Cena Misteriosa #02

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema, Clássicos | 18 comentários

O primeiro leitor a acertar a brincadeira da Cena Misteriosa aqui no blog foi Alexandre R. Garcia, que identificou a cena #01 como tendo sido retirada do clássico francês Bob, o Jogador (Bob le flambeur), de 1956. Dirigido por Jean-Pierre Melville, que era fascinado pelo cinema norte-americano, Bob, o Jogador assume as convenções do noir embora as enriqueça com uma sensibilidade tipicamente francesa (para evitar confusão: ainda que tenha sido concebida pelos teóricos franceses, a expressão film noir se referia primordialmente a produções norte-americanas). Protagonizado por Roger Duchesne numa performance repleta de charme, o filme traz ainda a jovem Isabelle Corey como uma femme fatale (olha o francês aí de novo) absolutamente sedutora.

Admirado pelo pessoal da nouvelle vague, Melville (e este Bob, o Jogador em particular) acabou se tornando uma influência assumida para aqueles cineastas – e Godard, em especial, exibe seu fascínio pelo filme em seu próprio e seminal Acossado. Refilmado por Neil Jordan em 2002, como Lance de Sorte (The Good Thief, que trazia Nick Nolte como "Bob"), o longa de Melville permanece repleto de vitalidade e charme até hoje – e seu desfecho tremendamente irônico representa, por si só, um momento clássico da cinematografia francesa.

Dito isso, vamos à Cena Misteriosa #02:

 

O Poderoso Chefão 3

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Clássicos | 48 comentários

Depois de ler, pela milésima vez, alguém dizer em um fórum de discussão que O Poderoso Chefão 3 é "ruim", acabei me sentindo compelido a desabafar e a fazer um veemente protesto contra esta afirmação que se transformou em lugar-comum e que é terrivelmente equivocada.

Assim, copio aqui o que publiquei no tópico em questão, na comunidade da SET no Orkut:

"É um saco, isso: toda vez que falam da trilogia O Poderoso Chefao,
alguém tem que dizer que o terceiro é ruim. E desculpem se agora vou
escrever sem o cuidado habitual, mas estou deixando a "revolta"
extravasar sem estrutura ou cuidados maiores com a qualidade do texto.

Pois
OPC3 não é um filme medíocre. Ao contrário, é fantástico, com uma trama
absurdamente corajosa que envolve um dos maiores podres da Igreja
Católica: a morte mais do que suspeita de João XXIII João Paulo I (João XXIII foi outro papa fantástico). E é fascinante
perceber como cabe aos Corleone defender o papa mais humano que a
Igreja produziu – e que por isso mesmo passou a ser odiado por seus
colegas.

Mas não é só isso: sem a terceira parte, o arco
dramático de Michael Corleone ficaria incompleto – e perceber como os
sacrifícios que fez pelo pai viriam a transformá-lo de sujeito
humanista a monstro é algo tocante, trágico. Da mesma forma, ao
percebermos como Vincenzo se revela um amálgama de Michael, Sonny e
Fredo, com um toque de estrategista digno de Vito, constatamos a
riqueza do personagem.

Agora… sim, é fato que Sofia Coppola é
péssima atriz. Inegável. Mas também é verdade que sua atuação não é
determinante para o sucesso do filme; ela importa apenas como
provocadora das reações de Vincenzo e Michael.

Além disso, sua
personagem é fundamental para completar a riqueza temática da trilogia,
que estabelece uma grande metáfora sobre os próprios Estados Unidos – e
a trajetória da Família Corleone reflete, em muitos aspectos, a
política norte-americana e sua posição diante do resto do mundo ao
longo dos anos, desde sua promessa de futuro para imigrantes
desesperados até a tragédia do Vietnã, passando pela Grande Depressão,
a Segunda Guerra e a relação conturbada com Cuba e o Comunismo.

O que nos traz a Mary Corleone. Pela primeira vez, depois de décadas
atacando seus inimigos, estabelecendo a regra do jogo e apresentando-se
como líderes das 5 Famílias (não é à toa que Michael mata todos os
rivais para estabelecer-se), o que acontece no terceiro filme?

Alguém
da família Corleone é morto. Um civil. E isso abala muito mais o grande
e indestrutível Michael do que qualquer outra coisa poderia fazer. Ao
assassinar, mesmo que equivocadamente, alguém da "população civil", os
rivais dos Corleone finalmente levam a guerra para dentro da Família,
provocando a queda definitiva de Michael, que jamais se recupera.

Ora… que evento similar da história norte-americana poderia ser evocado a partir deste incidente?

O 11 de Setembro.

Não
estou dizendo, obviamente, que Puzo e Coppola eram "profetas". Digo
apenas que a inteligência da dupla é tamanha que previram, neste filme,
algo que seria inevitável: com a crescente interferência
norte-americana em questões internas de outros países, é claro que mais
cedo ou mais tarde os próprios EUA experimentariam ataques em seu solo
e que sangue civil seria derramado.

