Política

John McCain

postado em by Pablo Villaça em Política | 7 comentários

Depois de ler as sete partes da matéria sobre os bastidores das campanhas de Obama e McCain, devo reconhecer que fui injusto com este último. De acordo com os jornalistas da Newsweek, McCain seguiu a contragosto boa parte das sugestões dos estrategistas republicanos que conduziram sua campanha, buscando sempre argumentar quando recebia instruções para adotar uma postura negativa, de puro ataque.

É claro que, sendo o candidato, ele tinha poder de veto e preferiu não usá-lo, seguindo os conselhos dos (aí, sim) canalhas que o guiavam, mas é um alívio saber que ele ao menos ofereceu alguma resistência, fazendo jus ao homem admirado que foi até mesmo pelos liberais durante boa parte de sua carreira.

Pena que o McCain pós-2006 é quem provavelmente será lembrado pela posteridade.

O casamento entre homossexuais

postado em by Pablo Villaça em Política, Variados | 95 comentários

Ontem à noite, o âncora Keith Olbermann, da MSNBC, fez um comentário emocionante (e emocionado) sobre a aprovação da Proposta 8, que baniu o casamento entre homossexuais na Califórnia. É uma fala tão sensata e humana que não pude deixar de traduzi-la, mesmo que parcial e rapidamente, para postá-la aqui no blog ao lado do vídeo que traz o pequeno discurso de Olbermann. (Se quiser reproduzir a tradução em algum lugar, sinta-se à vontade – mas peço apenas que cite este blog como fonte, ok?)

“Alguns esclarecimentos, como prefácio: não é uma questão de gritaria ou política ou mesmo sobre a Proposta 8. Eu não tenho nenhum interesse pessoal envolvido, não sou gay e tive que me esforçar para me lembrar de um membro de minha imensa família que é homossexual. (…) E, apesar disso, essa votação para mim é horrível. Horrível. (…) Porque esta é uma questão que gira em torno do coração humano – e se isto soa cafona, que seja.

Se você votou a favor da Proposta 8 ou apóia aqueles que votaram ou o sentimento que eles expressaram, tenho algumas perguntas a fazer, porque, honestamente, não entendo. Por que isso importa para você? O que tem a ver com você? Numa época de volubilidade e de relações que duram apenas uma noite, estas pessoas queriam a mesma oportunidade de estabilidade e felicidade que é uma opção sua. Elas não querem tirar a sua oportunidade. Não querem tirar nada de você. Elas querem o que você quer: uma chance de serem um pouco menos sozinhas neste mundo.

Só que agora você está dizendo para elas: “Não!”. “Vocês não podem viver isto desta forma. Talvez possam ter algo similar – se se comportarem. Se não causarem muitos problemas.” Você se dispõe até mesmo a dar a elas os mesmos direitos legais – mesmo que, ao mesmo tempo, esteja tirando delas o direito legal que tinham (o do casamento civil). Um mundo em volta deste conceito, ainda ancorado no amor e no matrimônio, e você está dizendo para elas: “Não, vocês não podem se casar!”. E se alguém aprovasse uma Lei dizendo que você não pode se casar?

Eu continuo a ouvir a expressão “redefinindo o casamento”. Se este país não tivesse redefinido o casamento, negros não poderiam se casar com brancos. Dezesseis Estados tinham leis que proibiam o casamento inter-racial em 1967. 1967! Os pais do novo Presidente dos Estados Unidos não poderiam ter se casado em quase um terço dos Estados do país que seu filho viria a governar. Ainda pior: se este país não houvesse “redefinido” o casamento, alguns negros não poderiam ter se casado com outros negros. (…) Casamentos não eram legalmente reconhecidos se os noivos fossem escravos. Como escravos eram uma propriedade, não podiam ser marido e mulher ou mãe e filho. Seus votos matrimoniais eram diferenciados: nada de “Até que a morte os separe”, mas sim “Até que a morte ou a distância os separe”.

O casamento entre negros não era legalmente reconhecido assim como os casamentos entre gays (…) hoje não são legalmente reconhecidos.

