassem corretamente – o que implicava em nos manipular para que a reviravolta tivesse maior impacto emocional. Não que Boyle não seja um talento autêntico e exatamente a pessoa que aparenta ser, mas a maneira na qual ela e sua história foram apresentadas na televisão (e no YouTube) é no mínimo tão importante quanto quem ela é na verdade."

Update: Só para deixar claro: como qualquer ser humano com um mínimo de sensibilidade, me emocionei com a história de Boyles. Aliás, dois dias antes do vídeo virar mania na Internet brasileira, eu já havia publicado o seguinte post no Twitter (na madrugada do dia 13):

"Não sei se se lembram (ou viram) o Paul Pott no Britains Got Talent (http://migre.me/rnP), mas ele ganhou uma sucessora: http://migre.me/rnR".

Para que tenham uma idéia, quando linkei o vídeo, ele tinha apenas alguns milhares de visualizações, ao passo que agora conta com mais de 21 milhões. Então, me desculpem, mas já havia "descoberto" e indicado Susan Boyle antes que ela virasse moda no Brasil.

Isto, porém, não quer dizer que, como apreciador e estudioso da gramática visual, eu tenha que fechar os olhos para a manipulação da narrativa de sua conquista. Isto não tira os méritos de Boyle, apenas implica em nos tornarmos espectadores mais ativos, abandonando a passividade com que absorvemos historinhas em documentários, telejornais e "reality shows" e percebendo como somos manipulados o tempo inteiro. Sou a favor de chorar de emoção, mas sabendo de onde vieram as lágrimas.

Séries em Cena

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 138 comentários

Séries que acompanho (em ordem de preferência):

Louie
True Detective
Sherlock
House of Cards
Community
Episodes
In the Flesh
Utopia
Fargo
The Walking Dead
The Newsroom
Hannibal

Séries já encerradas que estou acompanhando agora:

A Sete Palmos (comecei a segunda temporada)
The Sopranos (estou na segunda temporada)

Séries já encerradas que acompanhei na íntegra (ou quase):

Breaking Bad
The Office
Dexter
Lost
30 Rock
Friends
Seinfeld
Penn & Teller: Bullshit!
Damages
Studio 60 on the Sunset Strip
In Treatment
Bored to Death
24 Horas
Everybody Loves Raymond
The King of Queens
Frasier
Joey
Extras
The Office (UK)
Pushing Daisies
Newsradio
3rd Rock from the Sun

Séries que parei de ver por considerá-las ruins e/ou por ter apenas me cansado delas:

Modern Family
The Crazy Ones
House (parei no quinto episódio da sétima temporada)
The Big Bang Theory
V (parei no quarto episódio da primeira temporada)
Parks & Recreation (odeio a Amy Poehler e desisti depois de seis episódios)
Heroes (parei no episódio 8 da primeira temporada)
Prison Break (vi a primeira temporada completa)
Lie to Me (parei no episódio 8 da primeira temporada)
Flash Forward (parei no episódio 8 da primeira temporada)
Mad Men (me forcei a ver as três primeiras temporadas)

Séries que quero ver um dia:

Boardwalk Empire (vi metade da primeira temporada)
Fringe (vi até a terceira temporada)
Deadwood
Broken Trail
Band of Brothers
Sleeper Cell

Lost S05E13

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 31 comentários

(Spoilers.)

Miles é um bom personagem. E confesso que fiquei tocado ao vê-lo observando, à distância, o pai cuja ausência tanto o marcou brincando com sua versão de fraldas. Ainda assim, é inevitável reconhecer que, por mais curioso que tenha sido ver a escotilha sendo marcada com os Números e por mais divertido que a viagem starwarsmaníaca de Hurley tenha parecido, o fato é que o episódio só contribuiu para o arco narrativo da série com uma única cena digna de nota: aquela que se passa na van e que traz o parceiro de Illana (é este, o nome?) tentando converter Miles e dizendo que só aqueles que sabem "o que há sob a sombra da estátua" estão preparados para visitar a ilha.

(O que sob a sombra da estátua, caramba?!?!)