E a morte de Mary é a
referência a isso. Uma referência que se provaria acurada 12 anos
depois, fechando com perfeição a forma com que a trilogia retrata um
século da política e da sociedade norte-americana.

Chamar "O
Poderoso Chefão 3" de "fraco" é demonstrar incapacidade de compreender
sua complexidade temática, sua discussão política, sua coragem temática
ao explorar a corrupção da Igreja Católica e, principalmente, seu
brilhantismo narrativo ao amarrar, com todo o cuidado, os arcos
dramáticos de todos aqueles personagens."

Charles Joffe

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Personalidades | 5 comentários
Aumentando a lista de falecidos célebres do ano, Charles Joffe tinha 78 anos e foi produtor executivo de todos os filmes que Woody Allen dirigiu a partir de 1971, começando com Bananas e encerrando com o ainda inédito Vicky Cristina Barcelona.

Série Você em Cena #14

postado em by Pablo Villaça em Série Você em Cena | 83 comentários
O post anterior está pedindo, não? Então vamos lá: qual é o filme da sua vida? E por quê?

Os filmes de nossas vidas

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Clássicos | 6 comentários

Roger Ebert pode até não ser o mesmo que era antes de suas múltiplas cirurgias (hoje ele tem uma tendência frustrante de gostar de quase tudo que vê), mas sua sensibilidade particular e seu olhar aguçado para a Humanidade se mantêm intocados. Há poucos minutos, ele publicou em seu blog (claro que assino o RSS) um post intitulado "Os filmes de nossas vidas" no qual discute, entre outras coisas, a maneira com que enxergou A Doce Vida, de Fellini, ao longo das décadas.

Traduzo:

"Vi A Doce Vida pela primeira vez em Londres, no verão de 1962, em um pequeno cinema no Piccadilly Square. Eu dei uma aula sobre ele, analisando-o quadro a quadro, na Universidade do Colorado, em Boulder, em 1972 e depois em 1982, 1992 e 2002, com um ano para mais ou para menos. Já o vi inúmeras outras vezes, mas aquelas exibições a cada década me ajudaram a medir a inexorável passagem do tempo.


Em 1962, Marcello Mastroianni representava tudo o que eu sonhava conseguir. Ele era um colunista de jornal; flertava com mulheres bonitas; ficava acordado a noite toda bebendo e festejando; percorria a cidade testemunhando incidentes interessantes; era um exausto (mas romântico) herói existencial.


Dez anos depois, ele representava o que eu tinha me tornado; ao menos até o limite em que Chicago oferecia as oportunidades de Roma. Dez anos depois disso, em 1982, ele era o que eu havia escapado de ser depois de ter parado de beber excessivamente e de destruir minha saúde. Em 1992, ele era um jovem impulsivo com uma fraqueza pelo romance. Já em 2002, era o herói de um filme clássico, com mais de 40 anos de existência, e que me obrigava a ensinar para o público as virtudes do preto-e-branco. A esta altura, Mastroianni estava morto.


E, ainda assim, o filme não mudou um quadro sequer em todos estes anos."

Belíssimo. E perfeito.

Inglorious Bastards

postado em by Pablo Villaça em Variados | 19 comentários

A pergunta que fiz neste post foi respondida de cara pelo leitor Maurício Fonseca: os arquivos que recebi traziam o roteiro de Inglorious Bastards, novo projeto de Tarantino (que grafa o título como "BastErds"). Ainda não comecei a lê-lo, mas já vi que a divisão de capítulos de Kill Bill conquistou o cineasta, como comprovam as duas páginas iniciais abaixo.

 

 

Layout

postado em by Pablo Villaça em Administrativo | 31 comentários
O que acham deste layout? Melhor ou pior do que o anterior que aqui estava? Deixo ou volto para o outro?
 
Update: Voltei temporariamente para o antigo. Durante os próximos dias, ficarei alternando entre os dois visuais e avaliando as respostas de vocês a cada um até optar pelo definitivo.

Presente na caixa de entrada

postado em by Pablo Villaça em Variados | 8 comentários

Saí para uma consulta do pós-operatório e, ao retornar, um presente me aguardava em minha caixa de emails: dois arquivos em PDF intitulados "IB-QT-part1" e "IB-QT-part2". O assunto da mensagem: "Read it but don't send it to anyone else" (Leia, mas não mande pra mais ninguém.)

Alguém adivinha do que se trata? Wink

Cena Misteriosa #01

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa | 22 comentários

Empolgado com o novo blog, ressuscito a brincadeira da Cena Misteriosa, que fazia parte do programa Cinema em Cena, na TV Horizonte – e, antes disso, das primeiras versões do site (quando se resumia apenas ao áudio e se chamava "Diálogo Misterioso"). Portanto, vamos lá: você sabe de qual filme a cena abaixo foi retirada? Respostas nos comentários.

 

Pergunta

postado em by Pablo Villaça em Administrativo | 27 comentários

Ok, agora que tal ajudarem este velho blogueiro que nada entende das novas tecnologias que tanto elogiei no post anterior?

O que são estes "Kick it! |
DZone it! |
del.icio.us" que aparecem debaixo de cada post? Undecided