E incontáveis são, em nossa História, os homens e mulheres forçados pela sociedade a se casarem com alguém do sexo oposto em matrimônios armados ou de conveniência ou de puro desconhecimento; séculos de homens e mulheres que viveram suas vidas envergonhados e infelizes e que, através da mentira para os outros ou para si mesmos, arruinaram inúmeras outras vidas de esposas, maridos e filhos – apenas porque nós dissemos que um homem não pode se casar com outro homem ou que uma mulher não pode se casar com outra mulher. A santidade do matrimônio.

Quantos casamentos como estes aconteceram e como eles podem aumentar a “santidade” do matrimônio em vez de torná-lo insignificante?

E em que isso interessa a você? Ninguém está te pedindo para abraçar a expressão de amor destas pessoas. Mas será que você, como ser humano, não teria que abraçar aquele amor? O mundo já é hostil demais. Ele se coloca contra o amor, contra a esperança e contra aquelas poucas e preciosas emoções que nos fazem seguir adiante. Seu casamento só tem 50% de chance de durar, não importando como você se sente ou o tanto que você batalhará por ele. E, ainda assim, aqui estão estas pessoas tomadas pela alegria diante da possibilidade destes 50%. (…) Com tanto ódio no mundo, com tantas disputas sem sentido e pessoas atiradas umas contra as outras por motivos banais, isto é o que sua religião te manda fazer? Com sua experiência de vida neste mundo cheio de tristeza, isto é o que sua consciência te manda fazer? Com seu conhecimento de que a vida, com vigor interminável, parece desequilibrar o campo de batalha em que todos vivemos em prol da infelicidade e do ódio… é isto que seu coração te manda fazer?

Você quer santificar o casamento? Quer honrar seu Deus e o Amor universal que você acredita que Ele representa? Então dissemine a felicidade – este minúsculo e simbólico grão de felicidade. Divida-o com todos que o buscam. Cite qualquer frase dita por seu líder religioso ou por seu evangelho de escolha que te comande a ficar contra isso. E então me diga como você pode aceitar esta frase e também outra que diz apenas: “Trate os outros como gostaria de ser tratado”.

O seu país – e talvez seu Criador – pede que você assuma uma posição neste momento. Um pedido para que se posicione não numa questão política, religiosa ou mesmo de hetero ou homossexualidade, mas sim numa questão de Amor. (…) Você não tem que ajudar ou aplaudir ou lutar por ela. Apenas não a destrua. Não a apague. Porque mesmo que, num primeiro momento, isto pareça interessar apenas a duas pessoas que você não conhece, não entende e talvez não queira nem conhecer, é, na realidade, uma demonstração de seu amor por seus semelhantes. Porque este é o único mundo que temos. E as demais pessoas também contam.”

Nos bastidores da campanha de Obama

postado em by em Política, Variados | 8 comentários

Uma equipe de jornalistas da Newsweek acompanhou os bastidores das campanhas de Obama e McCain durante o último ano, prometendo, em troca do acesso, aguardar as eleições para só então publicarem a matéria relatando o que observaram. A primeira das sete partes da série já pode ser lida aqui e oferece um retrato instigante sobre as inseguranças de Obama, sua relutância inicial em aceitar se candidatar, sua severa auto-crítica com relação à própria performance nos debates das prévias democratas e até mesmo relatos dos bastidores da fracassada campanha de Hillary Clinton (oferecendo, inclusive, explicações para o desastre em função das disputas internas dos acessores assessores (Embarassed) da senadora).

Se você tem facilidade com inglês, a matéria é imperdível.

Aqui estão os Capítulos 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Eleição nos EUA

postado em by Pablo Villaça em Política | 50 comentários
(00:35) A CNN acaba de projetar que Ohio, tão determinante na vitória de Bush em 2004, irá para Obama este ano. E nenhum republicano jamais foi eleito Presidente sem ganhar também em Ohio. Somada às vitórias (projetadas) de Obama na Pennsylvania e (possivelmente) Flórida, não há mais esperança para McCain e Palin!
 
