37a. Mostra de São Paulo

Durante o Festival do Rio, escrevi sobre todos os 57 filmes aos quais assisti. Como resultado, cheguei exaurido física e psicologicamente ao final do evento. Como a Mostra de São Paulo começou logo em seguida (graças ao Rock’n Rio, que adiou o início do festival na capital carioca), mal tive tempo de me recuperar. Assim, decidi que iria “curtir” a Mostra sem me preocupar em escrever – e acabei assistindo a seis filmes a mais mesmo perdendo o último dia do evento, já que retornei a BH mais cedo por não aguentar mais as saudades dos filhotes.

Fiz anotações sobre os filmes que deverão entrar em cartaz, porém, e deverei escrever sobre eles eventualmente.

Abaixo, os brevíssimos comentários que fiz no Twitter sobre cada um dos longas vistos.

1) Os Sub-Humanos – Só a emocionante imagem dos chimpanzés celebrando sua pequena liberdade já vale o filme. 3/5

2) Escudo de Palha Eu já deveria ter desistido de Takashi Miike há muito tempo. Ou, no mínimo, desde Ninja Kids. 1/5

3) Programa Eduardo Coutinho 2 – Três trabalhos que deixam clara a principal característica do Cinema do mestre: a empatia. 4/5

4) Metamorfose – A fotografia é belíssima – pena que é quase impossível permanecer acordado para apreciá-la. 1/5

5) Manakamana – Um curioso doc construído a partir da simples observação de seus peregrinos. 4/5

6) O Garoto que Comia Alpiste – Angustiante estudo de personagem, traz uma atuação central corajosa. 4/5

7) Melaza – A cidade quase fantasma é um personagem tão importante quanto os humanos. 3/5

8) Confissão de Assassinato – Ótimas sequências de ação em um filme com trama interessante. 4/5

9) Preso na Internet – Apesar de alguns momentos de maior melodrama e de se esquecer do tema principal, é envolvente e inteligente. 4/5

10) Olhos Frios – Um pouco longo, mas divertido ao acompanhar os policiais aparentemente mais bem equipados do mundo. 3/5

11) Run & Jump – Um drama que torna leve uma situação pesada, mas que é simpático e traz boas atuações. 3/5

12) Lições de Harmonia – Uma narrativa minimalista, bressoniana, em um filme triste e angustiante. 4/5

13) O Grande Mestre – Esteticamente magnífico (claro: Wong Kar Wai), mas sem foco narrativo. 3/5

14) Uma Família em Tóquio – Um filme gentil sobre personagens doces, faz jus ao original. 4/5

15) Nascido para Matar – A feiúra da guerra num clássico moderno. 5/5

16) Círculos – Drama eficiente sobre personagens decentes destruídos por uma tragédia. 4/5

17) Dezembro – Bonitinho, mas tecnica e narrativamente precário. 2/5

18) Até Ver a Luz – Simultaneamente engraçado e sufocante, se beneficia dos rostos marcantes de seu elenco de não-atores. 4/

19) Uma Vida Comum – Estudo de personagem simples, comovente e com uma trilha linda. 5/5

20) O Que os Homens Falam – Uma antologia que por vezes soa teatral, mas que é divertida e tem ótimo elenco. 4/5

21) Omar – Candidato palestino ao Oscar, oscila bem entre o drama e o thriller, revelando-se tenso e bem construído. 5/5

22) Paradjanov – Candidato da Ucrânia ao Oscar, é uma cinebiografia inventiva e com uma atuação central espetacular. 5/5

23) Morro dos Prazeres – Um recorte complexo e intimista que demonstra a abordagem sensível da cineasta. 4/5

24) Miss Violence – Putaqueopariu. Vou voltar pro hotel e cortar os pulsos. 5/5

25) Amanhã é Distante – Desorganizado, desinteressante e deschatopracaralho. Pelo menos tem só 70 minutos. 1/5

26) Solo – A narrativa transforma o título do filme em uma metáfora tocante neste belo estudo de personagem uruguaio. 4/5

27) A Bala Desaparecida – Um Sherlock Holmes chinês que, tolo e divertido, poderia facilmente virar franquia. 4/5

28) Babilonia 2000 -Uma colagem humanista de sonhos, frustrações, tristezas, esperanças (e des) e experiências. Coutinho, né? 5/5

29) A Montanha Matterhorn – O que começa como uma comédia de situação eventualmente se revela um belíssimo libelo contra a intolerância. 5/5

30) Ilo Ilo – Eu prefiro a família de Miss Violence. Mas tem seus momentos. 2/5

31) Meu Cachorro Assassino – Um protagonista odioso em um filme idem. 1/5

32) O Jardineiro -Egodoc que traz dois narcisos na direção e um bando de idiotas diante das câmeras. Inofensivos, mas idiotas. 1/5

33) Uma Casa com Torre – O pequeno e carismático protagonista não resgata o filme do tédio absoluto. 1/5

34) Wakolda -Bem construído, tenso e com um personagem fascinante, ainda que monstruoso. Argentina foi inteligente na escolha.4/5

35) Todos os Dias – É simpático, mas só conseguiu me deixar mais curioso com relação ao projeto similar de Linklater. 3/5

36) De Menor – Roteiro frágil, execução problemática, atores irregulares e desfecho tolo. 2/5

37) O Foguete – O pequeno protagonista é adorável e a história, bonitinha. 3/5

38) Cabra Marcado para Morrer – O filme que não foi acabou se transformando no filme brasileiro definitivo. 5/5

39) A Gangue dos Jota – Satrapi se entrega à mais completa auto-indulgência num filme que soa quase amador. 2/5

40) El Crítico – Não é o primeiro a criticar convenções ao mesmo tempo em que as emprega, mas o faz muito bem. 4/5

41) Wajma – Demonstra as consequências inevitáveis de uma sociedade e cultura dominadas por religião: intolerância, dor e destruição. 4/5

42) Child’s Pose – O Cinema romeno é especialista em construir drama a partir da observação minuciosa do cotidiano. 5/5

43) Pais e Filhos – Drama sensível e complexo que foge do melodrama e das soluções fáceis. 5/5

44) Tatuagem – Um elenco espetacular em um filme corajoso e de espírito libertário. 5/5

45) Las Analfabetas – A origem teatral fica clara, mas as ótimas atuações compensam a estética vazia. 4/5

46) Cauby: Começaria Tudo Outra Vez – Um extra de DVD razoável que nada informa sobre o personagem-título. 2/5

47) O Jovem Infrator – Candidato sulcoreano ao Oscar, é um drama bobinho com personagens moderadamente interessantes. 3/5

48) Segurança Nacional – Pra quem pede retorno da Ditadura ou chama de ditabranda, digo que aqui era pior que o visto neste filme. 5/5

49) Amor, Plástico e Barulho – Muito + difícil que contar uma história é criar um universo – e o filme faz isso brilhantemente.5/5

50)Noite em Claro -Estudo intimista e doce, peça por estender algumas cenas mais que o ideal, mas cria um retrato interessante.3/5

51) The Wind Rises – Uma bela despedida de Mitazaki. 4/5

52) Caderno Grande – Candidato da Hungria ao Oscar, é um estudo apavorante do efeito desumanizante da guerra. 5/5

53)Tom na Fazenda -Depois do mediano Laurence Anyways, Dolan adota um estilo cru e sem firulas num ótimo thriller psicológico. 4/5

54) O Rio nos Pertence – Uma ideia de M. Night Shyamalan dirigida por um aspirante a Bergman. 1/5

55) Ana Arábia – Como esforço narrativo, é interessante; como discussão política/religiosa ou de personagem, difusa e vazia. 3/5

56) Cinco Anos de Vida – Retrato revoltante e visceral dos abusos norte-americanos em sua “guerra contra o terror”. 4/5

57) Prince Avalanche – Hirsch e Rudd são atores carismáticos e o filme é divertido, mas peca por achar ter “mensagem”. 3/5

58) La Jaula de Oro – Devastador ao trazer um sonho americano que não faz jus ao pesadelo da jornada para alcançá-lo. 5/5

59) Sobrevivente – Surpreende ao usar a tensa sequência do naufrágio apenas como introducão de uma história intrigante. 4/5

60) Caracóis na Chuva – A impassividade do protagonista compromete irremediavelmente o filme. 2/5

61) Eu Vou Ser Assassinado – Este doc surge como um thriller mais surpreendente que a maior parte de seus primos ficcionais. 5/5

62) Pelo Malo – Drama sensível e com uma atuação central tocante que retrata a ação destrutiva do preconceito. 4/5

63) Os Filhos do Padre – Enfrenta alguns problemas pontuais ao trazer eventos pesados demais para uma comédia, mas só. 4/5

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