Filmes + Filmes + Filmes

Filmes que vi (ou revi) recentemente:

Sua Última Façanha (Lonely Are the Brave, EUA, 1962. Dir: David Miller. Com: Kirk Douglas, Walter Matthau, Gena Rowlands, Michael Kane, Carroll O’Connor, William Schallert, George Kennedy, Bill Bixby.) – Douglas oferece uma atuação curiosamente divertida, mas o roteiro de Dalton Trumbo (normalmente um mestre) fracassa ao se concentrar na longa perseguição em vez de fornecer elementos para que possamos comprender melhor as motivações do protagonista. (2 estrelas em 5)

Adorável Vagabundo (Meet John Doe, EUA, 1941. Dir: Frank Capra. Com: Gary Cooper, Barbara Stanwyck, Walter Brennan, Edward Arnold, James Gleason, Irving Bacon.) – Além de trazer aquela que é provavelmente a pior cena dirigida por Capra em sua carreira (o monólogo de Regis Toomey na prefeitura), o filme é um água com açúcar repleto de diálogos patriotas/cristãos patéticos, artificiais e piegas. (1 estrela em 5)

As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath, EUA, 1940. Dir: John Ford. Com: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, Russell Simpson, O.Z. Whitehead, Dorris Bowdon, Charley Grapewin, John Qualen, Zeffie Tilbury, Frank Darien.) – John Ford transforma a trajetória da família Joad em um poderoso manifesto político que, quase 70 anos depois, mantém-se tragicamente atual. (5 estrelas em 5)

Zulu (Idem, Inglaterra, 1964. Dir: Cy Endfield. Com: Stanley Baker, Michael Caine, James Booth, Nigel Green, Jack Hawkins, Ulla Jacobson, David Kernan, Joe Powell e narração de Richard Burton.) – Responsável por lançar a carreira de Caine, o filme merece créditos também por evitar retratar os zulus como caricaturas selvagens, mas, mesmo que seja hábil ao criar uma atmosfera de urgência e desespero, acaba tornando-se longo demais. (3 estrelas em 5)

A Última Sessão de Cinema (The Last Picture Show, EUA, 1971. Dir: Peter Bogdanovich. Com: Timothy Bottoms, Jeff Bridges, Cybill Shepherd, Ben Johnson, Cloris Leachman, Ellen Burstyn, Eileen Brennan, Clu Gulager, Sam Bottoms, Randy Quaid.) – Em seu momento mais sólido como diretor (numa carreira que se auto-destruiria pouco depois), Bogdanovich cria um monumento à melancolia. (5 estrelas em 5)

Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives, EUA, 1946. Dir: William Wyler. Com: Dana Andrews, Fredric March, Harold Russell, Myrna Loy, Teresa Wright, Virginia Mayo, Cathy O’Donnell, Hoagy Carmichael, Gladys George,.) – Este belíssimo estudo sobre as seqüelas sociais e psicológicas da guerra (para não mencionar as físicas) permanece atual mais de 60 anos depois de seu lançamento, impressionando não só pelas atuações (Russell é fantástico), mas também pelo virtuosismo estético. (5 estrelas em 5)

Vinícius (Idem, Brasil/Espanha, 2005. Dir: Miguel Faria Jr. Com: Camila Morgado, Ricardo Blat, Chico Buarque, Gilberto Gil, Ferreira Gullar, Caetano Veloso, Edu Lobo, Toquinho, Maria Bethânia, Tônia Carrero, Miúcha.) – Ainda que sua estrutura seja excessivamente tradicional (o que não condiz com a versatilidade de seu protagonista), o filme é didático, poético e passional na medida certa. (5 estrelas em 5)

Orfeu Negro (Idem, França/Brasil/Itália, 1959. Dir: Marcel Camus. Com: Breno Mello, Marpessa Dawn, Léa Garcia, Lourdes de Oliveira, Adhemar Ferreira da Silva.) – O belo conceito de Vinícius e a magnífica música de Tom Jobim não conseguem salvar este filme que, apesar de esteticamente impecável (ou talvez por isso), confunde alegoria e caricatura. (3 estrelas em 5)

Dois Heróis Bem Trapalhões (Crimewave, EUA, 1985. Dir: Sam Raimi. Com: Reed Birney, Louise Lasser, Brion James, Paul L. Smith, Edward R. Pressman, Bruce Campbell, Richard Bright, Frances McDormand, Ted Raimi, Ethan Coen, Joel Coen.) – Raimi exibe a mesma energia ensandecida de Evil Dead, arrancando algumas risadas justamente graças ao volume e ao histrionismo de sua direção (e também, em parte, em função do roteiro amalucado dos irmãos Coen). (3 estrelas em 5)

O Outro Lado da Cidade Proibida (Dong gong xi gong, China, 1996. Dir: Zhang Yuan. Com: Han Si, Hu Jun, Ye Jing, Zhao Wei.) – Sua inegável relevância política e social (especialmente à época de seu lançamento) infelizmente não se traduz em qualidade narrativa. (2 estrelas em 5)

A Dama Oculta (The Lady Vanishes, Inglaterra, 1938. Dir: Alfred Hitchcock. Com: Margaret Lockwood, Michael Redgrave, Paul Lukas, Dame May Whitty, Cecil Parker, Linden Travers, Naunton Wayne, Basil Radford.) – Mais interessado em explorar a inabalável fleuma britânica como fonte de humor do que em realmente criar um suspense intrigante, este é um dos últimos exemplares da primeira fase da carreira de Hitchcock e diverte mais do que impressiona. (3 estrelas em 5)

