Marco Ribeiro

O leitor Marcelo Cunha me enviou o seguinte texto publicado por Marco Ribeiro em fóruns e outros espaços na Internet:

"Alguns criaram uma polêmica sobre este assunto. Li coisas na Internet
que demonstram que as pessoas pregam a liberdade de expressão sim, mas
desde que todos pensem como elas pensam. ui ofendido, inclusive com
raciscmo, isto sim é preconceito. Se eu não fosse Cristão e Pastor isto
teria gerado tanta polêmica? Acho que não… onde está o preconceito
afinal? Não há mais liberdade de escolha? Direito de ir e vir? Existem
mais de 40 Milhões de Evangélicos no Brasil, será que eles também não
sentiram-se ofendidos com estas manifestações de hostilidade gartuitas?

Abaixo
a resposta por e-mail que dei ao Sr. Silas da Folha e foi só isso que
falei oficialmente… por que as pessoas só retiram do texto o que lhes
convém?

Fiquem com Deus.

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Olá Silas. Obrigado por seu e-mail. É uma pena que eu não possa acrescentar muito à sua reportagem.

Li
o Blog do Sr. Tony Goes. Respeito a opinião dele e dos Internautas
mesmo sendo por vezes ásperas e demonstrando um certo desconhecimento
do que é ser Evangélico, mas dou graças a Deus pois vivemos em um País
democrático onde podemos expressar nossas opiniões e posições
livremente e onde a Imprensa é Livre e a Internet também é livre.

Tudo
o que tenho a declarar é que não tenho preconceito de nenhuma espécie,
até por que preconceito vai contra os princípios do Evangelho pregado
por Jesus Cristo, Evangelho este o qual creio e Proclamo, Evangelho
este que também diz que não devemos julgar as pessoas para não sermos
julgados e Evangelho este que nos leva a verdadeira liberdade a qual um
homem chamado Jesus proclamou há mais de 2000 anos.

Mais uma vez me desculpe e obrigado por sua atenção e por seu tempo.

Deus abençoe a sua vida.

Marco Ribeiro"


Bom, não sei de onde o direito de "ir e vir" entra na discussão, já que, pelo que eu saiba, ninguém proibiu Ribeiro de ir a lugar algum. Porém, compreendo por que ele incluiu esta pergunta em seu texto: quando estamos desesperados e não sabemos muito bem como guiar nossa defesa, temos a tendência de incluir qualquer coisa em nossa argumentação a fim de "enriquecê-la", torná-la mais "encorpada" – e, assim, considero a questão do "ir e vir" como um sintoma de que Marco Ribeiro não sabia exatamente como conciliar racionalmente sua defesa e seu instinto preconceituoso contra os homossexuais. (Acho curioso, da mesma forma, como ele se trai ao dizer que foi vítima de racismo e que "isso sim é preconceito" – como se a homofobia não o fosse).

Creio ser importante, também, esclarecer (como se isto fosse necessário) que não critiquei o "direito de expressão" de Marco Ribeiro: se ele não gosta dos gays (e não gosta, por mais que tente dizer o contrário, já que os classificou como ferramentas de uma "distorção do que Deus considera como família"), este é um direito dele. É estupidez, é sinal de uma mente atrasada e preconceituosa, é repulsivo, mas um direito dele.

Porém, ao se recusar a dublar Sean Penn, Marco Ribeiro saiu da esfera da "opinião" e se manifestou publicamente contra o filme e sua mensagem, querendo ou não. E isto o tornou um alvo aceitável para protestos como o que fiz em minha crítica. Como vários leitores argumentaram no primeiro post dedicado a este assunto, por que Ribeiro, em sua posição de "pastor evangélico", jamais se recusou a dublar assassinos, indivíduos violentos, corrompidos ou mesmo personagens de animações que trazem tons excessivamente cruéis para as crianças que as assistem? Nada disso vai de encontro à sua Fé, ao seu Evangelho? Defender a causa gay é mesmo pior do que cometer um assassinato frio e premeditado?

E por que dublar personagens afeminados que se tornam, assim, alvo de risos é algo aceitável, mas não um homossexual multifacetado e com uma história trágica e real?

O que mais me incomoda, revolta e enoja na postura de Marco Ribeiro é perceber como ele torna pública sua rejeição à homossexualidade ao mesmo tempo em que tenta posar de bom moço, como se fosse um homem tolerante e sem preconceitos. Quer agradar à sua base evangélica sem hostilizar aqueles que condenam a homofobia. Esta hipocrisia não só é repulsiva, como também perigosa. 

Não se trata, repito, de uma simples questão de "ter direito" de odiar os gays, mas sim de agir no sentido de transformar esta opinião numa condenação pública da homossexualidade.

E já que Marco Ribeiro preza tanto o modo de vida "macho", lanço aqui um desafio: seja "homem", senhor Ribeiro, e assuma publicamente sua opinião. É impossível negar-se a dublar um ativista gay por razões "religiosas" e ainda tentar alegar que não tem preconceitos. Harvey Milk foi "homem" (no sentido "machão", caricatural, da palavra) ao defender publicamente o que acreditava. Já que o considera indigno de receber sua voz, prove ao menos que tem a coragem similar para defender aquilo que acredita.

Pior do que um homófobo é um homófobo hipócrita.

postado em by Pablo Villaça em Política, Variados

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