A importância da Fantasia

Luca acordou às oito da manhã – mesmo tendo dormido às 3 da madrugada. Ansioso, correu para brincar com os presentes que ganhara no Natal ao mesmo tempo em que assistia a Wall-E (outro de seus pedidos a Papai Noel). Em certo instante, ao pegar um caderno de desenhos que trazia o Homem-Aranha na capa, o baixinho olhou para o alto e, sem reparar que estava sendo observado à distância por seus pais, sussurrou, emocionado:

– Obrigado, Papai Noel!

Meus olhos se encheram de lágrimas. Esse tipo de inocência, de entrega absoluta à fantasia, é algo que me emociona profundamente. De todas as mudanças pelas quais Luca inevitavelmente passará, creio que uma das que mais lamentarei (que doerá mesmo) será o abandono da crença em Papai Noel. Isto, para mim, representa tudo o que mais me encanta nas crianças: elas não precisam de "provas", de lógica, de nada. Basta a palavra dos pais que, em seus coraçõezinhos puros, jamais: seriam capazes de dizer uma mentira.

E honestamente? Não é mentira. Eu realmente acredito em Papai Noel – ao menos, no sentimento que ele simboliza.

É por isso que estimulo ativamente a imaginação e a fantasia de Luca (e, no futuro, de Nina): na Páscoa, por exemplo, uso a madrugada para fazer pegadinhas de coelho por toda a casa (basta sujar as pontas de quatro dedos da mão com talco ou farinha) levando até os ovos de chocolate; e, no Natal, incentivo Luca a escrever (ou, nos anos anteriores, desenhar) cartinhas para Papai Noel. Aliás, este ano, Luca manifestou certa frustração com o fato de sempre passarmos o Natal na casa de sua avó, já que isso impedia o Bom Velhinho de vir até nossa casa. Assim, ontem à noite deixamos um copo de leite com chocolate sob a árvore e fomos para a casa de minha mãe. Quando voltamos, o leite havia desaparecido e dois presentes encontravam-se em seu lugar com uma cartinha.

Assim que entramos em casa, de madrugada, Luca correu para a árvore e, por um segundo, não viu nada.

– Papai Noel não passou aqui. – ele disse, com uma carinha desapontada. Neste instante, viu os presentes e a cartinha. – Passou, sim! Passou, sim!

Em seguida, correu até o copo de leite: – Ele bebeu tudo!

Como de hábito, meus olhos lacrimejaram. (Luca já está acostumado com o pai chorão.)

Na carta, Papai Noel dizia estar orgulho de Luca por este ser um ótimo irmãozinho e completava: "Diga a Nina que Papai "Leléu" manda um beijo!".

Ora, Papai "Leléu" é como Nina diz Papai Noel quando conversa com Luca (dublada, claro, por seu pai em voz de falsete) – e isto explica o espanto do pequeno ao ler aquilo:

– Ele sabe que Nina fala Papai Leléu!

Sua surpresa com a onisciência do Bom Velhinho, adivinhem, me fez chorar mais uma vez.

Estou ficando pior com a idade.

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina

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