Jornalismo porco

Eis que chego de viagem de Curitiba e recebo email do leitor (e aluno) Rodrigo Araújo contendo um pdf de uma matéria publicada neste domingo no Jornal do Commercio. O assunto: dublagem. 

Assinado por um tal Ernesto de Barros (que, em certo momento do texto, tasca um “expectador” na cara do leitor), o artigo inclui a seguinte passagem:

“Há menos de um mês, o editor do site Cinema em Cena (www.cinemaemcena.com.br), Pablo Villaça, publicou no seu blog pessoal um post em que apontava os “malefícios da dublagem” e chamava de “medíocres”, “preguiçosos” e “ignorantes” os espectadores que assistem aos filmes na versão adaptada para o português falado. No texto, o crítico se arvora em “verdadeiro amante da sétima arte” e alerta contra a atitude da 20th Century Fox, que então anunciava o lançamento de O Planeta dos Macacos com mais cópias dubladas do que legendadas”.

Em primeiro lugar, não sou “editor” do Cinema em Cena, mas seu diretor. Há meses. Em segundo, ele cita um texto publicado no meu blog, mas aponta como endereço o site, dificultando, na prática, que os leitores consultem o texto original. Em terceiro, faz uma citação reducionista e tendenciosa do meu post, dizendo que agredi quem prefere dublagem e ignorando até mesmo o update que fiz naquela postagem. Para completar, em seu longo artigo, aponta mil razões para abraçar a dublagem, mas não cita um único contraponto, embora aparentemente tenha lido meu texto, que trazia vários. (Ou talvez não tenha lido.) E mais: ainda que seu artigo traga entrevista com uma mãe que aponta os filmes dublados como forma de dividir a experiência cinematográfica com os filhos, Barros opta por convenientemente esquecer que digo no post que não vejo problemas graves no caso das animações.

Como se não bastasse, o “jornalista” não entrou em contato comigo uma vez sequer antes de me citar desfavoravelmente em sua matéria, desrespeitando a mais básica das regras jornalísticas. Só soube que meu nome havia sido publicado no Jornal do Commercio graças a um leitor atento, já que não tive oportunidade de defender meu ponto de vista ou esclarecer minhas colocações antes de surgir naquelas páginas como um vilão pedante.

Lamentável. Mas não surpreendente.

postado em by Pablo Villaça em Série Jornalistas