Jerries Lewises

Jerry Lewis é um gênio. Dono de uma carreira absolutamente impressionante (e recomendo fortemente sua autobiografia, que já comentei aqui), Lewis inspirou gerações de atores/humoristas em sua abordagem autoral da comédia, já que muito cedo ganhou controle absoluto sobre suas obras – um risco com ótimos resultados, já que por anos a fio ele foi líder das bilheterias norte-americanas. Minha paixão pelo ator/roteirista/produtor/diretor começou cedo, aliás, quando ainda criança ficava grudado diante da Sessão da Tarde para acompanhar seus filmes – e, sim, atribuo a ele parte da responsabilidade pelo amor que desenvolvi pelo Cinema (e não é à toa que já o homenageei algumas vezes no Cinema em Imagens).

Estou longe de ser o único cinéfilo fascinado por Lewis, porém – e é preciso ser um artista muito especial para inspirar tantos tributos como os que verão neste post e que dá título a esta entrada (a propósito: “Jerries Lewises” não parece algo que sairia dos lábios de Gollum?).

Há vários números clássicos na longa e prolífica carreira de Lewis, mas talvez poucos sejam tão representativos de seu brilhantismo quanto o da máquina de escrever, que combina seu talento para o humor físico, sua frequente utilização da música como complemento cômico, sua natureza infantil/ingênua e, claro, sua compreensão única do ritmo da comédia, que o permitia expandir ideias simples em esquetes elaboradas justamente por saber o momento de repetir rotinas e subitamente alterá-las quando o público parecia finalmente ter compreendido para onde tudo caminhava.

O próprio Jerry Lewis, vale dizer, encenou o número em várias ocasiões, começando no palco, em seus espetáculos repletos de improviso ao lado de Dean Martin (ainda na década de 40), passando pela tevê (no Colgate Hour, que manteve com o parceiro em 1950) e finalmente chegando ao Cinema em 1963, em Errado pra Cachorro (e é interessante notar a evolução da coreografia e o refinamento do timing e da própria “historinha” da performance). Ciente de que esta é talvez sua assinatura definitiva, aliás, o astro recriaria a brincadeira em várias edições de seu telethon anual dedicado a arrecadar fundos para a pesquisa sobre Distrofia Muscular e, mais tarde, em sua volta ao palco nos anos 2000, mas aí a coisa já havia se tornado um pouco mecânica em função da familiaridade excessiva da rotina, como poderão observar mais abaixo.

Comecemos com o Colgate Hour, de 1950:

Treze anos depois, Lewis afinaria “The Typewriter” ao máximo, ciente de que sua imortalização no Cinema se tornaria a versão definitiva do número – como de fato se tornou.

Mais de duas décadas depois, ele pode ser visto em um espetáculo em Paris brincando novamente com a máquina invisível:

E, depois, em um de seus telethons ao vivo:

E isto, meus amigos, foi só o começo da história da máquina de escrever invisível, como comprovarão os norte-americanos, ingleses, brasileiros, japoneses e espanhóis – entre outros – abaixo. Particularmente, confesso ficar emocionado ao testemunhar o alcance obtido e o amor despertado por Joseph Levitch, o eterno e inigualável Jerry Lewis.

















E paro por aqui: há dúzias de vídeos como estes no YouTube. Que outro comediante conseguiria originar um fenômeno como este?

postado em by Pablo Villaça em Cinema em seu máximo, Clássicos, Vídeos