(Meus posts durante a noite de eleição de 2004 estão – na ordem – aqui, aqui e aqui. Como é bom não ter que repetir a angústia daquela noite.)
 
(01:08) A CNN ainda não "deu" o Texas para Bush McCain (dá no mesmo), mas a MSNBC, sim. Isto já era esperado. Assim, os votos eleitorais se dividem entre Obama e McCain em 207-129 (a CNN ainda traz 207-95).
 
(01:11) Obama precisa de apenas mais 8 votos eleitorais para se tornar o próximo Presidente dos Estados Unidos. Por que oito? Porque o eleito precisa conquistar 270 votos eleitorais e Obama já tem 207. Porém, a Califórnia (e seus 55 votos) pertence a Obama, sem dúvida alguma, totalizando 262 votos. Restam oito, portanto (a Pensilvânia e Ohio fizeram uma imensa diferença, como podem ver).
 
(01:24) Uma outra disputa que desperta meu interesse é pelo senado em Minnesota, onde o comediante Al Franken (ex-roteirista do Saturday Night Live) pode derrubar o atual ocupante do cargo, o repulsivo republicano Norm Coleman. Minha admiração por Franken, que já era grande em função de sua atuação na ótima iniciativa do Air America Radio, cresceu ainda mais quando assisti ao bom documentário Al Franken: God Spoke, sobre o qual escrevi o seguinte:
 
"

A inteligência, o carisma e a presença de
espírito de Franken são notórios, assim como seu pavor à retórica da direita
norte-americana – algo que o filme ilustra de maneira burocrática. Além disso,
a falta de foco do documentário leva-o a parecer um mero instrumento de
propaganda, o que é lamentável."
 
Depois dizem que não consigo separar minha ideologia do meu papel como crítico…
 
(01:30) Esqueci que Washington também encerra sua votação ao mesmo tempo que a Califórnia. (Obrigado, Danilo!) E que tem direito a 11 votos no colégio eleitoral. E que é um Estado democrata.
 
Em outras palavras: a eleição já acabou. Barack Hussein Obama é o novo Presidente dos Estados Unidos.
 
Só falta McCain fazer seu "concession speech" (discurso de admissão da derrota).
 
(01:47) Adoro novas tecnologias – e o touch-screen gigante usado pela CNN é o tipo de brinquedinho que me faz salivar. Porém, há um limite entre o inovador e o patético. E a CNN acabou de cruzar este limite com a participação de um certo músico chamado Will.I.Am. Além de não fazer o menor sentido trazer a "sábia" participação de um "expert" como este, a emissora ainda está exibindo a conversa entre o artista e o âncora Anderson Cooper através de uma… simulação de holograma! E, para piorar, a legenda ainda anuncia, orgulhosa: "Will.I.Am via Holograma".
 
Oh, Deus…
 
(01:57) Em três minutos, as urnas fecham na Califórnia, no Havaí, em Idaho, em Oregon e em Washington. E, neste instante, Barack Obama será o novo Presidente dos EUA. Três minutos e a História será feita: um negro com sobrenome "Hussein" se tornará líder do país mais poderoso do mundo.
 
(02:00) Acabou. Presidente Barack Hussein Obama. Fim da era do genocida Bush e seus asseclas desprezíveis.
 
(02:19) John McCain está fazendo seu discurso admitindo a derrota. Ao mencionar Obama, o público começou a vaiar e McCain, obviamente constrangido, pediu que parassem – justamente a postura contrária daquela que demonstrou durante toda a campanha, quando pregou a intolerância e estimulou manifestações de ódio do tipo "Cortem a cabeça de Obama!", etc. Pena que agora seja tarde demais para evitar todo este ódio.
 
A propósito: não deixa de ser trágico que a avó de Obama, que praticamente o criou, tenha morrido na véspera da eleição que consagraria seu neto.
 
(02:23) Coleman ultrapassou Franken em Minnesota. Parece que a noite não será perfeita.
 
(02:34) Franken está ganhando novamente. Taí uma disputa que só será definida depois dos 99% de votos apurados.
 
