Política

Lei Rouanet – momento de mudanças

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Política, Variados | 15 comentários

(Subi esse post porque hoje é o último dia da consulta pública. E o abaixo-assinado continuará no ar.)

A Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet) foi e é, sem dúvida alguma, importantíssima na fomentação cultural em nosso país nos últimos anos – e não só no que diz respeito ao Cinema. Porém, é sempre importante aprendermos com nossos erros e afinarmos nossos mecanismos legais que tornam possíveis as produções de obras culturais. E o momento para que isto ocorra é agora, já que há em andamento (até amanhã, quarta) uma consulta pública para alterações na Lei Rouanet.

Passo a palavra ao meu querido Pedro Biondi, que escreveu um belíssimo post (como de costume) sobre o assunto – incluindo um link para um abaixo-assinado que poderia se beneficiar muitíssimo da sua assinatura.

"Caros,

fiz um texto sobre a proposta de mudança na Lei de Incentivo à
Cultura, mais conhecida como Lei Rouanet, que está em consulta pública até
depois de amanhã
(quarta, 6) e pode ser apoiada num abaixo-assinado
disponível na internet.

Nem todos os diretamente envolvidos — neste
caso, aqueles que trabalham com cultura ou curtem cultura, o que significa todos
nós aqui — percebem a importância de se manifestar num processo desses, de
política pública.
Em parte porque os canais de divulgação e participação são
sempre imperfeitos, em parte porque a atuação de muitos dos expoentes da nossa
classe política dá engulhos e afasta os cidadãos.

Mas a melhoria tanto
dos mecanismos legais com que contamos como do próprio funcionamento da política
depende do nosso envolvimento, da nossa contribuição, da nossa cobrança. E, por
isso, divido com vocês meus argumentos a favor da alteração dessa lei, que já
tem quase 18 anos. Estão aqui, em www.pedrobiondi.wordpress.com.

Botem
a boca no trombone, ou a mão no contrabaixo, grafitem sua opinião, elaborem um
cordel, peçam o microfone para fazer uso da palavra. Fiquem à vontade para
repassar a minha mensagem ou se contrapor a ela. Afinal, como lembra aquela
palavra de ordem: “Você aí parado/Também não é contemplado!/Você aí
parado/Também não é contemplado!”…

Pedro Biondi"

Ronald Reagan, o dedo-duro

postado em by Pablo Villaça em Personalidades, Política | 51 comentários

Durante a "caça às bruxas" anti-comunista liderada pelo repugnante senador norte-americano Joseph McCarthy, que destruiu as vidas e as carreiras de inúmeros atores, diretores e roteiristas, ninguém menos do que Ronald Reagan atuou como informante secreto do FBI, denunciando os colegas que ele considerava simpatizantes do comunismo. Sim, ele manifestava discordar das táticas do comitê liderado por McCarthy, mas isso não o impedia de atirar seus companheiros na fogueira.

E o mais revoltante? Na época, ele era presidente do Sindicato dos Atores e supostamente deveria defender os interesses da classe em vez de arruinar centenas de seus integrantes.

Que caráter!

Estupefato (e, conseqüentemente, novas regras)

postado em by Pablo Villaça em Política | 205 comentários

Este post começou como um comentário que iria publicar no post "A Folha se assumindo", mas, quando percebi, havia escrito uma espécie de resposta-desabafo que acabou virando outro post.

Ao ler mais um comentário agressivo publicado pelo leitor Leandro Firmino neste blog, finalmente sucumbi à curiosidade e, pela primeira vez desde que comecei a "blogar", fiz uma pesquisa no histórico de comentários de um indivíduo específico. E o que encontrei foi o seguinte (grifos meus):

"Pablo literalmente ñ sabe o conceito de genocídio, seria bom ele esquecer o que ouviu os vários personagens de Hollywood falar, e ler uns livros para não falar besteira, mas como ele é esquerdista, isto se torna quase impossível."

