Dexter S08E01

(Evitarei spoilers.)

Embora Dexter tenha apenas decepcionado desde a quinta temporada (justamente depois de atingir seu ápice na quarta), não resisti e acabei conferindo a estreia deste oitavo ano. E pude comprovar que não melhorou muito: diálogos excessivamente expositivos (a cena em que Angel, Quinn, Vince e Dexter falam sobre Debra chega a doer nos ouvidos), transformações implausíveis vividas pelos personagens (Debra) e, claro, a introdução do milésimo serial killer de Miami são apenas alguns dos problemas mais óbvios da série. Por outro lado, há uma certa justificativa para a presença da figura vivida por Charlotte Rampling e que, bem utilizada, pode servir como a ferramenta que os roteiristas precisavam para conduzir a história do protagonista a um fim aceitável – e é claro que eles provavelmente a jogarão fora.

Para piorar, a abordagem visual do episódio competiu com a obviedade do roteiro. A instabilidade emocional de Dexter, por exemplo, surgiu através de planos holandeses (inclinados) repetidos:

E do ponto de vista do design de produção, a recorrência do vermelho em associação a Dexter (ou em ambientes no qual ele se encontra) tampouco buscou a sutileza, começando já no primeiro plano do episódio, que traz pai e filho soltando uma pipa desta cor:

E não é necessário ser um gênio para entender o propósito dos realizadores – que no mínimo merecem créditos por demonstrarem ter pensado um pouco no que faziam, mesmo que tenham optado sempre pelo clichê.

Não tenho esperanças de que o desfecho de série seja digno das belas temporadas iniciais.

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê