Analisando imagens e a diferença entre números e pessoas

Como alguém que vive de analisar imagens, devo dizer que fiquei profundamente encantado com duas delas que vi nos últimos dias. A primeira aconteceu durante uma entrevista que Lula deu a Mino Carta: enquanto falava sobre como aqueles que antes só podiam viajar de ônibus agora conseguem pagar passagem de avião, Lula leva as mãos à cabeça numa empolgação tão grande, quase infantil, que expõe uma felicidade incontida diante da constatação. Isto me encantou especialmente porque sei como é raro (muito raro) ver alguém com a trajetória e a experiência dele ainda se mostrando capaz de se empolgar tanto com a alegria do homem do povo. (O momento está aos 8:35: https://www.facebook.com/video.php?v=709568759129502)

Já a imagem de Dilma foi uma foto na qual, durante um ato público, ela surge abraçada por uma senhora no meio da multidão. Aliás, “abraçada” não é o termo exato: a senhora em questão praticamente dá uma chave de braço em Dilma enquanto, com a mão livre, segura um celular para tirar uma “rousselfie”. (Quando vi a foto no Twitter, a legenda brincalhona dizia: “EU PAGO MEUS IMPOSTOS E A SENHORITA VAI TIRAR FOTO COMIGO SIM!!!”)

O que me cantou nesta foto (http://i.imgur.com/D4KERhj.jpg), aliás, nem foi a proximidade da presidenta com o povo – uma proximidade que vocês não vêm na outra candidatura -, mas um fato muito revelador: enquanto toma a chave de braço, Dilma… sorri. Não há medo ou desconforto em seu rosto, mas um sorriso por estar recebendo aquele gesto tão… firme… de carinho.

E são esses detalhes, que surgem na espontaneidade e no calor do momento, que revelam muito sobre Lula e Dilma e o tipo de líderes que são.

O que me traz a um segundo ponto.

Como alguns de vocês talvez saibam, sou filho e sobrinho de pessoas que lutaram contra a Ditadura. Cresci ouvindo as histórias das barbaridades cometidas naquele período contra jovens que lutaram para que hoje outros jovens tivessem a liberdade, inclusive, de ofender a presidenta usando termos incrivelmente baixos. Cresci vendo pessoas que eu amava carregando sequelas físicas, psicológicas e emocionais das torturas. E cresci também num país de desigualdades que trazia capas de jornais falando da fome, que era considerado um problema insolúvel, e exibindo fotos de crianças subnutridas e à beira da morte.

E lembro de minha mãe discutindo aquelas questões comigo e me ensinando algo que nunca esqueci: que, ao ler notícias falando de “milhares ou milhões de miseráveis e famintos”, nunca me esquecesse de que aquelas estatísticas representavam pessoas. Ela me ensinou que muitas vezes, quando a imprensa traz estes números, tendemos a nos esquecer de não são só números,

E é por isso que quando li a notícia de que o Brasil havia saído do Mapa da Fome da ONU pela primeira vez, chorei.

Chorei de alegria por saber que aquela não era mais a realidade de milhões e milhões de pessoas.

Chorei por saber que meus filhos vão crescer num país melhor do que aquele no qual cresci.

E chorei porque lembrei do que minha mãe me ensinou e percebi que se o Brasil mudou é porque finalmente tivemos, em Lula e Dilma, presidentes que sabem que por trás de cada estatística e de cada número há uma vida, uma pessoa, um brasileiro.

postado em by Pablo Villaça em Política