"Aqui Pablo demonstra como desconhece a Bíblia, e os preceitos básicos do Cristianimo, e como todo esquerdista cai de pau em cima de posturas mais religiosas, e se agarram a mediocridade de sua ideologia. (…) E quanto a presunçosa ironia com ares de profunda intelectualida, com a ignorância nata dos esquerdalhas, Deus criou sim os homossexuais, e não foi Xenu, porém, os dotou de LIVRE ARBITRIO, logo ele pode fazer o que quiser com seu orificio retal."

"Qualquer idiota hoje em dia critica a Igreja e os EUA, e por isso se passa facilmente por intelectual."

"Incrível como o Pablo não consegue diferenciar a prática homossexual, do INDIVÍDUO homossexual. Alguém que é contra atos homossexuais, não necessariamente abomina os homossexuais. E também não sabe o que é homofóbico."

"Deveriam fazer uma charge tb, do soldado Mario Kozel Filho, e do Capitão Chandler, ambos "justiçados" pela corja comunista."

"Fico com o pé atrás com essa notícia, para quem conhece o RJ, sabe que a Lapa de madrugada é um verdadeiro antro de gays, travestis, et caterva."

"A questão não é se os homossexuais devem casar ou não, e sim que tipo de família estaríamos construindo para o futuro da nação, com a autorização desse tipo de "matrímônio" (que nem pode ser chamado assim, pq matrimônio exige que se tenha uma mulher)."

"Homossexuais não devem se casar, pq abre um precedente sobre o tipo de família que estamos construindo. Não se pode inverter as leis que regem a humanidade, e que estão calcadas a milenios. Não existe debate para isso, da mesma forma que não existe refutação à família tradicional."

"Se realmente tudo que o Pablo escreveu nesse post quer dizer ao contrário. Realmente ele é muito ignorante. Acredito que no fundo esta seja a brincadeira do 1° de abril!!! Oremos para que sim!!"

"24 anos; funcionário da Oi; Licenciado e bacharelado em História; moro no Rio de janeiro".

Quando cheguei a este último comentário, em minha rápida pesquisa, quase caí para trás. A partir dos comentários anteriores, eu imaginava que se tratasse de um velho conservador, reacionário e estúpido que tivesse na religião sua fuga de uma realidade torpe e repleta de preconceitos.

Para meu espanto, descobri tratar-se de um jovem conservador, reacionário e que, mesmo com a bagagem proporcionada por um curso de História, parece ter na religião a fuga de uma realidade torpe e repleta de preconceitos.

Em seus comentários, Leandro constantemente refuta qualquer argumento contrário às suas crenças políticas, sociais e religiosas dizendo que o que diz "é fato" ou que "não há espaço para debates". Refere-se ao socialismo ou aos indivíduos de esquerda repetidamente como "corja", "canalhas" e usa mainardismos e azevedismos como "esquerdalha" e "petralha". Defendeu a postura do arcebispo que condenou o aborto feito na criança estuprada. Disse que os homossexuais não deveriam se casar.

E sempre faz questão de estabelecer como me julga ignorante, estúpido e ideologicamente corrompido.

Quando comecei este blog, não imaginei que fosse atrair esse tipo de gente. Não por uma necessidade de ter a aprovação alheia, já que sinto-me suficientemente firme e confortável em minhas convicções para dispensar esse tipo de coisa, mas por pura ingenuidade, mesmo: por acreditar que, numa sociedade moderna e tradicionalmente liberal como o Brasil (ao menos, em comparação com boa parte do mundo), a mentalidade do usuário típico de Internet, de um indivíduo que busca um site voltado ao Cinema e um blog de um crítico desta Arte, seria naturalmente mais avançada, menos preconceituosa ou, no mínimo, não tão tomada pela retórica reacionária de vermes como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo.

