Cena Misteriosa #02

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O primeiro leitor a acertar a brincadeira da Cena Misteriosa aqui no blog foi Alexandre R. Garcia, que identificou a cena #01 como tendo sido retirada do clássico francês Bob, o Jogador (Bob le flambeur), de 1956. Dirigido por Jean-Pierre Melville, que era fascinado pelo cinema norte-americano, Bob, o Jogador assume as convenções do noir embora as enriqueça com uma sensibilidade tipicamente francesa (para evitar confusão: ainda que tenha sido concebida pelos teóricos franceses, a expressão film noir se referia primordialmente a produções norte-americanas). Protagonizado por Roger Duchesne numa performance repleta de charme, o filme traz ainda a jovem Isabelle Corey como uma femme fatale (olha o francês aí de novo) absolutamente sedutora.

Admirado pelo pessoal da nouvelle vague, Melville (e este Bob, o Jogador em particular) acabou se tornando uma influência assumida para aqueles cineastas – e Godard, em especial, exibe seu fascínio pelo filme em seu próprio e seminal Acossado. Refilmado por Neil Jordan em 2002, como Lance de Sorte (The Good Thief, que trazia Nick Nolte como "Bob"), o longa de Melville permanece repleto de vitalidade e charme até hoje – e seu desfecho tremendamente irônico representa, por si só, um momento clássico da cinematografia francesa.

Dito isso, vamos à Cena Misteriosa #02:

 

O Poderoso Chefão 3

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Depois de ler, pela milésima vez, alguém dizer em um fórum de discussão que O Poderoso Chefão 3 é "ruim", acabei me sentindo compelido a desabafar e a fazer um veemente protesto contra esta afirmação que se transformou em lugar-comum e que é terrivelmente equivocada.

Assim, copio aqui o que publiquei no tópico em questão, na comunidade da SET no Orkut:

"É um saco, isso: toda vez que falam da trilogia O Poderoso Chefao,
alguém tem que dizer que o terceiro é ruim. E desculpem se agora vou
escrever sem o cuidado habitual, mas estou deixando a "revolta"
extravasar sem estrutura ou cuidados maiores com a qualidade do texto.

Pois
OPC3 não é um filme medíocre. Ao contrário, é fantástico, com uma trama
absurdamente corajosa que envolve um dos maiores podres da Igreja
Católica: a morte mais do que suspeita de João XXIII João Paulo I (João XXIII foi outro papa fantástico). E é fascinante
perceber como cabe aos Corleone defender o papa mais humano que a
Igreja produziu – e que por isso mesmo passou a ser odiado por seus
colegas.

Mas não é só isso: sem a terceira parte, o arco
dramático de Michael Corleone ficaria incompleto – e perceber como os
sacrifícios que fez pelo pai viriam a transformá-lo de sujeito
humanista a monstro é algo tocante, trágico. Da mesma forma, ao
percebermos como Vincenzo se revela um amálgama de Michael, Sonny e
Fredo, com um toque de estrategista digno de Vito, constatamos a
riqueza do personagem.

Agora… sim, é fato que Sofia Coppola é
péssima atriz. Inegável. Mas também é verdade que sua atuação não é
determinante para o sucesso do filme; ela importa apenas como
provocadora das reações de Vincenzo e Michael.

Além disso, sua
personagem é fundamental para completar a riqueza temática da trilogia,
que estabelece uma grande metáfora sobre os próprios Estados Unidos – e
a trajetória da Família Corleone reflete, em muitos aspectos, a
política norte-americana e sua posição diante do resto do mundo ao
longo dos anos, desde sua promessa de futuro para imigrantes
desesperados até a tragédia do Vietnã, passando pela Grande Depressão,
a Segunda Guerra e a relação conturbada com Cuba e o Comunismo.

O que nos traz a Mary Corleone. Pela primeira vez, depois de décadas
atacando seus inimigos, estabelecendo a regra do jogo e apresentando-se
como líderes das 5 Famílias (não é à toa que Michael mata todos os
rivais para estabelecer-se), o que acontece no terceiro filme?

Alguém
da família Corleone é morto. Um civil. E isso abala muito mais o grande
e indestrutível Michael do que qualquer outra coisa poderia fazer. Ao
assassinar, mesmo que equivocadamente, alguém da "população civil", os
rivais dos Corleone finalmente levam a guerra para dentro da Família,
provocando a queda definitiva de Michael, que jamais se recupera.

Ora… que evento similar da história norte-americana poderia ser evocado a partir deste incidente?

O 11 de Setembro.

Não
estou dizendo, obviamente, que Puzo e Coppola eram "profetas". Digo
apenas que a inteligência da dupla é tamanha que previram, neste filme,
algo que seria inevitável: com a crescente interferência
norte-americana em questões internas de outros países, é claro que mais
cedo ou mais tarde os próprios EUA experimentariam ataques em seu solo
e que sangue civil seria derramado.

E a morte de Mary é a
referência a isso. Uma referência que se provaria acurada 12 anos
depois, fechando com perfeição a forma com que a trilogia retrata um
século da política e da sociedade norte-americana.