Desencanto (Brief Encounter, Inglaterra, 1945. Dir: David Lean. Com: Celia Johnson, Trevor Howard, Stanley Holloway, Joyce Carey, Cyril Raymond, Everley Gregg.) – Responsável pela primeira das sete indicações de Lean ao Oscar de Direção, este drama retrata seu par romântico com sensibilidade e complexidade (especialmente para a época), pecando apenas pela insistência em introduzir diversas cenas de alívio cômico conduzidas por Holloway e Carey. (4 estrelas em 5)

Um Crime de Mestre (Fracture, EUA/Alemanha, 2007. Dir: Gregory Hoblit. Com: Ryan Gosling, Anthony Hopkins, Embeth Davidtz, Rosamund Pike, David Strathairn, Billy Burke, Cliff Curtis, Fiona Shaw, Bob Gunton, Xander Berkeley, Zoe Kazan.) – Um thriller bem realizado que abusa do talento da dupla principal para tentar se diferenciar de tantos outros exemplares do gênero. E quase consegue. (3 estrelas em 5)

Os Gritos do Silêncio (The Killing Fields, Inglaterra, 1984. Dir: Roland Joffé. Com: Haing S. Ngor, Sam Waterston, John Malkovich, Craig T. Nelson, Julian Sands, Spalding Gray, Bill Paterson.) – Se a primeira metade impressiona pelo virtuosismo técnico, a segunda fascina pela coragem em observar sem sensacionalismo a magnífica força de vontade de um sobrevivente, beneficiando-se ainda da maravilhosa performance semi-auto-biográfica de Ngor. (4 estrelas em 5)

Hitman – Assassino 47 (Hitman, EUA/França, 2007. Dir: Xavier Gens. Com: Timothy Olyphant, Dougray Scott, Olga Kurylenko, Robert Knepper, Ulrich Thomsen, Henry Ian Cusick, Michael Offei.) – Olyphant faz o possível com um personagem unidimensional por natureza, mas o roteiro absurdo e a direção frágil de Gens, que parece acreditar que cortes rápidos substituem arcos narrativos, impedem que o filme seja mais do que algo com cheiro de produção feita diretamente para (1 estrela em 5)

Blowup – Depois Daquele Beijo (Blowup, Inglaterra, 1966. Dir: Michelangelo Antonioni. Com: David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles, John Castle, Jane Birkin, Gillian Hills, Peter Bowles.) – O rigor estético aqui exibido por Antonioni, somado à excepcional montagem de Frank Clarke, à bela fotografia de Carlo Di Palma e à atuação inspirada de Hemming, garante ao filme um vigor e um charme que só crescem com o tempo. (5 estrelas em 5)

Performance (Idem, Inglaterra, 1970. Dir: Donald Cammell, Nicolas Roeg. Com: James Fox, Mick Jagger, Anita Pallenberg, Michèle Breton, Ann Sidney, John Bindon, Johnny Shannon, Kenneth Colley.) – Em sua estréia como ator, Jagger surpreende pela intensidade e expressividade, ao passo que Fox, um intérprete já consagrado à época, impressiona pela coragem em protagonizar um filme que retratou como poucos a insanidade da Londres daquele período. (4 estrelas em 5)

Narradores de Javé (Idem, Brasil, 2003. Dir: Eliane Caffé. Com: José Dumont, Nelson Xavier, Nelson Dantas, Gero Camilo, Matheus Nachtergaele, Rui Rezende, Luci Pereira.)Crítica no Cinema em Cena. (5 estrelas em 5)

A Doce Vida (La Dolce Vita, Itália, 1960. Dir: Federico Fellini. Com: Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Anouk Aimée, Yvonne Furneaux, Magali Noel, Alain Cuny, Annibale Ninchi, Walter Santesso.) – Mágico e inesquecível, representa não apenas um fascinante estudo de personagem, mas também um mergulho dilacerante na fragilidade humana. E se Mastroianni aqui oferece sua performance definitiva, Ekberg tornou-se, para sempre, uma das maiores personificações de sensualidade oferecidas pelo Cinema. (5 estrelas em 5)

The Alphabet Killer (Idem, EUA, 2008. Dir: Rob Schmidt. Com: Eliza Dushku, Cary Elwes, Timothy Hutton, Michael Ironside, Tom Malloy, Bill Moseley, Carl Lumbly, Melissa Leo, Tom Noonan, Martin Donovan.) – Chega a impressionar que, em meio a tantos elementos desastrosos, a atuação de Eliza Dushku (que também co-produziu o longa) seja inegavelmente a pior coisa do filme. (1 estrela em 5)

Sedução e Vingança (Ms .45, EUA, 1981. Dir: Abel Ferrara. Com: Zoë Lund, Albert Sinkys, Darlene Stuto, Helen McGara, Nike Zachmanoglou, Abel Ferrara, Peter Yellen, Editta Sherman, Jack Thibeau.) – Tolo em sua obviedade temática e narrativa, surge como uma submistura de Taxi Driver e Desejo de Matar, transformando uma ode feminista num exercício paradoxalmente misógino e pueril. (2 estrelas em 5)

Ghost Town – Um Espírito Atrás de Mim (Ghost Town, EUA, 2008. Dir: David Koepp. Com: Ricky Gervais, Téa Leoni, Greg Kinnear, Alan Ruck, Aasif Mandvi, Bridget Moloney, Kristen Wiig, Dana Ivey.) – Gervais, Leoni (adorável) e Kinnear estabelecem uma boa dinâmica, elevando o roteiro convencional e divertindo mais do que o material conseguiria naturalmente. (3 estrelas em 5)

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes

22 Respostas para Filmes + Filmes + Filmes

Adicionar Comentário