Cinema

A Feiura Está nos Olhos de Quem Vê

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Novos filmes, Política, Premiações e eventos | 2 comentários

“Há quanto tempo a gente não faz um bom filme no país?”, perguntou Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, em mais um ataque à indústria audiovisual da nação que deveria representar em vez de se preocupar apenas com os interesses e problemas de sua própria família cercada de acusações criminosas que vão de fraude a envolvimento com milicianos e assassinatos.

É uma boa pergunta. A resposta: provavelmente um ou dois dias, já que a produção cinematográfica brasileira vem atravessando um de seus melhores períodos – ao menos, até o momento, já que Bolsonaro parece determinado a destruí-la.

Mas posso ser mais específico. Só ESTE ANO, DOIS filmes brasileiros receberam prêmios importantes no mais prestigiado festival do mundo. Já no Festival de Brasília, que aconteceu no início do mês e no qual fiz parte do júri oficial, tivemos obras fantásticas como A Febre, Alice Junior, Rodantes, Um Filme de Verão, O Tempo que Resta e Batalha.

A indagação por sinal, fala tudo sobre Bolsonaro e nada sobre o Cinema brasileiro, que é um dos mais inventivos do mundo e reconhecido nos principais festivais. (Aliás, já tem filme nosso selecionado para a próxima Berlinale, que cobrirei.) Que um presidente ataque a produção cinematográfica do próprio país já é inacreditável; que demonstre uma ignorância tão grande quanto à qualidade desta, inaceitável e chocante. Bolsonaro é uma criatura orgulhosa da própria estupidez; sua tosquice está em seu DNA.

Já nosso Cinema tem puro talento no seu.

Aliás, uma pequena (e incompleta) lista de apenas alguns dos filmes brasileiros lançados em 2019 (no circuito ou em festivais) e que deveriam trazer orgulho a todos nós. Em ordem alfabética:

Alice Júnior
Anna
Bacurau
Batalha
Beco
Bixa Travesty
Breve Miragem de Sol
Chão
Chorão: Marginal Alado
A Cor Branca
Currais
Deslembro
A Febre
Fendas
Um Filme de Verão
Guerra de Algodão
Homem Livre
Indianara
No Coração do Mundo
Onde Quer Que Você Esteja
Organismo
Pacarrete
A Parte do Mundo que me Pertence
Pastor Cláudio
Rodantes
Siron – Tempo Sobre Tela
O Tempo que Resta
A Vida Invisível

Isso tudo EM 2019. Hollywood, que produz muito mais filmes anualmente, não gerou uma lista extensa, sólida e DIVERSIFICADA como esta. Mesmo. Vocês não vão encontrar dois filmes nesta lista que se pareçam um com o outro – estética ou tematicamente.

O Cinema brasileiro vai muitíssimo bem. Apesar dos nossos governantes.

Só não enxerga isso quem é muito vira-lata ou muito ignorante. Ou ambos.


A propósito: todos os gastos do Cinema em Cena com cobertura de festivais são bancados por mim mesmo – e o site também mantém colunistas remunerados, gerando empregos. Se quiser nos apoiar, agradeço imensamente; para saber mais, é só ir em http://www.catarse.me/cinemaemcena.

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Xenogenesis

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Foi com este curta-metragem que James Cameron deu início à sua carreira de diretor:

Hacking nos anos 80

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Supercut de cenas trazendo personagens hackeando feito loucos em filmes da década de 80.

A Ponte da Rua 6

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Uma ponte de Los Angeles, localizada na 6th Street, será demolida esta semana.

“E daí?”, você pode perguntar. “É só uma ponte de concreto.”

Sim. Mas uma ponte de concreto que os cinéfilos certamente reconhecerão como uma figurante de luxo em vários momentos icônicos do Cinema.

As superproduções de 2015 em formato Lego

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Bonitinho.

David Bowie, o ator

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Que carreira.

David Bowie: On Film from Drew Morton on Vimeo.

