Boa Sorte, Boa Noite, Má Dublagem (ou Filme Dublado, Não #06)

Eu não vou nem comentar a perda significativa do trabalho vocal de David Strathairn, que, captando as inflexões características e o tom imponente e repleto de autoridade de Edward R. Murrow, foi indicado ao Oscar, ao BAFTA, ao Independent Film Awards, ao SAG e venceu o prêmio de atuação em Veneza. Claro que pegar todo o seu trabalho de composição vocal criado ao longo de meses e substituí-lo pela voz de um dublador que teve algumas horas para a tarefa é algo que beira o absurdo, mas… nem é o que há de pior nesta cena específica.

O que quero que reparem é como a versão brasileira ignora completamente a decisão do diretor George Clooney e de seu designer de som ao incluir um eco durante o discurso de Murrow, substituindo o tom intimista de uma cerimônia voltada para a indústria jornalística por uma tentativa de grandiosidade, de salão amplo e espaçoso, que simplesmente não reflete a intenção dos realizadores.

E ainda há quem insista que dublar não é mutilar a obra original.

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Não ao dublado, Sem categoria, Vídeos