Mais sobre a baianidade

Desci para o café da manhã ontem e, enquanto olhava a mesa com as opções, a dona da pousada, Marlusa*, se aproximou:

– Ei, Pablo. Bom dia!

– Bom dia.

– Quer que faça uns ovos mexidos pra você?

– Acho que não, obrigado. Na verdade, não gosto muito de comer logo quando acordo.

Ela olhou para mim com seriedade:

– Rapaz, reflita! O café da manhã é a refeição mais importante do dia!

Sorri. Em que outro lugar do país a dona de um estabelecimento tentaria te convencer a solicitar que ela fosse para a cozinha preparar algo?

– Você tem razão. Mas vou comer algo aqui da mesa, mesmo, não precisa se preocupar.

– Então tá bom. Você quer se sentar aqui dentro ou lá na varanda?

– Na varanda.

– Ah, faz muito bem! Porque com essa vista, não tem nem como ficar de mau humor, né? Você pode estar preocupado, chateado, aborrecido, que é só dar uma olhada pra esse mar lindo que tudo passa! – e olhando para a mesa – Não deixa de provar as geléias de tamarindo e de jaca, não, viu? A gente mesmo é que faz!

(* Para quem perguntou: a pousada em questão é a Casa Vila Bela, que fica na Rua do Carmo, no Pelourinho. O nome de sua dona não é Marlusa; criei outro por não saber se ela gostaria de ter seu nome exposto aqui no blog.)

Vale dizer, aliás, que a simpatia dos baianos também se mostrou presente na organização do Ciclo Salvador de Cinema: poucas vezes fui tão bem tratado pelos produtores de um evento. Aproveito para deixar aqui um imenso abraço aos novos amigos Rodrigo, Pedro, Rubão e Rey, da produtora Domínio Públi(c)o, que foram simplesmente sensacionais.

postado em by Pablo Villaça em Premiações e eventos, Viagens

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