Breves Análises Pontuais Sobre Corpo Fechado e Meu Ódio Será Sua Herança

postado em by Pablo Villaça em Cenas em detalhe, Cinema, Cinema em seu máximo, cinemaemcena | 4 comentários

Esta semana, revi os dois filmes citados no título deste post e publiquei algumas observações no Twitter à medida que ia avançando na projeção. Para que não se percam, reproduzo-as aqui. Claro que as frases estão entrecortadas, pois foram escritas para o espaço diminuto daquela rede. Ainda assim, creio que podem despertar alguma reflexão sobre linguagem.

As duas cenas iniciais de Corpo Fechado demonstram por que Shyamalan era tão, mas tão bom: constroem tensão gradualmente, sem pressa. Na primeira, o uso do reflexo já introduz uma questão temática, além de ser eficiente do ponto de vista prático ao incluir muitos personagens. E introduz também o roxo como cor-chave de Elijah. Já a segunda, um longo take no trem, apresenta o protagonista como sujeito falho; tira a aliança pra flertar e tal. Aliás, os movimentos da câmera oscilando de um pra outro entre o encosto das poltronas são fantásticos. Criam uma atmosfera claustrofóbica, opressiva. E o design de som, que por duas vezes inclui ruído alto pra antecipar o desastre, é perfeito.

Na capa da HQ que desperta o interesse do Sr. Vidro por quadrinhos, o herói usa verde e amarelo. Mesmas cores-chave de Willis no filme. Uau. E aí, nesta cena, o carpete inclui as cores simbolicamente importantes dos dois personagens principais do filme.

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No curso, falo sobre a importância visual dos lados direito e esquerdo do quadro: o primeiro tende a ser mais forte que o segundo. Nesta cena, à medida que Willis confessa já ter ficado doente, expondo fragilidade, é deslocado da direita pra esquerda.

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Verde/amarelo; verde/amarelo. Roupas, pintura ao fundo, bebidas:

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Os toques amarelos do galpão. Adoro esses detalhes. Ah, Shyamalan, por que caiu tanto? :(((

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Todos os “vilões” na estação usam cores quentes (vermelho, amarelo, laranja).

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 Os letreiros finais, explicando o que houve com os personagens, são um erro grosseiro para um filme tão bom como Corpo Fechado. Mas taí um filme que eu gostaria de ver: Corpo Fechado 2.

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Revendo Meu Ódio Será Sua Herança. A cena da explosão da ponte é um exemplo preciso de por que os efeitos práticos são insuperáveis. Se rodado hoje em dia, o filme certamente “explodiria” a ponte em CGI (especialmente considerando a participação de humanos e cavalos). Mas há uma diferença, uma realidade no efeito prático, da explosão em locação, que o olho humano consegue identificar e dá peso à cena. Mas julguem vocês mesmos.

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Em cenas como esta, sempre me pergunto: será que sentiram que estavam filmando um momento que se tornaria clássico?

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Boa sorte ao tentar calcular quantas pessoas morrem ao longo de Meu Ódio Será Sua Herança. Meu chute? 732.

Algo que me fascina em Meu Ódio Será Sua Herança: como Sam Peckinpah frequentemente retrata crianças admirando ou praticando crueldades. É uma rima temática que Peckinpah inicia nos primeiros segundos do filme, quando vemos um grupo de crianças torturando um escorpião, segue quando vemos um garotinho (filho de Peckinpah) deslumbrado com a imagem de um homem sendo arrastado por um cavalo, continua com o garotinho que admira o tiroteio entre os homens de Pancho Villa e os de Mapache, passa à criança que “galopa” Angel e, claro, encerra  com o tiro desferido por um pequeno soldado.

A ideia por trás disso é clara e aborda a continuidade da violência de uma geração a outra, refletindo a eterna transmissão da brutalidade pela humanidade.

E que Peckinpah desenvolva um tema tão existencialmente complexo enquanto coreografa uma chacina é algo notável. Que diretor. Que filme.

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É isso. Ontem discuti Corpo Fechado na madrugada. Hoje, Meu Ódio Será Sua Herança. Amanhã será a vez de Alvin e os Esquilos, provavelmente.

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(Que tal me seguirem no twitter?)

A História do Futuro

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Como o Cinema enxergou o Futuro ao longo dos anos.

James Bond ou Jason Voorhees

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Supercut: 39 minutos com todas as pessoas que James Bond matou ao longo de cinco décadas.

Linhas Cruzadas

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Outro supercut que adorei.

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