(02:57) Barack Obama e sua família se apresentam diante do público enlouquecido, em Chicago. Que medo de vê-lo levando um tiro… (Sim, sou paranóico, mas a História dos Estados Unidos justifica este medo, não?)
 
(03:14) Um discurso elegante de Obama, mas contido demais, não? (E precisava do "God bless the United States of America", que ele evitou em toda a campanha?) A propósito: quando McCain deixou o palco depois de discursar e reconhecer sua derrota, a trilha de Maré Vermelha acompanhou sua saída.
 
Maré Vermelha. Um filme (sensacional, diga-se) sobre um veterano comandante branco que é deposto por um homem mais jovem que é idealista… e negro. E pensar que a escolha não foi proposital…
 
(03:16) Coleman voltou a ultrapassar Franken e está se distanciando. Além disso, a "Proposta 8", que bane o casamento homossexual, irá ser aprovada, provavelmente. Como disse antes, a noite não será perfeita.
 
Vou dormir.

Presidente Barack Hussein Obama?

postado em by Pablo Villaça em Política | 10 comentários
Hoje meu foco está completamente voltado para as eleições norte-americanas. O Firefox não sairá do Huffington Post em momento algum.

Obama x McCain Round 1

postado em by Pablo Villaça em Política | 17 comentários

Acabo de assistir ao primeiro debate entre Obama e McCain na CNN. Em primeiro lugar, o gráfico que a CNN colocou sob os candidatos, mostrando as reações em tempo real da platéia, foi de uma tremenda inutilidade. Dividindo os eleitores entre os registrados como republicanos, democratas e independentes, o gráfico previsivelmente oscilava de acordo com as preferências já pré-determinadas de cada grupo: quando McCain abria a boca, o gráfico vermelho ia para o alto e o azul, para baixo; mal Obama iniciava seus discursos, as linhas se invertiam. E os independentes se mantinham… bom, na média.

Com relação ao debate em si, é preciso reconhecer que McCain se saiu muito bem na primeira parte, conseguindo se distanciar da irresponsabilidade do governo Bush no que diz respeito ao colapso da economia norte-americana, o que é admirável, posto que ele consistentemente votou ao lado de Bush nos últimos oito anos. Além disso, Obama parecia evitar olhar diretamente para McCain mesmo quando o moderador insistia para que eles se confrontassem diretamente. Isto foi decepcionante, já que Obama teoricamente tinha muito mais respaldo para questionar McCain do que o contrário. Porém, quando a discussão se voltou para política externa, Obama finalmente encontrou seu chão e passou a demonstrar muito mais segurança do que McCain, que gaguejava repetidamente.

De modo geral, creio que o debate terminou empatado. Ainda assim, Obama demonstrou imensa ingenuidade ao tentar ser cordial e usar, em vários momentos, a expressão "o senador McCain está absolutamente certo quanto a isso, mas…". Não dou 24 horas para que o YouTube tenha um vídeo trazendo todas as vezes em que isso aconteceu, numa sugestão desonesta (mas eficaz) de que Obama admite a superioridade do oponente. Em contrapartida, McCain, muito mais escolado, repetia a frase "o senador Obama parece não entender que…", demonstrando conhecer bem como funciona uma eleição disputada como esta.

Agora estou ansioso para ver o debate entre a estúpida e despreparada Sarah Palin e o impulsivo e descuidado Joe Biden, na próxima semana.

Um comentário de homem bruto e estúpido: a esposa do McCain é uma tremenda MILF.

(A propósito: este blog está mesmo ficando velho. Há quatro anos, comentei os debates entre Kerry e Bush e Cheney e Edwards aqui, aqui, aqui e aqui.)

Update (em 28/09): O leitor Rafael Oliveira indicou o seguinte vídeo. Agora leiam o que eu disse mais acima. Eu sou um gênio? Não, de forma alguma (hum, ok. Eu sou, mas isso não vem ao caso. Tongue out). Barack Obama é quem foi extremamente ingênuo.

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