The Strain

Terminei de ler ontem o livro "The Strain", co-escrito por Chuck Hogan e pelo cineasta Guillermo del Toro. Poucas vezes levei tanto tempo para ler um livro, já que comecei na viagem para Los Angeles, em 25 de julho, chegando ao fim apenas um mês depois. Porém, que isto não soe como crítica à obra; eu realmente tenho tido pouquíssimo tempo para dedicar a atividades não relacionadas a trabalho. Espero mudar isso logo.
 
Seja como for, "The Strain" (que no Brasil ganhou o péssimo título "Noturno") é uma história de vampiros bem contada que remete diretamente ao maravilhoso livro do irlandês Bram Stoker – não apenas em sua trama principal, mas também na composição dos personagens. Se Stoker criou, por exemplo, um grupo de heróis composto por um estrangeiro especialista em vampiros (Van Helsing), um corretor de imóveis, um médico, um "cowboy" e uma bela jovem (Mina), Hogan e del Toro repetem a fórmula com um professor estrangeiro especialista em vampiros (Setrakian), um epidemiologista, um exterminador de ratos com sensibilidade "cowboy" e, claro, uma bela jovem (Nora, que também é epidemiologista). Da mesma maneira, se o romeno Dracula cruzava os mares em seu caixão transportado por um navio, exterminando a tripulação no caminho, aqui o polonês Surdu cruza os mares em seu caixão transportado por um avião, exterminando passageiros e tripulação no caminho. As referências surgem até mesmo em nomes de personagens secundários: Renfield, por exemplo, ganha uma homenagem no capitão Redfern, e assim por diante.
 
Dito isso, "The Strain" está longe de ser apenas uma releitura sem criatividade de "Drácula". Primeiro livro de uma trilogia, ele estabelece bem as bases da trama, apresentando de forma interessante os principais personagens e suas motivações – e a maneira com que salta constantemente de uma figura a outra lembra, também, a estrutura imaginativa que Stoker usou em seu livro, embora Hogan e del Toro mantenham sempre o tradicional narrador em terceira pessoa, ao contrário do que fazia o irlandês (sempre me espanto como "Drácula" é levado pouco a sério por amantes da literatura; o que Stoker fez naquele trabalho, em termos de estrutura, é simplesmente maravilhoso).
 
Já no que diz respeito ao estilo, "The Strain" é apenas adequado. Hogan (que, imagino, tenha sido o principal responsável pela elaboração do texto em si) não é um escritor dos mais sofisticados, embora, aqui e ali, tome algumas liberdades que agradam pela surpresa (como, por exemplo, ao ilustrar a velocidade e a raiva do ataque feito por Eph a um vampiro ao descrevê-la com a frase "KnifeKnifeKnifeKnifeKnifeKnife"). Na maior parte do tempo, contudo, ele faz um trabalho burocrático, mas não deficiente.
 
É uma boa leitura e confesso que fiquei curioso para ler os dois episódios seguintes da trilogia, que serão lançados em 2010 e 2011.
 
"The Strain"
Editora William Morrow (HarperCollins), 2009
401 páginas
postado em by Pablo Villaça em Livros

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