Com isso, os roteiristas deixaram claro que aquele grupo que matou Caesar se revelou a Lapidus no episódio passado não está ligado a Widmore e que, portanto, temos um novo grupo em Lost: os Outros Outros Outros. Ou seriam estes Outros Outros Outros apenas uma versão contemporânea dos Outros originais (a Iniciativa Dharma). Ou melhor: aqueles que nós considerávamos os Outros originais, já que posteriormente descobrimos que eles eram, na realidade, os Hostis que exterminaram a Dharma, ou seja: os Outros da Dharma viraram os Outros dos losties originais, quando, na realidade, eram os Outros Outros. Porém, considerando que os Hostis chegaram à ilha primeiro, para eles, os integrantes da Dharma eram os "Outros". O que nos traz, claro, aos novos Outros, que poderiam ser os Outros da Dharm…

Arre. Que venha logo a reta final da temporada para que as coisas fiquem um pouco mais claras.

Lost S05E12

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 33 comentários

(Spoilers, já sabem.)

Michael Emerson garantiu, com este episódio, sua indicação aos prêmios de atuação no Emmy, no Globo de Ouro e em todos os outros eventos do gênero.

Responsável por criar o personagem mais fascinante da série (juntamente com os roteiristas de "Lost", obviamente), Emerson estabeleceu, como sua especialidade, manter o espectador sempre na dúvida sobre as verdadeiras intenções de Benjamin Linus: mesmo quando ele parece absolutamente sincero, sabemos que ele tem motivos ocultos para fazer o que faz; e, paradoxalmente, quando age com absoluta crueldade, consideramos a possibilidade de que tenha agido por alguma razão nobre desconhecida. Seja como for, o fato é que, até hoje, só havíamos visto Emerson expor os sentimentos reais de Linus em uma única ocasião: ao testemunhar a morte de Alex e ao se despedir da filha.

Neste sentido, este novo episódio representou, portanto, uma inundação de sinceridade: nunca antes havíamos visto o lado humano de Ben com tamanha intensidade, desde sua preocupação em salvar o bebê Alex até sua hesitação no momento em que finalmente poderia se vingar de Widmore – e, mais uma vez, em função de uma criança. Além disso, seu encontro com o monstro de fumaça representou o ápice emocional não só do episódio, mas de todo o arco do personagem; atingimos, aqui, algum ponto de virada importante, embora ainda estejamos longe de saber qual exatamente.

Ninguém espera, claro, que Ben agora passe a agir de maneira aberta (mesmo sendo francamente ameaçado pela ilha, representada pela figura de Alex) – e seu ressentimento diante da ligação entre seu "lar" e Locke é algo que claramente o motiva a detestar este último -, mas ao menos agora compreendemos bem melhor o que motiva Linus e também sabemos sua história. Ainda assim, falta descobrirmos como seus encontros na juventude com Sayid, Jack, Sawyer, Hurley, Juliet e Katese encaixarão na equação.

Dito isto, este décimo segundo episódio da quinta temporada também foi um dos que trouxeram o maior número de incidentes significantes, desde a morte de mais um personagem secundário (ou melhor: um quase figurante de luxo) até as interações entre Widmore e Ben nos anos anteriores, passando, é claro, pela revelação de que o segundo avião a cair na ilha trazia mais personagens que conhecem um pouco (ou muito) de sua história.

Afinal, o que diabos sob a sombra da estátua?

Lost S05E11

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 34 comentários

(Spoilers como de hábito.)

Sou tarado por histórias que giram em torno de viagens no tempo, paradoxos e tudo mais. Assim, a discussão entre Miles e Hurley sobre o destino de Ben representou, para mim, um dos pontos altos da temporada. Na realidade, se Ben morre ou não, isto não importa de fato, já que são as conseqüências daquela experiência que importam: ao levar um tiro de um estranho no qual confiou tanto, o jovem Ben certamente passou por um trauma que deixará marcas eternas em sua mente, moldando-o e transformando-o no sujeito cínico e mentiroso que os fãs de Lost passaram a temer e amar. E se foi o retorno de Sayid ao passado que ameaçou sua vida e o espaço continuum, também foi o fato de ter sido baleado que o colocou nas mãos de Richard Alpert – algo que, como dito pelo Outro, foi fundamental na conversão da inocente criança em adulto manipulador e frio. (E que sacada genial dos roteiristas, essa de levar Jack a ter que escolher novamente se operaria Ben pela segunda (ou primeira?) vez.) 

Aliás, pensemos mais um pouco: se o jovem Ben morresse, não poderia ter se transformado no adulto que levou Sayid de volta para a ilha, permitindo que este o matasse. Portanto, Sayid não poderia ter retornado e o matado, o que permitiria que ele crescesse e… levasse Sayid de volta para a ilha. São estas lógicas circulares que me fascinam em histórias do tipo.

Já os flashbacks (ou flashforwards?) envolvendo Kate preencheram a lacuna do que houve com Aaron, embora tenham tomado tempo demais, já que o que estava acontecendo na ilha era infinitamente mais interessante (ainda assim, belíssima performance de Evangeline Lilly). 

Um bom episódio.

Lost S05E10

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 36 comentários

HEIN!??!!?

Lost S05E09

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 17 comentários

Serei breve esta semana: bom episódio, mas mais pelas promessas do que pelo que mostrou realmente. Enquanto boa parte de seus 41 minutos foi utilizada para mostrar Jack, Hurley, Kate e Sayid se situando na Iniciativa Dharma (como integrantes ou prisioneiros), o que realmente me interessou foi ver a sugestão de um interessante duelo de personalidades entre Jack e Sawyer (voltando a mostrar seu cinismo, o que sempre é bom) e, claro, a reação contida, mas claramente surpresa, de Sayid ao se ver diante de um jovem Benjamin Linus – numa rápida, mas eficiente atuação do jovem intérprete, que não se esqueceu nem mesmo dos olhos arregalados de Michael Emerson.

Lost S05E08

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 43 comentários

(Spoilers.)

Por que vários sites e blogs sobre "Lost", ao falarem sobre a série, constantemente sentem a necessidade de dizer coisas do tipo: "quem diz que Lost não tem lógica vai descobrir que…", "até os detratores da série vão ficar boquiabertos", "quem reclama que Lost só gera dúvidas vai morder a língua", "se você ainda não se convenceu de que Lost é brilhante" e assim por diante? De onde surgiu este complexo de inferioridade que leva tantos fãs a defenderem a série como se ela estivesse sempre sob ataque ou mesmo precisasse de defesa?

"Lost" é um projeto fantástico desde sua primeira temporada e vem melhorando a cada novo episódio. Já é hora dos fãs pararem de se preocupar com a opinião de quem não gosta da série. Se reconheço as virtudes de um filme como, sei lá, O Cavaleiro das Trevas ou Dúvida e descubro que alguém detesta estes longas, não fico me contorcendo angustiado; lamento o fato da pessoa não apreciar a obra como eu, mas sigo em frente feliz por saber que consegui aproveitá-la como merecia.

Digo isso porque sempre que vejo um episódio centrado em Sawyer, sinto vontade de voltar a rever a série desde o início para apreciar a evolução do personagem de Josh Holloway. Se no início Sawyer era o babaca, quase vilão, que adorávamos detestar, com o passar dos anos ele se revelou um indivíduo complexo que passou a expor um lado nobre, até doce, que o transformou num dos grandes heróis da série – e o fato desta imensa transição ter ocorrido bem diante de nossos olhos sem que a notássemos de imediato é um tributo ao talento dos roteiristas de "Lost", bem como do trabalho impecável do cada vez mais maduro Holloway. Lembre-se do Sawyer que negava água ou medicamentos para os companheiros, chegando a ser torturado por Sayid para revelar onde escondera o remédio que Shannon precisava, e agora olhe para o Sawyer de hoje, que não hesita em arriscar a vida para salvar uma completa desconhecida. Você poderia imaginar, naquela época, que um dia admiraria o heroísmo e mesmo o altruísmo do personagem?

Com relação ao episódio 8 desta quinta temporada, os flashbacks e/ou flashforwards (não sei precisar qual seria o tempo "âncora" do episódio para saber se este foi um episódio de  "back" ou "forward") ajudaram a criar uma estrutura intrigante para compreendemos o que ocorreu na ilha desde a partida de Locke e como Saywer, Jin, Juliet, Daniel e Miles se tornaram parte da Iniciativa Dharma – e estabelecer o relacionamento de Sawyer e Juliet não só foi algo natural, como também importante para gerar um conflito futuro com o retorno de Kate. (Mas não nos esqueçamos de que, a rigor, Sawyer agora tem um envolvimento mais longo com Juliet do que jamais teve com Kate.)

Um episódio impecável que me deixou curiosíssimo para saber como todos aqueles personagens irão se encaixar no massacre que Ben irá promover dentro de algum tempo. (Ah, sim: e para descobrir a origem daquela estátua gigante que viria a deixar apenas um pé com quatro dedos para trás.)

E não acredito que já estamos no meio desta temporada e que ainda terei que esperar duas semanas pelo nono episódio. Damn you, Lost!