Breaking Bad S05E12

(Spoilers.)

Depois de um dos melhores episódios da série, é realmente decepcionante que Vince Gilligan nos bombardeie com um dos piores. Além de brincar com a cronologia da narrativa (é a primeira vez que Breaking Bad faz isso? Certamente não é algo que costuma fazer.) para criar um suspense artificial ao ocultar o paradeiro de Jesse e o que o levou a sair da casa de Walt sem incendiá-la, este “Rabid Dog” ainda cometeu ao menos três tropeços que considero particularmente irritantes – e que listo do menos para o mais grave a seguir:

3) O sujeito careca e ameaçador que leva Jesse a desistir de conversar com Walt. Convenientemente situado diante do sr. White e com pose intimidadora, ele surgiu como um recurso tolo e clichê para espantar o rapaz – e só o fato de estar posicionado de maneira tão óbvia já deveria ter levado Jesse a perceber que aquilo não poderia ser armação de um Heisenberg sempre tão cuidadoso. Além disso, a revelação de que se tratava de um sujeito qualquer foi absurdamente idiota e infantil: uma garotinha de rosa correndo para os seus braços e gritando “Papai!”. Façam-me o favor.

2) O lado impiedoso de Hank ao dizer que a morte de Jesse seria tão útil quanto sua conversa com Walt. A ideia por trás da atitude é clara: deixar patente que Hank e Walt farão de tudo para vencer o confronto e que ambos encaram Jesse (como repito sempre, a maior vítima da série) como um mero peão – e ao menos o sr. White não o considera descartável. Com isso, Vince Gilligan força nossa simpatia de volta para Walt quando poderíamos estar começando a torcer para que Hank saísse vitorioso. Entendo a motivação, mas o método foi patético e artificial.

1) Já estava difícil engolir a mudança radical de Skyler nos últimos episódios, quando, de criatura extremamente hostil ao marido, subitamente passou a apoiar até mesmo suas mais arriscadas jogadas. Mas vê-la praticamente pedir que este matasse Jesse ultrapassou a estupidez do ursinho roxo caolho da segunda temporada. “Inverossímil” nem começa a descrever sua atitude.

Breaking Bad acerta na maior parte do tempo, não há dúvidas. Mas quando erra, parece fazer questão de compensar seus acertos e atira a 200 quilômetros do alvo.

 Sim, houve momentos interessantes – e a conversa entre Walt e o filho à beira da piscina, que resultou num raríssimo instante de leveza e ternura para Walt e o plano geral na praça na qual o encontro entre Walt e Jesse ocorreria (e que me fez lembrar de A Conversação – talvez por estarem sendo monitorados, não sei) foram alguns destes -, mas para cada um deles, tivemos que aguentar diversos outros como a longa e descartável cena de Marie conversando com o psicólogo e Walt soando patético ao mentir para Skyler e o filho justamente depois de se mostrar um mentiroso fabuloso no episódio passado.

Que o próximo domingo chegue logo para que possamos tirar da boca o gosto horrível deste episódio medíocre.

postado em by Pablo Villaça em Sem categoria