Michael J. Fox: Antes e Agora

Uma das coisas que me fascinam é o envelhecimento do rosto humano. Já escrevi sobre meu próprio envelhecimento aqui e refleti sobre as mudanças exibidas em um fascinante curta neste post, mas a frequência com que me entrego a observar o processo é infinitamente maior que a refletida por estes dois textos. Constantemente, me surpreendo buscando fotos de personalidades que admiro em fases diferentes da vida, tentando ler na versão jovem algum traço daquela que posteriormente se tornará tão interessante e terá vivido e produzido obras que capturaram minha imaginação ou me fizeram crescer. É um exercício ao mesmo tempo tolo e esclarecedor: por um lado, é claro que não estarão no rosto os elementos criativos/existenciais que revelarão a essência do observado (bom, não em grande escala); por outro, é sempre bom lembrar que todos – ao menos os sortudos – passaremos por este processo.

Aliás, se há algo que sempre me espanta é perceber como há jovens que encaram os idosos com desprezo: dia desses, ao sair de um restaurante, vi um senhor de uns 70 anos que estacionava um conversível alguns metros adiante enquanto um grupo de rapazes fazia piadas e ria em volume alto a fim de obrigá-lo a notar como achavam divertido ver um velhinho dirigindo um veículo normalmente associado a tipos joviais. Será que aqueles moleques não compreendiam que: 1) envelhecer é um privilégio – mesmo com seus óbvios pontos baixos; e 2) também chegarão àquela idade?

Não sou daqueles que acreditam que a velhice traz uma sabedoria mágica; é preciso trabalhar, estudar, viver, amar, sofrer e refletir para crescer como indivíduo – e um babaca aos 35 anos provavelmente será ainda um babaca aos 70. Porém, desfazer de alguém ou subestimá-lo(a) em função da idade é de uma tolice tão imensa que tendo a acreditar que, mesmo aos 80, aqueles que agem desta forma se manterão tolos e rirão daqueles com 100.

Mas divago.

A verdade é que comecei a pensar no processo de envelhecimento ao assistir a um episódio da nova série de Michael J. Fox, um ator pelo qual tenho um carinho nascido de minha paixão por De Volta para o Futuro, regado por obras como Pecados de Guerra e amadurecido graças à sua coragem e dignidade diante de uma doença cruel. Eu assistia a Family Ties (no Brasil, “Caras e Caretas”) e a De Volta para o Futuro ainda adolescente e, assim, cresci vendo Michael J. Fox crescer/envelhecer – e sempre me espantei com sua aparente resistência aos efeitos do tempo.

Até agora, ao menos, já que em The Michael J. Fox Show ele aparenta os 52 anos que tem. E, mais uma vez, fui compelido a ler em suas rugas e linhas de expressão tudo o que enfrentou ao longo das últimas décadas e que, ao seu próprio modo, representam a força e a resistência que tanto me impressionam. Ver alguém migrar da adolescência à meia-idade é sempre intrigante se soubermos apreciar a beleza do processo. Porque há beleza. Melancólica de certa maneira, sim, mas ainda beleza.

postado em by Pablo Villaça em Variados

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