Filmes do Oscar

Frost/Nixon é um bom filme, mas nada mais. Frank Langella e Michael Sheen estão impecáveis, mas o falso formato documental, com entrevistas feitas com os personagens-atores, me incomodou bastante. É um bom embate psicológico e Langella, mesmo não parecendo em nada com Nixon, acaba incorporando o personagem de tal maneira que merece aplausos – e, sim, uma indicação ao Oscar – especialmente pela vulnerabilidade que traz ao papel. Sheen também encontra um ótimo equilíbrio entre a irreverênciae a seriedade, mas, assim como aconteceu em A Rainha, ele provavelmente será esquecido por servir de escada para uma performance mais chamativa. Não acho que esteja entre um dos melhores filmes do ano, mas é uma boa producão.

The Wrestler é belíssimo. Com uma abordagem intimista, Darren Aronofsky mantém a câmera sempre na mão enquanto segue o protagonista de perto. E se Marisa Tomei está linda como sempre (e que corpo! Que corpo!), Evan Rachel Wood surge intensa e comovente em suas poucas cenas, comunicando todo um mundo de ressentimentos em apenas alguns minutos.

Mas Mickey Rourke… uau. Sempre fui fã confesso desse ator brilhante (sua performance em Coração Satânico merecia todos os Oscars do mundo), mas o que ele faz em The Wrestler é de partir o coração, já que, de maneira muito óbvia, ele está interpretando uma versão de si mesmo: um astro acabado, esquecido, odiado, que tenta voltar ao topo em uma última chance. O problema é que seu lutador é um homem de natureza auto-destrutiva – tornando-se, assim, seu próprio antagonista neste drama doloroso e sensível. Espero sinceramente que o erro de Coração Satânico seja corrigido agora. Sim, sou fã incondicional de Sean Penn, que considero o melhor ator de sua geração (poderia ser Rourke, caso este tivesse mantido sua carreira nos eixos e feito filmes que explorassem seu potencial) e acho que seu trabalho em Milk é maravilhoso, mas… Rourke merece a estatueta esse ano.

Para finalizar, vi também Wendy & Lucy, que pode render uma indicação a Michelle Williams. É um filme simples, muito simples, com uma história ainda mais: são basicamente 80 minutos que mostram Wendy (Williams) procurando sua cadela Lucy numa pequena cidade do interior dos EUA. Porém, embora nada ambiciosa, a narrativa prende, instiga, envolve. E Williams cria uma personagem enigmática sobre a qual nada sabemos mesmo depois que a história chega ao fim. No entanto, mais importante do que isso é percebermos que trata-se de uma jovem machucada e triste que provavelmente passou por um grande sofrimento até chegar à condição atual. Fiquei curioso com relação a Wendy, mas o filme é apenas bonzinho, apesar de sua ótima atriz.

postado em by Pablo Villaça em Novos filmes

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