Série Você em Cena #40

Carisma é algo difícil de definir. Para começo de conversa, é algo que pode ser mensurado com relação ao alcance ou tem mais a ver com o efeito? Explico: qualquer filme que conte com a presença de José Dumont irá despertar meu interesse – e não apenas porque o considero um ator talentosíssimo, mas porque sua simples figura em cena é algo que julgo enriquecer um filme. No entanto, ele não é (infeliz e injustamente) um chamariz de público: colocar seu rosto em um cartaz ou num trailer não é algo que atrairá grandes multidões às salas simplesmente porque se trata dele.

Em contrapartida, poderíamos dizer que um trailer protagonizado por, digamos, Caio Castro (obrigado ao pessoal do Twitter pela sugestão do nome) atraia bem mais pessoas – mas aí estaremos entrando em outra discussão, sobre moda e fama, sendo bastante possível que ele deixe de exercer tanto fascínio assim que saia do horário nobre da emissora-mãe da tevê brasileira. (Não estou julgando seu talento, pois não o conheço; talvez seja um jovem Marlon Brando, quem sabe?)

Assim, seria justo dizer que Castro é mais “carismático” do que Dumont? Obviamente que não. Porém, seu alcance é – atualmente – bem maior. (Tragédia.)

Comecei a pensar nisso ao ler sobre a nova série de Matt LeBlanc (o Joey de Friends). Meu último contato com o ator foi através da decepcionante “Joey” e, assim, fiquei surpreso ao me pegar ansioso para conferir seu novo trabalho e me dei conta de que estava sentindo falta de vê-lo na tela. Ora, LeBlanc é um intérprete bastante limitado e certamente há figuras bem mais divertidas do que ele na tevê norte-americana (seu colega Matthew Perry me vem à mente), mas estou mais curioso para assistir a Episodes do que Mr. Sunshine, nova série de “Chandler” (embora também goste muito de Perry) – e isto tem mais a ver com os atores do que com as premissas das produções.

A questão é que consigo facilmente explicar por que tenho tanto interesse em novos projetos de atores como Philip Seymor Hoffman, Dumont ou Wagner Moura: são artistas talentosos que, carismáticos ou não, prendem pela força de suas atuações. (E considero que os três tenham carisma, embora, mais uma vez, seja obrigado a questionar se é preciso que esta impressão seja compartilhada por um grande grupo para que sua existência seja comprovada – e duvido que Hoffman e Dumont passem no teste.) Mas… LeBlanc?

Só o carisma explica.

Assim, pergunto: qual intérprete você sempre quer conferir em novos trabalhos, mesmo que tenha pouca esperança com relação à qualidade dos projetos? E se quiser explicar o motivo desta atração, melhor ainda.

postado em by Pablo Villaça em Série Você em Cena