Mas não. Os mesmos órfãos da direita podre que gerou e idolatra as memórias da Ditadura se fazem presentes destilando seu constante veneno neste espaço. Continuam a manifestar o velho preconceito elitista contra Lula embora se beneficiem sem remorsos de seus quase sete anos de gestão brilhante que avançou os índices sociais e econômicos de um país tão carente de líderes que pensassem não apenas nos 5% mais ricos, mas também na maioria miserável.

Sejamos honestos: de onde vêm estas reclamações contra o governo Lula? O país está mal das pernas? As instituições estão paralisadas? Estão tomadas pela corrupção? Ora, denúncias gravíssimas de corrupção existem desde sempre (ou vocês ignoram que FHC pagou 200 mil dólares para cada deputado que votou pela reeleição ou que Marcos Valério foi criado por Eduardo Azeredo?) – a diferença é que, agora, há uma imensa liberdade de investigação, de apuração. O que os reacionários acusam como epidemia de corrupção (como se os oito anos de governo de FHC fossem limpíssimos) eu chamo de "sujeira finalmente vindo a público". Ótimo para o país. Ótimo para nossas instituições.

Mas não adianta. Sem argumentos, apenas com retórica, os velhos comentaristas insistem em interpretar tudo de maneira distorcida. Se linko para um post repleto de ironia sobre o respeito que Lula atingiu lá fora, eles resumem a conversa a um "contra-argumento" besta de que sentar-se ao lado da Rainha Elizabeth não é sinal de prestígio – como se o colunista em questão ou eu estivéssemos afirmando uma ingenuidade dessas em vez de apontarmos que o respeito com que Lula foi tratado lá fora é conseqüência de anos de uma política externa cuidadosamente construída e sedimentada à base de muita diplomacia e inteligência.

Não. Em vez disso, somos "a corja comunista". Estamos "destruindo o país". (E volto a perguntar: sejam sinceros e respondam o que de tão ruim vem acontecendo em seu estilo de vida. Como o governo Lula está destruindo sua família, seus negócios e sua Sociedade? É uma curiosidade autêntica.)

O que me traz de volta à virulência de Leandro Firmino. Imagine que toda vez em que você defendesse um ponto de vista, alguém parasse na sua frente e te chamasse de "estúpido", "ignorante", "imbecil" e usasse termos como "corja", "petralha" e "esquerdalha". O que você faria?

Duas opções: sentaria a mão na cara do sujeito ou lhe daria as costas, ignorando-o.

No passado, quando era um jovem impulsivo que freqüentemente se entregava a confrontos físicos, eu certamente me entregaria à "satisfação" do murro rápido e certeiro na base do nariz, aquele que acaba com a briga antes que esta comece (e como "ganhei" brigas assim, infelizmente). Graças ao fenômeno do envelhecimento, porém, descobri que esta "satisfação" é efêmera; chega ao fim no momento em que surge: num segundo, você aprecia o estrago que fez e se sente vingado; no seguinte, percebe que continua com raiva e que, na prática, provou apenas ser um indivíduo tão ou mais ignorante do que aquele que feriu. Você perdeu. E continua puto.

Não, não, não. Não há nada que dê mais satisfação do que ignorar aqueles que merecem ser ignorados. E, portanto, no cenário hipotético que estabeleci, eu daria as costas ao agressor e o deixaria falando sozinho.

Infelizmente, o que ocorre neste blog é que os agressores estão dentro da minha casa. Entraram graças à hospitalidade que ofereci ao deixar a porta aberta, mas, em vez de devolverem a cordialidade, passaram a quebrar os móveis, a cuspir no chão e a pichar as paredes.

Hora da purgação, cavalheiros. 

Há debates e há agressões. Se você entrou aqui, na minha casa, isto não o impede de expressar seus pontos de vista mesmo que estes destoem radicalmente dos meus. Mas você não se aproximaria de seu anfitrião para chamá-lo de "ignorante" e nem se referiria aos seus companheiros de ideologia como "corja". Por que aqui deveria ser diferente?

Pois não deveria e não será.

Então que fique claro: não serei mais tolerante com este tipo de ataque. Não permitirei que este blog se transforme em palco para discursos preconceituosos, raivosos, homofóbicos ou mainardistas. Argumentos são bem vindos; retórica, sofismas e falácias típicas da Folha e da Veja, não. Não gostou? Estou certo de que o blog de Reinaldo Azevedo estará de pernas abertas à sua espera.

Para o bem de minha saúde mental e emocional, não posso mais ficar impassível ao ver este blog ser tomado pelo tipo de discurso que cresci aprendendo a desprezar.

A Ditabranda

postado em by Pablo Villaça em Livros, Personalidades, Política | 8 comentários

No update que fiz no post passado, incluí link para a carta enviada por Antônio Espinosa para a Folha e na qual desmente as informações que a "jornalista" Fernanda Odilla publicou alegando tê-lo como fonte. Pois na carta Espinosa cita um "personagem" de meu livro "O Cinema Além das Montanhas", Carlos Alberto Soares de Freitas, e achei que valeria a pena copiar aqui o trecho relevante.

(Para quem não conhece a Coleção Aplauso, subsidiada pelo Governo de SP – daí o ótimo preço -, ela é sempre escrita na primeira pessoa, como se o autor do livro estivesse "encarnando" o biografado – no caso, o cineasta mineiro Helvécio Ratton.)

"EM 1970, RESOLVI QUE ERA HORA de deixar a organização e sair do país. Não era uma decisão fácil: mesmo que as coisas estivessem afundando e as perspectivas se tornando cada vez mais sombrias, era impossível deixar de se sentir como um traidor, como se estivesse abandonando os companheiros que estavam presos e sofrendo nos porões da ditadura. Havia um enorme peso moral em largar tudo.

Além disso, eu seria obrigado a me virar sozinho, já que a organização não possuía um esquema montado para retirar os militantes perseguidos do país; tirar as pessoas da luta não era uma prioridade – e eu não sabia por quanto tempo teria que ficar escondido e nem mesmo se conseguiria sair do Brasil. Finalmente, manifestei minhas intenções para o meu contato na Var-Palmares, o dirigente Carlos Alberto Soares de Freitas. Cerca de dez anos mais velho do que eu, Beto, um sujeito afável e interessante, era muito conhecido em Belo Horizonte, onde era dono de um bar famoso na Avenida Getúlio Vargas, quase com Avenida Afonso Pena. Eu e Beto tínhamos uma relação muito afetuosa: eu gostava imensamente dele e admirava sua inteligência.     A esta altura, ele já era um dos caras mais procurados do Brasil.

Quando expliquei que pretendia deixar o país, ele aceitou minhas ponderações de forma tranqüila, embora deixasse claro que discordava de minha decisão. Muito correto, me entregou algum dinheiro para que eu pudesse sobreviver por algum tempo e, assim, nos despedimos. Ele foi uma das últimas pessoas da organização com quem estive antes de sair. Menos de um ano depois, em 15 de fevereiro de 71, Beto foi preso ao lado de dois companheiros na pensão em que residia, em Ipanema. Levado para o DOI-CODI, foi torturado durante os 100 dias seguintes, sendo finalmente assassinado com vários tiros à queima-roupa. Seu corpo nunca foi encontrado. Em homenagem à mãe deste companheiro, que passou a manter o quarto do filho exatamente como ele deixara, Chico Buarque compôs Pedaço de Mim, na qual canta:

Ó pedaço de mim, ó metade arrancada de mim
Leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu".

A Folha se assumindo

postado em by Pablo Villaça em Política | 28 comentários

Outra dica da Débora Vieira.

Assustador: a Folha passou a usar o jargão empregado pela Ditadura para classificar seus oponentes como "terroristas" – aproveitando para rotular Dilma Roussef como tal no ano anterior às eleições. Uau.

Estou certo de que os direitistas-conservadores-reacionários que lêem este blog irão concordar com a pecha. Assim como certamente balançariam a cabeça, enojados, com os revolucionários-terroristas, caso vivessem naquele período durante o qual certamente elogiariam a "estabilidade econômica" proporcionada pelos militares (às custas de um terrível endividamento que nos atormentaria pelas décadas seguintes, mas e daí?).

Update: E para quem ainda quer defender a Folha, Antônio Espinosa, a fonte do artigo original da jornalista que tentou criar o link entre Dilma e o tal plano para seqüestrar Delfim, enviou uma carta à Folha desmentindo a repórter e denunciando-a por usar depoimentos fora de contexto para tentar criar um factóide contra a ministra. E a Folha, em vez de demitir a jornalista mentirosa, simplesmente se negou a publicar a carta do sujeito.

Fundo de Quintão

postado em by Pablo Villaça em Política | 28 comentários

De acordo com o jornal O Tempo, aqui de Minas Gerais, o candidato derrotado à prefeitura de BH, Leonardo Quintão, resolveu processar Tom Cavalcante pelo vídeo hilário que o comediante lançou dias antes da eleição e no qual satirizava o político. O que mais chamou minha atenção, porém, foi o fato de Quintão argumentar que Cavalcante debochou "do povo mineiro".

Para começo de conversa, me irrita profundamente essa tentativa de transformar seu próprio interesse em algo maior, como se tentasse defender a "honra" dos mineiros. Mas, mais do que isso, o revoltante é que foi o próprio Leonardo Quintão quem, ao decidir interpretar um tipo caipira durante a eleição, debochou de todo o Estado ao presumir que, encarnando um matuto, apelaria para a simpatia do povo ao despertar algum tipo de identificação. 

Talvez o eleitor mineiro é que devesse processá-lo.

 

Lula, um fracasso internacional

postado em by Pablo Villaça em Política | 52 comentários
A fracassada política externa de Lula. (Dica da querida ex-aluna Débora Vieira.)

Ressaca?

postado em by Pablo Villaça em Política, Variados | 16 comentários

Argh… que dor de cabeça pavorosa… O que aconteceu ontem? Lembro-me apenas de ter levantado no meio da noite, confuso e agitado, enquanto balbuciava algo do tipo "Preciso… mudança… tudo claro agora… sicofantas! O Pai-Nosso a vigário… Tyler! Rosebud… Rosebud!". Minhas memórias embaçadas ainda trazem vagas imagens sobre uma página azul, um texto escrito febrilmente e, então, a escuridão total e absoluta.

Só resta, agora, a dor de cabeça.

Enfim…

Recebi hoje a notícia de que os candidatos que eu apoiava para a eleição da OFCS venceram. Os três. Conseguimos, com isso, eliminar toda a diretoria antiga, que incluía um membro que estava no comando há sete anos. Ao longo da campanha e dos debates, ele chegou, aliás, a me enviar um email me ameaçando de expulsão caso eu insistisse nas críticas, mas, para seu azar, como um dos responsáveis por reescrever o estatuto há quatro anos, eu sabia que ele não tinha base alguma para isso e expus seu blefe – levando, em seguida, o caso a público nos fóruns da organização. Além disso, como falei neste post, ajudei os três candidatos que apoiava na concepção de sua estratégia, sugerindo, inclusive, que concorressem como uma chapa unica em vez de individualmente – ja que sabia que o antigo diretor certamente seria reeleito caso os votos se dividissem.

Ganhamos e, pela primeira vez em alguns anos, estou entusiasmado com o futuro da organização. Espero não estar equivocado.

A Luz

postado em by Pablo Villaça em Administrativo, Cinema, Clássicos, Luca & Nina, Música do dia, Novos filmes, Personalidades, Política, Série Musas | 129 comentários

 

 

Meninos, eu vi!

Eu vi a Luz. Finalmente, a Luz!

Não sei exatamente como isto ocorreu. Talvez eu tenha sido chamado de volta à realidade quando alguns leitores gentilmente apontaram que, apesar de me dizer esquerdista, eu comprei um iPhone. Ou talvez tenham sido os comentários de leitores como Joca e Jorel, que, antes considerados por mim como reacionários estúpidos, finalmente passaram a fazer sentido ao explicarem que a ditadura brasileira nos salvou de uma pior, de esquerda.

O fato é que eu vi. Ao acordar no meio da noite, suado e ansioso, percebi os erros em meu caminho. Chamem de epifania, inspiração divina ou isquemia cerebral, o fato é, meninos, que eu vi.

Vi o que o pastor Jorge Linhares queria dizer ao pregar que os homossexuais estavam destruindo a instituição do matrimônio. Como eu disse para minha mulher hoje cedo: "Você é fêmea, eu sou macho. É claro que é assim que as coisas devem funcionar. Agora vá fazer meu café enquanto explico para o Luca que é hora de parar com essas intimidades e de começar a me chamar de "senhor".". Se antes eu não enxergava isso, é porque estava com a visão embaçada pelo charme do liberalismo. Mas agora eu vejo claramente. E oro com devoção para que tenha me redimido a tempo de ser arrebatado ao lado de meus irmãos. E já comprei, feliz, o pacote que entregará meus documentos aos meus parentes infiéis que forem deixados para trás.

Vejo, meninos, que Dilma Roussef é uma assassina criminosa. Que deveria estar na cadeia, não no governo. Vejo que ter lutado contra a ditadura militar e a repressão era apenas mais uma prova de seu total divórcio da realidade; os revolucionários verdadeiros, aqueles que fizeram a diferença, foram aqueles que discursavam na academia, usando o charme de líder estudantil para pegar mulheres, e que rapidamente fugiram para o exterior quando as coisas ficaram feias – ganhando, com isso, o charmoso título de "exilados políticos" sem que de fato tivessem precisado fazer o trabalho duro contra os militares.

Vejo, meninos, que votarei em José Serra em 2010. Desde que ACM Neto não saia candidato, claro.

Mas vi mais: ao ler a Veja desta semana, que assinei ainda de madrugada apenas para poder acessar sua versão online na íntegra, constatei que a única forma de me manter realmente informado sobre o mundo seria assinando os blogs de Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi. Que, a partir de agora, chamarei de pastores. Como Jorge Linhares.

Vi que o layout avermelhado do Cinema em Cena e deste blog eram uma homenagem sutil ao comunismo, essa invenção maligna que gerou capetas como Che e Lula.

Vi que ser um adulto com contradições aparentes é um erro. O mundo é preto ou branco e, portanto, assim também devemos ser como indivíduos. Corrigir minhas idiossincrasias, limando-as em prol de uma identidade sem nuances é, agora, minha prioridade número um.

Ou melhor: dois. Porque minha prioridade imediata é assistir a uma sessão tripla de Vovó…zona, O Paizão e Gigolô por Acidente, dos gênios Lawrence, Sandler e Schneider.

Meninos, acreditem: eu vi.

Música do dia:

Comemorando a Ditabranda

postado em by Pablo Villaça em Política | 33 comentários
Muitos leitores têm me pedido comentários sobre a comemoração que um grupo de militares planejou para os 45 anos do golpe de 64, mas… o que posso dizer? Há certas sandices que não merecem ou precisam de comentário. Uma coisa é um dos principais jornais do país publicar um editorial minimizando a barbárie à qual fomos submetidos naqueles anos; outra é um grupo de velhinhos reacionários com espírito de ditadores celebrando seus tempos de glória. Que falem sozinhos e batam com as mãos ensangüentadas uns nas costas dos outros.