Jornalistas. Melhor: “Jornalistas”

Se eu tivesse que ganhar a vida escrevendo fofocas sobre celebridades, daria um tiro na cabeça. Isso não é jornalismo; é boataria em forma impressa. Em termos de valores para a sociedade, está apenas meio degrau acima da classe dos paparazzi – que, por sua vez, encontram-se no fundo do poço.

Não, permitam-me refrasear: no fundo do poço, há um buraco; dentro deste, há uma fossa – e é no fundo desta fossa que encontram-se os paparazzi. Já os “jornalistas de celebridades” estão sobre os ombros destes últimos, mas ainda cobertos de dejetos.

Dito isso, se eu fosse obrigado a escrever para um site, blog ou revista de fofocas (e não tivesse um revólver), o mínimo que eu faria seria tentar fazer um bom trabalho. Estando na fossa, tentaria afastar a imundície flutuando ao meu lado e criar alguma aparência de estar fazendo algo válido. Qualquer coisa. 

Começaria apurando melhor as besteiras que transformaria em matérias.

Por que estou dizendo isso? Porque hoje recebi um link para esta matéria. Buscando dar ao mundo a importantíssima notícia de que Antônia Fontenelle (ou Irene?), esposa de Marcos Paulo, será madrinha de alguma coisa numa escola de samba, a “redação” de “Os Paparazzi” publicou o seguinte:

“Marcos Paulo e Antonia Fontenelle se envolveram em polêmica durante o lançamento do longa-metragem Assalto ao Banco Central. Tudo devido à manchete do crítico Pablo Villaça, que escreveu: quem é Antonia Fontenelle? A atriz ficou revoltada com o deboche e respondeu através de seu Twitter. Virou aquela polêmica. Se ele perguntou “quem é Antonia Fontenelle”, por desconhecer seus trabalhos como atriz em novelas e no cinema, a bela respondeu com um “quem é Pablo Villaça”. “Percebi que ele quer cinco minutos de fama”, detonou à época.”

Há tanta coisa errada neste curto parágrafo que nem sei por onde começar. É preciso um verdadeiro artista para escrever tanta imbecilidade em tão pouco espaço.

Em primeiro lugar, não escrevi “manchete” alguma sobre Fontenelle. Em uma crítica sobre o péssimo Assalto ao Banco Central, apontei que a argumentista do filme também fazia uma ponta dispensável e patética. Num texto que tinha 1.250 palavras, dediquei 28 palavras à Fontenelle ao escrever:

“(…)mergulha na mais cafona e clichê das trilhas de sedução quando a namorada de Telma (vivida pela argumentista Antônia Fontenelle) surge numa única cena como uma verdadeira caricatura.”

Em absolutamente nenhum momento escrevi “manchete” e muito menos perguntei “quem era Antonia Fontenelle”.

Mas o que mais irrita é perceber como o site, em sua tentativa de endeusar Fontenelle (quem é Irene?, me pergunto), inverte toda a situação ao transformá-la em vítima de uma provocação barata, pintando-me como alguém que queria chamar a atenção ao atacar de forma gratuita a pobre coitada, que teria apenas reagido em função da “revolta” que sentiu com o “deboche” – quando, na realidade, ela ficou bravinha em função do meu texto e decidiu me atacar.

Sei que não deveria ficar irritado com o que um bando de subjornalistas escrevem num site patético, mas não consigo. Não sou figura pública, não sou “famoso” e prezo muito por minha ética profissional – e vê-los me apresentando à sua meia dúzia de leitores como um picareta em busca de fama é algo que me tira do sério.

Incompetência aliada a um “jornalismo” absolutamente descartável. Que vidinha.

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas