Feliz

Sempre amei o Cinema, mas nem sempre o respeitei. Criança e pré-adolescente, encarava a Sétima Arte como passatempo, diversão. Achava absurdo que alguém pudesse pensar Cinema. E aí, um dia, ganhei um livro de Pauline Kael e minha maneira de enxergar os filmes começou a mudar. Pouco depois, conheci Roger Ebert, o crítico mais famoso dos Estados Unidos (e um escritor fabuloso), e passei a devorar seus textos. Percebi que poderia aproveitar ainda mais o que via nas telonas; divertir-me, claro, mas também crescer intelectualmente. Muitos são os que encaram o Cinema como algo abaixo de outras formas de Arte: ler um livro é sinal de curiosidade intelectual; ver um filme, como forma de passar o tempo.

escrevi fartamente neste espaço sobre a importância de Roger em minha trajetória pessoal e profissional; contei a emoção que senti ao finalmente conhecê-lo. Sei que não é comum ter a chance de encontrar pessoalmente não apenas um ídolo, mas alguém que ajudou a formatar, à distância, sua personalidade e seu perfil profissional. E muito menos comum é ter a oportunidade de estabelecer uma parceria profissional com este ídolo.

Que, além disso, tenhamos nos tornado amigos é algo que…

… me desperta o desejo de inventar uma máquina do tempo só para retornar a 1989 e contar ao meu eu de 15 anos o que viria pela frente.

Digo isso para compartilhar mais um momento particularmente importante em minha carreira – e é uma pena que tenha surgido em função de um desastre envolvendo meu ídolo, mentor e amigo: há alguns meses, Roger fraturou o fêmur e, em função disso, não tem conseguido comparecer a muitas cabines (exibições prévias para críticos). Assim, como tem um compromisso com o jornal Chicago Sun-Times, para o qual escreve desde a década de 60, tem pedido a alguns colegas que escrevam críticas sobre filmes que não pôde ver.

E me deu a honra de escrever a crítica do brasileiro O Som ao Redor em seu lugar. (Incluindo a oportunidade de dar a cotação do filme em seu nome no site.)

Isto me deixou duplamente feliz: por poder ajudar um ídolo e por poder ajudar a divulgar um belíssimo longa brasileiro (ao qual dei a cotação máxima segundo o critério de Roger, 4 estrelas).

É isso. Só queria dividir a alegria com vocês.

O texto pode ser lido aqui.

postado em by Pablo Villaça em Críticas