Chamar "O
Poderoso Chefão 3" de "fraco" é demonstrar incapacidade de compreender
sua complexidade temática, sua discussão política, sua coragem temática
ao explorar a corrupção da Igreja Católica e, principalmente, seu
brilhantismo narrativo ao amarrar, com todo o cuidado, os arcos
dramáticos de todos aqueles personagens."

Charles Joffe

postado em by Pablo Villaça 5 comentários
Aumentando a lista de falecidos célebres do ano, Charles Joffe tinha 78 anos e foi produtor executivo de todos os filmes que Woody Allen dirigiu a partir de 1971, começando com Bananas e encerrando com o ainda inédito Vicky Cristina Barcelona.

Série Você em Cena #14

postado em by Pablo Villaça 83 comentários
O post anterior está pedindo, não? Então vamos lá: qual é o filme da sua vida? E por quê?

Os filmes de nossas vidas

postado em by Pablo Villaça 6 comentários

Roger Ebert pode até não ser o mesmo que era antes de suas múltiplas cirurgias (hoje ele tem uma tendência frustrante de gostar de quase tudo que vê), mas sua sensibilidade particular e seu olhar aguçado para a Humanidade se mantêm intocados. Há poucos minutos, ele publicou em seu blog (claro que assino o RSS) um post intitulado "Os filmes de nossas vidas" no qual discute, entre outras coisas, a maneira com que enxergou A Doce Vida, de Fellini, ao longo das décadas.

Traduzo:

"Vi A Doce Vida pela primeira vez em Londres, no verão de 1962, em um pequeno cinema no Piccadilly Square. Eu dei uma aula sobre ele, analisando-o quadro a quadro, na Universidade do Colorado, em Boulder, em 1972 e depois em 1982, 1992 e 2002, com um ano para mais ou para menos. Já o vi inúmeras outras vezes, mas aquelas exibições a cada década me ajudaram a medir a inexorável passagem do tempo.


Em 1962, Marcello Mastroianni representava tudo o que eu sonhava conseguir. Ele era um colunista de jornal; flertava com mulheres bonitas; ficava acordado a noite toda bebendo e festejando; percorria a cidade testemunhando incidentes interessantes; era um exausto (mas romântico) herói existencial.


Dez anos depois, ele representava o que eu tinha me tornado; ao menos até o limite em que Chicago oferecia as oportunidades de Roma. Dez anos depois disso, em 1982, ele era o que eu havia escapado de ser depois de ter parado de beber excessivamente e de destruir minha saúde. Em 1992, ele era um jovem impulsivo com uma fraqueza pelo romance. Já em 2002, era o herói de um filme clássico, com mais de 40 anos de existência, e que me obrigava a ensinar para o público as virtudes do preto-e-branco. A esta altura, Mastroianni estava morto.


E, ainda assim, o filme não mudou um quadro sequer em todos estes anos."

Belíssimo. E perfeito.

Inglorious Bastards

postado em by Pablo Villaça 19 comentários

A pergunta que fiz neste post foi respondida de cara pelo leitor Maurício Fonseca: os arquivos que recebi traziam o roteiro de Inglorious Bastards, novo projeto de Tarantino (que grafa o título como "BastErds"). Ainda não comecei a lê-lo, mas já vi que a divisão de capítulos de Kill Bill conquistou o cineasta, como comprovam as duas páginas iniciais abaixo.

 

 

Layout

postado em by Pablo Villaça 31 comentários
O que acham deste layout? Melhor ou pior do que o anterior que aqui estava? Deixo ou volto para o outro?
 
Update: Voltei temporariamente para o antigo. Durante os próximos dias, ficarei alternando entre os dois visuais e avaliando as respostas de vocês a cada um até optar pelo definitivo.

Presente na caixa de entrada

postado em by Pablo Villaça 8 comentários

Saí para uma consulta do pós-operatório e, ao retornar, um presente me aguardava em minha caixa de emails: dois arquivos em PDF intitulados "IB-QT-part1" e "IB-QT-part2". O assunto da mensagem: "Read it but don't send it to anyone else" (Leia, mas não mande pra mais ninguém.)

Alguém adivinha do que se trata? Wink

Cena Misteriosa #01

postado em by Pablo Villaça 22 comentários

Empolgado com o novo blog, ressuscito a brincadeira da Cena Misteriosa, que fazia parte do programa Cinema em Cena, na TV Horizonte – e, antes disso, das primeiras versões do site (quando se resumia apenas ao áudio e se chamava "Diálogo Misterioso"). Portanto, vamos lá: você sabe de qual filme a cena abaixo foi retirada? Respostas nos comentários.

 

Pergunta

postado em by Pablo Villaça 27 comentários

Ok, agora que tal ajudarem este velho blogueiro que nada entende das novas tecnologias que tanto elogiei no post anterior?

O que são estes "Kick it! |
DZone it! |
del.icio.us" que aparecem debaixo de cada post? Undecided